V DOMINGO DA PÁSCOA

ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: At 9,26-31; Sl 21(22); 1Jo 3,18-24; Jo 15,1-8

POESIA

NOSSA ETERNA VIDEIRA

Cristo nossa videira eterna,
Pela força do amor,
Faz-nos seus ramos vivos.
E o Pai, o agricultor,
Poda-nos pra santidade,
Dá-nos a vivacidade,
A seiva do salvador.

Cristo tronco vivo e eterno,
Igreja ramo a frutificar,
Pelo mundo espalha os frutos,
E as sementes a germinar,
E pelo Pai tendo cuidado,
Pelo filho muito amado,
Vida nova a regar.

Nem um ramo viverá,
Sem à videira, ligado
Precisa permanecer,
E ao tronco enxertado,
Para ter vida de paz,
E a seiva, amor que refaz,
Mundo novo instaurado.

Nos unindo como irmãos,
Em Cristo permanecendo,
Somos ramos em evolução,
E muitos frutos oferecendo,
A esperança será constante,
Frutos doces a todo instante
E a vida nova oferecendo.

Seiva que traz o verdor,
E o existir em harmonia,
A vida com seu sentido,
Que floresce na alegria,
Dá sentido à nossa essência,
Motiva nossa existência,
Sendo à noite ou à luz do dia!

Força, fonte e beleza,
Faz os ramos em união,
O encontro à videira tão bela,
Festa que se faz de irmãos,
No encontro de paz e partilha,
Vinha que cresce e que brilha
Povo novo em comunhão.

 

HOMILIA

Cristo é nossa videira verdadeira

A liturgia deste quinto domingo do tempo Pascal nos apresenta Jesus que se denomina como a videira verdadeira. Jesus, que viveu dentro de uma realidade de plantadores de uvas, contempla o trato e o cuidado dos agricultores com cada ramo de parreira. Olhando para a Igreja, nós somos os ramos da videira e formamos a grande vinha de Deus. E se queremos produzir bons frutos devemos permanecer unidos a Ele. Jesus apresenta o Pai como o agricultor, ou seja, aquele que cuida da plantação podando os galhos e tirando os excessos de ramos secos que impedem a produção dos frutos.

Quando Jesus nos fala que é a videira verdadeira, nos vem naturalmente algumas perguntas: O que é a videira falsa? Porque o Pai é o agricultor? No tempo da promessa (Antigo Testamento) podemos verificar que Israel foi considerado como uma videira que nem sempre produziu bons frutos. Em alguns momentos produziu as uvas que nasceram amargas e inúteis (cf. Jr 2,21). Em outros momentos acumularam galhos seco e inférteis.

Faz necessário que os ramos sejam podados para que estejam limpos e com o objetivo de produzir bons frutos. Esta poda que se dar pelas atitudes de conversão e pelo novo caminhar, que retoma a vivacidade dos ramos que estão ligados ao tronco, que é o próprio Cristo.

Jesus é a videira verdadeira. A partir da sua encarnação e da ressurreição, nasce a vida nova. Ao mesmo tempo ele produz muitos ramos e frutos. Diz Jesus: “Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5b). Faz necessário permanecer ligado a ele para dar bons frutos. Pois dele brota a seiva, o amor que traz a vitalidade, o sabor e o sentido da nossa existência.

Não faz sentido ramos desligados da vida em Deus pela autossuficiência e pela ignorância em relação à Palavra. Quando agimos assim temos como consequência o vazio e o sentimento de abandono, como se Deus não estivesse caminhando conosco. Como se estivéssemos desligado do sentido de existir e por isso não se transmite vida e nem se irradia o seu sentido.

Nós, cristãos, somos os ramos que se ligaram a Cristo a partir do batismo e por isso precisamos permanecer unidos entre si e ao mesmo tempo ligados ao tronco. Precisamos deixar-nos ser podados pelo agricultor divino para que ele nos tire os ramos secos e improdutivos representado pelos nossos pecados.

Se nomearmos esses ramos secos (pecados) podemos dizer que estes se traduzem no nosso comodismo, na nossa indiferença, na nossa incoerência, na distância de quem amamos, nas nossas injustiças, falta de cuidado com o outro e as tantas maldades que praticamos contra nossos irmãos e irmãs.

O novo povo de Deus é a grande videira que espalha seus ramos pelo mundo através dos discípulos do Senhor. E nessa caminhada de fé e missão poderemos saborear frutos deliciosos, seja quando nos encontramos ao redor da mesa da Eucaristia e da Palavra ou quando partilhamos nossos sonhos e propósitos junto aos que amamos e também quando estamos perto das pessoas que sonham conosco, por um mundo que se parece com uma vinha de harmonia, amor e paz, como sendo os frutos doces que alegram e animam a existência humana e a criação de Deus.

A comunidade cristã, portanto, é o lugar onde nos relacionamos como ramos (irmãos) para expressar o esplendor da vida, da alegria e da beleza de nossa união. Isto acontece nos momentos de conversas, de confraternizações, nas orações e nas celebrações, onde o pão e o vinho são partilhados, onde acontece a união da vida em Cristo pelo encontro com ele e com os outros.

Quanto aos frutos, temos as obras concretas de caridade aos irmãos que se realizam nos movimentos a favor da justiça e da vida, nas campanhas de ajuda aos pobres, nos diversos projetos sociais e na conscientização política a favor do bem comum, quando os impostos são bem empregados em favor das pessoas.

Na segunda leitura desta liturgia, São João nos adverte: “não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!” (1Jo 3,18). A falta de amor aos irmãos corresponde a improdutividade da videira ou ao desligamento de Cristo. A lei do amor é praticada quando as nossas atitudes forem coerentes com nossos discursos, os quais, às vezes, são puramente teóricos.

Sem a presença do amor de Deus em nossas vidas, somos como galhos secos e sem vida. Quantas vezes dizemos que amamos a Cristo quando estamos dentro da Igreja, mas ao sair na rua já desprezamos um necessitado ou um doente. Em quantos momentos de euforia pregamos tão bonito e no nosso cotidiano somos incoerentes com tudo que falamos.

Por isso é importante sempre revermos nossas ações, nossos pecados, nossa miséria para que sejamos podados pela graça purificadora do perdão de Deus. E, sobretudo, nos perguntar como está a nossa harmonia de vida em nosso caminhar. Se buscarmos o contato com o ser infinito de Deus, nos tornamos mais expressão dele onde quer que estejamos e também naquilo que fazemos.

Peçamos ao Espírito Santo que a sua luz nos ilumine e nos faça iluminados, porque somos também iluminadores quando estamos unidos a Cristo. Precisamos iluminar o mundo que está em guerra e que também explora e massacra a criação de Deus, seja o homem, seja a natureza, a terra, “nossa casa comum”. Amém.

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Um Comentário

  1. “sem a presença do amor de Deus, somos galhos secos e sem vida”- Que nunca falte essa presença em nossas vidas _ o amor de Deus 🙏

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