Solenidade da Epifania do Senhor (2023)

 

⇒ Intenções do Santo Padre, o Papa Francisco: Pelos educadores ⇐
⇒ Janeiro: Mês dedicado ao Santíssimo Nome de Jesus
⇒ Ciclo das Rosas: (i) Tomada de hábito de Santa Teresinha do Menino Jesus – em dia 10 de janeiro de 1889 ⇐
⇒ 3º Ano Vocacional 
» Tema: “Vocação: graça e missão” «
» Lema: “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24,32-33) «

 

Leituras: Is 60,1-6; Sl 71(72),1-2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11); Ef 3,2-3a.5-6; cf. Mt 2,2; Mt 2,1-12

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

 

A Luz do Senhor Atrai os Magos do Oriente

Mt 2,1-12

 

Meus irmãos e minhas irmãs, a Liturgia da Solenidade da Epifania do Senhor, neste ano, o último Domingo do Tempo do Natal, nos motiva a contemplarmos o mistério da encarnação do Verbo de Deus, agora com a adoração dos magos do Oriente. E o Evangelho desta Liturgia está em Mt 2,1-12, passagem que está localizada na primeira parte do Evangelho Segundo São Mateus intitulada “O nascimento e a infância de Jesus”.

Nesta Liturgia, Jesus, pequenino, está com a Sua Mãe, em Belém, recebendo dos magos do Oriente, a adoração e os presentes (o ouro, o incenso e a mirra). A palavra epifania, de origem grega, significa manifestação e, com esta Liturgia, a Igreja nos mostra que Deus se manifesta, através dos sábios da Pérsia, a todos os povos.

No Evangelho de hoje, o evangelista Mateus (cf. 2,1-12) narra o nascimento de Jesus em Belém e nos situa dentro do reinado de Herodes, o Grande, o qual se sente ameaçado por tal acontecimento e procura encontrar o Menino (cf. Mt 2,3). Os especialistas nas escrituras, que estavam a serviço de Herodes, localizam uma profecia de Miqueias (cf. 5,1-4) sobre o nascimento do Messias em Belém.

Em cena aparecem os magos do Oriente, que, mesmo não tendo as Escrituras, querem chegar até o Rei dos judeus que acabara de nascer (cf. Mt 2,2). Herodes, astutamente, pediu a ajuda dos magos para chegar até o Menino. Mas os magos, avisados em sonho, voltaram por outro caminho. (cf. Mt 2,12).

A Liturgia de hoje, irmãos e irmãs, nos ensina que os magos representam os gentios que buscam e acolhem a salvação de Deus. Estar com o Menino Jesus é o objetivo dos que querem encontrar-se com Deus. São Paulo, na sua Carta aos Efésios, ainda reforça que: “os pagãos são admitidos (…) membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo…” (Ef 3,6).

Outro ensinamento é sobre as ofertas dos magos que foram entregues depois de adorarem o Menino (cf. Mt 2,1-12). O ouro é o reconhecimento da realeza de Cristo. O incenso reconhece a Sua divindade. Já a mirra nos traz duas indicações: que Jesus veio para aliviar o sofrimento dos pobres e que Seu corpo humano, mesmo incorruptível, terá tratamento, terá unção, antes da Ressurreição.

Um terceiro ensinamento, da Liturgia da Epifania do Senhor, diz respeito ao retorno dos magos. Sim, eles retornaram por outro caminho para fugir da astúcia de Herodes, mas também porque o encontro com Deus, na pessoa do Filho, fez deles homens renovados, alegres e convertidos. Por isso, seguem um novo caminho em suas vidas.

Portanto, irmãos e irmãs, esta Liturgia nos motiva a buscarmos constantemente o encontro com a pessoa do Filho “muito amado” do Pai, pois Cristo quer “fazer novas todas as coisas”, quer que sejamos discípulos muito amados por Ele. Nós, por outro lado, devemos participar da Eucaristia sempre como um ato louvor e de adoração, alegres pela busca de Deus. E então, podemos nos perguntar: O que tenho oferecido a Deus? Que dons tenho colocado a serviço do Reino?

