Festa do Batismo do Senhor, Ano C, São Lucas

⇒ Ano “Família Amoris Lætitia” (2021/2022) ⇐

 

Leituras: Is 42,1-4.6-7; Sl 29(28); At 10,34-38; Lc 3,15-16.21-22

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

O Batismo do Senhor e o nosso Batismo

Lc 3,15-16.21-22

 

Meus irmãos e irmãs, neste Ano “Família Amoris Lætitia, o Batismo do Senhor, evento litúrgico que encerra o Natal e abre o Tempo Comum, nos motiva a contemplar o Batismo de Cristo como o início da Sua vida pública e fortificador do nosso Batismo.

Nesta Liturgia, Jesus está no rio Jordão, às portas de Jericó e nas proximidades do Mar Morto, em Betânia (cf. Jo 1,28) ou de Bethabara, que quer dizer “Casa do Deserto”. Betânia esta que é diferente de onde moravam os irmãos Lázaro, Marta e Maria, próxima de Jerusalém.

A Festa do Batismo do Senhor nos apresenta um diferencial litúrgico, pois os textos das leituras e do salmo são os mesmos nos três anos, mas o Evangelho de cada ano acompanha o respectivo evangelista e as todas três passagens evangélicas estão situadas no contexto da preparação do ministério de Jesus.

O evangelista Lucas nos apresenta a expectativa do povo referente ao Batista. No entanto, o próprio João faz a distinção entre o seu batismo e o de Jesus. Ele diz: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” (Lc 3,16). O mesmo Espírito que falou pelos profetas, também marca o início da missão de Jesus e nos faz nascer em Pentecostes a Igreja e sua missão. A Festa do Batismo do Senhor também é chamada de “pequeno Pentecostes do Ciclo do Natal”(1).

Fiquemos atentos para os detalhes do Batismo de Jesus: estava em oração, o Céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba. “E do Céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho; eu, hoje, te gerei!’.” (Lc 3,22).

A oração de Jesus é a Sua proximidade com o Pai e a pomba nos lembra a Arca de Noé, aquela pomba que é portadora, com um ramo de oliveira, da mensagem de nova vida na terra (cf. Gn 8,11-12). A voz do Pai unge o Filho para o início de Sua missão. Nesta narração também temos a manifestação plena da Trindade.

Jesus é o servo profetizado por Isaías: “Pus sobre ele o meu Espírito, ele trará o direito às nações.” (Is 42,1). Esta missão está bem detalhada nos Atos dos Apóstolos: “Ele passou fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo diabo, porque Deus estava com Ele.” (At 10,38).

Esta Liturgia, portanto, nos faz refletir sobre a vivência do nosso batismo. É a Trindade Santa que, uma vez marcando a nossa entrada para o novo povo de Deus, estará sempre na nossa missão inseridos na morte e na Ressurreição do Senhor. E, conduzido pelo Espírito Santo, continuemos firmes na nossa vida familiar e na evangelização, nos círculos e reuniões pastorais e, sobretudo, vivendo a Eucaristia, que é centro da nossa vida de batizados, como Igreja peregrina em busca do Céu.

Por fim, roguemos a Nossa Senhora, Mãe do Salvador, que ela interceda por nós e que possamos receber o Espírito Santo e assim nascermos “da água e do Espírito” (CIgC 1238) e tornarmo-nos “ ‘uma criatura nova’ e um filho adotivo de Deus” (CIgC 1269). Amém.

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(1) Cf. BECKHÄUSER, Frei Alberto. O Ano Litúrgico: Com Reflexões Homiléticas para cada Solenidade, Domingo e Festa do Senhor. Petrópolis: Vozes, 2016. p. 84-86.

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⇒ POESIA ⇐

Batizados para o Reino


Como um mergulho na vida de Cristo,
Sem sabermos o tamanho desta realidade,
Somos chamados a amar de verdade,
Num caminhar de discípulos amados,
Pela alegria imensamente inundados,
E na convicção da nossa santidade.
*
Filhos do mesmo Pai misericordioso,
Nossa fonte da eterna Criação,
A Ele também nossa adoração,
Como irmãos na mesma caminhada,
Num olhar de vida contemplada,
Alegres pela vida em missão.
*
Guiados pelo Espírito de amor,
Ao receber a Sua santa unção,
Que nos alegra pela Sua inspiração,
Que conduz na nossa longa estrada,
E nos fortalece nas nossas jornadas,
Ajudando-nos na nossa santificação.
*
Batizados para formar comunhão,
Para sermos sinais para a humanidade,
Sendo ação na fé e na caridade,
Seremos do Reino, continuadores,
Discípulos de Cristo, evangelizadores,
Nas mais diversas realidades.
*
Trindade Santa, Deus de amor,
Fazei conosco comunhão,
Fortalece-nos na oração,
Para do Batismo não desanimar,
Mas cada vez mais fortificar,
Nossa gratuita filiação.

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Referência da imagem: Foto do mural  – por David Bjorgen, In commons.wikimedia.org – “File:Mural – Jesus’ Baptism.jpg”

 

Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos motiva a contemplar o Batismo de Cristo como o início da Sua vida pública e fortificador do nosso Batismo, ilumine o seu caminho!

 

 

Solenidade da Epifania do Senhor

⇒ Ano “Família Amoris Lætitia” (2021/2022) ⇐

 

Leituras: Is 60,1-6; Sl 72(71); Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

A Luz do Senhor Atrai os Magos do Oriente

Mt 2,1-12

 

Meus irmãos e irmãs, a Liturgia da Solenidade da Epifania do Senhor, penúltimo Domingo do Tempo do Natal, nos motiva a contemplarmos o mistério da encarnação do Verbo de Deus, agora com a adoração dos magos do oriente. E o Evangelho desta Liturgia está em Mt 2,16-21, passagem que está localizada na primeira parte do Evangelho segundo São Mateus intitulada “O nascimento e a infância de Jesus”.

Nesta Liturgia, Jesus, pequenino, está com a Sua Mãe, em Belém, recebendo, dos magos do oriente, a adoração e os presentes (o ouro, o incenso e a mirra). A palavra epifania, de origem grega, significa manifestação e, com esta Liturgia, a Igreja nos mostra que Deus se manifesta, através dos sábios da Pérsia, a todos os povos.

No Evangelho de hoje, o evangelista Mateus (cf. 2,1-12) narra o nascimento de Jesus em Belém e nos situa dentro do reinado de Herodes, o Grande, o qual se sente ameaçado por tal acontecimento e procura encontrar o Menino (cf. Mt 2,3). Os especialistas nas escrituras, que estavam a serviço de Herodes, localizam uma profecia de Miqueias (cf. 5,1-4) sobre o nascimento do Messias em Belém.

Em cena aparecem os magos do oriente, que, mesmo não tendo as Escrituras, querem chegar até o Rei dos judeus que acabara de nascer (cf. Mt 2,2). Herodes, astutamente, pediu a ajuda dos magos para chegar até o Menino. Mas os magos, avisados em sonho, voltaram por outro caminho. (cf. Mt 2,12).

