XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

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ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Nm 11,25-29; Sl 18(19); Tg 5,1-6; Mc 9,38-43.45.47-48

 

POESIA

MÃOS, PÉS E OLHOS PARA O SENHOR

Dai-me Senhor,
Mãos que abençoam e que promovem a paz,
Mãos que escrevem uma história de amor capaz,
Que seguram firme para não romper o cordão da ciranda,
E que sejam para Ti força para que o Reino se expanda.

Livra-me Senhor das mãos da violência,
Que provocam escândalo e tantas carências…
Corta-me as atitudes que destroem a fraternidade
E que promovem a morte e a desigualdade.

Dai-me Senhor,
Pés que caminham para missão
Que vão em busca do encontro com o irmão;
Livra-nos das veredas do mau caminho
E da tentação de querer caminhar sozinho.

Abençoa os caminheiros da perseverança,
Pelas estradas da existência que às vezes cansa,
Pés que pisam o chão da comunidade em união
Que dançam na festa da paz e da comunhão.

Enfim, ensina-nos a enxergar um mundo novo,
Com o teu olhar na vida do povo,
Contemplando as tristezas e alegrias,
Mas esperando o teu Reino como o novo dia.

 

HOMILIA

Jesus nos ensina a não escandalizar os pequeninos

Queridos irmãos e irmãs, este último domingo de setembro a Igreja dedica à Bíblia Sagrada. Todos são convidados a viver o amor à Palavra que é o próprio Cristo que se encarnou e veio habitar entre nós (cf. Jo 1,14). A Bíblia é o livro ou coleção de livros mais publicada e lida do mundo e por isso temos que aceitar que o seu conteúdo vai além dos nossos templos, casas, capelas e grupos.

No Evangelho desta liturgia podemos constatar mais um ato vergonho dos discípulos diante de Jesus: eles espalham, equivocadamente, que alguém estava expulsando demônios em seu nome e por isso até querem impedir a ação dessa pessoa (cf. v. 38). A intervenção de Jesus é imediata, advertindo que fazer o bem não é um privilégio do grupo dele, mas também de outros, que, ao fazê-lo, também se incluem ao lado de Jesus (cf. v. 40). É o que vemos também na primeira leitura, quando Moisés quer partilhar o seu dom de profetizar com os setenta anciãos. Josué discípulo de Moisés cai também no mesmo erro de querer proibir Eldad e Medad de profetizar por não fazerem parte dos setenta (cf. v. 28). Mas Moisés, numa atitude de sábio e profeta de Deus, fala: “quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor e lhe concedesse o seu Espírito” (cf. v. 29).

O Evangelho de Marcos traz em seguida outros pontos que merecem ser refletidos com profundidade como o escandalizar os pequeninos que crêem. A esses é melhor se afogar no mar com uma pedra de moinho no pescoço (cf. v. 42): os pobres, os doentes, os órfãos, os imigrantes, os sem-lar são pequeninos que, muitas vezes, são escandalizados pela sociedade do acúmulo e do poder. Infelizmente, muitas vezes são os cristãos que também promovem tais escândalos.

Outra preocupação de Jesus é o cuidado com o uso do nosso corpo físico (tais como mãos, pés, olhos, língua, etc), pois o mau uso pode levar-nos ao inferno. Ou seja, é preciso cortar as atitudes más que brotam do nosso corpo físico pois estas devem estar a serviço da fraternidade. Servem para escrever uma nova história, para levantar os que estão no chão, oferecer a caridade e não para roubar o salário dos pobres ou para matar o outro. É o que São Tiago nos alerta na segunda leitura: “O salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, que vós deixastes de pagar, está gritando, e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso” (v. 4).

Quanto ao “pé”, temos de cortar as atitudes que nos levam ao caminho errado, o caminho do mal. Precisamos usá-los para levar a Palavra, semear o amor e fazer com que Cristo seja conhecido e amado. O mundo precisa de tantos caminheiros do bem que visitem os pobres, os doentes e todos os sofredores marcados pela exclusão social. Como missionários, somos chamados a vestir os pequeninos da dignidade de filhos de Deus.

Os nossos “olhos” também podem nos levar à perdição quando olhamos para o outro com inveja, com más intenções, com atitudes de julgamento e de desprezo. Devemos perceber a necessidade que o outro tem da nossa atenção e, desta forma, enxergar as coisas boas do Reino de Deus ou a outras pessoas que não estão no nosso grupo e que fazem o bem, mostrando a face de Cristo pela sua caridade.

O grande ensinamento da liturgia deste domingo é que para ser discípulos do Senhor precisamos mudar a nossa maneira de agir e de pensar diante do mundo.

Convido agora a refletirmos a caminhada que o evangelista Marcos fez conosco durante o mês de setembro:

02/09/18 (XXII Dom.): “o que torna impuro no homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior.” (Mc 7,15). Do nosso coração sai o amor, o olhar verdadeiro sobre a vida, expressa no carinho, no caminho com os irmãos da nossa comunidade, do nosso grupo da nossa família. Também deste mesmo coração saem nossa mazelas, pobrezas, ignorâncias, ou seja, nossas mais abomináveis misérias. É isso que torna sempre impuro o nosso ser.

09/09/18 (XXIII Dom.): “Aos seus pés trazem um surdo e mudo para ser curado, era alguém que não podia ouvir, e para falar tinha dificuldades” (Mc, 7,32). Vivemos num mundo das diversas realidades sociais onde estão presentes as injustiças, onde reina a poluição sonora e visual, onde também diversas propostas de modos de vida são sugeridas às pessoas. Isto nos deixa muitas vezes confusos e falta-nos discernimentos, ou seja, nos deixam surdos e mudos.

16/09/18 (XXIV Dom.): “quem dizeis que eu sou?” (Mc 8,29); “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga…” (Mc 8,34). O primeiro requisito para ser cristão é saber quem é Jesus. Este saber quem é Ele exige o conhecimento do seu projeto, do seu plano de amor, da postura diante do mundo e suas realidades adversas e, sobretudo, a coragem de carregar a cruz das incompreensões, das calúnias e do próprio martírio.

23/09/18 (XXV Dom.): “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todo” (Mc 9,37). Seguir Jesus é ter consciência dos sofrimentos, é comprometer-se com o outro, é um estar com Ele na escuta, na oração, na Eucaristia e na vivência da humildade (ser o último, ser como criança);

E neste último domingo de setembro aprendemos muito sobre o ser discípulo de Jesus, que precisa primeiramente está aberto aos outros que querem também servir e amar. A caridade não uma propriedade única dos cristãos, outros fazem a experiência do amor aos irmãos e até mesmo da missão.

Peçamos ao Espírito Santo o dom de amar e de viver a comunhão em Cristo querendo ser discípulo seu, “vivendo como ele viveu, amando como ele amou e pensando como Ele pensou”[1].

 

[1] (Pe. Zezinho).