Por fim, rogamos a Nossa Senhora do Sorriso, que curou Santa Teresinha do que hoje chamamos de depressão, que interceda para que possamos receber o Espírito Santo, Espírito da Fortaleza necessário para rompermos com tudo aquilo que nos impede de colocar nossos dons aos pés do Rei dos reis. Amém.

 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Caminhar em Busca do Menino

 

Seguindo a estrela de Belém,
No desejo de encontrar o Senhor,
Vão os sábios do Oriente,
Com o coração ardente,
Prontos para adorar,
E também para ofertar,
Os seus simbólicos presentes.
*
O encontro com o Menino Deus,
Converte os magos caminheiros,
Seguem um rumo transformado,
As trilhas são de homens renovados,
Que levam a divina alegria,
Pra eles, antes não existia,
Sonho santo e realizado.
*
Este caminho todos devemos seguir,
Via do Deus amor e encarnado,
Convictos de um constante converter,
Adorando o Senhor para na fé crescer,
Num caminho de viva evangelização,
Marcado pelo amor e pela conversão,
E como discípulos nossos dons oferecer.
*
Não façamos como o rei tirano e solitário,
Que somente quis saber onde nasceu o Salvador,
Não trilhou o caminho para até lá chegar,
Pois teve medo de perder o seu lugar.
Porque o reinado do Senhor é diferente,
É de amor e para todos, como presente,
Aos que querem sempre O encontrar.
*
Carreguemos o sentido da salvação universal,
Onde todos têm direito aos dons divinos.
Pois, todo homem é chamado à conversão,
De qualquer canto do mundo ou nação,
Basta abrir o coração à grande novidade,
Porque Deus veio morar na humanidade,
Para nos presentear com a salvação.

 

*   *   *

 

“A Adoração dos Magos”, de J. Tissot (1836-1902). In <https://www.brooklynmuseum.org/opencollection/objects/4437>. Imagem da Rosa: In <gratispng.com/png-uj22en>

 

⇒ Que, a exemplo dos magos do Oriente, possamos adorar o Menino Deus, ofertar nossos dons e assim caminharmos por um caminho novo, como homens e mulheres renovados e convertidos! 

 

 

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (2023)

Oitava de Natal

 

⇒ Intenções do Santo Padre, o Papa Francisco: Pelos educadores ⇐
⇒ Janeiro: Mês dedicado ao Santíssimo Nome de Jesus
⇒ Ciclo das Rosas: (i) No dia 2 de janeiro de 1873 nascimento de Santa Teresinha e (ii) no dia 4 de janeiro de 1873 o seu Batismo
⇒ 3º Ano Vocacional 
» Tema: “Vocação: graça e missão” «
» Lema: “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24,32-33) «

 

Leituras: Nm 6,22-27; Sl 66(67),2-3.5.6.8 (R. 2a); Gl 4,4-7; Hb 1,1-2; Lc 2,16-21

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

 

Celebremos a Paz Junto à Santa Mãe de Deus

Lc 2,1-6

 

Meus irmãos e minhas irmãs, neste dia 1º de janeiro celebremos a paz junto à Nossa Senhora e ao Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo. A Liturgia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, ainda no Tempo do Natal, nos mantém na proximidade da revelação do grande mistério da encarnação do Verbo de Deus. E o Evangelho desta Liturgia está em Lc 2,16-21.

Nesta Liturgia, Jesus está, inicialmente, envolto em faixas e, depois, sendo circuncidado, um sinal da aliança de Deus com Abraão (cf. Gn 17,1-27). Também esta Liturgia nos remete ao Dia Mundial da Paz, instituído por proposta do Papa São Paulo VI(1) e que neste ano a mensagem do Papa Francisco é dedicada ao tema da superação das dificuldades geradas a partir da pandemia do Covid-19, da guerra na Ucrânia e da esperança de que o coração dos homens e das mulheres se convertam às necessidades humanas numa perspectiva fraterna para edificar o Reino de Deus(2).

Nesta Liturgia, portanto, os cristãos se reúnem esperançosos, com expectativas e perspectivas, para celebrar o Dia Mundial da Paz junto com a Mãe de Deus. Ela que nos presenteou com o seu sim, acolhendo e fazendo com que o Príncipe da Paz (cf. Is 9,5) pudesse nascer e reinar em nosso meio, portando a misericórdia do Pai e a Salvação para todos.