A Liturgia nos ensina que os magos representam os gentios que buscam e acolhem a salvação de Deus. Estar com o Menino Jesus é o objetivo dos que querem encontrar-se com Deus. São Paulo, na sua Carta aos Efésios, ainda reforça que: “os pagãos são admitidos (…) do mesmo Corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo…” (Ef 3,6).

Outro ensinamento é sobre as ofertas dos magos que foram entregues depois de adorarem o Menino (cf. Mt 2,1-12). O ouro é o reconhecimento da realeza de Cristo. O incenso reconhece a Sua divindade. Já a mirra nos aponta duas indicações: que Jesus veio para aliviar o sofrimento dos pobres e que Seu corpo humano, mesmo incorruptível, terá tratamento, terá unção, antes da Ressurreição.

Um terceiro ensinamento, desta Liturgia, diz respeito ao retorno dos magos. Sim, eles retornaram por outro caminho para fugir da astúcia de Herodes, mas também porque o encontro com Deus, na pessoa do Filho, os faz homens renovados e alegres e também convertidos. Por isso, seguem um novo caminho em suas vidas.

Portanto, irmãos e irmãs, esta Liturgia nos motiva para buscarmos constantemente o encontro com a pessoa do Filho muito amado do Pai, pois Cristo quer fazer nova todas as coisas, quer que sejamos discípulos muito amados por Ele. Nós, por outro lado, devemos participar da Eucaristia sempre como um ato louvor e de adoração, alegres pela busca de Deus. E então, podemos nos perguntar: O que tenho oferecido a Deus? Que dons tenho colocado a serviço do Reino?

E neste 2 de janeiro, queremos fazer memória da data natalícia de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, evento ocorrido há 149 anos, sendo a nona filha do casal São Luís Martin (*1823†1894) e Santa Zélia Guerín Martin (*1831†1877). E o nome “Teresa” não foi recebido em função dos votos religiosos no Convento, pois já foi batizada, no dia 4 de janeiro de 1873, com o nome de Maria Francisca Teresa e tendo como padroeira a própria Santa Teresa d’Ávila, a Grande (*1515†1582).

Por fim, rogamos a Nossa Senhora do Sorriso, que curou Santa Teresinha do que hoje chamamos de depressão, que interceda para que possamos receber o Espírito Santo, Espírito da Fortaleza necessário para rompermos com tudo aquilo que nos impede de colocar nossos dons aos pés do Rei dos reis. Amém.

 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Caminhar em Busca do Menino


Seguindo a estrela de Belém,
No desejo de encontrar o Senhor,
Vão os sábios do oriente,
Com o coração ardente,
Prontos para adorar,
E também para ofertar,
Os seus simbólicos presentes.
*
O encontro com o Menino Deus,
Converte os magos caminheiros,
Seguem um rumo transformado,
As trilhas são de homens renovados,
Que levam a divina alegria,
Pra eles, antes não existia,
Sonho santo e realizado.
*
Este caminho todos devemos seguir,
Via do Deus amor e encarnado,
Convictos de um constante converter,
Adorando o Senhor para na fé crescer,
Num caminho de viva evangelização,
Marcado pelo amor e pela conversão,
E como Discípulos nossos dons oferecer.
*
Não façamos como o rei tirano e solitário,
Que somente quis saber onde nasceu o Salvador,
Não trilhou o caminho para até lá chegar,
Pois teve medo de perder o seu lugar.
Porque o reinado do Senhor é diferente,
É de amor e para todos, como presente,
Aos que querem sempre O encontrar.
*
Carreguemos o sentido da Salvação universal,
Onde todos têm direito aos dons divinos.
Pois, todo homem é chamado à conversão,
De qualquer canto do mundo ou nação,
Basta abrir o coração à grande novidade,
Porque Deus veio morar na humanidade,
Para nos presentear com a salvação.

*   *   *

 

Referência da (i) imagem principal: J. Tissot (1836-1902), In brooklynmuseum.org – “The Adoration of the Magi” ; e (ii) Imagem das rosas: In <gratispng.com/png-uj22en>.

 

Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que, através da atitude dos reis magos, nos motiva a contemplar o mistério da encarnação do Verbo de Deus, ilumine o seu caminho!

 

 

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

⇒ Ano “Família Amoris Lætitia” (2021/2022) ⇐
⇒ 55o Dia Mundial da Paz ⇐
» Tema: A paz duradoura a partir do diálogo entre as gerações, a educação e o trabalho «

 

Leituras: Nm 6,22-27; Sl 67(66); Gl 4,4-7; Lc 2,16-21

 

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Celebremos a Paz junto à Mãe de Deus

Lc 2,16-21

 

Meus irmãos e irmãs, neste dia 1º de janeiro celebremos a paz junto à Nossa Senhora e ao nosso Salvador, Jesus Cristo. A Liturgia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, ainda no espírito do tempo do Natal, nos mantém na proximidade da revelação do mistério da encarnação do Verbo de Deus. E o Evangelho desta Liturgia está em Lc 2,16-21, ainda no contexto evangélico do “Nascimento e vida oculta de João Batista e de Jesus”.

Nesta Liturgia, Jesus está, inicialmente, envolto em faixas e, depois, sendo circuncidado, um sinal da aliança de Deus com Abraão (cf. Gn 17,1-27). Também esta Liturgia é sempre celebrada no dia 1º de janeiro, Dia Mundial da Paz, instituído por proposta do Papa São Paulo VI(1) e que neste ano a mensagem do Papa Francisco é dedicada ao tema da paz duradoura fundamentada no diálogo entre as gerações, na educação e no trabalho(2).

Nesta Liturgia, portanto, os cristãos se reúnem esperançosos, com expectativas e perspectivas, para celebrar o Dia Mundial da Paz junto com a Mãe de Deus. Ela que nos presenteou com o seu “Sim”, acolhendo e fazendo com que o Príncipe da Paz (cf. Is 9,5) pudesse nascer e reinar em nosso meio, portando a misericórdia do Pai e a Salvação para todos.

No Evangelho de hoje, São Lucas apresenta o encontro dos pastores com o Menino Jesus ainda na manjedoura, junto com Maria e José. Os pastores foram os primeiros que receberam a notícia do nascimento do Salvador. A eles cabe também o anúncio das maravilhas de Deus, louvando toda a realização divina (cf. Lc 2,17-18.20).

A Virgem guardava todos estes acontecimentos e meditava em seu coração (cf. Lc 2,19), procurando compreender todo o processo da sua resposta a Deus, quando o Anjo a visitou. A Virgem Maria também meditava porque era mulher do silêncio e da oração, na sua missão de gerar e acompanhar o Verbo na Sua caminhada terrestre entre os homens.

