Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, Festa

 

Leituras: Eclo 3,3-7,14-17a; Sl 128(127); Cl 3,12-21; Lc 2,22-40

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

A Sagrada Família nos Ensina sobre a Santidade do Lar

Lc 2,22-40

 

Meus irmãos e irmãs, o mistério pascal da festa da Sagrada Família nos mantém no aprofundamento da encarnação do Verbo de Deus. E o Evangelho desta Liturgia está em Lc 2,22-40.

Neste Domingo da Oitava do Natal, nós contemplamos a ida da Sagrada Família ao Templo para a apresentação do menino Jesus. Outros personagens entram na narração: o velho Simeão, que era justo e piedoso, e a profetisa Ana, que já era idosa e ficava dia e noite no Templo pela escuta do Senhor na oração.

O evangelista Lucas nos mostra que Maria e José mantém viva a tradição do então povo escolhido. Eles também trazem os dois pombinhos, a oferta dos mais simples, como a Família de Nazaré.

Outro momento importante desta narração é a presença do velho Simeão, que representa o povo de Israel e a esperada vinda do Salvador. Jesus, nos braços de Simeão, é acolhido pelos judeus que acolheram Jesus como o Cristo, portador da redenção e da esperança.

O coração de Simeão fica alegre por ter visto o Redentor. Na sua profecia as consequências do anúncio que Jesus iria proclamar durante a sua vida terrena, sendo sinal de queda e reerguimento de muitos, além de profetizar que uma espada traspassará a alma da Virgem (cf. Lc 2,34-35). Cristo trará uma mensagem de amor, mas, ao mesmo tempo, denunciará a divisão provocada por aqueles que ignoram a Boa-Nova do Reino e que alimentam a hipocrisia e a opressão contra os pobres.

Já a profetisa Ana louvou a realização da promessa de Deus. Ambos, Maria, José, Simeão e Ana representam o povo de Israel que acolhem o Salvador. Cristo nasce e reina em suas vidas. A eles é dada a missão de proclamar que o Salvador está presente no mundo e que todos devem adorar e escutar a sua voz.

A experiência de sintonia e esperança em Deus fazem com que Simeão e Ana percebem que a criança apresentada não é um recém-nascido comum, mas Deus que se fez carne e veio morar entre nós. O testemunho destes dois personagens santos também nos lembra os padrinhos quando na hora do batismo das crianças recebem em seus braços o afilhado e o apresenta à comunidade de fé.

São Paulo VI[1] nos indica três lições da Família de Nazaré: a primeira é sobre o silêncio o qual faz escutarmos Deus no recolhimento, na meditação e na oração silenciosa; a segunda é sobre a vida familiar e o respeito entre os cônjuges, com e entre os filhos, o exercício do perdão, da harmonia e do zelo pela santidade do matrimônio, exatamente como nos fala a sabedoria do Eclesiástico na primeira leitura desta Liturgia; a última lição é sobre o trabalho, que foi presença no cotidiano de Maria e José, que era carpinteiro e artista e vivia de seu trabalho, como uma atividade de dignidade e não como busca de acúmulo de riquezas.

A família santa nos ensina como construir um lar inspirado no exemplo da casa de Nazaré. Também esse é nosso chamamento. Peçamos ao Espírito Santo que ilumine todas as nossas famílias, para que sejam verdadeiros lugares da presença de Cristo, na santidade e na alegria entre pai, mãe e filhos.

***

[1] Liturgia das horas, Domingo dentro da oitava de Natal, Festa da Sagrada Família, p. 382, Vozes, 1999.

 

 

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⇒ POESIA ⇐

Os Ensinamentos da Família Santa

 

Na obediência humana e divina,
Caminha a família santa a nos ensinar,
Carrega nos braços Deus Menino,
Que veio nos resgatar,
Ao Templo santo vem oferecer,
Aquela oferta que deve ser,
Sinal da simplicidade em tudo dar.

A Família Santa nos ensina,
Que silêncio é a melhor atitude,
Para que o lar seja espaço santo,
Presença divina em plenitude,
Lugar de amor e oração,
Da escuta e da contemplação,
O céu na terra e a infinitude.

A Família Santa ensina,
Sobre a vida familiar,
No convívio puro de esposo e esposa,
Que tanto tem a nos ensinar,
No respeito à vida na castidade,
Na obediência e na fraternidade,
No carinho santo a se propagar.

A Família Santa também nos ensina,
Sobre o trabalho e seu valor,
Ação digna que nos faz bem,
Que fez também nosso criador,
Por que a vida é pra ser vivida,
E nossas lutas bem assumidas,
Com paz, justiça e puro amor.

Que a mesa santa traga o alimento,
Para o testemunho de alegria,
De um banquete cheio de união,
Na caminhada de cada dia,
Que o diálogo esteja presente,
E o perdão nunca ausente,
Que seja verdade, a harmonia.

