DOMINGO DA MISERICÓRDIA, ANO  C – SÃO LUCAS

Leituras: At 5,12-16; Sl 117(118); Ap 1,9-11a.12-13.17-19; Jo 20,19-31

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

Ressurreição: vida nova de Cristo que cresce pelo mundo

Jo 20,19-31

Acabamos de vivenciar a semana chamada de oitava da páscoa, na qual a liturgia da Palavra foi marcada profundamente por tantos testemunhos, através de milagres, medos por parte dos apóstolos, choro das mulheres. Estes foram pessoas que viveram primeiramente a experiência da ressurreição do Senhor e proclamaram para o mundo tantas maravilhas.

O evangelista João nos conta que era noite, primeiro dia da semana, as portas fechadas por medo dos Judeus (cf. Jo 20,19), ou seja, os que acompanharam Jesus de perto, estavam ainda nas trevas, marcados pelo medo e pelo desespero.

Era dia do Senhor, o dia da ressurreição, e Jesus aparece numa realidade gloriosa, vivo, trazendo a sua Paz, alegrando os discípulos, apresentando o seu sopro de vida nova, para enviar-lhes em missão e transmitirem a autoridade do perdão dos pecados. Por que ele veio para salvar a todos dos pecados do mundo, mostrando a face de um Deus eterno em amor e misericórdia.

Outro ponto importante do evangelho é a descrença de Tomé. Inicialmente, Tomé não estava na comunidade quando Jesus aparece a primeira vez e por isso se mostra incrédulo, como um cientista que quer provas palpáveis para acreditar na verdade da ressurreição.

Após um período de oito dias, novamente no primeiro dia da semana (domingo), o senhor vem ao encontro da comunidade e está lá Tomé para viver a experiência da fé na vida nova.

Tomé é convidado a tocar as chagas de Jesus para ver e crer, assim como muitos de nós que para acreditarmos na ação salvadora do Senhor, precisamos de provas, de situações concretas para poder aumentar o nosso amor ao Senhor.

Disse Jesus a Tomé: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” (Jo 20,29). Nós, cristãos da atualidade, somos felizes quando vivenciamos a nossa fé na ressurreição de Jesus e quando vivemos também vida nova em nossa caminhada e ao mesmo tempo somos transmissores desta verdade.

O que somos capazes de proclamar para os outros sobre o Ressuscitado? O que nos motiva a vivermos uma experiência de convicção da nossa fé? O tempo pascal é propício para reavaliarmos a nossa experiência de discípulos e discípulas do Senhor e levarmos a frente esta verdade.

Tenhamos a certeza de que foi a convicção dos que seguiram Jesus ou ouviram a pregação sobre ressuscitado, que fez chegar até nós, no nosso tempo, a mensagem maravilhosa de que o Senhor ressuscitou e nós podemos ressuscitar com ele.

Precisamos meditar por que Tomé duvidou exatamente quando estava fora da comunidade dos discípulos e por que Jesus não apareceu somente a ele após a aparição aos outros? Onde estava Tomé, porque estava ausente?

E foi exatamente após a caminhada de uma semana que Jesus se apresentou mais uma vez e agora se encontra Tomé que é convidado pelo Senhor da vida a tocar nas suas chagas. Como Tomé, as vezes precisamos de mais tempo para absorvermos uma realidade nova em nossa existência.

O evangelista João faz questão de nos lembrar das marcas da crucificação e da presença de Tomé no grupo. Talvez por duas razões: primeiro para provar que era Jesus mesmo que estava ali com eles, com as feridas, pois fora crucificado e também para dizer que a fé dos apóstolos foi alimentada na experiência da comunidade reunida.

Portanto, amigos e amigas, é na partilha da mesma realidade e no encontro com os irmãos e irmãs que alimentamos a nossa fé na ressurreição do Senhor e somos motivados a prosseguir um caminho novo. Peçamos ao Senhor da vida que possamos professar com convicção a frase de Tomé: Meu Senhor e meu Deus. Muitas vezes somos como aquele apóstolo, não temos a fé suficiente para acreditar na presença de Deus em nossa vida. Ele que nos alimenta com sua Palavra e com seu corpo nos fortalecendo na caminhada de filhos e filhas de Deus.

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

“Ele está no meio de nós”

Ele está em nosso meio,
No encontro e na alegria,
Na reza de cada dia,
Na partilha do pão,
Fazendo-nos comunhão,
Viva e Santa Eucaristia.

Ele está na caminhada,
Dos caminheiros queridos,
Que mesmo com os pés feridos,
Das estradas compridas,
As vezes trazendo fadiga,
Mas se sentem agradecidos.

Ele está em nossa vida,
Às vezes a portas fechadas,
Com a paz anunciada,
Para nos tranquilizar,
E fazer-nos caminhar,
Numa vida renovada.

Ele está em nosso ser,
Para a fé nos retomar,
E o medo espantar,
Pra nos dar a segurança,
E refazer-nos a esperança,
Para o caminho trilhar.

Enfim, ele está aqui e agora,
Quando faço poesia,
Nos passos de cada dia,
Presente em todo momento,
Sendo Deus fonte e alimento,
Que nunca se esvazia.

*** Que a Palavra e a Luz do Ressuscitado ilumine o seu caminho ***

 

Adicionar a favoritos link permanente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.