Neste Dia Mundial da Paz, os cristãos também pedem a bênção que vem de Deus. Bênção que é sinal de salvação como escutamos na primeira leitura desta Liturgia do livro de Números: “ ‘O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’ Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei”. (Nm 6,24-27).

Sobre o marco temporal de 2021 e 2022, devemos também ter em mente que se faça a vontade do Senhor e não a nossa, “assim na terra como no Céu”. Maria nos possibilita que sejamos seus filhos. Ela, que é Mãe de Deus e nossa, ela também gerou a Igreja que somos parte. Ela é a Mãe do Príncipe da Paz, também nosso irmão, nosso Deus amado que veio ficar junto de nós para nos ensinar que Deus é Pai e tem misericórdia dos pecadores, por isso vem trazer a união e a fraternidade.

Nessa relação santa de filhos, São Paulo nos fala: “Assim já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus.” (Gl 4,7). Temos então o temor que vem do amor e da necessidade de santificação e não o medo da condenação. Se amamos o Senhor, faremos a vontade d’Ele e por isso não devemos ter medo d’Ele porque Ele está bem próximo de nós.

Por fim, peçamos a mediação materna da Mãe do Redentor para que possamos receber o Espírito Santo, Espírito da adoção dos filhos de Deus como ensina São Paulo aos gálatas e também a nós. Amém.

*   *   *
(1) Cf. PAULO VI. Mensagem para a celebração do 1º Dia Mundial da Paz. Publicado em 8 dez. 1967. Disponível em: <https://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/messages/peace/documents/hf_p-vi_mes_19671208_i-world-day-for-peace.html>. Acesso em: 27 dez. 2021.
(2) Cf. FRANCISCO. MMensagem para a celebração do 55º Dia Mundial da Paz. Publicado em 8 dez. 1967. Disponível em: <https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/20211208-messaggio-55giornatamondiale-pace2022.html
>. Acesso em: 27 dez. 2021.

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Santa Mãe de Deus e Nossa


Mãe da escuta atenta,
Do silêncio e da oração,
Toda entregue por amor,
Ao Senhor da salvação,
Ensina-nos a santidade,
Mostra-nos tua serenidade,
Para a santificação.
*
Mãe de Deus e nossa Mãe,
Mãe do Príncipe da Paz,
Ensina-nos a fraternidade,
Que tanta harmonia nos traz,
Ensina-nos também a escuta,
A paciência na labuta,
Quando não somos capazes.
*
Que o nosso Príncipe da Paz,
Pela Sua encarnação,
Ajude-nos na caminhada,
E no amor entre os irmãos,
Trazendo-nos alegria,
Que nasce da Eucaristia,
Pra nossa libertação.
*
Que a benção do Senhor,
O Filho amado e querido,
Possa nos trazer a Paz,
Neste mundo tão sofrido,
Das guerras possa nos livrar.
E o amor sempre a buscar,
Os povos todos unidos.
*
Que a santa Eucaristia,
Renove a nossa lida,
Dando a força necessária,
Para a estrada percorrida,
E que o Deus Emanuel
Com a nossa Mãe do Céu,
Tragam a Paz à nossa vida.

*   *   *

 

Referência da imagem: Hugo van der Goes (1440-1482), In commons.wikimedia.org – “The Adoration of the Shepherds”.

 

Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos mantém na proximidade da revelação do mistério da encarnação do Verbo de Deus, ilumine o seu caminho!

 

 

Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, Ano C, São Lucas

 

Leituras: Eclo 3,3-7.14-17a; Sl 128(127); Cl 3,12-21; Lc 2,41-52

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Família Cristã: Chamada a ser Igreja Doméstica

Lc 2,41-52

 

Meus irmãos e irmãs, a Liturgia da Sagrada Família, neste Ano C, que celebramos no Domingo da Oitava de Natal, nos motiva a contemplar a Família de Nazaré como igreja doméstica que, juntos, peregrina a Jerusalém. E o Evangelho desta Liturgia está em Lc 2,41-52, passagem que está localizada na primeira parte do Evangelho segundo São Lucas intitulada “Nascimento e vida oculta de João Batista e de Jesus”.

Nesta Liturgia, o Menino Jesus e seus pais estão no Templo de Jerusalém, cumprindo os preceitos da Lei de Moisés. Finalizada a Festa, que durava sete dias, os peregrinos retornavam em grupo. Ao final do primeiro dia de viagem, Maria e José perceberam a ausência de Jesus. Após três dias de procura, encontraram o Menino Jesus no Templo, entre os doutores da Lei.

Podemos imaginar as palavras do Menino Jesus a respeito das coisas divinas, pois os ouvintes ficaram maravilhados. A resposta aos pais, “não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49), deve ter deixado seus pais intrigados inicialmente, mas depois ambos compreenderam que Jesus já sinalizava Sua divindade e obediência ao Pai do Céu. Após o ocorrido, voltaram a Nazaré e Jesus viveu submisso aos seus pais até o início de sua vida pública.

Esta Liturgia, portanto, nos traz fortes orientações para santidade em família. A primeira leitura, do livro do Eclesiástico, nos indica que: “Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los (…). Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros.” (Eclo 3,4-5). Já na segunda leitura, São Paulo aconselha que sejamos, em relação ao cuidado dos pais, revestidos de misericórdia, mansidão e paciência (cf. Cl 3,12). Diante da desvalorização da referência familiar, Deus nos indica o valor da tradição (conselhos e experiência) como fundamento social e de santificação.

Olhemos para Jesus que, mesmo sendo Deus, era obediente aos pais, sendo amável e paciente no seu ambiente familiar e social. A Virgem Maria, que guardava tudo no seu coração e, desde o anúncio do Anjo, foi fundamental para o amadurecimento humano do Filho de Deus e da Sua missão entre os homens. E para José: fiel ao projeto de Deus, viveu do seu trabalho para a manutenção da casa.

Como nos ensina o Papa Francisco, é um exemplo de família na oração e na peregrinação, uma peregrinação que “não termina quando se alcança a meta do santuário, mas quando se volta para casa e se retoma a vida de todos os dias, fazendo valer os frutos espirituais da experiência vivida”(1).

A tradição cristã reforça que da Sagrada Família emana uma espiritualidade que deve ser referência para o nosso tempo, com os pais evangelizando pelo testemunho: na santidade conjugal e no cuidado da oração, da educação e do convívio social dos filhos. Uma família missionária no cultivo da leitura e da partilha da Palavra de Deus, onde o amor seja o fundamento e a força da existência como instituição sagrada.

Não devemos esquecer que as chagas da sociedade é fruto de uma certa displicência no cuidado e na formação das crianças e dos jovens. Em nosso mundo, predomina o relativismo e a religião é muitas vezes tratado como um “problema” pessoal. Também é verdade que muitos pais carecem de uma formação cristã mais sólida e nem sempre têm consciência de sua missão na transmissão da tradição.

Por fim, peçamos a intercessão da Sagrada Família, asilo de todas as virtudes, para que o Espírito Santo nos livre da inveja contra a graça fraterna e assim possamos vivenciar, em família e em comunidade, o mandamento de amar uns aos outros (cf. Jo 13,33-35). Amém.