***

 

 

*** Que a Luz da Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, que nos deixa lições valiosas sobre a santidade do lar, ilumine o seu caminho! ***

 

IV Domingo do Tempo do Advento, Ano B, São Marcos

 

Leituras: 2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16; Sl 89(88); Rm 16,25-27; Lc 1,26-38

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Corações Abertos para o Cristo que Vem

Lc 1,26-38

 

Meus irmãos e irmãs, o mistério pascal da Liturgia do IV Domingo do Advento nos motiva, a exemplo da Virgem, a dizer um sim em atitude de entrega. E o Evangelho desta Liturgia está em Lc 1,26-38.

Já envolvidos pelo clima natalino, e a exemplo da Virgem, somos convidados a escutar Deus que nos traz a sua mensagem de esperança e de alegria e nos anuncia a chegada daquele que nos trará a Salvação.

E o Evangelho desta Liturgia, nós vemos que Deus envia um mensageiro à Virgem e as primeiras palavras do Anjo são: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Como deve ter ficado o coração de Maria?

Deus quer realizar suas promessas através da resposta de uma mulher virgem e já noiva de um homem justo chamado José, que também nos ensina sobre o silêncio, a obediência e a escuta.

Quantas mulheres esperavam esta dádiva, este presente, que Deus podia oferecer à descendência de Davi? “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus” (Lc 1,30), disse o Anjo. Diante da mensagem de Deus não poderá haver medo, somente a meditação, a escuta e entrega à voz do Anjo que explica como tudo irá acontecer. Mesmo diante da escuta atenta e do silêncio sereno, Maria questiona, não com rebeldia, mas no sentido de dialogar sobre aquela novidade divina em sua vida: “Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34).

Disse o Anjo: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus.” (Lc 1,35). Neste momento a Virgem completa o seu entendimento sobre o plano que Deus está lhe propondo: oferecer o seu ventre para que Deus possa operar as maravilhas da salvação em favor da humanidade através da sua encarnação. “Eis a serva do Senhor” (Lc 1,38) é a grande resposta de amor e de obediência. E “faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38) é a entrega total para que Deus realize a sua obra salvífica não somente para a pessoa de Maria, mas para toda a humanidade que esperava a chegada do Messias.

Jesus nasce longe dos palácios! Nasce em Belém, entre os pobres e os animais. Isso nos diz que a sua Palavra tem que habitar fora dos poderes humanos. E o Evangelho deve ir aos que precisam de amor, paz e dignidade e combater as várias formas de violência e morte impostas aos pobres. A Boa-Nova de Deus deve nascer e reinar para que a vida e a alegria aconteçam no coração dos homens.

Que o Espírito Santo nos cubra com sua sombra para nos proteger, nos iluminar com seus dons para que façamos a vontade de Deus. E que neste Natal do Senhor possamos viver mais intensamente a oração e a escuta da Palavra num clima de alegria e de fraternidade onde o amor seja cada vez mais forte entre os nossos irmãos e irmãs que se preparam para celebrar o divino encontro de Deus com todos os homens.

 

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Escuta e Obediência

 

Na simplicidade no meio dos homens,
Deus vem ao mundo para nos salvar,
Mostrar seu rosto igual ao nosso,
Porque conosco quer caminhar,
Traz alegria e claridade,
Justiça e paz à humanidade,
No nosso meio vem habitar.

O mensageiro visita uma Virgem,
Traz um recado do criador
Traz a alegria que vem do alto,
Do Deus da vida e de imenso amor,
Uma mensagem que tira o medo,
E revelando divino segredo,
Pois a nós virá o Salvador.

E o Santo Espírito fará a obra,
Com sua sombra vai proteger,
Não faltará proteção e graça,
Pois o Santo Menino irá nascer,
Filho de Deus será chamado,
Verbo divino no mundo encarnado,
Para um novo Reino acontecer.

A Virgem Santa se entregará,
Dizendo sim ao Deus da vida,
Na obediência da santa Palavra,
Na escuta atenta e refletida,
Sim à proposta e ao chamado,
Do Deus que ama e é amado,
E quer a humanidade toda redimida.

E neste mundo que agora estamos,
Somos a Igreja engravidada,
Da justiça e da esperança,
Para que a vida seja respeitada,
Para que as crianças recém-nascidas,
Sejam amadas e acolhidas,
E no amor de Deus encaminhadas.

E nas luzes que brilham em tantos lugares,
Possa lembrar nosso Deus de amor,
E entre os homens a fraternidade,
Que vem do alto com esplendor,
E os cristãos tochas brilhantes,
E qualquer lugar e a todo instante,
Sendo presença do Salvador.

 

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*** Que a Alegria e a Luz da Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, que, como seu exemplo, nos motiva a dizer um sim em atitude de entrega ensina a viver a certeza alegre da encarnação de Deus, ilumine o seu caminho! ***

 

II Domingo do Tempo do Advento, Ano B, São Marcos

 

Leituras: Is 40,1-5.9-11; Sl 85(84); 2Pd 3,8-14; Mc 1,1-8

⇒ HOMILIA ⇐

O Senhor Vem para Endireitar nossos Caminhos

Mc 1,1-8

Meus irmãos e irmãs, o mistério pascal da Liturgia do II Domingo do Advento nos motiva a receber Jesus para endireitar nossos caminhos e nossas relações humanas. O Evangelho deste Domingo está em Mc 1,1-8.

