Os Bons Samaritanos

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Os Bons Samaritanos

 

Em uma noite de estrelas,
Ao ronco dos carros na pista,
E um olhar na rua e nos pobres,
Há alguém que acolhe os que caem.
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Há mãos estendidas para levantar os que caem,
Há abraços forçados que seguram os desequilibrados,
São os irmãos que rezam, que adoram Jesus,
Eles estão ali.
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Mas, ainda há alguém que não é acolhido
E que espera os bons samaritanos.
Porém, olhar os que estão no desamparo
E passar por eles e sentir pena,
Não faz a diferença…
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Dar umas moedas nos deixa com ar de caridosos,
Dizer que sempre será assim é muito cômodo!
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Talvez a culpa é do sistema,
Que eles são vagabundos,
Que não tem iniciativa própria.
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É como livrar nosso corpo da culpa,
E sair andando com ar de conscientes,
Eis aí o nosso pecado capital.
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E como dormir tranquilo, nesta noite?
Sem se preocupar com os caídos pela estrada…
Sem refletir que eu poderia ser um deles?
Ou imaginar que eles poderão
Talvez ser melhores do que nós.
*
E nesta noite de estrelas,
Sou eu também carente,
Sem respostas para as indagações de minha alma,
Ainda quebrado, esfacelado, pouca esperança…
Guardando um pouco de fé:
Fé em Deus. Fé na vida, também no amor….
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O poema de hoje é em prosa, ou seja, não há presença de rimas. Se chama Os Bons Samaritanos. Trata-se de um texto poético com um olhar social e religioso. Social porque contempla as realidades de sofrimento dos pobres, como sendo esta realidade, na sua grande parte, consequência do descaso dos nossos governos. Religioso porque, mesmo sendo competência das políticas públicas atender e ajudar os desempregados e povo da rua, independente da ação, existem os bons samaritanos, o que “fazem o bem sem olhar a quem”. Eu compus em 2005, um ano depois que cheguei a Brasília, ainda desempregado, conheci o trabalho dos irmãos da Toca de Assis os quais acolhiam e cuidava dos pobres levando-os para a casa da Toca, onde ofereciam comida, banho e alguns dormiam naquele lugar.

E foi no início de uma noite de janeiro de 2005, no Gama, que eu passava e vendo um irmão da Toca de Assis levando pela a rua outro irmão faminto o qual parecia muito fraco, com dificuldade de caminhar, que neste nasceu este poema: Os Bons Samaritanos.

 

São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá, de L’Osservatore Romano (1982). In <register.com/news/what-i-learned-from-mother-teresa>.

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Foto de Vitaly Kushnir (2021). In <pexels.com/pt-br/foto/sombrio-escuro-rodovia-estrada-10649807/>

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“Santo Antônio Distribuindo Pão”, de Willem van Herp (1614-1677). In <commons.wikimedia.org/wiki/>: “File:Willem van Herp (I) – Saint Anthony of Padua (?) distributing Bread.jpg” – Domínio público.

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Centro de São Paulo (nov. 2022). In Arquivo Pessoal.

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“Um sem teto segurando Uma Xícara Com Dinheiro”, foto de Timur Weber (2021). In <pexels.com>.

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Foto de Timur Weber (2021). In <pexels.com/pt-br/foto/adulto-mendigo-pedinte-cidade-9531993/>.

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“O Fariseu e o Publicano”, de J. Tissot (1836-1902). In <brooklynmuseum.org>: “The Pharisee and the Publican”.

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Foto de Cottonbro Studio. In <pexels.com/pt-br/foto/cama-leito-quarto-dormitorio-6474008/>.

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Foto de Freepik. In <freepik.es/foto-gratis/hombre-rompiendo-hogaza-pan_10722309.htm>.

Foto de Jerome Rançon (2020). In <pexels.com/pt-br/foto/astronomia-astrofotografia-celestial-divino-9471659/>.

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“A Oração Noturna de Davi”, de J. Tissot (1836-1902) & Discípulos. In <thejewishmuseum.org>: “David Praying in the Night”.

 

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