VI DOMINGO DA PÁSCOA, ANO  C – SÃO LUCAS

 

Leituras: At 15,1-2.22-29; Sl 66(67); Ap 21,10-14.22-23; Jo 14,23-29

“Jesus se despede dos discípulos”, por Duccio (*1308+1311)


Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

Tempo Pascal: um grande Domingo

Jo 14,23-29

 

O Nosso caminhar dentro do tempo Pascal chega ao 6º domingo e assim nos aproximamos do Pentecostes, momento litúrgico em que a Igreja celebra a descida do Espírito Santo sobre todos os que estavam reunidos no “Cenáculo de Amor”, a Igreja que acabara de nascer. Estavam ali os primeiros discípulos e missionários da Igreja de Cristo.

A liturgia deste domingo, portanto, nos conduz a uma reflexão que retoma o tema do evangelho passado: o amor é a base da vivência cristã, é o mandamento maior que leva os homens a construírem uma vida de comunhão, paz e justiça. E este amor não é abstrato, ele está voltado para a Palavra do Senhor que nos conduz ao Pai (cf. Jo 14,23).

É a escuta e a obediência desta Palavra entre os discípulos que faz a comunhão. Já os desafios da missão da Igreja, quando esta foi se expandindo pelo mundo, são enfrentados graças ao Espírito Santo prometido pelo Senhor, como descrito pelo evangelista: “ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 14,26b).

Para melhor compreender o versículo citado acima, podemos rever a primeira leitura. Na passagem, poderemos observar a discussão entre os que anunciavam o Senhor. Surge, então, a questão dos ritos de inserção vindos da lei judaica (no caso, a circuncisão) e se deveria ser observada por aqueles que queriam fazer parte do grupo dos apóstolos de Jesus, os primeiros cristãos.

Naquele momento surge a necessidade da abertura para uma lei que possa ir além do templo e das tábuas escritas. Aqui podemos retomar o Evangelho que cita o amor (acolhimento) como o critério principal para receber os novos convertidos no grupo dos apóstolos.

Também percebemos a ação do Espírito Santo quando são enviados de Jerusalém, missionários para levarem a mensagem da decisão dos apóstolos: “Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem. Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas.” (At 15,27-29).

Todas estas situações acima citadas são realidades que aconteceram e acontecem entre os cristãos, pois a Igreja terrestre necessitou e necessita da conversão e da purificação constante como afirmou o Papa Emérito Bento XVI: “A Igreja é a esposa de Cristo, o qual a torna santa e bela com a sua graça. Contudo esta esposa, formada por seres humanos, está sempre necessitada de purificação. E uma das culpas mais graves que deturpam o rosto da Igreja é contra a sua unidade visível, sobretudo as divisões históricas que separaram os cristãos e que ainda não foram totalmente superadas”[1]. Esta purificação vem do Espírito Santo prometido por Jesus, pois é na caminhada dos primeiros anunciadores marcados pelas perseguições, opiniões diversas, discursões doutrinais que a ação do Deus Trindade está presente.

Não podemos imaginar uma Igreja que nasceu por que os colaboradores de Jesus já eram todos santos, somente o próprio Cristo era o Deus homem, o Santo e o vencedor da morte. Para se viver a santidade todos os apóstolos passaram pela purificação como homens terrenos, porque acolheram a força da ressurreição e seguiram firmes na fé guiados pelo Paráclito. A crença nas promessas de Jesus foi fundamental para que chegasse até nós o Evangelho e a mensagem da Boa-Nova.

Agora podemos nos maravilhar daquilo que o Senhor falou aos seus discípulos no seu discurso preparatório de despedida antes de subir ao céu: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Jo 14,27).

Seguir o Senhor ressuscitado é ser guiado pela paz que nos conforta e nos deixa o coração livre para enfrentar os desafios da vida cotidiana e da missão evangelizadora.

Podemos ainda meditar com o livro do Apocalipse, quando João nos fala do novo templo que é próprio o Senhor, o Cordeiro Santo: “Não vi templo na cidade, pois o seu Templo é o próprio Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro.” (21,22). Esta deve ser a nossa compreensão de culto, pois viver a adoração ao Senhor na nova aliança agora não é mais estar preso ao espaço físico, à lei mosaica, porque se faz necessário viver o amor no mundo e saber que o Senhor está em todo lugar e inclusive em nós, em nosso coração, como templos vivos para a sua habitação e nossa santificação. Amém.

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[1] Bento XVI, homilia dominical na Praça de São Pedro, 20 de janeiro de 2013. Disponível em: <http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/angelus/2013/documents/hf_ben-xvi_ang_20130120.html>. Acesso em: 21 maio 2019.

 

 

 

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⇒ POESIA ⇐

O amor é a nova lei

 

Amar, regra primeira,
E a obediência virá
Amor ilimitado,
E a lei se cumprirá
Ouvir atento a palavra,
E o Paráclito a guiar.

Acolher nosso Senhor
Para a paz receber,
Seguir a nova lei,
Para o outro acolher,
Não descriminar,
Seguir sem esmorecer.

Encontrar com os irmãos,
Pra viver comunhão,
Acolhendo aos que chegam,
Que a nós se juntarão,
Como fermentos vivos,
Novo Reino em ação.

Seguir sempre em missão,
Com o Espírito de Amor,
Como Templos, vivos e santos,
Novo culto ao Senhor.
Num caminhar de paz,
E coração em ardor.

Esta é a nova lei,
Que o mundo irá seguir,
O amor, a principal base,
E a Palavra a ouvir,
E um culto sempre novo,
Pra se construir.

 

*** Que a Palavra e a Luz do Ressuscitado ilumine o seu caminho ***

 

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