Nesta Liturgia, a Igreja nos apresenta os primeiros versículos do Evangelho segundo Marcos, dizendo: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Parece óbvio começar um livro com esta expressão, mas não é por acaso o termo “princípio” e a designação “Jesus Cristo, Filho de Deus”.

O termo “princípio” quer destacar que até o momento da escrita do Evangelho de Marcos, o testemunho sobre a experiência do seguimento a Jesus e o conhecimento da sua pessoa e da sua história era apenas oral.

Já a designação “Jesus Cristo, Filho de Deus” aponta para além do homem filho de Maria e de José. Trata-se de uma compreensão mais profunda de Jesus, pois a palavra Cristo é um título que só é plenamente compreendido após a experiência da Cruz e da Ressurreição.

O evangelista nos mostra que Jesus é verdadeiramente o Filho muito amado, desde o princípio (cf. Jo 1,1). Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem (cf. CIgC 464-469), por isso nos traz a salvação e nos mostra a face misericordiosa de Deus.

Como último profeta antes de Jesus, João Batista tinha a compreensão de que o Jovem Galileu era o enviado do Pai. Dizia João Batista, “depois de mim, vem aquele que é mais forte do que eu, de quem não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das sandálias.” (Mc 1,7). Em função disso o Batista não se sente digno nem de se aproximar, porque o batismo de Jesus será com fogo[1] do Espírito Santo. Jesus é o prometido por Isaías quando o povo estava cativo na Babilônia (cf. Is 40,1-11). Ao ler Isaías, Marcos diz que João Batista irá preparar a chegada do Ungido de Deus. É preciso que o povo se prepare, busque a conversão e faça penitência para acolhê-lo. Faz-se necessário ir ao deserto, longe dos poderes, para escutar a voz profética, endireitar-se e reconhecer o Cristo de Deus.

Hoje é a Igreja, Corpo Místico de Cristo, a mensageira da segunda vinda, em nossa vida e na do mundo. Ao mesmo tempo, devemos ser como João Batista: preparar o mundo para celebrar o Natal como festa da encarnação de Deus e não como um momento que pouco recorda aquele que, como adulto, diria “Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa” (Lc 19,5). Para isso, é importante a Novena de Natal, a participação assídua e atenta nas Liturgias, a vivência da espiritualidade da espera alegre do Senhor, que quer renascer e reinar em nossa vida.

Cristo quer endireitar nossos caminhos, às vezes tortuosos. Ele quer fazer nova nossa vida (cf. Ap 21,5), nossas relações que, frequentemente, estão desgastadas pela displicência, pelo egoísmo. Como refrigério para as feridas humanas, Jesus nos oferece a vigilância do Bom Pastor (cf. Jo 10,1-21) e o altruísmo do Bom Samaritano (cf. Lc 10,29-37).

Peçamos a Nossa Senhora a virtude da esperança, que perseverou em silêncio (na carne e no espírito) a espera da encarnação do Verbo. A exemplo da Virgem, esperamos “novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça” (2Pd 3,13).

***

[1] Expressão usada pelo evangelista Mateus (cf. 3,11).

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Nossos Caminhos com o Senhor

 

Nos caminhos tortuosos,
Cheios de grandes defeitos,
Vem o Senhor concertar,
Para se tronarem direitos,
Uma voz em nossos desertos,
Ensina os caminhos certos,
Que não foram ainda feitos.

Esse caminho é refeito,
Pela nossa conversão,
Precisa de escuta e fé,
De silêncio e oração.
Pois para bem celebrar
O Natal que vai chegar,
Precisa-se dedicação.

A espera é importante,
Sendo alegre e prudente,
Numa busca bem atenta,
Vivendo o amor paciente,
Praticando a caridade,
A Paz e a solidariedade,
No agora, no presente.

Novos céus e uma nova terra,
É o que nós esperamos,
Na paz com os nossos irmãos,
Sempre que nos encontramos.
Para o Natal acontecer,
Devemos nos envolver,
É o que nós precisamos.

Ao redor da Santa Mesa,
De todos os caminheiros,
Que buscam endireitar,
Sua vida por inteiro,
Buscando a conversão,
Que leva à redenção,
Para o Reino verdadeiro.

Peçamos a Santa Mãe,
Que soube bem esperar,
Para que nos auxilie,
Neste nosso caminhar,
Ela que silenciou,
E perseverante rezou,
Ensine-nos a rezar.

 

***

 

 

*** Que a Luz da Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, que nos motiva a receber o Menino Deus para curar as feridas das nossas relações humanas, ilumine o seu caminho! ***

 

Apresentação do Senhor, Festa

Leituras: Ml 3,1-4; Sl 23(24); Hb 2,14-18; Lc 2,22-40

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

⇒ HOMILIA ⇐

Jesus: luz dos povos e glória de Israel

Lc 2,22-40

Neste 4º domingo do Tempo Comum, celebramos a Festa da Apresentação do Senhor. O texto de Lucas (cf. 2,22-40) nos apresenta o primeiro ato cultual de Jesus no Templo de Jerusalém e já nos lembrando do evento pascal onde será imolado como o Cordeiro da nova aliança para concretizar a redenção da humanidade.

