XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO C – SÃO LUCAS

 

Leituras: 2Mc 7,1-2.9-14; Sl 16(17); 2Ts 2,16-3,5; Lc 20,27-38

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

O Senhor ressuscitado é a nossa certeza da ressurreição

Lc 20,27-38

 

A liturgia deste 32º Domingo do Tempo Comum nos apresenta Jesus sendo interrogado pelos saduceus, os quais negavam a ressurreição dos mortos, pois, para eles, a vida era um momento de estágio no tempo terreno. Estes detinham o poder político, econômico e religioso, eram os colaboradores diretos do Império romano, sendo, portanto, maioria no sinédrio*. Por esse motivo era uma turma influente, querendo impor suas posições sobre Jesus e seu grupo.

A pergunta dos saduceus foi irônica, pois eles queriam colocar Jesus numa situação de contradição e por isso inventam a história da mulher viúva que teve vários maridos. Eles citam a lei do levirato (cf. Dt 25,5-6) que obrigava o irmão de um marido defunto sem descendência, se casar com a viúva. E a pergunta foi: se a mulher ficar viúva várias vezes e casar novamente, quando ela morrer, na ressurreição, ela será esposa de quem? (cf. Lc 20,27-33).

Jesus responde que na vida eterna não seremos como neste mundo, pois seremos como anjos, os quais já estão em outra realidade não mais limitada ao campo biológico, não seremos mais dependentes de heranças materiais e descendências humanas. Seremos filhos transformados para uma vida nova quando já contemplaremos a face santa de Deus.

O tema central desta liturgia, portanto, é a fé na ressurreição e na vida eterna. No AT, temos o exemplo de que pessoas que acreditava na ressurreição. No segundo livro de Macabeus, narra-se a história de uma família judaica (os irmãos macabeus) o qual vive o martírio por manter firmemente a fé na ressurreição dos mortos (cf. 2Mc 7,1-2.9-14).

Os discípulos do Filho de Deus caminham neste mundo alimentado pela esperança numa vida nova e na perspectiva de um dia encontrar-se com Deus, numa realidade que chamamos de visão beatífica, por isso seremos iguais a anjos (cf. Lc 20,36).

Esta fé e esta esperança, que proclamamos a cada domingo na celebração eucarística quando rezamos o Credo. Afirmamos que cremos em Jesus Cristo, que passou pela paixão, morreu e ressuscitou ao terceiro dia. Professamos esta fé e caminhamos na certeza de que Cristo irá nos chamar a uma vida nova, por que ele venceu a realidade da vida velha marcada pelo pecado e pela corrupção da carne.

Também após a consagração do Corpo e do Sangue do Senhor quando o sacerdote apresenta a ceia como mistério da fé, nós respondemos: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos Senhor, à Vossa morte, enquanto esperamos vossa vinda”.

A sagrada Eucaristia alimenta a nossa certeza e também o nosso anúncio não somente na ressurreição, mas também na morte do Senhor, porque esta morte é o sinal de que Deus, na encarnação do verbo, nos visitou na nossa natureza humana para nos santificar e nos salvar.

Quando carregamos esta convicção da vida nova e eterna em Cristo, já não temos mais medo, já não tememos as ameaças que nos rodeiam. Por isso que muitos derramaram e derramam o seu sangue, mantendo esta certeza, pregando e acreditando naquilo que Cristo anunciou e viveu. Quando somos sal e luz do mundo, somos como um braço de Deus construindo o seu Reino no meio do mundo sem medo e com esperança.

Quando nos alimentamos da Palavra e da Eucaristia com fé verdadeira, não ficamos livres dos sofrimentos e provações, porém, vencemos as tentações e os desafios que chegam à nossa frente. Neste sentido caminhamos cheios de esperança e alegria mesmo carregando a cruz nos nossos compromissos e atribuições cotidianas, as quais Deus permite aparecer em nossa vida.

Que possamos cultivar a espiritualidade da esperança firme na ressurreição e na vida eterna, carregando em nosso corpo e no nosso coração, mesmo como vasos de barro, pois temos a Palavra que nos orienta e o Corpo do Senhor que nos alimenta e nos santifica. Que possamos seguir o conselho de São Paulo na sua segunda carta aos Tessalonicenses: “Que o Senhor dirija os vossos corações ao amor de Deus e à firme esperança em Cristo” (2Ts 3,5).

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* Cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum II – Ano C – São Lucas. Brasília, Edições CNBB, 2013, pág. 96.

 

***

⇒ POESIA ⇐

Dignos da mesa do Senhor

 

Somos forte e vencedores,
Quando alimentados pela certeza,
De que em Cristo temos a fortaleza,
Para continuar sem medo de desistir,
Mantendo a fé no caminho a seguir,
Como fiéis de Cristo ao redor da mesa.

Acreditar na vida como um presente,
É nosso destino, é a eternidade,
Continuamos vivendo a gratuidade,
Que depende de nós para chegar,
Basta uma qualidade de fé cultivar,
E abraçar o espírito de fraternidade.

É preciso o alimento forte receber,
Para não desmoronar em frente ao tentador,
Pois com o ressuscitado não há temor,
Porque ele, a vida nos presenteou,
E o seu reino eterno nos apresentou,
Para todos os que querem o seu amor.

Somos forte também na comunidade,
Quando unidos vivemos a unidade,
Ouvindo a Palavra na fraternidade,
Como o povo de Deus a se encontrar,
Para nesse encontro junto comungar,
E vivermos o sonho da eternidade.

Que ao redor da mesa do Senhor,
Possamos proclamar com convicção,
Quando do corpo que era pão,
Anunciar que a morte foi vencida,
E que acreditamos na nova vida,
Que recebemos por graça e doação.

Animando os nossos corações,
E confirmando a nossa boa ação,
Ficando cada vez mais em oração,
Para que a Palavra seja anunciada,
E que seja sempre confirmada
Que a Vida de Cristo, em nós, é redenção.

 

*** Que a Palavra e a Luz do Mestre (Rabí) ilumine o seu caminho ***

 

 

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