XXXI Domingo do Tempo Comum, Ano B, São Marcos

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Leituras: Dt 6,2-6; Sl 18(17); Hb 7,23-28; Mc 12,28b-34

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Amar a Deus por Inteiro e ao Próximo como a Si Mesmo

Mc 12,28b-34

 

Meus Meus irmãos e irmãs, a Liturgia do XXXI Domingo do Tempo Comum, do Ano B, nos apresenta Jesus ensinando sobre o mandamento do amor a Deus, com todo nosso ser, e ao próximo como a si mesmo. E o Evangelho desta Liturgia está em Mc 12,28b-34, passagem que está localizada na quarta parte do Evangelho segundo São Marcos, intitulada “O ministério de Jesus em Jerusalém”.

Nesta liturgia, Jesus, depois de uma longa viagem com os discípulos, está em Jerusalém, onde aconteceriam confrontos com as autoridades. Porém, um mestre da Lei pergunta, em tom amistoso, “qual é o primeiro de todos os mandamentos?” (Mc 12,28). Em resposta, apresenta dois mandamentos: o primeiro é escutar e amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, todo entendimento e toda força; o segundo é amar ao próximo como a si mesmo (cf. Mc 12,29-31).

O que Jesus proclamou para aquele mestre da Lei está primeira leitura desta Liturgia quando Moisés proclama ao povo: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6,4-5). Jesus acrescenta um segundo mandamento esquecido pelos mestres da Lei, que é a atitude do amor ao próximo.

Portanto, o amor é a base de todo mandamento ensinado por Jesus, um amor que se eleva a Deus e se estende ao irmão, uma amor que é vertical e horizontal, rompendo o intelectualismo, a indiferença e a falta de caridade dos fariseus, mestres da Lei e saduceus. Parece-nos que a Lei mosaica ignorava o cuidado e o amor ao próximo.

A segunda leitura desta Liturgia, da Carta aos Hebreus, apresenta Cristo como novo e eterno sumo sacerdote que nos traz a salvação e oferece aos Seus discípulos, ao povo e às autoridades religiosas, o entendimento pleno da Lei, pois Ele é o próprio Verbo de Deus(1). Nesse sentido, os cristãos, pelo batismo, são chamados a viver, como povo sacerdotal, o verdadeiro culto e amar a Deus com toda força e ao próximo como a si mesmo.

Num mundo, muitas vezes, conduzido por obrigações e leis vazias de humanidade, os cristãos são convidados a cumprir os mandamentos de Deus e as leis temporais a partir do amor de Cristo, fazendo a diferença no convívio social e nos diversos campos da existência humana. Talvez a ausência deste amor em nossos governantes explique a falta de dignidade, de justiça, a negação dos direitos às pessoas e também a ausência de fraternidade e de paz entre as nações.

Retomando a Patris Corde(2) , a qual o Papa Francisco dedica a São José, verdadeiro “ministro da salvação”, hoje nos veremos em três aspectos. O primeiro, “Pai amado”, trata da sua colaboração com o plano da salvação e, por isso, tem sido muito amado pela piedade, tanto que a tradição nos indica invocá-lo nas quartas-feiras e no mês de março. O segundo, “Pai na ternura”, mostra que foi, para o Menino Deus, reflexo da ternura de Deus. Ternura esta que encontramos na Confissão e que conta com nossas fraquezas, às quais devemos acolher também com ternura (as nossas e as do próximo). Por fim, “Pai na obediência”, que nos indica como foi obediente a Deus (pelos sonhos e pelos preceitos) e justo com as leis temporais, a exemplo do recenseamento. Com ele, Jesus aprendeu a ser submisso aos pais (cf. Ex 20,12).

E encerrando o Mês das Missões e do Rosário, queremos recordar que o Rosário, através da Ave-Maria, do Pai-Nosso e das jaculatórias, é um tesouro que a Igreja nos oferece para contemplarmos o projeto salvífico na ação do Filho, nosso redentor, e do Espírito Santo, nosso santificador. Deste modo, nos mistérios gozosos contemplamos os primeiros anos e a existência oculta de Jesus, nos luminosos nos colocamos diante do Seu ministério público, nos dolorosos a Sua paixão e nos gloriosos a Ressurreição até a coroação de Nossa Senhora.

Peçamos ao Espírito Santo o dom da fortaleza para que possamos ser fonte de amor sendo sal da terra e luz do mundo e cantemos com o salmista “Eu Vos amo, ó Senhor, porque Sois minha força!”. Amém.

*   *   *
(1) CNBB / Roteiros homiléticos para o Tempo Comum II (setembro – novembro): “Viva e eficaz é a Palavra de Deus”, Ano B – São Marcos. Brasília: Edições CNBB, 2021, p. 56.
(2) Disponível em: <https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html>. Publicado em: 8 dez. 2020. Acesso em: 15 out. 2021.

 

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⇒ POESIA ⇐

O Principal Mandamento

O mandamento do Senhor
Como sendo o primeiro,
É o amor ao Deus altíssimo,
E nos envolve por inteiro,
Abrange nosso coração,
Toda a alma e a razão,
De nós, os seus mensageiros!
*
O segundo mandamento,
É o amor para com o irmão,
E também para si mesmo,
Numa mesma dimensão,
Pois, o amor é o fundamento,
O principal mandamento,
Da perfeita comunhão!

*
O mandamento do amor,
Faz tudo ficar completo,
Abarca toda a Lei,
Em tudo ele é correto,
Porque o amor é abrangente,
Vem de Deus onipotente,
E aponta o caminho certo!

*
Os mandamentos são vias,
Para com Deus caminhar,
Apontam pra santidade,
Pra gente se endireitar,
Quem segue tem liberdade,
Seguirá pela verdade,
Destino pra se salvar!
*
Pra poder ser bom discípulo,
Guarda-se no coração,
Os preceitos do Senhor,
Pra seguir sua missão,
Num viver obediente,
Amando e sendo crente,
No Deus da libertação!
*
Por isso que um bom cristão,
Vive sempre a praticar,
Os mandamentos de Deus,
Segue a testemunhar,
Guarda no seu coração,
Ama a Deus e ao irmão,
E a si mesmo, se amar!
*
Que a vivência do amor,
Dos discípulos em união,
Tragam para o mundo a paz,
Justiça para os irmãos,
Venha o Reino acontecer,
Vida digna a se estender
Da mesa da comunhão!

 

*   *   *

 

Referência da imagem: J. Tissot (1836-1902), In thejewishmuseum.org.

 

Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos motiva amar a Deus com toda a força e
com toda a inteligência e ao próximo como a si mesmo, ilumine o seu caminho!

 

 

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