No Evangelho de hoje, São Lucas apresenta o encontro dos pastores com o Menino Jesus, ainda na manjedoura e junto com Maria e José. Os pastores foram os primeiros que receberam a notícia do nascimento do Salvador. Eles também foram os responsáveis pelo anúncio das maravilhas de Deus, louvando toda a realização divina (cf. Lc 2,17-18.20).

A Virgem guardava todos esses acontecimentos e meditava em seu coração (cf. Lc 2,19), procurando compreender todo o processo da sua resposta a Deus, quando o Anjo a visitou. A Virgem Maria também meditava porque era mulher do silêncio e da oração, na sua missão de gerar e acompanhar o Verbo na Sua caminhada terrestre entre os homens.

Neste Dia Mundial da Paz, os cristãos também pedem a bênção que vem de Deus. Bênção que é sinal de salvação como escutamos na Primeira Leitura desta Liturgia do livro de Números. Diz o autor sagrado: “ ‘O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’ Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei”. (Nm 6,24-27).

Sobre o marco temporal de 2022 e 2023, devemos também ter em mente (e no coração!) que se faça a vontade do Senhor e não a nossa, “assim na terra como no Céu”. A Virgem nos possibilita que sejamos seus filhos. Ela, que é Mãe de Deus e nossa, ela também gerou a Igreja que somos parte. Ela é a Mãe do Príncipe da Paz, também nosso irmão, nosso Deus amado que veio ficar junto de nós para nos ensinar que Deus é Pai e tem misericórdia dos pecadores, por isso vem trazer a união e a fraternidade.

Nessa relação santa de filhos, São Paulo nos fala: “Assim já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus.” (Gl 4,7). Temos então o temor que vem do amor e da necessidade de santificação e não o medo da condenação. Se amamos o Senhor, faremos a vontade d’Ele e por isso não devemos ter medo d’Ele porque Ele está bem próximo de nós.

Por fim, peçamos a mediação materna da Mãe do Redentor para que possamos receber o Espírito Santo, Espírito da adoção dos filhos de Deus como ensina São Paulo aos gálatas e também a nós. Amém.

*   *   *
(1) Cf. PAULO VI. Mensagem para a celebração do 1º Dia Mundial da Paz. Publicado em 8 dez. 1967. Disponível em: <https://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/messages/peace/documents/hf_p-vi_mes_19671208_i-world-day-for-peace.html>. Acesso em: 27 dez. 2021.
(2) Cf. FRANCISCO. Mensagem para a celebração do 56º Dia Mundial da Paz. Publicado em 8 dez. 2022. Disponível em: <https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/20221208-messaggio-56giornatamondiale-pace2023.html>. Acesso em: 28 dez. 2022.

 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Santa Mãe de Deus e Nossa

 

Mãe da escuta atenta,
Do silêncio e da oração,
Toda entregue por amor,
Ao Senhor da salvação,
Ensina-nos a santidade,
Mostra-nos tua serenidade,
Para a santificação.
*
Mãe de Deus e nossa Mãe,
Mãe do Príncipe da Paz,
Ensina-nos a fraternidade,
Que tanta harmonia nos traz,
Ensina-nos também a escuta,
A paciência na labuta,
Quando não somos capazes.
*
Que o nosso Príncipe da Paz,
Pela Sua encarnação,
Ajude-nos na caminhada,
E no amor entre os irmãos,
Trazendo-nos alegria,
Que nasce da Eucaristia,
Pra nossa libertação.
*
Que a benção do Senhor,
O Filho amado e querido,
Possa nos trazer a Paz,
Neste mundo tão sofrido,
Das guerras possa nos livrar.
E o amor sempre a buscar,
Os povos todos unidos.
*
Que a santa Eucaristia,
Renove a nossa lida,
Dando a força necessária,
Para a estrada percorrida,
E que o Deus Emanuel
Com a nossa Mãe do Céu,
Tragam a Paz à nossa vida.