*   *   *
(1) Cf. Homilia do Papa Francisco na Santa Missa para as Família, 27 dez. 2015, Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José. Disponível em: <https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2015/documents/papa-francesco_20151227_omelia-santa-famiglia.html>. Acesso em: 23 dez. 2021. 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

A Família Santa de Nazaré


Mãe que escuta e a Deus se entrega,
Para viver um plano de amor exigente,
Que questiona, porém consente,
O peso da imensa missão,
Meditando no seu coração,
O amor de Deus e de sua gente.
*
Pai terreno e obediente ao Pai do Céu,
Discreto no seu silêncio orante,
Que nas dúvidas segue avante,
Ao anjo em sonho escutou,
E firmemente acreditou,
Postura de homem Santo suplicante.
*
Filho, Deus que desce a este mundo,
Presente no meio da multidão,
Rosto de misericórdia e perdão,
Que traz aos homens a esperança,
A vida eterna como herança,
Ressuscita e nos dá a ressurreição.
*
Família, modelo para chegarmos ao Céu,
Santa desde a sua fundação,
Referência para cada lar cristão,
Conduz-nos a evangelizar,
Fazendo-nos firmemente acreditar,
Que o Reino se constrói pela missão.
*
E agora pedimos um auxílio santificador,
Para construirmos uma igreja em nosso lar,
E ao mundo podermos testemunhar,
Uma vida de cuidado e comunhão,
Marcada pela evangelização,
Para as chagas do mundo poder curar.

*   *   *

 

 

Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, nos motiva a contemplar a Família de Nazaré como igreja doméstica e missionária, ilumine o seu caminho!

 

 

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa da Noite: Is 9,1-6; Sl 96(95); Tt 2,11-14; Lc 2,1-14

Missa do Dia: Is 52,7-10; Sl 98(97); Hb 1,1-6; Jo 1,1-18

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

E Deus Veio Morar Conosco

Lc 2,1-14 e Jo 1,1-18

 

Meus irmãos e irmãs, as Liturgias da Noite e do Dia de Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo nos convidam a mergulhar no mistério da Encarnação de Deus, que nasce entre os pequenos e os animais.

Celebrar o Natal é deixar que a luz de Deus nos ilumine, nos proporcionando fraternidade e dignidade. O evangelista João diz que Cristo é a luz que brilha nas trevas e as trevas foram derrotadas (cf. Jo 1,4-8). Por isso, o Natal se prolonga em nós quando o amor e a luz reinam em nossos corações, brotando caridade, justiça social e paz entre as pessoas.

A Liturgia da Noite de Natal, também conhecida como “Missa do Galo”, é conduzida pelo anúncio do nascimento do Salvador, narrado pelo evangelista Lucas (2,1-14), passagem que está localizada na primeira parte do Evangelho segundo São Lucas intitulada “Nascimento e vida oculta de João Batista e de Jesus”. E nesta Liturgia, Jesus está, inicialmente, no ventre da Virgem Maria, como fruto bendito, e, depois, deitado na manjedoura, envolto em faixas.

Antes de chegar em Belém, que em hebraico quer dizer “Casa do Pão”, Maria e José fazem uma dura caminhada entre as montanhas para participarem de um recenseamento. E é em Belém, e em condições precárias, que nasce o nosso Salvador, o Pão da Vida, o nosso Pastor, o Príncipe da paz e portador da justiça e da misericórdia de Deus.

As primeiras testemunhas do nascimento do Salvador são os pastores, que naquele contexto eram pessoas sem crédito nas disputas judiciais, mas, mesmo assim, suas palavras deixaram muitos maravilhados quando contaram tudo o que viram sobre o nascimento de Jesus (cf. Lc 2,17-18). Assim, aqueles pastores representam os pobres, distantes dos poderes humanos, da elite religiosa do judaísmo, que esperava um messias davídico e equipado com poderoso exército. No entanto, a pedagogia de Deus, o Seu ensinamento, se realiza na Sua vinda como uma frágil criança numa família simples (Maria e José), família pobre, a ponto de não ter lugar para realizar o parto.

Já a Liturgia do Dia de Natal é conduzida pelo evangelista João. Ele nos apresenta a origem divina de Jesus(1), a encarnação do Verbo de Deus. E o Evangelho da Liturgia do Dia de Natal é exatamente a parte introdutória, o prólogo do Evangelho segundo São João. E nesta Liturgia Jesus está na eternidade, fora do tempo cronológico, do tempo histórico, Ele está no princípio de tudo, quando tudo foi feito para Ele. Ele é a Palavra, o Verbo de Deus.

O recém-nascido é a encarnação de Deus e agora Deus mostra sua face, trazendo-nos Sua paz, Seu amor e nossa salvação. O nascido da Virgem Maria foi profetizado por Isaías e está presente na primeira leitura da Missa do Dia de Natal. Diz o profeta: “Como são belos (…) os pés do mensageiro que anuncia a paz (…) a salvação…” (Is 52,7). Ele crescerá em sabedoria e graça e mostrará aos homens que Deus é amor e quer a salvação para todos. Para isso, basta acolher a Sua Palavra e responder ao Seu chamado para anunciar o Reino.

Portanto, estas duas Liturgias do Natal nos apresentam a autocomunicação de Deus. Primeiro ao permitir o nascimento de Jesus à noite para dizer que Ele é a Luz e, depois, ao colocar os pastores como os primeiros a sentirem a realização da profecia de Isaías, quando diz “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria.” (Is 9,1).

Cristo veio para todos, mas somente os que acolhem a Luz salvadora, diz o evangelista João, recebem o poder da filiação divina (cf. Jo 1,11-12). Somos filhos quando acolhemos a Palavra em nossa vida e quando a Luz ilumina o nosso ser. Vivemos o verdadeiro Natal quando deixamos Cristo nascer e reinar em nossas vidas. Por isso que o sacramento da confissão é a porta pela qual retornamos para os braços de Cristo.

Quando, como cristãos, nos reunimos para celebrar o Natal, somos convidados a nos unir à multidão da corte celeste para cantar em uma só voz: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama.” (Lc 2,14). Deus se faz presente numa criança para nos ensinar a simplicidade e o amor a todos.

Neste Natal, peçamos a intercessão de Nossa Senhora, Mãe da divina graça, para que possamos receber o Espírito Santo, Espírito de toda graça, e assim renovemos cotidianamente o nosso “sim”, o Batismo, sendo cada vez mais filhos através do Filho muito amado de Deus Pai. Jesus Cristo é Emanuel, é Deus conosco. Amém.

 

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(1) CNBB / Roteiros homiléticos para o Tempo do Advento – Natal – Tempo Comum I (novembro 2021 / fevereiro 2022): “Alegrai-vos! O Senhor está próximo”, Ano C – São Lucas. Brasília: Edições CNBB, 2021, pp. 34-35.

