XXV Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

 

Leituras: Is 55,6-9; Sl 145(144); Fl 1,20c-24.27a; Mt 20,1-16a

⇒ HOMILIA ⇐

A Justiça de Deus

Mt 20,1-16a

 

Meus irmãos e minhas irmãs, celebramos hoje o mistério pascal apresentado pela Liturgia do XXV Domingo do Tempo Comum, em que o Senhor nos motiva a colocar a necessidade à frente do mérito. E o Evangelho para esta Liturgia está em Mateus 20,1-16.

Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,16a). Esta mensagem de Jesus nos conduz na contramão de uma sociedade que busca os interesses e o lucro acima de tudo. A justiça celeste vai além da justiça terrestre, pois é fruto do amor ilimitado de Deus. O agir de Deus com os filhos nos é apresentado na parábola dos operários da primeira e da última hora.

Para a inteligência humana (desordenada, manchada e empobrecida pelo pecado original[1]) é inadmissível que a remuneração daquele que trabalhou o dia inteiro seja a mesma do outro que trabalhou por apenas uma hora. Nesta parábola, em que Cristo descreve por analogia o Reino dos Céus, podemos tirar muitos ensinamentos.

Inicialmente, Mateus nos remete à palestina no tempo de Jesus, em que muitos marginalizados buscavam também a sua dignidade no trabalho. Contemplando a vida do povo, Jesus denuncia esta cruel realidade socioeconômica. Um segundo ponto nos é apresentado: a categoria dos trabalhadores da primeira hora, que se refere ao povo da primeira aliança, os judeus.

Jesus enfrentou muitas adversidades por ter acolhido pessoas que não faziam parte do grupo do povo considerado escolhido, o povo eleito. O novo Povo de Deus, pastoreado pelos Apóstolos e discípulos de Cristo, são os operários da última hora, os quais tem o mesmo direito ao Reino de Deus. São os que recebem o mesmo pagamento pela sua participação na vinha.

A atitude do patrão para com os empregados da última hora é de generosidade e de misericórdia e não de injustiça. Ele cuida de todos com amor. Isaías nos diz em seu texto: “meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra” (Is 55,9).

Somente uma vida marcada pela adesão ao caminho de Jesus poderá nos colocar ao lado do patrão que paga a todos igualmente sem se importar com o tempo de cada um. O nosso serviço à Igreja é gratuito. Não podemos cobrar de Deus o tempo gasto na vida pastoral. Deve-se dar graça por todo tempo com o Senhor, seja por experiência ou por aprendizados na vida cristã.

Devemos acolher quem está iniciando um processo de encontro com Jesus, seja criança, jovem ou idoso. Eles também são os operários de última hora. Eles têm o mesmo direito às dádivas de Deus do que os que chegaram nas primeiras horas.

“Só uma coisa importa: vivei à altura do Evangelho de Cristo” diz São Paulo aos filipenses (Fl 1,27a). É o amor ao Evangelho que nos permite compreender os pensamentos de Deus. Viver a palavra de Jesus é, portanto, ter a postura justa e amável, pelo bem dos irmãos.

E neste terceiro Domingo do Mês da Bíblia rezemos por todos os operários que escutaram a Palavra do Senhor e foram convidados para trabalhar na Sua vinha. Que possamos abraçar cada vez mais aquilo que Deus nos ensina sobre a sua justiça e seu amor. Rezemos com o salmo: “É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz” [Sl 145(144)]. Busquemos a santidade do Senhor para sermos sinais do Reino dos Céus no nosso cotidiano.

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[1] Cf. Catecismo da Igreja Católica, números (i) 402-406 (consequências do pecado de Adão e Eva para a humanidade); (ii) 1250 (o Batismo de crianças), 1607 (o pecado como rompimento da comunhão original em Adão e Eva) e 1609 (o sacramento do Matrimônio como instrumento de misericórdia para restaurar a comunhão original) e (iii) 1707 (a mancha do pecado original na alma feita perfeitamente por Deus), 2259 (morte de Abel) e 2515 (definição e tipos de concupiscência). Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html>.

 

 

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⇒ POESIA ⇐

Os Pensamentos do Senhor

Os pensamentos do Senhor,
Dos nossos estão distantes,
Porque são todos perfeitos,
Retos e também constantes,
Transformam a nossa existência,
São justiça e paciência,
Amáveis e fascinantes.

A justiça do Senhor,
Nasce da sua bondade,
Das ações do acolhimento,
Nas tantas realidades,
Acolhe quem está chegando,
A todos o amor doando,
Além das nossas verdades.

O agir do nosso Deus,
Quer a todos converter,
Sendo bom e generoso,
Para o seu reino crescer.
Assim são seus pensamentos,
Não importa o momento,
Quer sua vinha colher.

O amor de nosso Deus,
Nos chama pra sua a missão,
Trabalhar na grande messe,
Pela evangelização,
A Sua justiça pregar,
Seu amor testemunhar,
Em favor da salvação.

Somos todos operários,
Qualquer hora convocados,
Não importa quem nós somos,
Nem quando somos chamados,
O importante é atender,
O caminho percorrer,
Para ser recompensado.

Que a Santa Eucaristia,
Tire nossa ambição,
Nossa inveja e ciúme,
Que nos leva a perdição,
E que na comunidade,
Se viva a fraternidade,
Amor, vida e união.

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*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos ensina como é o Reino dos Céus, ilumine o seu caminho! ***

 

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