 

*   *   *

 

“A Adoração dos Pastores”, de J. Tissot (1836-1902). In <https://www.brooklynmuseum.org/opencollection/objects/4432>. Imagem da Rosa: In <gratispng.com/png-uj22en>.

 

⇒ Que a Luz do Cristo Senhor, o Pastor Supremo que veio cuidar de seu rebanho, ilumine o seu caminho! 

 

 

Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ano A, São Mateus – Liturgia do Dia

Intenções do Santo Padre, o Papa Francisco: Pelas organizações de voluntariado ⇐
⇒ Campanha para a Evangelização 2022 
» Tema: “Evangelizar: Graça e missão que se dá no encontro” «
⇒ 3º Ano Vocacional 
» Tema: “Vocação: graça e missão” «
» Lema: “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24,32-33) «

 

Leituras: Is 52,7-10; Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3cd); Hb 1,1-6; Jo 1,1-18

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

 

E Deus se Fez Carne e Veio Morar Conosco

Jo 1,1-18

 

Meus irmãos e minhas irmãs, a Liturgia do Dia de Natal nos apresenta de forma mais profunda a divindade do Menino que nasceu em Belém. E o Evangelho da Liturgia da Missa do Dia está em Jo 1,1-18.

O Evangelho desta Liturgia é o chamado “Prólogo” do Evangelho Segundo São João, ou seja, os primeiros versículos do capítulo 1 deste Evangelho. Trata-se de um antigo hino, uma confissão de fé cristológica, uma chave de leitura do Evangelho Segundo São João. O Evangelho de João é considerado, por alguns, como a pérola dos escritos do Novo Testamento. Também o Prólogo pode ser considerado o sumo do Evangelho joanino, uma espécie de sumário. Esses são alguns dos indícios do porquê o Evangelho Segundo São João ser considerado o mais teológico dos Evangelhos.

O Menino que nasceu de Maria é o esperado por todos e do qual Isaías nos fala na Primeira Leitura desta Liturgia, diz o profeta: “Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação…” (Is 52,7). Ele crescerá em sabedoria e graça, caminhará pelas estradas da Galileia, andará de barco pelo Mar da Galileia para mostrar a todos os homens que Deus é amor e que quer a salvação que é para todos. Basta que estes acolham a sua Palavra e respondam ao Seu chamado e depois sejam discípulos para também anunciarem o Reino.

Este recém-nascido é a encarnação de Deus e já existia antes. Por isso, Ele participa do princípio da Criação. Ele agora vem mostrar sua face entre nós, vem caminhar com a gente trazendo-nos a paz, anunciando-nos que o Seu amor é para todos aqueles que querem encontrar a salvação.

A Segunda Leitura desta Liturgia também nos apresenta o sentido desta presença de Deus através do seu Filho, o qual já existia antes e que se encarna no mundo para nos mostrar sua face misericordiosa: “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo.” (Hb 1,1-2).

Podemos nos perguntar: quais são as maneiras que Deus se apresentou na história dos homens? Ele nos falou pela Criação, pelo chamado que fez a Abraão, a Moisés, pela libertação realizada em favor do seu povo; falou-nos pelos profetas e pelos tantos acontecimentos que surgiram em Israel. Agora Ele próprio se apresenta com um rosto e com uma voz, de acordo com a natureza humana. Tudo isso para estar mais próximo de nós. Para nos confirmar que somos imagem e semelhança d’Ele e que a Sua glória será a vida completa e infinita do homem, a salvação eterna.

Celebrar o Natal é exatamente buscar o encontro com um Deus que está próximo de nós. Fazer acontecer o Natal em nossas vidas é muitas vezes buscar o reencontro que por nossos pecados nos afastamos deste Deus que quer está próximo, que quer nos trazer a salvação.

Para o evangelista João, somente os que colhem a Luz divina recebem a capacidade da filiação divina: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus.” (Jo 1,11-12). Somos filhos quando acolhemos a Palavra viva em nossa vida, quando deixamos que a Luz ilumine todo o nosso ser. E então vivemos o verdadeiro Natal quando deixamos renascer Cristo em nossas vidas. Desse modo, vemos que o sacramento da Confissão é a porta pela qual retornamos para os braços de Cristo.