 

*   *   *

 

⇒ POESIA ⇐

Deus Nasce entre os Pequenos


Entre as montanhas de Judá,
Nas noites escuras dos pastores,
Vem a luz divina nos visitar,
Vencendo todos os temores,
Trazendo o amor e a salvação,
Vencendo em nós a escuridão,
Que muitas vezes nos traz horrores.
*
Nasce entre os animais e pecadores,
Anunciando desde já sua missão,
Rei simples, pobre e sem coroa,
Sendo sinal de contradição.
Vem como uma simples criança,
Mas traz para muitos a esperança,
E aos poderosos a confusão.
*
Naquela noite vem os louvores,
Da corte celeste a cantarolar,
E à voz do Anjo mensageiro,
Que se une também a ecoar,
Porque nasceu o Salvador,
Deus de paz, justiça e amor,
E a todos os homens veio salvar.
*
O Natal nos traz um ensinamento,
Para nesta vida proceder,
Deus veio para o mundo inteiro,
Com Sua Palavra a nos converter,
Ensina-nos a simplicidade,
O acolhimento e a fraternidade,
Prega a justiça e o bem viver.
*
E em torno do santo altar,
Vivamos a coerência e a união,
Escutando sempre a santa Palavra,
A irmandade e a comunhão,
Sendo sinal da luz do Salvador,
Vencendo a tristeza e o rancor,
Vivendo todos como irmãos.

*   *   *

 

Referência da imagem: Philippe de Champaigne (1620–1674), In commons.wikimedia.org – “The Adoration of the Shepherds”

 

Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nasce entre os pequenos e veio morar conosco, ilumine o seu caminho!

 

 

Festa do Batismo do Senhor, Solenidade

 

Leituras: Is 42,1-4.6-7; Sl 29(28); At 10,34-38; Mc 1,7-11

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Cristo Mergulha em nossa Humanidade

Mc 1,7-11

 

Meus irmãos e irmãs, nesta festa do Batismo do Senhor Cristo mergulha em nossa humanidade. E o mistério pascal nos mantém, encerrando o Tempo do Natal, na proximidade da fonte da revelação misteriosa da encarnação de Deus. O Evangelho desta Liturgia está em Mc 1,7-11.

Com esta Liturgia, a Igreja encerra o Tempo do Natal, em que vivenciamos a alegria e o acolhimento do Menino Deus e pudemos também receber o ensinamento sobre a encarnação do Verbo. Por outro lado, a Liturgia a aponta para a primeira etapa do Tempo Comum, para viver a escuta da Palavra e aprender sobre o anúncio do Reino. Assim, o Espírito continua soprando onde quer e como quer (cf. Jo 3,8).

Inicialmente podemos nos perguntar se era necessário que Jesus fosse batizado por João. O batismo de João era necessário, pois significa “a manifestação pública de sua adesão ao Pai e a missão que lhe foi confiada, como Filho amado e fiel”[1]. O Menino adorado pelos pastores e pelos magos do Oriente agora, adulto, é apresentado ao mundo com a sua missão. O céu se abre para apresentar o Filho muito amado numa manifestação da Santíssima Trindade: a descida do Espírito Santo e a voz do Pai e o Filho que se deixa batizar por João.

Em Jesus se realiza aquilo que Isaías nos apresenta: “Eis o meu servo que eu sustento, o meu eleito, em quem tenho prazer. Pus sobre ele o meu Espírito, ele trará o direito às nações.” (Is 42,1). Jesus, no seu batismo, já prefigura aquilo que será a consequência da sua missão: a morte como sacrifício oferecido em favor dos pecadores e a ressurreição como vitória sobre a morte.

Na sua paixão, Cristo acolhe todos como fala São Pedro: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença” (At 10,34-35). Ele que veio, como mansidão, julgar com misericórdia todo homem que aderir a sua mensagem. Será fiel, pois irá até o fim para trazer a sua glória a todos aqueles que almejam a vida eterna.

Com o Batismo (cf. CIgC 783-786) somos inseridos no Corpo Místico de Cristo como sacerdote (para oferecer sacrifício com nossos dons de vida), como profeta (para anunciar a verdade do Evangelho ao mundo) e rei (para santificar as diversas realidades em que estamos inseridos). E aqui há um parêntese: com o Batismo nós recebemos o sacerdócio comum dos fiéis, que é diverso do sacerdócio ministerial reservado aos Bispos e presbíteros, pastores da Igreja (cf. CIgC 1592).

Devemos também meditar como a nossa condição de batizados reflete em nossa inserção na Igreja, no Corpo Místico de Cristo. Poderemos ser enviados para comunicar a misericórdia de Deus ou anunciar a importância do Batismo ou propagar o valor da comunidade que se reúne em torno da Palavra e da Eucaristia ou, ainda, a promoção do acolhimento como filhos e membros do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja.

Rezemos por todos os batizados e pelos padrinhos que no dia do Batismo, juntamente com os pais, assumem a educação na fé dos afilhados, para darem testemunho do amor de Deus, da escuta da Palavra, da participação na Eucaristia e da preocupação para que as crianças e jovens cresçam também no amor de Cristo.

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[1] Jesus veio nos indicar os caminhos do reino. Roteiros homiléticos para o tempo do Advento – Natal – Tempo C – Ano B – São Marcos. Brasília: Edições CNBB, 2014, p. 67.

 

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⇒ POESIA ⇐

Mergulhados na Vida de Cristo

 

Do céu vem uma voz:
É o Pai de eterno amor,
Que apresenta o Filho,
Como nosso Redentor,
É o Filho muito amado,
Do Pai o seu agrado,
O santificador.

O céu também se abre,
Para a terra abraçar,
Pois a humanidade,
Estava a esperar,
Que a terra fosse olhada,
E a vida resgatada,
E em águas se banhar.

Do céu também o Espírito,
Em manifestação,
Pousando sobre o Filho,
Do Pai da Criação,
Jesus conduzirá,
E o consagrará,
Toda a sua missão.

Do céu à aqui na terra,
A Trindade Santa vem,
Apresentando ao mundo,
O amor, a paz e o bem,
Missão de redenção,
A todos a salvação,
Sem excluir ninguém.

E nós os batizados,
Em Cristo, inseridos,
Igreja, o seu Corpo,
Os membros reunidos,
A Palavra Santa ouvindo,
Seu Corpo nos nutrindo,
Pra sermos redimidos.

***

 

 

*** Que a Luz de Jesus Cristo, o Filho muito amado do Pai, ilumine o seu caminho! ***

 

Epifania do Senhor, Solenidade

 

Leituras: Is 60,1-6; Sl 72(71); Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12

 

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

A Luz do Senhor Atrai os Magos do Oriente

Mt 2,1-12

 

Meus irmãos e irmãs, neste primeiro domingo do ano novo a luz do Senhor atrai os magos do Oriente. E o mistério pascal da solenidade da Epifania do Senhor nos mantém, ainda no Tempo do Natal, na proximidade da fonte da revelação misteriosa da encarnação do Verbo de Deus. O Evangelho desta Liturgia está em Mt 2,1-12.