 

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XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM

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ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Sb 2,12.17-20; Sl 53(54); Tg 3,16-4,3; Mc 9,30-37

 

POESIA

VIVER NO SENHOR

Quero estar contigo Senhor,
No silêncio do meu quarto interior;
Na escuta das tuas Palavras cortantes;
Que desmontam o meu coração,
Que me fazem ver o mundo com o teu olhar.

Quero caminhar contigo Senhor
Querendo ser servo,
Querendo ser o menor,
Querendo ser o último,
Querendo ser como criança…

Ajuda-me a colocar a toalha da caridade,
E caminhar num mundo de tantas pobrezas,
Ensina-me a lavar os pés machucados,
Dos caminhantes sem rumo…
E sem ninguém por eles.

Aos poucos vou entendendo
A essência do discípulo fiel:
Ser servo,
Ser sal,
Ser luz,
Ser fermento,
E também ser trigo.

Isto mesmo,
Ser trigo triturado, esmagado…
Ou caído na terra,
Pelos caminhos do mundo,
Para ser semente do Reino.

HOMILIA

Aprendendo a ser servo e acolhedor

Estamos no 25º Domingo do tempo comum. Nesta experiência da escuta da Palavra, caminhamos com Jesus atentos aos ensinamentos que nos preparam para sermos discípulos missionários neste mundo de tantas realidades e ideologias contra a proposta do Reino.

Aprendemos nesta liturgia dominical que Jesus queria estar a sós com os discípulos para prepará-los melhor, para que ficassem atentos aos seus ensinamentos. Mais uma vez ele surpreende àqueles que o seguem, mas era importante que os seguidores tivessem consciência das consequências do discipulado.

Num primeiro momento, Jesus fala aos seus discípulos sobre o seu calvário, também sobre a sua ressureição após três dias, mas eles não conseguem entender, pois ainda estavam presos às honrarias humanas, marcada pelo costume judaico, no qual muitos se preocupavam sobre a importância dos postos de status (cf. v. 34).

Jesus prossegue dizendo que para ser discípulo primeiro seja aquele que serve, aquele que acolhe os pequeninos, pois quem acolhe uma criança em seu nome na verdade está acolhendo o Pai do Céu (cf. v. 37). Acolher e ajudar o indefeso e sem voz é acolher o próprio Deus.

Essa experiência de segui-lo terá suas consequências de sofrimento, mas Deus o defenderá e o livrará de seus inimigos, como fala o livro da Sabedoria (cf. 18). Isso mesmo, no “calvário” colocado pelos inimigos do Senhor, em alguns momentos, somente Deus estará caminhando ao seu lado. Somente quem faz a opção e vive a radicalidade do seguimento em favor do Reino, poderá entender esta dimensão da vida cristã.

São Tiago, na segunda leitura, falará da sabedoria que vem do alto e como ela será a base dos valores dos que vivem a fé autêntica em Jesus Cristo. Esta sabedoria é pura, pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento (cf. v. 17).

Diante destes fundamentos bíblicos que a liturgia da Palavra vem iluminar nossa experiência de fé, podemos refletir que seguir Jesus supõe estar na “contramão” das ideologias predominantes do chamado mundo pós-moderno, onde a ideia é chegar primeiro, é projetar-se, é aparecer, ser o maior diante dos homens; outra reflexão a partir do seguimento de Jesus é ter consciência dos sofrimentos, é comprometer-se com o outro, é um estar com Ele na escuta, na oração, na Eucaristia e na vivência da humildade (ser o último, ser como criança) numa postura de simplicidade e entrega nas mãos de Deus; seguir Jesus também é estar disposto a enfrentar perseguições, calúnias, incompreensões. É não ter medo do “mundo” é ser consciente das possíveis consequências.

Sem a compreensão do verdadeiro seguimento, como caminho de Redenção, fica difícil ser um seguidor autêntico de Cristo. Sem uma meditação constante e atenta à Palavra corremos o risco de ficarmos preocupados com o supérfluo, com as honrarias, estrelismo, popularidade e podemos desaguar na inversão da proposta do Reino.

Peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e nos dê forças para enfrentarmos as tentações, que desviam o nosso olhar das coisas do Reino. Que nosso testemunho possa falar pelas obras onde quer que estejamos. Que aprendamos a ser servos e acolhedores para que a luz do Reino brilhe no mundo do desprotegidos e desamparados. Amém.

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XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

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ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Is 50,5-9a; Sl 114(115); Tg 2,1-5; Mc 7,31-37

 

POESIA

QUEM ÉS TU SENHOR?

Quem és tu o meu Senhor?
Que me chama pra te seguir.
Que me trata como amigo…
Que me é sincero e não me enganas,
Pro seu caminho assumir.

És Pão e Palavra que vem do alto,
Alimento dos que estão unidos,
Dos que sonham sempre juntos,
Dos que caminham na tua escuta.
Dos que procuram abrigo.

Tens palavras de vida eterna,
Mas também palavras duras.
A teus discípulos é exigente,
Porque é um mestre diferente,
E com amor nos segura.

Pra te seguir conscientes,
As consequências teremos,
O teu mandato é exigente.
Tem cruz e humilhações,
Mas a vida encontraremos.

O que fazer então, ó Senhor?
Para te responder coerente,
A verdade do meu coração,
Que ainda te desconhece,
Como age tanta gente.

Somente continuar te seguindo,
No teu caminho de ensinamento,
Nas tuas perguntas curtas,
Que me incomodam, mas limpa
Todo o meu entendimento.

 

HOMILIA

A Palavra de vida eterna em nosso caminho

O Senhor nos ensina, durante nossa caminhada com ele, a sermos conscientes das consequências da nossa opção de discípulos. É o que nos faz refletir a liturgia deste 24º domingo do tempo comum.

A intenção da Igreja é que os cristãos busquem, cada vez mais nesta fonte viva da Palavra, o maior conhecimento de Jesus e do projeto do seu Reino. Conscientes do chamado do Senhor, devemos anunciar a todos o amor misericordioso do Ressuscitado, que vem recriar o homem para a contemplação eterna do mistério Santo.

No Evangelho deste domingo, no capítulo 8 de Marcos, podemos contemplar Jesus em caminhada com seus discípulos para Cesareia de Felipe. Ele faz uma pesquisa sobre a sua identidade, com uma única e simples pergunta: “quem dizeis que eu sou?” (v. 29). Parece que, para alguns, não estava tão claro quem era ele. A resposta de Pedro salva da decepção dos outros: “Tu és o Messias” (v. 29). Porém, logo depois o decepciona, pois a visão de Pedro ainda é puramente humana, arraigada na concepção dos mestres e doutores da lei (cf. v. 32), quando Jesus o repreende por não entender o novo messianismo (cf. v. 33).

O próprio Jesus fará imediatamente a correção da visão de Pedro, pois este ainda não pensa nas coisas de Deus, mas sim na realidade dos homens, na superficialidade terrena. Por isso Jesus não autoriza que saiam falando sobre suas obras, pois ainda não tinham conhecimento da verdadeira missão de Jesus e das suas consequências.