Que Espírito Santo nos abençoe, nos ilumine e nos faça cada vez mais filhos através do Filho muito amado de Deus, pois o Filho veio assumir a natureza humana para resgatar o homem. Amém.

 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Ele Veio Morar Conosco

 

Ele, a Palavra viva,
Que ao mundo veio se apresentar
Com voz forte nos traz a paz,
Para os homens santificar.
Veio nos trazer o amor,
Veio falar a nosso favor,
Pois quer nos resgatar.
*
Ele tem o rosto puro e santo,
Que a nossa imagem veio assumir,
Veio nosso rosto recapitular,
Quando o pecado quis nos destruir,
Ele é a suprema beleza,
Que nos vem trazer a certeza,
Que é a todos redimir.
*
Ele tem pés firmes no mundo,
E pelas as estradas veio caminhar,
Veio para cumprir sua missão,
A tantos lugares a visitar,
Para tantos a restauração,
Para todos a salvação,
Mas nem todos deixaram-se iluminar.
*
E tem uma Casa para nos acolher,
Onde sua Palavra é alimentação,
Quando todos vem se reunir
Onde o Seu Corpo é Comunhão,
Onde os pobres devem ser acolhidos,
Onde o amor seja distribuído,
Numa festa de confraternização.
*
É dever ser nossa alegria,
Poder com Cristo caminhar,
Porque Ele se faz também nosso irmão,
E em nosso coração quer morar,
Quer em tudo a nossa realização,
Como Deus, quer a nossa salvação,
Para com Ele no Céu habitar.

 

*   *   *

 

“O Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo”, de J. Tissot (1836-1902). In <https://www.brooklynmuseum.org/opencollection/objects/4430>

 

⇒ Que a Palavra e a Luz do Cristo Senhor, o Salvador que veio morar entre nós, ilumine o seu caminho! 

 

 

Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ano A, São Mateus – Liturgia da Noite

Intenções do Santo Padre, o Papa Francisco: Pelas organizações de voluntariado ⇐
⇒ Campanha para a Evangelização 2022 
» Tema: “Evangelizar: Graça e missão que se dá no encontro” «
⇒ 3º Ano Vocacional 
» Tema: “Vocação: graça e missão” «
» Lema: “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24,32-33) «

 

Leituras: Is 9,1-6; Sl 95(96), 1-2a.2b-3.11-12,13 (R. Lc 2,11); Tt 2,11-14; Lc 2,10-11; Lc 2,1-14

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

 

Jesus Nasce entre os Pobres

Lc 2,1-14

 

Meus irmãos e minhas irmãs, chegamos ao Natal do Senhor e como anunciou o anjo aos pastores nos arredores de Belém, nasceu para nós o Salvador! (cf. Lc 2,11). E o Evangelho da Liturgia da Missa da Noite de Natal está em Lc 2,1-14.

Entre as luzes das lojas, das avenidas, dos presépios nas casas e nas nas igrejas, celebramos a Noite do Natal do Senhor marcados pela alegria que vem da Palavra de Deus e também pelo calor dos que se reúnem para a partilha fraternal da mesa.

O Evangelho desta Liturgia é o de Lucas, o qual apresenta a difícil viagem de Nazaré a Belém para participarem do recenseamento como membros daquele povo. E podemos imaginar a dificuldade Santo Casal, pois a Virgem estava grávida e nas proximidades do parto e José com a responsabilidade do nascimento do Filho de Deus.

Nos arredores daquele vilarejo, próximo aos campos dos pastores, nasce o nosso Pastor. Será aquele que vem trazer a paz, a justiça e, sobretudo, o amor misericordioso de Deus. O anjo leva a notícia aos pastores, não porque são os mais puros. Segundo a história antiga, “os pastores não eram de forma alguma gente simples, (…), gozando da estima de todos. Eram considerados como os mais impuros dos homens… Os rabinos diziam que os pastores, os publicanos e os coletores de impostos dificilmente poderiam se salvar, porque praticavam o mal e estavam destinados à perdição”(1).