Epifania significa a manifestação do amor infinito e misericordioso de Deus a todos os povos e nações. Nesta Liturgia, o evangelista Mateus (cf. 2,1-12) narra o nascimento de Jesus em Belém e nos situa dentro do reinado de Herodes, O Grande, o qual se sente ameaçado por tal acontecimento e procura encontrar o Menino (cf. Mt 2,3). A serviço de Herodes, os especialistas nas escrituras localizam uma profecia de Miqueias (cf. 5,1-4), que cita o nascimento do Messias em Belém.

Em cena aparecem os magos do Oriente que, mesmo não tendo as Escrituras, querem chegar até o rei dos judeus que acabara de nascer (cf. Mt 2,2). Herodes, astutamente, pediu a ajuda dos magos para chegar até o Menino. Mas os magos foram avisados em sonho e voltaram por outro caminho. (cf. Mt 2,12).

A nossa reflexão mais importante deve se voltar para o significado da visita, das ofertas e da volta dos magos por outro caminho. A Liturgia nos ensina que os magos representam os gentios que buscam e acolhem a salvação de Deus. O encontro do Menino é o objetivo dos que querem encontrar-se com Deus. No evangelista Mateus, vemos que a Salvação é para toda humanidade. São Paulo, aos efésios, ainda reforça que: “os pagãos são admitidos (…) do mesmo Corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo…” (Ef 3,6).

Outro ensinamento é sobre as ofertas dos magos que foram entregues depois de adorarem o Menino (cf. Mt 2,1-12): ouro (simbolizando a realeza de Cristo), incenso (a divindade) e mirra (que indica que Jesus veio para aliviar o sofrimento dos pobres e também a sua unção no túmulo de seu corpo humano e incorruptível que culmina na Ressurreição).

O retorno dos magos por outro caminho indica que, além de fugir da astúcia de Herodes, o encontro com Deus, na pessoa do Filho, os faz homens renovados. Alegres e convertidos seguem um novo caminho em suas vidas.

Portanto, esta Liturgia nos motiva para buscarmos constantemente o encontro com a pessoa do Filho muito amado do Pai, pois Cristo quer fazer nova todas as coisas. Ele que nossa caminhada seja como discípulos amados por ele. A nossa participação na Missa deve ser sempre de louvor e de adoração, alegres pela busca de Deus. E então, podemos nos perguntar: O que tenho oferecido a Deus? Que dons tenho colocado a serviço do Reino?

Juntemos a nossa prece às das crianças do mundo inteiro para que percorramos um ano novo, cheio de muitas transformações na vida dos que querem encontrar o Senhor, dos que querem fazer uma caminhada marcada pelo crescimento espiritual e humano, daqueles que querem juntamente conosco conhecer e seguir Jesus para encontrarem novos caminhos e novas realidades em suas vidas. Por fim, rezemos com o salmista: “As nações de toda terra hão de adorar-vos, ó Senhor.” [Sl (72/71)].

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Caminhar em Busca do Menino

 

Seguindo a estrela de Belém,
No desejo de encontrar o Senhor,
Vão os sábios do Oriente,
Com o coração ardente,
Prontos para adorar,
E também para ofertar,
Os seus simbólicos presentes.

O encontro com o Menino Deus,
Converte os magos caminheiros,
Seguem um rumo transformado,
As trilhas são de homens renovados,
Que levam a divina alegria,
Pra eles, antes não existia,
Sonho santo e realizado.

Este caminho todos devemos seguir,
Via do Deus amor e encarnado,
Convictos de um constante converter,
Adorando o Senhor para na fé crescer,
Num caminho de viva evangelização,
Marcado pelo amor e pela conversão,
E como Discípulos nossos dons oferecer.

Não façamos como o rei tirano e solitário,
Que somente quis saber onde nasceu o Salvador,
Não trilhou o caminho para até lá chegar,
Pois teve medo de perder o seu lugar.
Pois o reinado do Senhor é diferente,
É de amor e para todos, como presente,
Aos que querem sempre o encontrar.

Carreguemos o sentido da salvação universal,
Onde todos têm direito aos dons divinos.
Pois, todo homem é chamado à conversão,
De qualquer canto do mundo ou nação,
Basta abrir o coração a grande novidade,
Por que Deus veio morar na humanidade,
Para nos presentear com a salvação.

***

 

 

*** Que a Luz do Menino Jesus, adorado pelos povos do Oriente, ilumine o seu caminho! ***

 

Santa Maria, Mãe de Deus, Solenidade

 

Leituras: Nm 6,22-27; Sl 67(66); Gl 4,4-7; Lc 2,16-21

 

⇒ HOMILIA ⇐

Junto à Mãe de Deus Celebremos a Paz

Lc 2,16-21

 

Meus irmãos e irmãs, neste dia 1º de janeiro, junto à Santa Maria, Mãe de Deus, celebramos a paz. E o mistério pascal desta solenidade nos mantém, ainda no Tempo do Natal, na proximidade da fonte da revelação misteriosa da encarnação do Verbo de Deus. O Evangelho desta Liturgia está em Lc 2,16-21.

Nesta Liturgia, os cristãos se reúnem esperançosos, com expectativas e perspectivas. Há uma intenção especial por parte do Papa, que é celebrar o Dia Mundial da Paz junto com a Mãe de Deus. Ela que nos presenteou com o seu sim, acolhendo e fazendo com que o Príncipe da Paz (cf. Is 9,5) pudesse nascer e reinar em nosso meio, portando a misericórdia do Pai, a Salvação para todos.

O evangelista Lucas apresenta o encontro dos pastores com o menino Jesus ainda na manjedoura, junto com Maria e José. Os pastores foram os primeiros que receberam a notícia do nascimento do alvador. A eles cabe também o anúncio das maravilhas de Deus, louvando toda a realização divina (cf. Lc 2,17-18.20).

A Virgem guardava todos estes acontecimentos e meditava em seu coração (cf. Lc 2,19), procurando compreender todo o processo da sua resposta a Deus, quando o Anjo a visitou. Maria meditava porque também era mulher do silêncio e da oração, na escuta atenta a Deus, na sua missão de gerar e acompanhar o Verbo no cumprimento das promessas que vinham de Deus Pai.

Neste Dia Mundial da Paz, os cristãos também pedem as bênçãos que vem de Deus, pois é sinal de salvação como escutamos na primeira leitura desta Liturgia: “ ‘O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’ Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei”. (Nm 6,24-27).

Sobre o marco temporal de 2020 e 2021, devemos também ter em mente que se faça a vontade do Senhor e não a nossa. Maria nos possibilita que sejamos seus filhos. Ela, que é Mãe de Deus e nossa Mãe, também gerou a Igreja que nós somos parte. Ela é a mãe do Príncipe da Paz, também nosso irmão, nosso Deus amado que veio ficar junto de nós para nos ensinar que Deus é Pai e tem misericórdia dos pecadores, por isso vem trazer a união e a fraternidade.

