XIX Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

 

Leituras: 1Rs 19,9a.11-13a; Sl 85(84); Rm 9,1-5; Mt 14,22-33

 

⇒ HOMILIA ⇐

Chamados e Enviados a Remar com o Senhor

Mt 14,22-33

Meus irmãos e irmãs, celebramos hoje o mistério pascal apresentado pela liturgia do XIX Domingo do Tempo Comum. O Evangelho para este Domingo está em Mt 14,22-33, em continuidade ao Evangelho do Domingo passado.

Após a multiplicação dos pães, Jesus ordena que os discípulos entrem na barca e sigam para o outro lado do mar (cf. Mt 14,22). Depois do milagre do pão, é hora de seguir em frente. Caminhar é preciso, mesmo em meio aos desafios da vida. É preciso avançar na missão. Do outro lado há necessitados da salvação e da misericórdia de Deus.

Jesus procura um lugar para sua oração pessoal (cf. Mt 14,23). Isto para mostrar (e ensinar) a seus discípulos a sua sintonia com o Pai. Para quando navegarem nas ondas do mundo, dentro da barca dele, terem a fé fortalecida e seguirem em frente no anúncio da esperança.

É madrugada e os discípulos estão no alto mar. A barca está agitada e, sem Jesus, os discípulos são invadidos pelo medo de afundarem. Jesus vem ao encontro para acalmá-los (cf. Mt 14,25). Pensam se tratar de um fantasma. E Jesus os deixa tranquilos: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,26-27).

A cena prossegue e Jesus os chama para que o encontrem mesmo em meio a tempestade. Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e começando a afundar, gritou: ‘Senhor, salva-me!’ Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: ‘Homem fraco na fé, por que duvidaste?” (Mt 14,29-30). Sair da barca e deixar os outros não foi uma boa opção para Pedro, ele começou a andar, mas afundou. Jesus entra na barca e devolve Pedro ao grupo e a calmaria retorna.

Quantos ensinamentos podemos colher das cenas deste Evangelho. Falando em ondas e tempestades, refletimos que aquele acontecimento no mar de Tiberíades ficou marcado na mente e no coração dos discípulos, principalmente na pessoa do apóstolo Pedro o qual, depois da ressurreição, enfrentou muitas perseguições do Império Romano.

A presença de Cristo nos desafia a ir ao seu encontro pela nossa fé, com a alegria que o próprio Evangelho nos alimenta, com a confiança e a esperança. A fé é que nos faz ter segurança diante das tempestades da vida. A fé que nos faz reconhecer o Cristo como aquele que tem o total poder sobre as tribulações e tempestades causadas pelos poderes do mal. Os cristãos seguem Jesus na barca que é a Igreja e muitas vezes caminham sobre as águas deste mar bravio que é o mundo. Mundo das superficialidades da vida, das ideologias relativistas e reducionistas e das injustiças que só os causam insegurança e uma mentalidade fantasiosa da existência humana.

Na tempestade do mar da Galileia, o evangelista Mateus nos fala: “Assim que subiram no barco, o vento se acalmou” (Mt 14,32). Quando deixamos Jesus entrar na nossa barca, na barca de nossa vida, as coisas se acalmam e podemos seguir a travessia. É na calmaria que podemos encontrar a direção da nossa existência. É na confiança da presença de Deus que somos impedidos de afundar na insegurança e no medo de avançar em nosso caminhar.

Os momentos de encontro com o Senhor nos faz seguir pelo mar da vida, vencendo as tempestades junto com os nossos irmãos e irmãs. Confiemos nossa travessia de discípulos ao Cristo que nos oferece sua mão protetora para o retorno à barca. Ele é quem nos salva dos naufrágios da vida. Rezemos com o refrão do salmo 84(85): Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!” Amém.

 

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⇒ POESIA ⇐

A Travessia do Mar da Vida

 

No remar da nossa vida,
Nas noites das tempestades,
Nas chegadas e partidas,
Em nossas fragilidades,
Procuremos o Senhor,
Que nos dá tranquilidade.

E ao fazermos a travessia,
Nos mares da insegurança,
Busquemos a harmonia,
Nossa força e esperança,
Com o olhar fixo em Cristo,
Ele nos dá segurança.

Nas nossas noites escuras,
Nossa fé, fortifiquemos,
Quando vem as amarguras,
Em Deus todos confiemos,
Para seguirmos no mar,
Sem que nós nos afundemos.

Nossos medos e tristezas,
Não nos venha apavorar,
Não nos tire a beleza,
Da vida e do caminhar,
Para vivermos a missão,
Firmes e sem vacilar.

Que a barca do Senhor,
Vença as tribulações,
E que a força e o amor,
Traga paz entre as nações,
Nossa Igreja a remar,
Vencendo as contradições.

Que a mesa da alegria,
Reúna todos os irmãos,
Com a paz e harmonia,
Sangue e Corpo, comunhão,
Que chama à fraternidade,
Destino à ressurreição.

 

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*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos acalma em meio às tempestades, ilumine o seu caminho! ***