O texto proclamado nesta liturgia dominical encerra com as palavras de Jesus aos discípulos e à multidão: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.” (v. 34). Seguir não quer dizer honrarias, fama e status. Abraçar a missão do servo de Deus implica muitas vezes fracassos, humilhações, dores e morte. Quem estava preparado para este projeto aparentemente fracassado aos olhos humanos e terrenos?

Jesus passará pela realidade anunciada na primeira leitura, quando Isaías fala do servo de Javé: “Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba...” (v. 6). As palavras de Jesus no Evangelho são o primeiro anúncio da sua Paixão. Nele se cumprirá o que o profeta Isaías anunciou na primeira leitura desta liturgia. Cristo é o servo sofredor que, por sua vez, vencerá a morte e trará a salvação para todos os homens.

Caminhar com Jesus, portanto, exige a prática do seguimento, como fala São Tiago, na segunda leitura. A fé sem obras é morta (cf. v. 17). Implica unir a fé como uma certeza e convicção da ação de Deus e, ao mesmo tempo, viver a obra do amor e do seguimento.

Assim sendo, para ser cristão o primeiro requisito é saber quem é Jesus. Este saber exige o conhecimento do seu projeto, do seu plano de amor, da postura diante do mundo e suas realidades adversas e, sobretudo, a coragem de carregar a cruz das incompreensões, das calúnias e do próprio martírio.

Seguir Jesus é defender a vida concretamente e isso acontece quando somos contra o aborto, quando não aceitamos a eutanásia, quando ajudamos os necessitados sendo solidários com o sofrimento e procurando saídas para que vençam o desemprego e o abandono. Eis o desafio dos que seguem Cristo. Tudo isso, muitas vezes, exige uma postura desconfortável diante da sociedade, pois é a ação que Jesus nos pede e não uma fuga do outro para ficar com a consciência tranquila. Pelo contrário é um encontrar-se com o outro e preocupar-se com ele sendo capaz de desmontar num itinerário que possamos servir e cuidar do irmão caído, como Cireneu e o Bom Samaritano.

Somente entenderemos o sentido verdadeiro da cruz e do seu discipulado quando soubermos quem é Jesus. Segui-Lo é antes de tudo abraçar a cruz, pois, como disse o Papa Francisco não há cristianismo sem cruz[1]. E conhecer Jesus é viver a fé expressa nas obras, ou seja, na nossa ação verdadeira sem fingimentos e falsidades. Isso será possível quando tivermos uma constante leitura e meditação da Palavra. É nessa busca que poderemos cantar como no salmo responsorial desta liturgia: “Andarei na presença de Deus, junto a Ele, na terra dos vivos.” Amém!

[1] Disponível em: <http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2014/documents/papa-francesco_20140408_meditazioni-47.html>. Acesso em: 12 set. 2015.

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XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

[vc_row][vc_column][vc_column_text]ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Is 35,4-7a; Sl 145(146); Tg 2,1-5; Mc 7,31-37

 

POESIA

EFATÁ

Abri teu coração e os teus ouvidos,
À voz da Palavra que te liberta,
Também para a escuta do teu irmão,
Que grita em teu existir e te alerta,
Para o verdadeiro ser cristão.

Deixa que eu cure a tua surdez,
Para ouvireis as Palavras agradáveis,
Que vem dos teus amados irmãos,
Em seus gestos sinceros e amáveis
E que fazem ressoar em teu coração.

Deixa que eu abra os teus lábios
Para proclamares a minha Glória,
Na partilha da Palavra e do Pão,
Na ressurreição que é vitória,
Beleza da vida e da comunhão.

E convertido no teu ouvir e no teu falar,
Denunciarás as injustiças desta vida,
Proclamarás o amor em comunidade
Quando as pessoas todas reunidas
Buscarão a Paz e a fraternidade.

 

HOMILIA

Discípulos em escuta e missionário na fala

A liturgia deste vigésimo terceiro domingo do tempo comum nos alerta para que nos curemos da nossa surdez e da nossa mudez na nossa experiência de discípulos missionários do Senhor. Discípulos que seguem a Cristo através da escuta da sua Palavra e proclamam o amor, encontrando em Deus a graça da cura porque o Senhor tocou os ouvidos e a língua para que anunciem ao mundo as maravilhas do Reino de Deus.

O Evangelho desta liturgia apresenta Jesus em território pagão, na região de Tiro e Sidônia, numa peregrinação em meio aos homens e mulheres deste mundo. Aos seus pés trazem um surdo-mudo para ser curado. Era alguém que não podia ouvir e tinha dificuldade de falar. Jesus o separa da multidão e toca nos seus ouvidos e também na sua língua. Em seguida proclama uma oração de súplica ao Pai abrindo a possibilidade do falar e do escutar para aquele homem que estava fora da comunidade e que foi trazido por seus amigos para ser curado, porque não era mais possível até então caminhar sozinho em busca de Jesus.

Esta ação de Jesus já era anunciada em Isaías quando fala ao povo exilado na Babilônia, da esperança da Salvação que vem de Deus: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos” (Is 33,5). Em Jesus se cumpre o que anunciou o profeta.

Na segunda leitura, São Tiago nos alerta para que, na nossa fé em Jesus Cristo não admitamos acepções de pessoas, porém fala que os herdeiros do Reino são os ricos na fé. Portanto não é Deus que exclui, mas aqueles que, não querendo escutar o Senhor, ficam de fora da herança que Ele oferece.

Vivemos num mundo das diversas realidades sociais onde estão presentes as injustiças, onde reina a poluição sonora e visual, onde também diversas propostas de modos de vida são sugeridas às pessoas. Isto nos deixa muitas vezes confusos e falta-nos discernimentos, ou seja, nos deixam surdos e mudos.

A Palavra de Deus é a verdadeira referência para escutarmos a verdade. É pela escuta da Palavra nas celebrações, nos encontros, na leitura orante em comunidade e/ou individual que podemos ser curados da nossa surdez e da nossa mudez. É a palavra de Cristo que penetrando em nossos ouvidos leva-nos a entrar na comunidade. O isolamento nos tira da escuta, nos tira a vivacidade da comunicação com os irmãos. Por isso precisamos que alguém que já faça parte da comunidade nos encaminhe a Cristo.

É por amor e aceitação à Palavra que o próprio Cristo, Verbo encarnado, nos dá a capacidade para ouvir o clamor dos sofredores, carentes do Pão e da Palavra. É pelo encontro com o Senhor, muitas vezes na escuta silenciosa, que somos motivados a abrirmos a nossa boca para proclamarmos a justiça, a caridade e vivermos a fraternidade no nosso caminho cristão em favor do mundo.

