Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ano A, São Mateus – Liturgia do Dia

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

⇒ Intenções do Santo Padre, o Papa Francisco: Pelas organizações de voluntariado ⇐
⇒ Campanha para a Evangelização 2022 ⇐
» Tema: “Evangelizar: Graça e missão que se dá no encontro” «
⇒ 3º Ano Vocacional ⇐
» Tema: “Vocação: graça e missão” «
» Lema: “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24,32-33) «

 

Leituras: Is 52,7-10; Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3cd); Hb 1,1-6; Jo 1,1-18

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

 

E Deus se Fez Carne e Veio Morar Conosco

Jo 1,1-18

 

Meus irmãos e minhas irmãs, a Liturgia do Dia de Natal nos apresenta de forma mais profunda a divindade do Menino que nasceu em Belém. E o Evangelho da Liturgia da Missa do Dia está em Jo 1,1-18.

O Evangelho desta Liturgia é o chamado “Prólogo” do Evangelho Segundo São João, ou seja, os primeiros versículos do capítulo 1 deste Evangelho. Trata-se de um antigo hino, uma confissão de fé cristológica, uma chave de leitura do Evangelho Segundo São João. O Evangelho de João é considerado, por alguns, como a pérola dos escritos do Novo Testamento. Também o Prólogo pode ser considerado o sumo do Evangelho joanino, uma espécie de sumário. Esses são alguns dos indícios do porquê o Evangelho Segundo São João ser considerado o mais teológico dos Evangelhos.

O Menino que nasceu de Maria é o esperado por todos e do qual Isaías nos fala na Primeira Leitura desta Liturgia, diz o profeta: “Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação…” (Is 52,7). Ele crescerá em sabedoria e graça, caminhará pelas estradas da Galileia, andará de barco pelo Mar da Galileia para mostrar a todos os homens que Deus é amor e que quer a salvação que é para todos. Basta que estes acolham a sua Palavra e respondam ao Seu chamado e depois sejam discípulos para também anunciarem o Reino.

Este recém-nascido é a encarnação de Deus e já existia antes. Por isso, Ele participa do princípio da Criação. Ele agora vem mostrar sua face entre nós, vem caminhar com a gente trazendo-nos a paz, anunciando-nos que o Seu amor é para todos aqueles que querem encontrar a salvação.

A Segunda Leitura desta Liturgia também nos apresenta o sentido desta presença de Deus através do seu Filho, o qual já existia antes e que se encarna no mundo para nos mostrar sua face misericordiosa: “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo.” (Hb 1,1-2).

Podemos nos perguntar: quais são as maneiras que Deus se apresentou na história dos homens? Ele nos falou pela Criação, pelo chamado que fez a Abraão, a Moisés, pela libertação realizada em favor do seu povo; falou-nos pelos profetas e pelos tantos acontecimentos que surgiram em Israel. Agora Ele próprio se apresenta com um rosto e com uma voz, de acordo com a natureza humana. Tudo isso para estar mais próximo de nós. Para nos confirmar que somos imagem e semelhança d’Ele e que a Sua glória será a vida completa e infinita do homem, a salvação eterna.

Celebrar o Natal é exatamente buscar o encontro com um Deus que está próximo de nós. Fazer acontecer o Natal em nossas vidas é muitas vezes buscar o reencontro que por nossos pecados nos afastamos deste Deus que quer está próximo, que quer nos trazer a salvação.

Para o evangelista João, somente os que colhem a Luz divina recebem a capacidade da filiação divina: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus.” (Jo 1,11-12). Somos filhos quando acolhemos a Palavra viva em nossa vida, quando deixamos que a Luz ilumine todo o nosso ser. E então vivemos o verdadeiro Natal quando deixamos renascer Cristo em nossas vidas. Desse modo, vemos que o sacramento da Confissão é a porta pela qual retornamos para os braços de Cristo.

Que Espírito Santo nos abençoe, nos ilumine e nos faça cada vez mais filhos através do Filho muito amado de Deus, pois o Filho veio assumir a natureza humana para resgatar o homem. Amém.