O texto ainda nos remete ao clima natalino quando são transcorridos quarenta dias e Maria precisa fazer a sua oferta da purificação. Como era costume no povo de Israel quem não tinha muitos recursos para oferecer um cordeiro, poderia oferecer dois pombinhos, um para o holocausto e outro para o sacrifício pelo pecado (cf. Lv 12,8). Maria e seu esposo José fazem a oferta dos pobres, cumprem a lei do seu povo como família obediente ao que Deus lhes pede como justos e verdadeiros israelitas.

O Evangelista apresenta ainda em cena mais duas figuras: Simeão e Ana. Simeão quer dizer “escutador”, aquele que estava sempre a escuta e atento aos sinais dos tempos. Ana significa “graça”. Na sua oração atenta e silenciosa encontrou Deus e a sua graça, por isso começa a falar a todos da esperança na libertação da cidade santa, Jerusalém.

Na noite do nascimento, o Verbo de Deus se manifesta a céu aberto aos pobres que estão no campo, que pastoreiam e cuidam dos rebanhos. E como Pastor supremo e divino, vem nos mostrar que o seu amor e a sua luz é para todos os homens. Na apresentação no Templo, o menino se revela também aos pobres anciãos, orantes e atentos aos sinais e a presença de Deus para nos ensinar que os de coração aberto também oferecem um culto verdadeiro onde a oração e a escuta acontecem. Também veio para os levitas, os sacerdotes que com certeza estavam presentes e ouviram o louvor e a profecia de Simeão e Ana e perceberam que aquele rito de apresentação teve algo diferente e marcante dos tantos ritos que aconteciam no Templo durante o ano.

A apresentação do Menino Jesus no Templo nos convida a nos alegrar com Simeão e Ana, com Maria e José. Somos chamados a contemplar e acolher a Luz de nosso Deus em Cristo Ressuscitado. Na Palavra saboreamos a força e a luz para o nosso caminho, na Eucaristia, tomamos nas mãos, na boca e no nosso coração o Senhor que nos sacia com o seu amor e misericórdia.

Movidos pela alegria do Evangelho, que é a Palavra viva presente em nosso meio e pela Eucaristia, nosso alimento perfeito e verdadeiro, caminhamos como velas acessas e resistentes contra os ventos da tristeza, da desesperança e das injustiças. Com a graça, a alegria e luz do Senhor, somos movidos por ele e seremos luz para o mundo, brilhando na vida dos irmãos e irmãs que precisam do amor de Deus para transformarem suas vidas em alegria e paz verdadeira e se tornarem também mensageiro do Reino de Deus.

Meditemos nas Palavras de Simeão, as quais ficaram na Igreja e que ressoam na oração de todas as noites (na oração das completas, Liturgia das Horas), rezada pelos ministros ordenados, religiosos, comunidades de vida e muitos outros cristãos: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram tua salvação, que preparastes diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel.” (Lc 2,29-32). Amém.

 

***

⇒ POESIA ⇐

Jesus, glória e luz das nações

 

Nos braços da mãe é apresentado,
O Menino Deus, luz das nações,
A família santa oferece o culto,
Oferta de amor em seus corações,
Justiça que vem a todos os povos,
Nos lábios de Simeão, suas orações.

José do silêncio e da escuta,
Cumprindo as leis que vem do Senhor,
Humilde, obediente e silencioso,
Marido simples e cheio de amor,
Pai adotivo do Filho de Deus,
Carpinteiro Santo e trabalhador.

Nos braços de Simeão santa Promessa,
Deus está conosco a caminhar,
Palavra exigente e sentido forte,
Profecia sobre o ungido a anunciar,
Visitação vinda de Nosso Senhor,
Verbo encarnado a se apresentar.

Aos olhos de Ana, o santo Menino,
Profetiza orante em realização,
Que percebe Deus no santo Templo,
Na sua vida longa e meditação,
Louva, porque Deus está conosco,
Justiça aos povos e libertação.

Olhemos no amor a Família Sagrada,
Para todos os povos modelo perfeito,
Sempre prontos a ouvir e a meditar,
Sobre a Palavra santa e seus preceitos,
Que se concretiza no Emanuel,
Deus que visita seu povo eleito.

Olhemos a Deus Santo e amado,
Apresentado para nós no santo altar,
Manifestados primeiro aos pobres,
Na noite e nos campos a iluminar,
Nos braços firmes dos anciãos orantes,
No silêncio do Templo a se revelar.

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, guia das nações e glória de Israel, ilumine o seu caminho! ***

Solenidade da Epifania

Leituras: Is 60,1-6; Sl 71(72); Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

⇒ HOMILIA ⇐

Os magos do Oriente são atraídos pela Luz do Senhor

Mt 2,1-12

Celebramos neste domingo a Solenidade da Epifania do Senhor. Epifania significa a manifestação do amor infinito e misericordioso de Deus, a todos os povos e nações. Esta liturgia nos traz o texto de Mateus (cf. 2,1-12), o qual nos narra o nascimento de Jesus em Belém. O evangelista nos situa dentro do reinado de Herodes, chamado de O Grande, o qual se sente ameaçado por tal acontecimento e procura encontrar o menino (cf. Mt 2,3). Os especialistas nas escrituras (mestres da lei) localizam o texto do profeta Miqueias (cf. 5,1-4), que cita o nascimento do Messias em Belém.