Façamos esse exercício do encontro com o Senhor, pela Eucaristia, pela leitura da Bíblia e escutando o Espírito Santo na voz da Igreja. É somente pela constante escuta do Senhor, à Palavra, que podemos permanecer firmes nos caminhos da vida. Somente um proclamar insistente das maravilhas de Deus poderá transformar a nossa vida e a vida dos irmãos. É pela constante leitura da Sagrada Escritura e escuta da Igreja, o Corpo Místico de Cristo, que nos tornamos íntimos de Cristo e da sua proposta na vida nossa de cada dia.

A Palavra de Deus precisa ser semeada no coração das pessoas, trazendo como consequência na escuta, na conversão e na fala a esperança na salvação, inserindo-nos na comunidade dos amigos de Cristo que constantemente aprende a ouvir os apelos de Deus em favor da humanidade, que em muitas situações precisa ser curada da surdez do individualismo que traz tanto sofrimento às pessoas. Amém.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

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ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Dt 4,1-2.6-8; Sl 14(15); Tg 1,17-18.21b-22.27; Mc 7,1-8.14-15.21-23

 

POESIA

OS PRECEITOS DO SENHOR

A Palavra do Senhor tem seus preceitos:
Lei que eleva-nos à vida de caridade,
Que nos ensina agir na simplicidade,
A inserir-nos no mais profundo da comunhão,
Para buscarmos na mesa do Vinho e do Pão,
O sentido mais verdadeiro da santidade.

Os conselhos do Senhor são superiores,
Às prescrições da pedra e do papel,
É Carne, é Homem, é o Emanuel,
Que veio ao mundo conosco morar,
Renovando a lei pra nos alimentar,
Num banquete vivo de leite e mel.

A voz do Senhor nos faz pensar:
Nas impurezas do nosso coração,
Nas misérias que fazem a devastação,
Na hora dos lábios quando superficiais,
Pelo culto vazio e as regras materiais,
E pela busca de uma vida de ilusão.

O olhar do Senhor nos levará,
Ao verdadeiro culto que faz viver,
Pela santa Palavra que nos leva a crer,
Que a voz verdadeira não enganará,
Que sua força nos salvará,
Basta seguir o amor e obedecer.

Os caminhos do Senhor nos levarão:
A falar do amor e da alegria,
A prestar um culto de verdade a cada dia,
Para levar a paz na vida em missão,
Expulsando os males que saem do coração,
Pela Santa Palavra que nos recria.

 

HOMILIA

O verdadeiro culto ao Senhor

Neste 22º Domingo do Tempo Comum meditaremos o texto do evangelista Marcos no qual Jesus está diante dos fariseus e mestres da Lei. Há um questionamento deles em ralação à limpeza exterior e Jesus logo corrige tal questionamento: “o que torna impuro no homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior.” (Mc 7,15).

Pois bem. O amor sai do nosso coração. O olhar verdadeiro sobre a vida, expresso no carinho, no caminho com os irmãos da comunidade, no grupo da nossa família. Também deste mesmo coração saem nossas mazelas, pobrezas, ignorâncias, ou seja, nossas mais abomináveis misérias. É isso que torna sempre impuro o nosso ser.

Segundo Marcos, Jesus faz referência ao texto do profeta Isaías (cf. 29,13). Disse o Senhor: “Esse povo me procura só de palavra, honra-me apenas com a boca, enquanto o coração está longe de mim. Seu temor para comigo é feito de obrigações tradicionais e rotineiras” (Mc 7,6). Jesus denuncia a postura dos especialistas da tradição de Israel, os alertando que não é o externo que agrada a Deus, mas o seguimento da Palavra é que traz o Espírito do amor e a vida nova expressa num culto verdadeiro e profundo direcionado a Deus.

Isso nos levar a refletirmos sobre nós cristãos, hoje: como está a motivação do nosso culto a Cristo ressuscitado? Buscamos no nosso coração, no mais profundo do nosso ser, os motivos que nos leva a ser um discípulo missionário com toda a nossa alma e com todo o nosso ser? Quais são as impurezas do nosso coração? A liturgia da Palavra irá nos apontar para que busquemos a libertação desta realidade das impurezas citada por Jesus. Estas sim nos torna impuros diante de Deus!

Na primeira leitura no livro do Deuteronômio, escrito na Babilônia, durante o exílio do Povo de Israel, Moisés aconselha a todos que guardem os mandamentos do Senhor. Esta obediência levará o povo a viver a justiça no mundo de sofrimento, pois o que sobrou para aquele resto do povo escolhido foi a lei de Deus, para orientar o caminho de Israel. Diz Moisés: “E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos, como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos?” (Dt 4,8). Nós cristão também devemos seguir o mandamento justo e vivo confirmado por Jesus, a partir do amor a Deus e ao próximo.

Na segunda leitura, São Tiago irá dizer: “A religião pura e sem mancha diante de Deus Pai é que assiste os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixa contaminar pelo mundo” (Tg 1,27). Aqui podemos confirmar o que falamos acima: o amor (caridade) é o maior dos preceitos pois é a prova concreta da obediência e culto que agrada a Deus.

Vejamos que toda a Palavra deste domingo se volta para pureza baseada em nossas atitudes, intenções e palavras. Somos chamados a viver a pureza cristã expressa na caridade a qual brota de nosso coração. Esta vivência somente será possível quando somos observadores às leis do Senhor, contidas primeiramente no Evangelho. Quando deixamos que a nossa vida seja marcada e demarcada pelo o mandamento do amor o qual não está no papel, mas no coração e nas nossas atitudes do bem e sobre a luz do Espírito de Deus que também conduz a nossa existência.

Vivemos num mundo em que se relativizam as leis dos homens não a favor do amor, mas a serviço de interesses, muitas vezes, econômicos e políticos, as quais ferem a dignidade humana. Também esquecemos que a nossa pureza brota de um coração que vive o amor por Cristo, expressa na ajuda aos necessitados, aos famintos do Pão e da Palavra, de atenção e do carinho do amor do Pai.

Portanto, a nossa comunhão com Cristo se dará de verdade quando somos um só corpo de Cristo, como uma esposa fiel. Aquela que sente a dor de seus membros. Ser seguidor de Jesus é exatamente viver escutando a sua Palavra e se alimentando dela; é seguir os verdadeiros preceitos, honrando a Deus com os nossos lábios e, sobretudo, com o nosso coração, numa atitude de escuta, numa poesia e canção que deverá brotar do mais profundo do nosso ser, como louvor e gratidão ao Deus que nos alimenta e nos oferece a vida verdadeira. Amém.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

ANO NACIONAL DO LAICATO

Cor Litúrgica: Verde

Leituras: Ex 16,2-4.12-15; Sl 77; Ef 4,17.20-24; Jo 6,24-35

 

O PÃO QUE VEM DO CÉU

 

Além do pão que vem da terra,

 Que do trigo novo se faz grãos,

Plantado pelas mãos humanas,

Fruto do amor e da Criação,

Temos o pão da eternidade,

Que nos traz a novidade,

Para a nossa salvação.

