COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

Leituras: Jó 19,1.23-27a; Sl 26(27); 1Jo 3-1-2; Jo 6,37-40

POESIA

NOSSA VIDA ESTÁ EM DEUS

Em nós há uma vida escondida,
Há um existir transcendente,
De algo tão permanente,
De portas que se abrem,
Ontem, hoje, amanhã e sempre.

Há em nós um forte chamado,
Para um seguimento ao amor,
Para curarmos da dor,
Pela Palavra santa e eterna
Que cura o nosso clamor.

Há uma busca de eternidade,
Um apego a este existir material,
Um querer ser imortal,
Sendo distantes de Deus,
Na desilusão total.

Está no Senhor, nossa vida,
Feliz, completa, não passageira,
Vida eterna e verdadeira,
Sem pausa e sem decepção,
Nossa vocação primeira.

Está em Deu nosso repouso,
Nossa sede de existência,
Nossa vida sem ausência,
Sem medo e decepção,
Só em Deus, a nossa essência.

HOMILIA

A lembrança dos defuntos fiéis nos aponta para a Glória do Deus vivo

“Pois esta é a vontade do meu Pai: Que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40).

Um dos objetivos que a Igreja nos apresenta para o dia de finados é lembrarmos e meditarmos que a nossa vida verdadeira está em Deus, que somos todos destinados à glória de Deus. Muitos são os textos bíblicos que fazem referências à comemoração dos fiéis defuntos, por isso, mesmo fazendo escolha pelas leituras apresentadas acima, vamos meditar de forma mais geral sobre esse tema.

Quando refletimos sobre a corrupção da carne desprovidos do sentido mais profundo que ela nos traz e com a ausência da iluminação da Palavra de Deus, a morte é o grande incômodo e rompimento da nossa existência. Ela atrapalha nossos sonhos terrenos, projetos e obras humanas; vai contra nossas expectativas, nossos apegos e nossas ligações afetivas.

Mas se buscamos na Sagrada Escritura a explicação, a luz e o conforto verdadeiro com um olhar na eternidade de Deus como destinação de sua glória, teremos outra concepção, e desta vez marcada pela nossa esperança numa vida futura de glória e infinita. Em Deus somos eternos e destinados à salvação para fazer parte de seu Reino. No Senhor temos a vida verdadeira.

O Evangelho citado acima nos apresenta a vontade de Deus manifestada no Filho Jesus Cristo: “Que eu não perca nenhum daqueles que meu Pai me deu, mas os ressuscite no último dia.” (Jo 6,39). A vontade de nosso Deus é que nenhum dos seus filhos se percam, que todos sejam salvos na sua glória. A salvação é a meta de todos aqueles que caminham iluminados pela Palavra do Senhor e que seguem os seus preceitos. Todos queremos o que é bom, o que é santo e o que é eterno.

Esta esperança e essa ânsia de vida perpassa os séculos e os milhares de anos do homem religioso. Podemos ver na primeira leitura as palavras de Jó: “Eu sei que meu Defensor está vivo e que no fim se levantará sobre o pó: quando tiver arrancado esta minha pele, fora da minha carne verei a Deus.” (Jó 19,25-26). O que nos faz refletir estas palavras de Jó? Primeiro, é que Deus é vida e sendo vivo e eterno também nos devolverá a vida dentro de outro plano o qual é perfeito, pois somos uma espécie de pó corruptível. Somos uma matéria marcada pela possibilidade de corrupção, mas neste mesmo corpo seremos reconstituídos para a santidade e salvação eterna.

São João, na segunda leitura, fala que “quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é.” (1Jo 3,2). E isso só acontecerá na glória de Deus. Cristo nos traz a salvação e concretiza a esperança proclamada por Jó. Para a nossa salvação basta-nos a nossa reconciliação em Deus, ou seja, como pecadores devemos buscar a purificação através do sacramento da confissão. Reconhecer nossos pecados e buscar a reconciliação é a atitude concreta dos que querem a santidade e a vida eterna.

O dia de finados nos servirá para a meditação sobre a justiça da morte que, segundo o cântico de São Francisco, vem a todos, ao fraco e ao forte. Segundo o santo ela é irmã dos homens, por ela somos conduzidos para uma vida eterna e verdadeira oferecida por Cristo Ressuscitado. Mas também não se faz necessário que reprimamos nossos sentimentos de saudade em relação aos que já nos deixaram porque eles fizeram parte de nossas vidas e muitos nos ajudaram nesta compreensão do valor da vida em Deus.

Portanto diante dos túmulos visitados, das velas acendidas e das orações proclamadas e das missas celebradas, busquemos mergulhar no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Pois, nele somos também ressuscitados e inseridos na glória celeste. Por Cristo somos chamados à santidade, nos alimentamos da Palavra da consolação, do pão da vida eterna que nos sacia de forma completa.

Seja nossa vida uma constante busca da santidade e do preparo para quando chegarmos a nossa hora, possamos estar preparados para o encontro definitivo com o Senhor que nos chama para estar com ele e que chama a nos unirmos à multidão de todos os que formam o seu Reino de amor e de paz. Amém.

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