Nessa relação santa de filhos, São Paulo nos fala: “De modo que já não és escravo, mas filho. E se és filho, és também herdeiro, graças a Deus.” (Gl 4,7). Temos então o temor que vem do amor e da necessidade de santificação e não o medo da condenação. Se amamos o Senhor, faremos a vontade dele e por isso não devemos ter medo dele porque ele está bem próximo de nós.

Que neste ano que se inicia possamos promover cada vez mais a paz entre as pessoas, onde estivermos inseridos e que Nossa Senhora nos ensine a sermos obedientes, necessitados de amor e na escuta de Deus. Deus que sempre está nos chamando à santidade e a sermos, ao mesmo tempo, discípulos missionários do seu Reino.

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Santa Mãe de Deus e Nossa

 

Mãe da escuta atenta,
Do silêncio e da oração,
Toda entregue por amor,
Do Senhor da salvação,
Ensina-nos a santidade,
Mostra-nos tua serenidade,
Para a santificação.

Mãe de Deus e nossa Mãe,
Mãe do Príncipe da Paz,
Ensina-nos a fraternidade,
Que tanta harmonia nos traz,
Ensina-nos também a escuta,
A paciência na labuta,
Quando não somos capazes.

Que o nosso Príncipe da Paz,
Pela sua encarnação,
Ajude-nos na caminhada,
E no amor entre os irmãos,
Trazendo-nos alegria,
Que nasce da Eucaristia,
Pra nossa libertação.

Que a benção do Senhor,
O Filho amado e querido,
Possa nos trazer a paz,
Neste mundo tão sofrido,
Das guerras possa nos livrar.
E o amor sempre a buscar,
Os povos todos unidos.

Que a Santa Eucaristia,
Renove a nossa lida,
Dando a força necessária,
Para a estrada percorrida,
E que Deus Emanuel
Com a nossa Mãe do Céu,
Tragam a paz à nossa vida.

***

 

 

*** Que a Luz do Menino Jesus, que enquanto Deus se fez filho de Maria, ilumine o seu caminho! ***

 

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Solenidade

 

Missa da Noite: Is 9,1-6; Sl 96(95); Tt 2,11-14; Lc 2,1-14

Missa do Dia: Is 52,7-10; Sl 98(97); Hb 1,1-6; Jo 1,1-18

 

⇒ HOMILIA ⇐

E Deus veio morar conosco

Lc 2,1-14 e Jo 1,1-18

 

Meus irmãos e irmãs, as Liturgias da Noite e do Dia do Natal nos convidam a mergulhar no mistério da encarnação de Deus, que nasce entre os pequenos e os animais.

Celebrar o Natal é deixar que a luz de Deus nos ilumine, nos proporcionando mais fraternidade e dignidade. Por isso, o Natal se prolonga em nós quando o amor reina nos corações, brotando caridade, justiça social e paz entre as pessoas.

O evangelista Lucas, na Liturgia da Noite de Natal, nos apresenta a caminhada dura, entre as montanhas, que Maria e José fazem até Belém para participarem de um recenseamento. Nos arredores de Belém, próximo aos campos dos pastores, envolvido em faixas e deitado numa manjedoura (cf. Lc 2,12), nasce o nosso Salvador, nosso Pastor, portador da paz, da justiça e da misericórdia de Deus Pai.

Os primeiros a receberem a notícia são os pobres, distantes dos poderes humanos. Os homens de poder esperavam um messias equipado com poderoso exército. Mas a pedagogia de Deus proporciona a sua vinda como uma criança que nasce numa família simples – Maria e José – e pobre, a ponto de não ter lugar para realizar o parto.

Já a Liturgia do Dia de Natal, com o texto do evangelista João, nos apresenta a divindade do Menino Deus que nasceu em Belém entre os pastores e sob a luz das estrelas entre as montanhas da Judeia. De acordo com o evangelista João, este recém-nascido é a encarnação de Deus e já existia antes desde o princípio da Criação. Agora, Deus mostra sua face, trazendo-nos a paz, seu amor e a salvação.

O nascido de Maria é o anunciado por Isaías na primeira leitura: “Como são belos (…) os pés do mensageiro que anuncia a paz (…) a salvação…” (Is 52,7). Ele crescerá em sabedoria e graça e mostrará aos homens que Deus é amor e que quer a salvação para todos. Para isso, basta que estes acolham a sua Palavra e respondam ao seu chamado para anunciar o Reino.

Jesus nasce na noite para dizer que ele é Luz. Os pastores foram os primeiros a sentir a realização da profecia de Isaías, pois “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria.” (Is 9,1).

Cristo veio para todos, mas somente os que acolhem a Luz salvadora, diz o evangelista João, recebem o poder da filiação divina (cf. Jo 1,11-12). Somos filhos quando acolhemos a Palavra em nossa vida e quando a Luz ilumina o nosso ser. E então vivemos o verdadeiro Natal também quando deixamos Cristo nascer e reinar em nossas vidas. Por isso que o sacramento da confissão é a porta pela qual retornamos para os braços de Cristo.

Quando, como cristãos, nos reunimos para celebrar o Natal de Cristo, somos convidados a nos unir à multidão da corte celeste para cantar em uma só voz: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama.” (Lc 2,14). Deus se faz presente numa criança para nos ensinar a simplicidade e o amor a todos.

Que Espírito Santo nos ilumine e nos faça cada vez mais filhos através do Filho muito amado de Deus Pai que veio assumir a natureza humana para resgatar a humanidade. Jesus Cristo é Deus conosco.

 

 

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⇒ POESIA ⇐

Deus Nasce entre os Pequenos

 

Entre as montanhas de Judá,
Nas noites escuras dos pastores,
Vem a luz divina nos visitar,
Vencendo todos os temores,
Trazendo o amor e a salvação,
Vencendo em nós a escuridão,
Que muitas vezes nos traz horrores.

Nasce entre os animais e pecadores,
Anunciando desde já sua missão,
Rei simples, pobre e sem coroa,
Sendo sinal de contradição.
Vem como uma simples criança,
Mas traz para muitos a esperança,
E aos poderosos a confusão.

Naquela noite vem os louvores,
Da corte celeste a cantarolar,
E à voz do Anjo mensageiro,
Que se une também a entoar,
Porque nasceu o Salvador,
Deus de paz, justiça e amor,
E a todos os homens veio salvar.

O Natal nos traz um ensinamento,
Para nesta vida proceder,
Deus veio para o mundo inteiro,
Com sua Palavra a nos converter,
Ensina-nos a simplicidade,
O acolhimento e a fraternidade,
Prega a justiça e o bem viver.

E em torno do santo altar,
Vivamos a coerência e a união,
Escutando sempre a santa Palavra,
A irmandade e a comunhão,
Sendo sinal da luz do Salvador,
Vencendo a tristeza e o rancor,
Vivendo todos como irmãos.