 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Ele Veio Morar Conosco

 

Ele, a Palavra viva,
Que ao mundo veio se apresentar
Com voz forte nos traz a paz,
Para os homens santificar.
Veio nos trazer o amor,
Veio falar a nosso favor,
Pois quer nos resgatar.
*
Ele tem o rosto puro e santo,
Que a nossa imagem veio assumir,
Veio nosso rosto recapitular,
Quando o pecado quis nos destruir,
Ele é a suprema beleza,
Que nos vem trazer a certeza,
Que é a todos redimir.
*
Ele tem pés firmes no mundo,
E pelas as estradas veio caminhar,
Veio para cumprir sua missão,
A tantos lugares a visitar,
Para tantos a restauração,
Para todos a salvação,
Mas nem todos deixaram-se iluminar.
*
E tem uma Casa para nos acolher,
Onde sua Palavra é alimentação,
Quando todos vem se reunir
Onde o Seu Corpo é Comunhão,
Onde os pobres devem ser acolhidos,
Onde o amor seja distribuído,
Numa festa de confraternização.
*
É dever ser nossa alegria,
Poder com Cristo caminhar,
Porque Ele se faz também nosso irmão,
E em nosso coração quer morar,
Quer em tudo a nossa realização,
Como Deus, quer a nossa salvação,
Para com Ele no Céu habitar.

 

*   *   *

 

“O Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo”, de J. Tissot (1836-1902). In <https://www.brooklynmuseum.org/opencollection/objects/4430>

 

⇒ Que a Palavra e a Luz do Cristo Senhor, o Salvador que veio morar entre nós, ilumine o seu caminho! ⇐

 

 

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ano A, São Mateus – Liturgia da Noite

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

⇒ Intenções do Santo Padre, o Papa Francisco: Pelas organizações de voluntariado ⇐
⇒ Campanha para a Evangelização 2022 ⇐
» Tema: “Evangelizar: Graça e missão que se dá no encontro” «
⇒ 3º Ano Vocacional ⇐
» Tema: “Vocação: graça e missão” «
» Lema: “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24,32-33) «

 

Leituras: Is 9,1-6; Sl 95(96), 1-2a.2b-3.11-12,13 (R. Lc 2,11); Tt 2,11-14; Lc 2,10-11; Lc 2,1-14

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

 

Jesus Nasce entre os Pobres

Lc 2,1-14

 

Meus irmãos e minhas irmãs, chegamos ao Natal do Senhor e como anunciou o anjo aos pastores nos arredores de Belém, nasceu para nós o Salvador! (cf. Lc 2,11). E o Evangelho da Liturgia da Missa da Noite de Natal está em Lc 2,1-14.

Entre as luzes das lojas, das avenidas, dos presépios nas casas e nas nas igrejas, celebramos a Noite do Natal do Senhor marcados pela alegria que vem da Palavra de Deus e também pelo calor dos que se reúnem para a partilha fraternal da mesa.

O Evangelho desta Liturgia é o de Lucas, o qual apresenta a difícil viagem de Nazaré a Belém para participarem do recenseamento como membros daquele povo. E podemos imaginar a dificuldade Santo Casal, pois a Virgem estava grávida e nas proximidades do parto e José com a responsabilidade do nascimento do Filho de Deus.

Nos arredores daquele vilarejo, próximo aos campos dos pastores, nasce o nosso Pastor. Será aquele que vem trazer a paz, a justiça e, sobretudo, o amor misericordioso de Deus. O anjo leva a notícia aos pastores, não porque são os mais puros. Segundo a história antiga, “os pastores não eram de forma alguma gente simples, (…), gozando da estima de todos. Eram considerados como os mais impuros dos homens… Os rabinos diziam que os pastores, os publicanos e os coletores de impostos dificilmente poderiam se salvar, porque praticavam o mal e estavam destinados à perdição”(1).