 

Pão que se dá na Palavra Santa,

Pelas letras do Livro Sagrado,

Que nos orienta para a caminhada,

Fazendo sempre nos sentir amados,

Que muda nossos comportamentos,

Que transforma nossos sentimentos,

Como pérola e tesouro encontrados.

 

Pão que se oferece para a vida nova,

Na Mesa de todos e bem preparada,

Onde todos se voltam para o Alimento,

Como irmãos felizes da mesma estrada,

E então, se alimentam e se saciam,

E depois para mundo todos anunciam,

Esse Pão nos leva a eterna morada.

 

Alimento e Bebida que nos realiza,

Que nos sacia perfeitamente,

Dando-nos o sentido mais completo,

Alimentando a nós, a sua gente,

Configurando-nos ao seu imenso amor,

Nosso Pão da vida e Nosso Senhor

Força que nos faz seguir em frente.

 

Busquemos sempre por este Pão,

Nos caminhos da vida espiritual,

Mas, não deixemos de trabalhar,

Também pelo alimento material,

Porém, o Pão do céu é a maior razão,

Que nos dá força na tribulação,

Para a nossa vida, é santo sinal.

 

Que possamos ser Eucaristia,

No mundo das contradições,

No cotidiano de nossa existência,

Na vida, nas várias dimensões,

Na luta pelas causas sociais,

Nas fomes de comida e espirituais,

Na justiça do Reino nos fazendo iguais.

 

Por isso Senhor nós te pedimos,

Alimente em nós a confiança,

Pela providência do pão de cada dia,

Ensinai-nos o perdão em perseverança,

Perdoai-nos também as nossas ofensas,

Quebrai em nós toda a prepotência

Para que brote a Paz e a Esperança.

O Pão que nos leva à vida eterna

 

A liturgia deste 18º domingo do tempo comum dá continuidade ao capítulo 6 de João. É o discurso do “Pão da vida”, em que Jesus fala para a multidão sobre o Pão do Céu oferecido por Deus para a obra de salvação.

As pessoas querem mais pão material, querem vida fácil através de uma ação quase que mágica de Jesus. Jesus aproveita para reconduzir o foco na experiência do Pão Divino que sacia todo homem.

Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará (Jo 6,27). Essa é a grande mensagem para a multidão dos seguidores de Jesus. Desafio para nós cristãos dos dias atuais, quando o espírito do consumismo invade as consciências e a vida das pessoas de forma violenta e arbitrária. Jesus alerta à multidão para que realizem a grande obra de Deus, isto é, acreditar no Filho, enviado pelo Pai, que veio mostrar a sua face e ensinar a todos a viverem como irmãos.

O pão que Jesus oferece é o seu projeto de amor, onde todos podem se alimentar e também fazer com que a partilha, a fraternidade e a solidariedade estejam presentes como sentido principal da vida, numa caminhada onde não há mais fome de sentido da nossa existência. Somos saciados quando encontramos o sentido da nossa vida e a ofertamos como sinal de alegria e graça diante do mundo. Quando vivermos isso, estaremos alimentados do verdadeiro pão da vida, o qual está além da nossa fome do pão orgânico.

Entretanto, o Pão do céu é dom de Deus, é uma ação da pessoa do Pai. Os que estavam no deserto junto a Moisés receberam de Deus a providência do pão material, mas tiveram que aprender a confiar na providência divina quando receberam a ordem de não guardar para o outro dia (cf. Ex 16,4).

Muitas vezes, quando vamos à Missa, esquecemos que devemos alimentar nossa esperança no Pão do céu e não nas nossas barganhas com Deus. Não devemos agir como aquela multidão: querer um milagre de acordo com as nossas expectativas, como se a nossa presença na celebração fosse o suficiente para merecermos a graça.

Quando vamos à Missa, devemos estar atentos a duas dimensões: a primeira, é que se faz necessário escutar os ensinamentos da Palavra e receber o alimento da Eucaristia, para prosseguirmos nossa caminhada realizando a obra de Deus pela nossa

fé; a segunda é rezarmos que a providência de Deus para atue em nossa vida, mas esta dimensão não está submissa à nossa presença em uma Celebração, ela é gratuita por que Deus é misericordioso e nós é que temos a obrigação de cultuá-lo como um gesto de gratidão, obediência e amor ao Senhor. Podemos nos perguntar: o que iremos buscar na missa ou porque vamos à missa? Jesus nos pergunta: porque me procuram, porque buscam me encontrar?

Na segunda leitura, São Paulo nos exorta a despojarmos do homem velho para se revestir do homem novo (cf. Ef 4,17-24). Um ser humano que se insere no mundo do consumismo, achando que tudo pode, está, na verdade, com as atitudes do homem velho, porque está perdendo a imagem do qual foi criado por Deus. Por isso o Apóstolo nos alerta: Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. (Ef 4,24).

Trazer a imagem de Deus em nós está além da nossa visão física. Esta imagem é marcada por atitudes que transforma a nossa vida e da vida dos irmãos. As atitudes do homem novo se dão quando ele busca o verdadeiro pão do céu, e ao mesmo tempo se alimento do pão de cada dia, confiando na providência de Deus…

Portanto o homem novo é aquele que se alimenta do Pão do Céu e quer mostrar para o mundo que o sentido pleno da nossa existência está no alimento que vem do Céu. Por isso quando Jesus nos ensina a pedir o pão para cada dia, ele nos fala de Pão Nosso e de Pai nosso (cf. Mt 6,9-15). Porque o pão orgânico também é dado por Deus que é Pai de todos e por isso oferece a todos o Pão e a Vida. Ele é a fonte onde encontramos a força espiritual para labutarmos na vida. Ele é o alimento e a bebida plena que nos sacia completamente.

Ao sairmos do encontro com o Senhor, alimentados pela Palavra e pela Eucaristia, deveremos ir ao mundo como sinal de comunhão e de fraternidade, nas realidades da vida cotidiana, nos vários âmbitos sociais e comunitários. Na luta por justiça e pelo pão material e espiritual que se complementam e se tornam vida cheia de alegria e senso de irmandade. Sejais, o Senhor, nosso alimento e nossa esperança… Amém.

XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM

ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: 2Rs 4,42-44; Sl 144(145); Ef 4,1-6; Jo 6,1-15

 

POESIA

A PARTILHA DO REINO

A Palavra de Cristo fará nascer a partilha,
Quando os irmãos no amor, se abraçarem,
Quando acontecer a perfeita comunhão,
Como numa festa se confraternizarem.
E assim deixando que a vida possa pregar,
Numa ação viva de tudo a se partilhar,
E do amor fraterno se alimentarem.

Porque persiste a fome em nosso mundo?
Quando tantos se encontram na mesa do Senhor?
E se extasiam do encontro aconchegante,
Mas parece que no envio perde-se o ardor.
Volta-se pra casa com uma certa incoerência,
Porque não se deixa palavra habitar a consciência,
E o coração inflamar-se do divino amor.

