III Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

Leituras: Is 8,23b-9,3; Sl 26; 1Cor 1,10-13.17; Mt 4,12-23

 

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⇒ HOMILIA ⇐

Ele está no meio de nós

Mt 4,12-23

 

Neste 3º Domingo do Tempo Comum, vamos ler o Evangelho de Mateus (cf. 4,12-23). A nossa caminhada com o Senhor continua e nós contemplamos a sua luz brilhando no mundo. Jesus Cristo é a presença concreta do Reino de Deus entre nós, pela sua mensagem de amor, pelos seus milagres e pela sua ação salvadora, através da sua compaixão, paixão, morte, ressurreição e glorificação.

O evangelista Mateus nos informa que Jesus foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, no território de Zabulon e Neftali (cf. Mt 4,13). Esta região é a mesma anunciada pelo profeta Isaías ao se referir ao povo de Israel quando estava escravo e oprimido nas mãos dos assírios, por volta de 732 a.C. Por isso o profeta Isaias anuncia a esperança para aquele povo: “O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandece” (Is 9,1).

Informado o contexto no qual o Evangelista nos apresenta, podemos afirmar que a presença de Jesus na Galileia é o cumprimento daquilo que o profeta Isaías anunciou: agora chegou a salvação para o povo que andava nas trevas. Jesus é a grande luz presente no mundo, pois anuncia a conversão, cura as enfermidades e ao mesmo tempo chama colaboradores para a missão, porque ele já é a presença do Reino em nosso meio.

Neste Evangelho também constatamos o chamado de Jesus aos primeiros discípulos, Simão Pedro e André, Tiago e João. Eles estavam na pesca. Pedro e André estavam lançando as redes e Tiago e João consertavam as redes na barca. Eram trabalhadores dedicados, mas o chamado de Jesus faz com que mudem imediatamente o percurso de suas vidas e sigam agora o caminho de Jesus. Saem logo, depressa, para anunciar por toda a Galileia, porque chegou a salvação.

Faz-se necessário que todos conheçam os ensinamentos sobre o Reino. Era preciso reconhecer a força de Deus em Jesus, o Filho amado que veio visitar o seu povo. Os discípulos são os primeiros colaboradores de Cristo para que o Reino de Deus possa chegar a todo o mundo, pois a Palavra deve se espalhar pelas nações para fermentar o coração da humanidade proporcionando libertação e sentido de vida das pessoas.

O apostolo são Paulo nos ensina como sermos irmãos em Cristo: Não podemos ser elementos de divisão na comunidade, pois o poder de Deus está na comunhão e na caridade. Assim nos fala o Apóstolo: “Irmãos, eu vos exorto, pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo, a que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós.” (1Cor 1,10).

Tanto nós, como os primeiros discípulos, somos chamados a mudar o nosso percurso, se for necessário, para seguir o caminho de Jesus. Somos convocados pelo batismo a formarmos a comunidade de amor que o Senhor deseja. Somos chamados a anunciar o Reino, pois ele está próximo de nós. Está na Eucaristia, na assembleia reunida, na Palavra partilhada, nas curas, nas ações comunitárias, na luta por justiça, fraternidade e paz.

Deus opera milagres em nossas vidas, principalmente quando vamos nos convertendo cada vez mais ao seu Evangelho. Converter-se é trazer em nossa vida os mesmos sentimentos de Cristo. Como diz a popular música do Padre Zezinho: Amar como Jesus amou / Sonhar como Jesus sonhou / Pensar como Jesus pensou / Viver como Jesus viveu / Sentir o que Jesus sentia / Sorrir como Jesus sorria”. Isso é conversão!

Em Cristo somos livres e, ao mesmo tempo, somos chamados a libertar os outros como membros da comunidade viva de Cristo, a Igreja. O mar, no sentido bíblico, simboliza os perigos e as trevas. Os discípulos saíram desta escuridão para seguir a Luz do Senhor e, seguindo esta Luz, vão vencendo os perigos que podem levá-los aos tormentos presentes no mundo. Assim somos nós, os cristãos no mundo hoje, discípulos e missionários em meio aos desafios e trevas, mas confiantes na Luz de Cristo que nos ilumina, nos da força e aponta o caminho que juntamente com os irmãos em Cristo devemos seguir.

Que o Senhor nos abençoe e nos conduza na missão evangelizadora que ele nos confiou. Que nossa missão seja concretizada no nosso testemunho e na nossa vida na experiência de discípulos missionários. Que antes de pregarmos aos outros, possamos ter a convicção de que “Deus é nossa Luz e Salvação e que ele protege a nossa vida” (cf. Sl 26). Por fim, possamos ouvir o apóstolo Paulo na sua carta aos Coríntios: não somos de grupo A ou B, mas somos membros do povo do Senhor (cf. 1Cor 1,12). Amém!

 

 

***

⇒ POESIA ⇐

Tão perto de nós, ó Senhor

Olhemos para o altar,
Para o Cordeiro imolado,
Pedimos Deus nos venha salvar,
Nos livrando do pecado.

Ouvindo o que ele nos diz,
Nutrindo nosso coração,
Pedimos que nos faça feliz,
A vivermos como irmãos.

Entrando em sua morada,
E com os irmãos encontrando,
Queremos a paz anunciada,
E no amor comungando.

Nosso Cordeiro amado,
Entregou-se em humildade,
E ao seu banquete integrados,
Vivemos a fraternidade.

Seu alimento é vida,
E a nós se ofertou
Fonte de eterna acolhida,
Pois a morte derrotou.

E a nós, os batizados,
No Espírito abrasador,
Sejamos também enviados,
Do santo e vivo amor.

E pelo o mundo em missão,
Levemos sempre a verdade,
O Evangelho em ação,
Salve toda a humanidade.

E no Batismo ardente,
Luz do Espírito que irradia,
Preencha-nos a alma e a mente,
De pura e repleta alegria.

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, presença concreta do Reino de Deus entre nós, ilumine o seu caminho! ***

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