Portanto, é em favor da conversão e da salvação destes que Jesus virá e com eles seguirá durante toda a sua caminhada na terra, pois estão distantes da casa real onde a corte humana esperava junto aos seus súditos um Rei poderoso e rico. Mesmo sendo capaz de se manifestar de uma forma mais plausível aos olhos da humanidade, Deus vem como criança, nasce numa família simples (Maria e José) e pobre, a ponto de não ter uma casa para realizar o parto.

Jesus nasce na noite dos pastores para dizer que Ele é Luz e que é o Pastor supremo que trará a alegria e a misericórdia a todos os homens. Os pobres podem vencer o medo pois agora têm a alegria da salvação. Cristo vem realizar a profecia de Isaías, diz o profeta: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria.” (Is 9,1). Uma nova compreensão da ação de Deus se apresenta para confundir os poderosos e agora já não se manifesta para um grupo privilegiado, mas para todas as nações e classes a começar pelos mais pobres.

Em Deus não há prepotência e nem acepção de pessoas. Diz São Paulo a São Tito, e a nós: “A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade” (Tt 2,11-12).

Portanto, devemos sempre ficar atentos a ação de Deus, pois ela se manifesta na simplicidade e nos conduz a vivermos desta forma. Um Deus que se encarna pobre vem nos ensinar o quanto é preciso trabalhar pela evangelização em busca dos que estão perdidos e necessitados do ensinamento e da misericórdia.

É preciso também lembrar daqueles pobres que, mesmo em condições econômicas de riqueza confortável, se encontram mergulhados nas misérias humanas e necessitam da libertação pela Palavra e pela cura interior.

E todos nós que nos reunimos para celebrar esta grande festa cristã somos convidados a nos unir à multidão da corte celeste para cantar em uma só voz: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama.” (Lc 2,14), porque o nosso Deus se faz presente na simplicidade de uma criança para nos ensinar a simplicidade e o amor a todos. Veio caminhar conosco, pois é “Deus conosco” e, sobretudo, veio nos trazer a salvação.

Rezemos pedindo a graça e a proteção pelos que não terão oportunidade de celebrar o Natal dignamente. Pelos que estão nas periferias da existência humana, distante das luzes e dos brilhos das árvores fantasiosas das nossas casas, das nossas igrejas e das casas comerciais. E por cada cristão, para que escutem Deus que o chama à fraternidade e à caridade em favor dos que padecem as consequências dos poderes humanos. Amém!

*   *   *

(1) Cf. ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra: Ano B. São Paulo: Ave Maria, 2012.

 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Deus Nasce entre os Pequenos

 

Entre as montanhas de Judá,
Nas noites escuras dos pastores,
Vem a luz divina nos visitar,
Vencendo todos os temores.
Trazendo o amor e a salvação,
Vencendo em nós a escuridão,
Que muitas vezes nos traz horrores.
*
Nasce entre os animais e pecadores,
Anunciando desde já sua missão,
Rei simples e pobre e sem coroa,
Sendo sinal de contradição.
Vem como uma simples criança,
Mas traz para muitos a esperança,
E aos poderosos a confusão.
*
Naquela noite vem os louvores,
Da corte celeste a cantarolar,
E à voz do anjo mensageiro,
Que se une também a entoar,
Porque nasceu o Salvador,
Deus de paz, justiça e amor,
E a todos os homens veio salvar.
*
O Natal nos traz um ensinamento,
Para nesta vida proceder,
Nasce Deus para o mundo inteiro,
Com sua palavra vem nos converter,
Ensina-nos a simplicidade,
O acolhimento e a fraternidade,
Pregar a justiça e o bem viver.
*
E em torno do santo altar,
Vivamos a coerência e a união,
Escutando sempre a santa Palavra,
A irmandade e a comunhão,
Sendo sinal da luz do Senhor,
Vencendo a tristeza e o rancor,
Vivendo todos como irmãos.
.

 

*   *   *

 

“A Adoração dos Pastores (A Noite)”, de Giovanni Lanfranco (1582–1647). In <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Alnwick_Lanfranco_Bridgeman_507217.jpg>.

 

⇒ Que a Palavra e a Luz do Cristo Senhor, o Salvador que nasceu para nós, ilumine o seu caminho! ⇐

 

 

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]