Em cena aparecem também os magos do Oriente que estão curiosos, não têm as Escrituras para decifrarem sobre o nascimento de Jesus, mas querem chegar até ele (cf. Mt 2,2). Herodes quer usar os magos para chegar até o Menino, mas não consegue, de modo que eles, avisados em sonho, voltam por outro caminho, nessa grande jornada de busca e de visita ao Messias (cf. Mt 2,12).

A nossa reflexão mais importante deve se voltar para o significado da visita, das ofertas e da volta dos magos por outro caminho. Em primeiro lugar a interpretação teológica nos ensina que os magos representam os gentios que, em sua diversidade étnica, buscam e acolhem a salvação universal de Deus em Jesus Cristo.

Ir ao encontro do Menino significa a busca dos que querem encontrar-se com Deus. O texto de Mateus nos ensina que a Salvação em Cristo é para todos os homens, como nos fala São Paulo na sua carta aos efésios: “os pagãos são admitidos na mesma herança, são do mesmo Corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.” (Ef 3,6).

Um segundo ensinamento sobre a visita dos magos, são as ofertas feitas por eles: ouro, símbolo da realeza de Cristo; incenso, a sua divindade; e mirra, que pode ser lida em dois sentidos: (1) que Jesus veio para aliviar as dores dos pobres e (2) a sua unção no túmulo, no corpo (natureza humana), a incorruptibilidade do seu corpo que culmina na Ressurreição. Antes mesmo das ofertas, os magos se ajoelham diante do Menino e o adoram (cf. Mt 2,12).

Lemos neste texto de Mateus que os magos, ao serem seguidos pela estrela, sentem uma grande alegria, e após visitarem Jesus, retornaram para sua terra, seguindo outro caminho (cf. Mt 2,10.12). Isto significa que aqueles que caminham para Deus e o encontram, são transformados pela alegria e pela conversão e por isso seguem novos caminhos em suas vidas.

Portanto, a liturgia da Epifania do Senhor deve nos levar a meditar que precisamos constantemente ir ao encontro de Jesus para nos alegrar e nos renovar, na nossa caminhada, para seguirmos novos caminhos e avançarmos na vida de discípulos amados por ele. O nosso encontro deve ser de louvor, adoração e marcado pela alegria que nos pode proporcionar nesta busca de Deus. E então, podemos nos perguntar: o que temos para oferecer a Deus? Que dons podemos colocar a serviço do Reino? Que alegria nos motiva a ir ao encontro do Senhor?

Juntemos a nossa prece às das crianças do mundo inteiro para que percorramos um ano novo, cheio de muitas transformações na vida dos que querem encontrar o Senhor, dos que querem fazer uma caminhada marcada pelo crescimento espiritual e humano, daqueles que querem juntamente conosco conhecer e seguir Jesus para encontrarem novos caminhos e novas realidades em suas vidas. Por fim, rezemos com o salmo 72: “As nações de toda terra hão de adorar-vos, ó Senhor.” (Sl 72/71).

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***

⇒ POESIA ⇐

Caminhar em busca do Menino

Seguindo a estrela de Belém,
No desejo de encontrar o Senhor,
Vão os sábios do Oriente,
Com o coração ardente,
Prontos para adorar,
E também para ofertar,
Os seus simbólicos presentes.

O encontro com o Menino Deus,
Converte os magos caminheiros,
Seguem um rumo transformado,
As trilhas são de homens renovados,
Que levam a divina alegria,
Pra eles, antes não existia,
Sonho santo e realizado.

Este caminho todos devemos seguir,
Via do Deus amor e encarnado,
Convictos de um constante converter,
Adorando o Senhor para na fé crescer,
Num caminho de viva evangelização,
Marcado pelo amor e pela conversão,
E como Discípulos nossos dons oferecer.

Não façamos como o rei tirano e solitário,
Que somente quis saber onde nasceu o Salvador,
Não trilhou o caminho para até lá chegar,
Pois teve medo de perder o seu lugar.
Pois o reinado do Senhor é diferente,
É de amor e para todos, como presente,
Aos que querem sempre o encontrar.

Carreguemos o sentido da salvação universal,
Onde todos têm direito aos dons divinos.
Pois, todo homem é chamado à conversão,
De qualquer canto do mundo ou nação,
Basta abrir o coração a grande novidade,
Por que Deus veio morar na humanidade,
Para nos presentear com a salvação.

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, Menino Deus, adorado pelos povos do Oriente, ilumine o seu caminho! ***

Festa da Sagrada Família, Jesus, Maria e José

Leituras: Eclo 3,3-7.14-17a; Sl 128(127); Col 3,12-21; Mt 2,13-15.19-23

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

⇒ HOMILIA ⇐

Família Sagrada: testemunho de amor em meio aos desafios da vida

Mt 2,13-15.19-23

Celebramos neste domingo a Festa da Sagrada Família. Dentro do clima do tempo do Natal, Jesus, Maria e José nos ajudam a entendermos o sentido mais profundo da encarnação do Verbo de Deus.