Portanto, é em favor da conversão e da salvação destes que Jesus virá e com eles seguirá durante toda a sua caminhada na terra, pois estão distantes da casa real onde a corte humana esperava junto aos seus súditos um Rei poderoso e rico. Mesmo sendo capaz de se manifestar de uma forma mais plausível aos olhos da humanidade, Deus vem como criança, nasce numa família simples (Maria e José) e pobre, a ponto de não ter uma casa para realizar o parto.

Jesus nasce na noite dos pastores para dizer que Ele é Luz e que é o Pastor supremo que trará a alegria e a misericórdia a todos os homens. Os pobres podem vencer o medo pois agora têm a alegria da salvação. Cristo vem realizar a profecia de Isaías, diz o profeta: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria.” (Is 9,1). Uma nova compreensão da ação de Deus se apresenta para confundir os poderosos e agora já não se manifesta para um grupo privilegiado, mas para todas as nações e classes a começar pelos mais pobres.

Em Deus não há prepotência e nem acepção de pessoas. Diz São Paulo a São Tito, e a nós: “A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade” (Tt 2,11-12).

Portanto, devemos sempre ficar atentos a ação de Deus, pois ela se manifesta na simplicidade e nos conduz a vivermos desta forma. Um Deus que se encarna pobre vem nos ensinar o quanto é preciso trabalhar pela evangelização em busca dos que estão perdidos e necessitados do ensinamento e da misericórdia.

É preciso também lembrar daqueles pobres que, mesmo em condições econômicas de riqueza confortável, se encontram mergulhados nas misérias humanas e necessitam da libertação pela Palavra e pela cura interior.

E todos nós que nos reunimos para celebrar esta grande festa cristã somos convidados a nos unir à multidão da corte celeste para cantar em uma só voz: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama.” (Lc 2,14), porque o nosso Deus se faz presente na simplicidade de uma criança para nos ensinar a simplicidade e o amor a todos. Veio caminhar conosco, pois é “Deus conosco” e, sobretudo, veio nos trazer a salvação.

Rezemos pedindo a graça e a proteção pelos que não terão oportunidade de celebrar o Natal dignamente. Pelos que estão nas periferias da existência humana, distante das luzes e dos brilhos das árvores fantasiosas das nossas casas, das nossas igrejas e das casas comerciais. E por cada cristão, para que escutem Deus que o chama à fraternidade e à caridade em favor dos que padecem as consequências dos poderes humanos. Amém!

*   *   *

(1) Cf. ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra: Ano B. São Paulo: Ave Maria, 2012.

 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Deus Nasce entre os Pequenos

 

Entre as montanhas de Judá,
Nas noites escuras dos pastores,
Vem a luz divina nos visitar,
Vencendo todos os temores.
Trazendo o amor e a salvação,
Vencendo em nós a escuridão,
Que muitas vezes nos traz horrores.
*
Nasce entre os animais e pecadores,
Anunciando desde já sua missão,
Rei simples e pobre e sem coroa,
Sendo sinal de contradição.
Vem como uma simples criança,
Mas traz para muitos a esperança,
E aos poderosos a confusão.
*
Naquela noite vem os louvores,
Da corte celeste a cantarolar,
E à voz do anjo mensageiro,
Que se une também a entoar,
Porque nasceu o Salvador,
Deus de paz, justiça e amor,
E a todos os homens veio salvar.
*
O Natal nos traz um ensinamento,
Para nesta vida proceder,
Nasce Deus para o mundo inteiro,
Com sua palavra vem nos converter,
Ensina-nos a simplicidade,
O acolhimento e a fraternidade,
Pregar a justiça e o bem viver.
*
E em torno do santo altar,
Vivamos a coerência e a união,
Escutando sempre a santa Palavra,
A irmandade e a comunhão,
Sendo sinal da luz do Senhor,
Vencendo a tristeza e o rancor,
Vivendo todos como irmãos.
.

 

*   *   *

 

“A Adoração dos Pastores (A Noite)”, de Giovanni Lanfranco (1582–1647). In <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Alnwick_Lanfranco_Bridgeman_507217.jpg>.

 

⇒ Que a Palavra e a Luz do Cristo Senhor, o Salvador que nasceu para nós, ilumine o seu caminho!