O Senhor nos pede que vivamos a partilha,
E que as sobras dos pães sejam guardados,
Para quando um novo encontro vir a acontecer,
E os irmãos famintos sejam também alimentados,
Porque o amor e a partilha grande milagre serão,
Para que não passe fome nem um dos irmãos,
Que ao pão da vida eterna tenha procurado.

E assim o mundo será novo e muito diferente,
Quando compartilharmos carências e os sentimentos,
O mar da fome e da morte será atravessado,
Porque todos os homens serão alimentados,
E a sede também não terá mais vez,
Porque também não haverá a escassez,
E a casta água saciará todos os necessitados.

Hoje vamos à mesa santa do Senhor mais uma vez,
Para comermos o pão do amor e da comunhão,
Para beber o vinho da vida e da alegria,
No encontro que nos faz todos irmãos.
Para que sejamos para o mundo a fraternidade,
Testemunho que alerta toda a humanidade,
Para o caminho leva vida e à salvação.

 

HOMILIA

O Senhor nos ensina a guardar o que sobra

Neste 17º domingo do tempo comum vamos aprender de Jesus a verdadeira partilha, a qual suscita o grande milagre que é a multiplicação do pão para todos. A multidão procura Jesus para aclamá-lo como rei de Israel porque ainda não compreendeu o sentido completo da sua vinda ao mundo.

Durante cinco domingos iremos ler o capítulo 6 de João, que inicia nesta liturgia com a multiplicação dos pães e prossegue o grande discurso sobre o pão da vida, alguns momentos no monte e em outros na sinagoga de Cafarnaum.

Jesus atravessa o mar e uma grande multidão o segue, estava próxima a Páscoa, Jesus percebe que o povo tem fome e provoca um de seus discípulos, Felipe, perguntando como resolver o problema da falta de alimentos. André percebe que há um menino com cinco pães e dois peixes.

Cada uma destas atitudes nos leva a refletir sobre o que ensina Jesus para a nossa caminhada cristã. Podemos perceber um paralelo entre o Antigo e o Novo Testamento: Jesus atravessa o mar da Galileia, como Moisés também atravessou o mar Vermelho, Jesus é seguido por uma grande multidão como Moisés no deserto. Há o milagre do pão como o maná no Deserto. Porém há algo novo no Evangelho: Jesus é o novo Moisés que caminha com a multidão, conduzindo-a ao Reino de Deus.

O Pão agora deve ser preservado e guardado para que os outros participem da graça do milagre de Jesus. O Pão da vida, a Eucaristia, deve alimentar o sentimento de justiça e também suscitar a percepção de que há irmãos necessitados do pão de cada dia e por passarem fome por causa do acúmulo das riquezas nas mãos de poucos.

A liturgia de hoje nos ensina o valor da partilha e da experiência da gratuidade diante do outro. Mesmo diante da fome de uma multidão necessitada, há sempre alguém a oferecer algo para que seja partilhado. O grande milagre necessário para os nossos dias é a conversão do coração humano para a partilha dos seus acúmulos.

O Evangelho quer nos ensinar que a Eucaristia é vivida quando o pão material também é disponível na mesa de todos. Não há uma comunidade eucarística onde não se sente a necessidade do outro, onde não se incomoda com as pessoas que precisam do pão de cada dia.

Outra realidade que podemos refletir nesta liturgia: a fome pode ser resolvida quando forem recolhidas as sobras das mesas fartas como um louvor pelo grande milagre da abundância oferecida por Deus. Somos convidados a oferecer o que temos, como aquele menino perdido na multidão, ou como “o homem de Baal-Salisa, que veio trazendo em seu alforje para Eliseu, o homem de Deus, vinte pães de cevada e trigo novo dos primeiros frutos da terra” (2Rs 4,42).

O Papa Francisco[1],em sua encíclica, nos lembra que “desperdiçamos no mundo aproximadamente um terço dos alimentos produzidos, e a comida que se desperdiça é como se fosse roubada da mesa do pobre” (LS,50). Esse é o grande pecado da humanidade e deve ser confessado e transformado em ação de partilha e sensibilidade pelos irmãos e irmãs da nossa casa comum, que é a terra, como nos fala o Papa.

As nossas celebrações precisam ser continuadas nas missões, onde devemos anunciar aos outros o quanto podemos contribuir com o milagre de Jesus, que é o alimento oferecido a todos. A Eucaristia deve também nos conduzir à fraternidade e a alegria do encontro onde todos são acolhidos e ajudados a viverem com a dignidade de irmãos no mesmo amor de Deus, que é justo e misericordioso.

O nosso pecado contra a Eucaristia acontece quando nos deixamos levar pela nossa obsessão ao consumismo e a nossa omissão no envolvimento com as políticas públicas de distribuição de renda. A verdade é que somos dominados pelo mercado, que presta culto ao deus do lucro, e pelo capitalismo, que exclui tantos irmãos ao acesso aos bens mais básicos de sobrevivência.

A segunda leitura nos exorta a olharmos para a nossa condição de batizados e agirmos como um povo que forma “um só Corpo e um só Espírito, porque há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos que reina sobre todos” (Ef 4,4-6). É em nome da unidade que podemos possibilitar o milagre do pão oferecido a todos, onde as mesas não estarão mais vazias do alimento material e também haverá a Eucaristia comungada e vivida como condição para a construção do Reino de Deus.

Que o Senhor tenha compaixão de nós, abrindo nossos olhos e nossos ouvidos, curando nossas paralisias diante da pobreza material, para que possamos ser sinal de Cristo, como foi o menino, que entregou tudo o que tinha: 5 cinco pães de cevada e 2 peixinhos. E que a partir daí possa acontecer um milagre, onde o amor possa alimentara a multidão, que passa fome de Pão e de Paz, pelo mundo afora. Amém.

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[1] FRANCISCO, Papa. Carta Encíclica Laudato Si’. Louvado sejas: sobre o cuidado da casa comum. Brasília: Edições CNBB, 2015. Disponível: <http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html>. Acesso em: 28 jul. 2018.

 

XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Jr 23,1-6; Sl 22; Ef 2,13-18; Mc 6,30-34

 

POESIA

A COMPAIXÃO DE JESUS

Coração que acolhe,
Que tem atenção,
Que dispensa o descanso,
Que dá proteção,
Que tem tanto amor,
Vê no povo o clamor,
Da sua missão.

Coração que contempla
Que vem abraçar,
Que olha as ovelhas,
Sem as desprezar
Pastor santo e forte,
Que expulsa a morte,
Para a vida ofertar.

Coração solidário,
Com olhar sempre atento,
Para os desprezados,
Sendo altar e alimento.
Aos que vem ao convívio,
Traz a todos o alívio,
Saciando os sedentos.

Coração que ensina,
E nos chama atenção,
Pelos tantos desprezos,
E ausência da missão,
De alguns dos pastores,
Que não são protetores,
Por faltar compaixão.