O Evangelho para esta liturgia é de Mateus (cf. 2,13-15.19-23). Este texto narra a fuga de José com Maria e Jesus, para o Egito, depois, o retorno a Israel e, num terceiro momento, a ida da Sagrada Família a Nazaré, para lá morar. A narração de Mateus coloca o anjo de Deus o qual aparece três vezes a José nos momentos de fuga, de retorno a Israel e da decisão da Sagrada Família morar em Nazaré.

Através deste texto de Mateus podemos aprender que o verdadeiro Natal de Jesus não foi uma realidade tão tranquila como muitas vezes nós imaginamos. Jesus já nasceu sendo rejeitado pela humanidade. Seus pais nutrícios, Maria e José, não foram acolhidos em Belém, não havia lugar para hospedagem (Lc 2,7b), pois isso, nasceu nos arredores da cidade, num curral, foi colocado numa manjedoura (recipiente que se coloca comida para gado ou cavalos) e somente os pastores, pessoas sem prestígio social, inicialmente, souberam do acontecido. Depois, o Menino Deus, foi perseguido pelas autoridades, teve que fugir para o Egito, com seu e pai e sua mãe, ficando longe da perseguição de Herodes.

Esta história de Jesus nos lembra também Moisés que foi colocado no rio (cf Ex, 2,1-10), foi preservado da morte e se tornou o libertador de Israel. Jesus é o novo Moisés que, quando criança, também se livrou da morte e se tornou o libertador do povo da nova aliança. Ele veio ficar junto dos pobres, restaurar a dignidade das pessoas, veio transformar a vida dos sofredores, curar os doentes, e a muitos converteu, anunciou e trouxe a salvação a todos os homens.

Toda a vida de infância de Jesus foi no seio da família, na casa santa de Nazaré, vivendo a obediência, no amor e na união com seus pais. Maria e José se mantiveram sempre unidos, mesmo em meio as grandes dificuldades que as envolveram, nas fugas da morte, na vida de seu lar, no trabalho, pois havia o amor perfeito deste casal, a harmonia e o cuidado em viver segundo a vontade de Deus.

O livro do Eclesiástico nos traz grandes orientações espirituais para que a família possa viver a santidade: “Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados, o que honra sua mãe é como quem ajunta um tesouro.” (Eclo 3,3-4).

Numa sociedade em que se percebe a fragilidade da estrutura e dos valores da família, é muito importante vislumbrar a importância que devemos dar ao amor e atenção, aos conselhos e as experiências de quem dedicou a sua vida aos filhos.

Quanto ao cuidado aos pais na velhice e o carinho, nas suas limitações, nem sempre é uma realidade nas atitudes dos filhos no mundo de hoje. São Paulo, na Carta aos Colossenses, aconselha que sejamos revestidos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência… (cf. Cl 3,12). Esta veste da qual nos fala São Paulo é exatamente necessária para que se cuide de forma humana dos idosos, dos enfermos e dos mais frágeis, com suas limitações físicas e psicológicas.

Os pais, por sua vez, também tem a missão de serem referencial de amor, de acolhimento e de maturidade, primeiramente com o testemunho do cuidado e da proteção aos filhos no que se refere à educação, à vida de oração, ao convívio social e a outras dimensões da existência humana.

Não devemos esquecer que as chagas da sociedade são consequências de certa displicência, no cuidado, na presença e na formação junto às crianças, adolescentes e jovens. Há a necessidade de presença, de amor, de acolhimento e de compreensão por parte dos pais e cuidadores, pois se trata da missão própria de quem respondeu a Deus o chamado de gerar ou cuidar e ajudar na formação de pessoas nas etapas de desenvolvimento de sua vida.

Rezemos pedindo à Sagrada Família que ajude a tantas famílias, migrantes pelo mundo, refugiados, fugindo da morte, da fome, das guerras, que não tem casas, que falta emprego, comida, justiça e paz. Peçamos a Jesus, Maria e José, que ajude os lares a se tornarem um ambiente de fraternidade, de amor, de escuta, de oração, acolhimento e compreensão. Família, uma Igreja doméstica que viva a missão de semear paz e a perseverança, dentro e fora da casa, mesmo que venham tantas dificuldades e desafios próprios desta vocação suscitada por Deus. Amém.

 

***

⇒ POESIA ⇐

A família santa de Nazaré

Mãe que escuta e a Deus se entrega,
Para viver um plano de amor exigente,
Que questiona, porém consente,
O peso da imensa missão,
Meditando no seu coração,
O amor de Deus e de sua gente.

Pai terreno e obediente ao Pai do Céu,
Discreto no seu silêncio orante,
Que nas dúvidas segue avante,
Ao anjo em sonho escutou,
E firmemente acreditou,
Postura de homem Santo suplicante.

Filho, Deus que desce a este mundo,
Presente no meio da multidão,
Rosto de Misericórdia e perdão,
Que traz aos homens a esperança,
A vida eterna como herança,
Ressuscita e nos dá a ressurreição.

Família, modelo para chegarmos ao Céu,
Santa desde a sua fundação,
Referência para cada lar cristão,
Conduz-nos a evangelizar,
Fazendo-nos firmemente acreditar,
Que o Reino se constrói pela missão.

