XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leituras: Sb 12,13.16-19; Sl 85(86); Rm 8,26-27; Mt 13,24-43

POESIA

A PACIÊNCIA DE DEUS

Reino de Deus, sem limites,
Que cresce imensamente,
Em meio aos males do joio,
Vai se espalhando fortemente,
Para a colheita do amor,
Santa e divina semente.

Reino de Deus paciente,
Que cresce enquanto dormimos,
Que tem raízes profundas,
Pois nele, nós existimos,
Cada dia, cultivados,
E ao semeador nos unimos.

Reino de Deus de bondade,
Que julga com retidão,
Que queima as força do mal,
Com Espírito de purificação,
Convertendo a nossa vida,
A partir do coração.

Reino de Deus consistente,
Cheio de Simplicidade,
Como a pequena mostarda,
Cheia de capacidade,
Que cresce e traz seu verdor,
Com força e vivacidade.

Reino de Deus em mistério,
Fermento que vai crescendo,
Com calma vai se espalhando,
Como que se escondendo,
Mas que vai se construindo,
E aos seus servos acolhendo.

Reino de Deus de alegria,
Que faz a todos, irmãos,
Que nos reúne em festa,
Pra colhermos a união,
Fortalecendo o encontro,
Vivido na comunhão.

HOMILIA

A semente boa, a mostarda e o fermento no mundo

Na liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum, Jesus continua ensinando à multidão camponesa da Palestina. Suas belas parábolas (comparações) tocavam o coração das pessoas e os fazia entender o sentido daquilo que é o Reino de Deus. A linguagem simples de Jesus aproximava cada ouvinte do amor de Deus e o ajudava a encontrar o sentido de suas vidas, nas suas buscas. Talvez a dificuldade dos fariseus em entender Jesus fosse exatamente esta resistência em aceitar um Deus muito próximo. Um Deus simples, amável, misericordioso e paciente com o pecador.

Com que se parece o Reino dos Céus? O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo”. (Mt 13,24). “É também como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo” (Mt 13,31) …Ou “como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado” (Mt 13,33). Essa era a pedagogia de Jesus: perguntar e comparar as coisas do céu com a vida concreta do povo.

A semente boa foi plantada. Depois, outras sementes, piores, foram também jogadas e germinaram juntas com as primeiras. Como entender que Deus, o bom semeador, permita que o maligno semeie o mal em meio ao bem? Esta realidade Jesus percebeu quando pregava ao povo. Enquanto o seu Reino de amor era anunciado, outros também anunciavam os males da divisão. O coração das pessoas ficava, muitas vezes, confuso e dividido. Mas ao mesmo tempo a palavra ia crescendo e se espalhando junto com as ideologias do poder romano. Era preciso deixar que Deus pudesse cuidar do julgamento e oferecer seu parecer.

Inicialmente, o Reino dos céus é simples e aparentemente insignificante, como uma minúscula semente, mas que vai nascendo aos poucos e tornando-se grande como o pé de mostarda. É assim o agir do nosso Deus, ele nos transforma de forma leve e paciente. E nós, aos poucos, vamos nos deixando conduzir por ele. Com o tempo, como seus servos, nos mostraremos como sinais da presença de Deus no mundo.

Aos poucos vamos deixando o seu Espírito agir em nossa vida através da oração. São Paulo nos fala, na segunda leitura: “Nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis” (Rm 8,26). Deixemos Deus agir em nosso caminhar e ele nos mostra as trilhas do nosso percurso.

Jesus insiste ainda que podemos observar o Reino como o fermento. Sem percebermos a sua presença visualmente, ele faz crescer a massa, com sua força química. A força (fermento) do Reino está crescendo em meio à sociedade, sem que possamos ver.

Como entender o ambiente de Paz, respeito e lealdade em nossas repartições públicas e privadas? E a caridade material e espiritual em meio a tanta miséria nas mais diversas realidades humanas? E as manifestações pela vida e pela justiça social, nas ruas e nas praças públicas? É a presença invisível do Reino dos céus crescendo e fermentando os corações humanos com a força do bem.

Em nossas comunidades, se mergulharmos profundamente em suas histórias, perceberemos que muitas coisas mudaram. A comunidade, o grupo ou o movimento nascem pequenos e vão crescendo. A participação do povo aumentou, novos movimentos vão surgindo e se expandem pelos mais diversos lugares da cidade e do campo. Talvez muitas pessoas, que não participam, não percebam. Mas as que estão na caminhada sentem de forma relevante que suas vidas se transformaram e que elas têm uma missão a realizar em favor do bem e da paz.

Olhemos a Igreja e vejamos que ela é a boa semente, o grão de mostarda e o fermento que nasceu, cresceu e se espalhou pelo mundo. Nasceu quando do alto da Cruz foi regada pelo sangue de Jesus. Foi fecundada e, ao mesmo, tempo foi se expandindo em meio aos males e controvérsias do mundo. Mas como semente boa, produziu e produz muitos frutos para o crescimento do Reino de Deus.

O amor de Cristo como fermento, faz crescer no coração invisível do homem a essência e a força do Reino dos céus. Cada batizado, como aqueles servos da parábola, carrega ao mesmo tempo o trigo e o joio. Aos poucos vai se deixando transformar com a força do Espírito Santo, que o converte e o faz Santo. Somente Jesus foi a semente perfeita que, humanamente caído na terra, fecundou e fez nascer a salvação para toda humanidade.

Que o nosso Deus, que é bom, é clemente e fiel (cf. Sl 85/86) venha com o seu Reino, pela ação do seu Espírito, fecundar o coração das crianças, dos jovens, das famílias e dos idosos, para que os frutos do amor, da fraternidade e da paz cresçam e transformem o nosso mundo. Sendo paciente e bondoso, o Senhor faz crescer a sua vinha e no dia oportuno virá para a colheita. Ele julgará com sua justiça a fim de que o seu Reino seja implantado definitivamente.

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Um Comentário

  1. Maria Divina dos santos

    Muito bonito! Que o Espírito Santo seja fermento em nossos corações e cresça em nosso meio os movimentos da esperança, da paz, da solidariedade e do amor ao próximo !!!???

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