***

 

 

*** Que a Luz do Salvador, que nasce entre os pequenos e veio morar conosco, ilumine o seu caminho! ***

 

Batismo do Senhor, Festa

Leituras: Is 42,1-4.6-7; Sl 28-29; At 10,34-38; Mt 3,13-17

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

⇒ HOMILIA ⇐

Deus Pai nos apresenta o seu Filho amado

Mt 3,13-17

Celebramos neste Domingo a Festa do Batismo do Senhor, a qual ainda se vive dentro do ciclo do Natal (que inclui dois momentos: tempo Advento e Tempo do Natal). A partir da próxima segunda-feira, já entraremos na primeira parte do Tempo Comum, que se estenderá até a terça-feira, antes do início da Quaresma. O Tempo Comum, o Advento e a Quaresma, na liturgia do domingo, são marcados por um ciclo de leituras contínuas, quando prevalece um dos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos ou Lucas). No Ano A caminhamos com o Evangelho segundo Mateus, no Ano B meditamos os textos de Marcos e no Ano C temos as narrações do evangelista Lucas. A cada três ano este ciclo se reinicia. Há algumas exceções em cada ano, quando se usa o Evangelho de João, isto ocorre de forma mais acentuada no ano B (Marcos)

Portanto, no primeiro Domingo do Advento do ano passado reiniciamos o ciclo, e então, estamos no ano A, meditando o evangelho de Mateus. “Cada texto do Evangelho proclamado neste Tempo, na liturgia dominical, com exceção das festas e solenidades, nos coloca no seguimento de Jesus Cristo, desde o chamamento dos discípulos até os ensinamentos a respeito dos fins dos tempos”[1].

Nesta festa do Batismo do Senhor nós temos o texto de Mt (cf. 3,13-17), que nos narra o Pai eterno, após o batismo de João Batista no Jordão, nos apresentando o seu Filho ao mundo: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3,17). E nós, cristãos de hoje, caminhamos alegres porque Jesus mergulhou nas águas para tornar-se solidário a todos que estavam afogados no pecado.

João Batista, aquele que preparou os caminhos do Senhor para que a humanidade conhecesse o Filho muito amado, se assusta com a presença de Jesus para ser batizado por ele: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3,14). A presença do Filho de Deus, solidário aos pecadores também se expressa para se cumprir a justiça de Deus, pois a justiça se explica na vontade do Pai em apresentar o seu Filho para recuperar a imagem perdida quando no início nossos pais perderam esta marca da semelhança à imagem divina.

Neste texto de Mateus podemos ainda refletir sobre outras realidades espirituais e marcantes na manifestação do Batismo do Senhor. “Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele.” (Mt 3,16). Neste versículo podemos contemplar o Céu que se abre para se unir a Terra, já não há mais distância entre Deus e o homem, pois o Filho, Deus encarnado, está presente, caminhando junto a todos para anunciar, para curar, para nos dignificar como filhos amados também e chamar os homens à redenção.

Ainda percebemos também uma presença explícita da Trindade nesta teofania (manifestação divina), podemos ver o Pai que fala, o Espírito que, numa forma de pomba, desce sobre o próprio Jesus, o Filho muito amado. É presença da comunidade divina na terra, mostrando para a humanidade que Deus ama a todos querendo o retorno à vida eterna, retorno ao Céu.

Sempre iremos nos perguntar por que Jesus, sendo santo, sendo Deus, foi receber o Batismo de João? São Máximo de Turin (380-423)[2] num de seus sermões respondeu: “Cristo foi batizado, não para ser santificado pelas águas, mas para santificá-las e para purificar as torrentes com o contato de seu corpo. A consagração de Cristo é, sobretudo, a consagração da água. Assim, quando o Salvador é lavado, todas as águas ficam puras para o nosso batismo; a fonte é purificada para que a graça batismal seja concedida aos povos que virão depois. Cristo nos precede no batismo para que os povos cristãos sigam confiantemente o seu exemplo.”

A profecia de Isaías se cumpre no Batismo de Jesus. Cristo é “o centro da aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas” (Is 42,6-7).

O Batismo de Jesus deve nos reportar ao nosso batismo, pois é neste sacramento que resgatamos a imagem da beleza divina após a criação e alimentamos a esperança certa do caminho de volta ao reino eterno. É importante lembrarmos que a presença do Reino já inicia-se no aqui e no agora, quando todos nos tornamos fraternos, lutamos pela justiça e somos solidários na nossa caminhada de fé, e como sal e luz do mundo, promovemos a paz, o valor e o sentido da vida e proclamamos a alegria do Evangelho.

Peçamos a força do Espírito Santo para que tenhamos perseverança na vivência do nosso testemunho de batizados e que assumamos a missão de anunciar com firmeza e unção como Pedro nos falou nos Atos do Apóstolos: “Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele” (At 10,38b). Deus está conosco, na nossa vida de família, nosso ministério à Igreja, nas nossas comunidades, grupos da pastorais sociais, na luta pela justiça e no cuidado com a criação de Deus. Ele nos conduz em cada momento e em cada situação que encontramos nos cominhos desta vida. Amém.

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[1] Diretório da Liturgia, ano A, CNBB, 2013.

[2] Liturgia das Horas, ofício das leituras, sexta-feira após a Epifania.

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⇒ POESIA ⇐

O Filho amado

O Pai nos apresenta o Filho,
Aquele que se uniu à humanidade
Que se tornou um de nós em fraternidade,
Numa presença santa e de alegria,
Humilde, cheia de paz e harmonia,
Justiça divina e solidariedade.

O Pai nos dá o Filho,
Para se tornar nosso alimento,
Deus amigo em todos os nossos momentos,
Para cativar-nos ao seu amor,
Nas águas do Jordão, o santificador,
Livra-nos do pecado e seus tormentos.

O Pai nos envia o Filho,
Para ser o divino missionário,
Visitando-nos e a nós sendo solidário,
Promovendo a vida e seu sentido,
Contempla nosso caminho percorrido,
E do seu reino nos faz operários.

O Pai nos mostra o Espírito,
Para nos santificar e nos iluminar,
Conduzindo por onde a gente caminhar,
Numa inspiração do divino Amor,
Fortaleza, sabedoria, purificador,
Fazendo-nos povo novo a anunciar.

O Filho, é o eterno amado,
Deus, humano belo e perfeito,
O Cordeiro, o Servo, o Eleito.
E o Pai é a fonte do eterno amor,
Fiel à aliança, nos dá o Salvador,
Sua misericórdia, é nosso direito.

E nós filhos, por Deus, amados,
Ele que veio a nos encontrar.
Para na sua fonte nos batizar.
Purificando-nos do pecado primeiro,
Tratando-nos como amigos e herdeiros,
E nos convida para com ele morar.

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, o Filho amado do Pai, ilumine o seu caminho! ***