E agora pedimos um auxílio santificador,
Para construirmos uma Igreja em nosso lar,
E ao mundo podermos testemunhar,
Uma vida de cuidado e comunhão,
Marcada pela evangelização,
Para as chagas do mundo poder curar.

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, refugiado pequenino no Egito, ilumine o seu caminho! ***

III Domingo do Advento, Domingo da Alegria, Ano A

Leituras: Is 35,1-6a.10; Sl 145(146); Tg 5,7-10; Mt 11,2-11

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

⇒ HOMILIA ⇐

Esperar com alegria

Mt 11,2-11

Estamos no 3º Domingo do Advento, o altar já está mais iluminado com as três velas da coroa do Advento acessas, os paramentos, neste domingo, podem também ser de cor rosa, pois a alegria se torna mais forte, porque está próximo o grande momento, o grande dia, a celebração da encarnação do Filho do Altíssimo, o Natal do Senhor, Deus que veio ficar perto de nós para nos ensinar sobre o seu amor e sua misericórdia. Está chegando para alegrar o mundo com sua luz e sua mensagem e ação de vida e esperança para todos os povos.

O Evangelho de Mateus (cf. 11,2-11) nos apresenta um cenário de realidades e situações que nos fazem pensar como aconteceu a vinda do filho de Deus: João Batista, já tem notícias dos sinais referentes ao que Jesus anunciou e, por isso, enquanto está prisioneiro, o precursor envia alguns de seus discípulos para certificar-se se é mesmo o Messias que está no meio do povo.

A resposta de Jesus aos mensageiros de João sinaliza a certeza da presença de Deus feito homem no mundo. Pela sua presença e ação “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.” (Mt 11,5).

Muitos já desfrutaram da ação milagrosa e salvadora do Filho de Deus, porque sentem a realização do Reino em suas vidas. Jesus ainda faz um elogio a João Batista: “Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele.” (Mt 11,11).

O Reino de Deus agora está no meio dos homens, a preparação desta vinda custou a condenação de João Batista, pois assim, também, foi o destino de quase todos os profetas no Antigo Testamento. Os verdadeiros profetas, na caminhada de Israel, foram sempre anunciadores das realidades de Deus, seja da alegria, no anúncio da justiça ou na denúncia da opressão e morte contra o povo.

O profeta Isaías proclama o que irá se cumprir em Jesus: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores.” (Is 35,1-2). E os cristãos podem cantar esta realização, pois a salvação já se faz presente por meio de Jesus que trouxe a libertação, a alegria, a justiça, o amor, a fraternidade e a misericórdia em favor de todo o mundo.

São Tiago, na sua carta, nos encoraja a continuarmos firmes nesta espera, como o agricultor, que nos desafios da seca, espera firme o tempo das chuvas para molhar a terra e ver germinar a semente sepultada no chão. E diz ainda que a vinda do Senhor está próxima, por isso é necessário manter-se na espera sem desanimar (cf. Tg 5,7-8).

Viver o Advento, portanto, é fazer a experiência da espera do Senhor em nossas vidas, é querer caminhar com perseverança, alimentados pela Eucaristia, mesmo que os dias sejam de grandes sofrimentos. É ouvir a Palavra, mesmo que os nossos ouvidos estejam um pouco surdos, e muitas vezes poluídos pelos barulhos do mundo que afetam nossas consciências com palavras de desânimo e que destrói o otimismo e a fé. Mas nossa fé e nossa esperança é em Deus que nos enche de alegria, otimismo e paz.

Abençoai Senhor o caminhar do povo de Deus e de tantos irmãos e irmãs que esperam dias de restauração em suas vidas e seus lares. Protegei os que anunciam a verdade do Evangelho da vida e os que mesmo nas perseguições por causa do Reino, como João Batista, permanecem firmes e corajosos. Amém.

***

⇒ POESIA ⇐

A alegria na espera

Onde está a nossa alegria?
Que tanto nós almejamos,
Que na paz a gente busca,
E que em Deus nós esperamos,
A alegria mais completa,
A ânsia da nossa meta,
Que todo dia sonhamos.

Está no canto e nas santas cores,
Nas luzes, nas árvores e no altar,
Nos presépios, nas ruas e praças,
Nas casas, e no nosso lar
Nos corações orantes,
Nas celebrações vibrantes,
Na assembleia a celebrar.

Está também na profecia,
Na palavra viva ecoando,
No caminhar com os irmãos,
Na espera do novo nos alegrando,
No pão do encontro e do amor,
Eucaristia: força e vigor,
A cada dia nos alimentando.

A nossa espera é orante,
Como uma espera de alegria,
Pois já não se tem dúvidas,
Do tempo que se anuncia
Pois o novo esperamos,
Ouvimos e também pregamos,
O Natal, o grande dia.

Sejamos também precursores,
Desta alegria abençoada,
Dos frutos e dos milagres
Da redenção esperada,
Do amor do Deus Menino,
Do louvor que se faz hino,
Que brota da mesa sagrada.

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, testemunha do ministério de João Batista, ilumine o seu caminho! ***

I Domingo do Advento, Ano A, São Mateus

 

Leituras: Is 2,1-5; Sl 121(122); Rm 13,11-14; Mt 24,37-44

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

Esperemos alegres o Senhor que vem!