Coração que alerta,
Sobre o nosso egoísmo,
Quando buscamos bem-estar,
Somente no individualismo,
Esquecemos os sofridos,
Abandonamos os feridos,
E vivemos o cinismo.

Abrasai ó Senhor,
Nosso ser, nossa vida,
Tocai nossa memória,
Às vezes adormecida.
Ensinai a compaixão,
Para vivermos a ação,
Na missão assumida.

 

HOMILIA

O Senhor nos ensina sobre a compaixão

Nesta liturgia do 16º domingo do tempo comum somos convocados a refletir sobre os frutos da missão dos discípulos de Cristo e sobre o olhar cheio de compaixão que ele tem pelas pessoas cansadas da opressão e necessitadas da atenção e o do amor de Deus em suas vidas.

No domingo passado refletimos sobre o envio dos discípulos e sobre as orientações que o Mestre lhes deu. O trabalho dos missionários de Jesus trouxe muitos frutos, pois ao voltarem, as multidões buscam Jesus cada vez mais. O missionário é enviado por Jesus e levará no seu coração a chama viva do amor ardente pela compaixão e depois retorna a Jesus para juntos partilhar das alegrias e das tantas experiências vividas na missão confiada.

A missão parte de Jesus e retorna novamente a Ele. Nesta liturgia, podemos vivenciar os efeitos da participação dos discípulos no ministério de Jesus. Eles são os continuadores da mensagem do Reino. Para ter êxito na missão é necessário a oração e o deserto para que se interiorize tudo o que foi vivido e para que se prossiga o trabalho. Os discípulos continuarão com Jesus e agora viverão de forma mais intensa o ministério missionário. O barco será o transporte usado para as travessias, em virtude da missão e do trabalho da pesca, pois eles vivem daquele alimento material.

Na segunda parte do Evangelho, Marcos nos apresenta Jesus comovido: “Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor.” (Mc 6,34). O que pensou Jesus naquele momento? O que disse aos seus discípulos sobre aquele povo? O detalhe que temos, é descrito pelo próprio evangelista: “eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). Esta frase nos leva a pensar também nos dias de hoje, quando muitos rebanhos estão também como que ovelhas sem alguém que se preocupe com o pastoreio, pois os cristãos estão mais fechados nas estruturas normativas e físicas e por isso não se dispunham a saírem para se compadecer do povo sofrido.

Neste sentido o Papa Francisco também nos alerta: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de agarrar às próprias seguranças”[1]. E agora nos perguntamos: até que ponto nós catequistas, ministros da Eucaristia, membros de pastoral familiar, grupos jovens, animadores de comunidades, os diversos grupos da Igreja e inclusive diáconos, padres e bispos carregamos no nosso coração a compaixão de Jesus pelo povo?

O Evangelho de hoje nos leva a refletir profundamente sobre esta questão que é, por sinal, a missão principal da Igreja: buscar, cuidar e alimentar as ovelhas que estão no mundo esperando que alguém lhes dê a mínima atenção. Vivemos cada vez mais ocupados em dar conta da correria do dia a dia e não há mais espaços para a atenção, para o cuidado e para o escutar e estar com o outro…

Ainda falando sobre pastor e ovelhas, na primeira leitura, do profeta Jeremias, temos outra chamada de atenção sobre o ministério pastoral: “Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho de minha pastagem, diz o Senhor!” (Jr 23,1). Nesta leitura, o profeta se refere aos governantes também como pastores, pois também pastoreiam o povo. Assim, nos dias de hoje, nossos representantes políticos, inclusive escolhidos por voto direto, são de certa forma, nossos pastores, pois devem estar atentos às necessidades da nação. Devem cuidar do bem-estar, da justiça e favorecer todos os direitos que as pessoas necessitam. Devem zelar pela vida e dignidade de todos.

Olhando o cenário político do mundo também vemos o descaso e a indiferença destes pastores escolhidos para servir o povo. Falta a compaixão e o cuidado. E por isso, o alerta do profeta Jeremias serve para hoje no que se refere à postura e as atitudes dos que governam o povo.

Portanto, esta liturgia nos pede que reflitamos e busquemos tomar novas atitudes diante do chamado do Evangelho. Em alguns momentos como responsáveis por um grupo ou um cargo, somos pastores, e em outros momentos somos ovelhas necessitadas da compaixão do Bom Pastor, mas o que deve concretizar o Reino de Deus é o amor de Cristo que nos une.

São Paulo nos diz na segunda leitura: “Ele veio anunciar a paz a vós que estáveis longe, e a paz aos que estavam próximos” (Ef 2,17). É importante a convicção de que somos todos irmãos em Cristo sendo próximos ou não. Isso nos leva a participar da mesma mesa do Pastor eterno onde há a paz e a dignidade. Ele nos conduz por caminhos seguros (cf. Sl 22) e iluminados por sua luz. Que Ele tenha compaixão de nós. Amém.

 

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[1] Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. A alegria do Evangelho: sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. 2013, nº 49. Disponível em: <https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html>. Acesso em: 21 jul. 2018.

XV DOMINGO DO TEMPO COMUM

ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Am 7,12-15; Sl 84; Ef 1,3-10; Mc 6,7-13

 

POESIA

MISSÃO, PROFECIA E UTOPIA

Ide missionários, dai a minha paz,
Vão onde precisam do meu amor,
Vão sem acúmulos e sem as riquezas,
Ide trabalhar para expulsar a dor,
Caminhai atentos pelas estradas da vida,
Aceitai aqueles que te dão acolhida,
E não levai nada, nem traga rancor.

Ide profetas do amor divino,
Dispensem as tuas tantas bagagens,
Deixai o corpo leve para caminhar,
A verdade será a tua mensagem.
Pregai com tua discreta humildade,
Vivei na tua simplicidade,
Trazei em teu rosto a minha imagem.

Caminhai dois a dois por onde fores,
Para não caíres no egoísmo,
Partilhai as tristezas e as alegrias,
Expulsai de vós o individualismo,
Formai um povo em comunidade,
Plantai a paz e a fraternidade,
E não esquecei o teu profetismo.

Falai a todos do Reino do Pai,
Testemunhai antes mesmo de falar,
Vivendo a entrega e o desapego,
Pois é a tua vida que deve falar,
Deixando que meu amor possa agir,
E que minha palavra possa fluir,
Sem tuas bagagens a sufocar.

Agindo assim tudo será novo,
A beleza das flores então surgirá,
Mundo diferente nós todos veremos,
E o amor infinito então brotará.
Cessará a violência, virá a comunhão,
As grades e cadeias ausentes estarão,
E a fraternidade todos a vivenciar.

 

HOMILIA

A missão e a profecia no mundo

A liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum fala direto ao nosso coração: que saiamos do comodismo e do nosso egoísmo para partirmos em missão aonde for preciso anunciar o Reino de Amor que Deus nos pede. Contemplamos, portanto, o chamado e o envio dos discípulos de Jesus, segundo o evangelista Marcos.

