XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Is 53,10-11; Sl 32(33); Hb 4,14-16; Mc 10,35-45

 

POESIA

ENTRE NÓS NÃO DEVE SER ASSIM

Entre nós não deve ser assim:
Quem caminha em missão
Não deve ser o primeiro,
Mas viver a servidão.
Precisa de humildade,
Servir com simplicidade
E sem a dominação.

Entre nós não deve ser assim:
Nada de popularismo,
Nem querer os pedestais
E nem o autoritarismo.
Não deve assim viver,
Devem é se converter,
Pra não cair no abismo.

Entre nós não deve ser assim:
Não esqueçamos nossa essência.
Para vivermos a Palavra,
Fazendo a experiência.
Pra viver o discipulado,
Precisamos estar focados,
E ter muita consciência.

Entre nós não deve ser assim:
Luz do mundo, sal da terra,
Nas tantas realidades,
Plantar paz e não guerra,
Semeando o amor,
Seguindo sempre o Senhor,
Caminho que ninguém erra.

Entre nós não deve ser assim:
Deve haver sempre a partilha,
Nas nossas comunidades,
Seguindo sempre as trilhas,
Do Senhor que nos chamou
E pro mundo nos enviou,
A ser luz que brilha.

Entre nós não deve ser assim:
Devemos sempre servir
Com amor e alegria,
Sem nada de oprimir.
Ser profetas da verdade,
Ser sinal de caridade,
Mundo novo construir.

Entre nós não deve ser assim:
Vamos viver em missão,
Na Trindade iluminados,
Corpo e alma em doação.
A festa em comunidade,
Busca da fraternidade,
Em Deus, nossa comunhão.

 

HOMILIA

Ser discípulo de Cristo, é servir

Neste 29º domingo do tempo comum caminhamos com Jesus em missão, aprendendo dele sobre o verdadeiro discipulado. Como sabemos, a missão é a essência da nossa ação evangelizadora, sem missão a Igreja não será fecunda e não será sinal para o mundo. No mês missionário, a Igreja faz a coleta para as missões a qual é muito importante para manter os projetos missionários dentro e fora do nosso país. É importante salientar que quem ajuda, fazendo sua oferta na coleta para as missões, já é também missionário. Muitas vezes não temos disponibilidade para levar a Palavra como gostaríamos. Portanto, é um gesto nobre para a vivência cristã ser sensível e solidário àquilo que a Igreja realiza.

A liturgia deste domingo nos apresenta Jesus caminhando com os discípulos para Jerusalém, quando dois deles, Tiago e João, motivados pela concepção de um reino terreno, fazem diante de Jesus um pedido ingênuo e desconcertante para o seu mestre: “Deixa-nos sentar um a tua direita e outro a tua esquerda, quando estiveres na tua glória. (Mc 10,37). Esta atitude dos dois discípulos causou um problema no grupo e os outros dez ficaram indignados com Tiago e João (cf. Mc 10,41), porque, com certeza, almejam o mesmo.

Jesus, diante desta situação, orienta os discípulos quanto à seriedade do que é viver o compromisso do Reino. Ser discípulo, não é tão simples, pois requer atitudes diferentes dos poderes do mundo. O Mestre alerta: “entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos” (Mc 10,43-44). Jesus deixa claro que o discípulo deve viver o serviço, oferecendo a própria vida. Esta reflexão está ligada à primeira leitura, quando Isaías apresenta o servo sofredor que oferecerá a sua vida em expiação (cf. Is 53,10), depois a segunda leitura, Carta aos Hebreus, que afirma: “temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas…” (Hb 4,15).

Jesus é o servo de Deus que oferece a sua vida. É o sumo sacerdote que oferece a sua vida para o resgate de todos no seu Reino. Ele se entrega totalmente ao serviço do Reino do Pai. Lava os pés dos discípulos, apresentando-os o gesto concreto de simplicidade e desprendimento de quaisquer honrarias, prepotência e desapego ao poder.

Portanto, todos os que querem seguir Jesus devem ter bem claro as exigências do seguimento: não querer ser o melhor ou o mais autoritário. Não deve oprimir os outros, e nem querer o primeiro lugar, como privilégio diante do mundo, porque essa postura já está presente no mundo. Mesmo nos regimes democráticos, os chefes já trazem muita opressão e imposição sobre as pessoas.

Estas orientações de Jesus estão praticamente na contramão da mentalidade humana. Estamos sempre em busca de ser o primeiro nas nossas empresas, nos concursos, no esporte, na nossa vida profissional e etc. Claro que ninguém deve ser irresponsável nos seus ofícios. Deve ser justo e comprometido naquilo que realiza e também nunca deve-se usar as habilidades e dons para menosprezar ou se desfazer do outros. Pelo contrário, é com nossos dons e bens desenvolvidos que servimos melhor ao outro e é com nossa doação que contribuímos melhor para um ambiente de paz onde quer que estejamos.

A vida do discípulo missionário é exercida nos diversos ministérios das comunidades cristãs. Nossa ação deve estar orientada para servir melhor aos irmãos nas diversas situações de vida, mesmo que haja a cruz das críticas e dificuldades diante do ministério. Mesmo quando exercemos coordenações de grupos, quando representamos conselhos pastorais, devemos servir com humildade e simplicidade, sem querer ser o melhor ou o maior.

Entre nós cristãos não deve haver indiferença, nem dominação, não deve imperar a prepotência e a insensibilidade. Entre as nossas comunidades é essencial a solidariedade, a colaboração, a escuta da Palavra, onde há a mesa da partilha e da alegria. Deve haver a festa, onde todos possam perdoar e retornar à dignidade de filhos muito amados e em comunhão com Deus.

Peçamos as luzes do Espírito Santo para que ilumine a nossa missão e nos leve a ser um sinal de humildade e de vida neste mundo marcado pelo autoritarismo, pelo egoísmo e pela opressão sobre os mais simples e pobres. Os cristãos devem apresentar ao mundo o rosto do Cristo misericordioso e servidor, pois é essa ação divina que liberta e salva a todos que querem seguir o supremo mestre.