Mt 24,37-44

 

Com o tempo do Advento iniciamos um novo ano na liturgia da Igreja. Trata-se de um tempo de espera, quando o ambiente da Igreja muda para um clima de espera e vigilância, com as cores roxas nos paramentos e nas alfaias. Próximo ao local do Altar, está a coroa do Advento, na qual, a cada domingo, uma vela é acesa para marcar o nosso caminhar na espera do Senhor que vem. Os cantos também expressam o que estamos celebrando no ritmo diário e semanal. As letras e os refrãos dos cantos deste tempo litúrgico nos introduzem no clima de espera alegre e esperança, pois suas melodias anunciam que algo novo vem e nos alegrará. O Advento é esta espera alegre e confiante no Senhor no caminhar de nossa vida.

Neste primeiro Domingo do Advento, do ano A, acolhemos os textos de Mateus no início da espera vigilante e alegre para nascimento do Menino Deus. Este evangelista escreve para os novos cristãos, vindos do judaísmo. Nesta liturgia podemos ver, primeiramente, que o evangelista nos fala sobre a vinda do Senhor para julgar a terra. O segundo tema é sobre a vigilância, que é a atitude que os cristãos devem ter para esperar a justiça divina.

Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor” (Mt 24,42). Ficar atento às nossas atitudes, no que se refere às nossas fraquezas, ao nosso comodismo, egoísmos e a nossa indiferença à Palavra de Deus. Ficar vigilantes é estar preparado para o dia em que o Senhor virá julgar os homens. Não é necessário nos separarmos da realidade em que estamos inseridos, mas continuarmos atentos ao nosso testemunho entre os outros, com as pessoas, pois aqueles que viverão de acordo com a lei de Deus, serão levados para o Senhor na sua glória (cf. Mt 24,40).

Diante destas reflexões não devemos ficar apavorados, com medo, mas fazer a experiência da escuta sempre atenta da Palavra e, ao mesmo tempo, numa atitude de alegre espera, confiando na justiça do Senhor. Devemos caminhar como discípulos que anuncia a esperança num mundo onde a vida nova deverá nascer para todos, certos de que a salvação e o julgamento de Deus virá. Por isso a vida de oração e vigilância caracteriza a nossa preparação para celebrarmos o nascimento de Jesus e, ao mesmo tempo, estarmos atentos a cada momento de nossa vida para a segunda vinda do Senhor.

O profeta Isaías nos faz o convite para vivermos esta alegre espera: Vinde, todos da casa de Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor” (Is 2,5). Deixar guiar pela luz do Senhor nos dá a segurança e a certeza de que caminhamos para a vida eterna e que estamos iluminados e orientados por sua Lei. Neste sentido, o apóstolo Paulo nos exorta a revestirmo-nos do Senhor Jesus Cristo (cf. Rm 13,11-14). Revestir-se do Senhor é deixar de lado tudo aquilo que tira nossa dignidade e desfigura a nossa imagem de filhos de Deus.

Portanto é na Eucaristia e no encontro com a Palavra que devemos viver o Advento. A penitência e a oração são de suma importância para vivermos bem este tempo litúrgico. No encontro com os irmãos, partilhando o mesmo pão, partilhando também a Palavra e a vida, nas novenas de Natal em família, na reza do Terço e na contemplação do Presépio. Todas estas práticas e atitudes espirituais (e outras mais) nos colocam no clima da espera e da vigilância que o tempo do Advento nos propõe.

Que alegria, quando ouvi que me disseram: ‘vamos à casa do Senhor!’” O salmo 121(122) nos faz compreender que é na casa do Senhor que melhor poderemos aprender sobre a experiência do seu amor e sua misericórdia. Nessa Casa (Igreja) encontramos o alimento completo (Palavra e Eucaristia) e a razão de sermos filhos e imagem do Deus que nos criou e nos quer presentes no seu reino eterno: Amém!

 

 

***

⇒ POESIA ⇐

Espera atenta e ativa

 

Atentos à voz do Senhor
Trazendo-nos a redenção,
A este mundo em conflitos,
Carente de reconciliação
E as dores sufocando
Toda a nossa criação.

 Atentos à Palavra Santa,
Que vem nos comunicar,
A perfeita alegria de Deus
Chegando a nos despertar,
E das trevas nós fujamos,
Firmes sempre a caminhar.

 Atentos à Luz verdadeira,
Clareando o espaço sagrado,
E às flores que perfumam,
O nosso tempo esperado,
Do Verbo que sempre vem,
Nosso Deus muito amado.

 Que vença o amor de Deus,
Em toda a humanidade,
E espalhando o diálogo,
No lugar da maldade
E em todos os corações,
Renasça a fraternidade.

 Pés firmes na longa estrada,
E em nosso bom Senhor,
Que renasça a alegria,
Sem o medo e o rancor,
E que se acenda chama,
Da vida e do esplendor!

 Sejamos também presentes
Do Deus eterno amor,
Supremo, Verbo, vida
Menino, santo e Senhor.
E na santa comunhão,
Esperemos o Salvador.

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, o Filho do Homem, ilumine o seu caminho! ***