“A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo”, diz o decreto Ad Gentes, n. 2[1]. É neste sentido que iremos refletir nesta homilia. Quando falamos de natureza missionária, lembramos os textos do evangelho nos quais Jesus envia seus discípulos.

Mateus, Marcos e Lucas falam desta atividade, cada um na sua versão. Esta ação tão necessária para o crescimento da Igreja. O que devemos está atentos e refletir com profundidade são as orientações que o Senhor dá para os que ele envia: primeiro envia dois a dois para que ninguém se sinta sozinho, para que partilhem entre si, das alegrias e tristezas que a caminhada poderá apresentar. Depois, que não levem bagagens (cf. Mc 6,7-8), para que as preocupações não sejam desviadas para os bens materiais, mas sim para o objetivo principal que é anunciar o evangelho. O desprendimento é primordial para que o missionário possa exercer seu ministério de evangelizador com firmeza. Sem bagagens materiais e sem acúmulos de interesses pessoais, o discípulos estará mais livre e leve para seguir o caminho e o mandato que lhe foi confiado.

Outro ponto importante, é que valorizem a acolhida dos que os receberem e que fiquem ali até a partida para que os vínculos do amor e do encontro com Cristo sejam fundamentados. E se alguém não quiser os escutar, deixe-os e sigam em frente porque a adesão ao Senhor não deve ser imposta por ninguém, mas livre (cf. Mc 6,10-11).

Estes pontos acima nos fazem pensar nos dias de hoje quando também somos convocados a uma ação missionário na caminhada de todos os dias, a todo instante e em todos os lugares. É interessante que de acordo com o que Jesus nos fala, evangelizar e/ou fazer missão, é muito mais do que decorar versículos e tentar convencer as pessoas quase que impondo uma religião ou um modo de vida. Fazer missão está muito mais no testemunho, nas atitudes e no desprendimento de nossas bagagens materiais e intelectuais.

O importante da vida do discípulo missionário de Jesus é a sua posição de profeta em meio ao povo. O enviado de Cristo também deve falar a verdade e denunciar a idolatria do poder, do acúmulo das riquezas e do vínculo com o poder político que muitas vezes oprime e engana o povo. E isso deve ser feito pela postura de quem vive a missão, além das palavras, ou seja, numa vida coerente com aquilo que se prega.

Na primeira leitura desta liturgia temos o exemplo do profeta Amós. Ele, que é agricultor e vaqueiro, é chamado por Deus para anunciar a Palavra em Israel, mas lá é advertido por Amasias, sacerdote do templo. Amasias é pago pelo rei e por isso teme que falem a verdade contra as ações do rei. Amós por sua vez é livre e poderá denunciar o poder político e religioso que se aproveita do dinheiro dos impostos, e por isso comete injustiças e opressão contra os pobres. O missionário é também profeta, ele deve está livre das atitudes que são convenientes a quem governa o povo de forma alienante e opressora.

Pensemos em nós cristãos de hoje: como se dá a nossa missão? Estamos coerentes com as orientações de Jesus que nos envia em missão? Às vezes nos dá a impressão de que estamos muito distantes do projeto de Jesus. Por isso não mudamos o mundo e cresce cada vez mais o individualismo, o acúmulo, as injustiças e os atentados contra a vida.

Podemos também nos perguntar: Quais as nossas bagagens que pesam e nos impedem de seguir a vida cristã com mais leveza e coerência? Quais os bastões de apoio temos? E com quem seguimos o caminho na missão de ser sal da terra e luz do mundo?

Ser missionário e ser profeta é exatamente estar sintonizado com Deus e viver tudo o que refletimos sobre a liturgia de hoje. Devemos estar sempre focados no amor e no louvor a Cristo, como nos fala são Paulo: “Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva” (Ef 1,3.13). Que possamos crescer cada vez na esperança e na fé de Jesus ressuscitado que, pelo batismo, nos resgata, nos santifica e nos envia a sermos profeta, reis e pastores. Amém.

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[1] Decreto do Concílio Vaticano II, sobre a Atividade Missionária da Igreja. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651207_ad-gentes_po.html>. Acesso em: 13 jul. 2018.

XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Ez 2,2-5; Sl 122; 2Cor 12,7-10; Mc 6,1-6

 

POESIA

UM OLHAR ALÉM DO HUMANO

Ele não é para nós somente,
O Jesus de Nazaré,
Que viveu perto da gente,
Que nos diz quem Ele é.
Ele é o Verbo prometido,
Mas não é bem acolhido,
Porque a muitos falta fé.

Ele não é tão somente,
O homem espetacular,
O prodigioso e admirado,
Que a alguns veio curar.
É o Messias esperado,
Por muitos, ignorado:
Por seu povo e seu lugar.

Ele caminhou conosco,
Cheio de simplicidade,
Caminhou pelas estradas,
Visitou tantas cidades,
A nossos olhos tocou,
Fez andar e perdoou,
Trouxe-nos dignidade.

Ele é também para nós,
Além do nosso olhar humano,
O filho do Deus vivo,
Que tem para nós um plano,
Plano de reconciliação,
De amor e salvação,
Tirando-nos do desengano.

Ele traz também a nós,
Palavra de transformação,
Viva eficaz e cortante,
Que rasga nosso coração,
Fazendo-nos voltar a traz.
Da guerra para a viva paz,
Seu amor é a revolução.

Veio também pra curar,
Pra pregar e reunir,
Tornando-se nosso irmão,
Sua voz fez-se ouvir.
Venceu a morte e a dor,
É o nosso Salvador,
Vida nova fez surgir.

 

HOMILIA

Ele está no meio de nós

Somos convidados, neste 14º do domingo do tempo comum, a mergulhar na simplicidade humana de Jesus de Nazaré para podermos enxergar a presença do Deus vivo e verdadeiro no meio dos homens. Marcos relata a presença de Jesus em sua cidade natal. Depois de fazer milagres por outros lugares da Galileia ele vem à sinagoga de Nazaré. Todos esperavam o profeta que os chefes da religião tinham nas suas expectativas: Alguém poderoso e cheio de ordem para libertar Israel do poder da escravidão política e manter a ordem em todos os lugares.

A presença de Jesus com sua postura simples e com um discurso na contramão do pensamento vigente, causa espanto e ao mesmo tempo indiferença por parte de seus conterrâneos. Ninguém enxerga o Verbo encarnado, o Filho do Deus vivo, o Reino de Deus entre os homens. Todos veem apenas o filho do carpinteiro, filho de Maria, aquele que morou durante trinta anos em Nazaré fazendo mesas, cadeiras e outros utensílios artesanais próprios da cultura judaica. Por isso, ali ele não fez quase nenhum milagre.

Enxergar Jesus além da natureza humana depende da fé e da experiência aberta a acolher a novidade do Reino. Apenas aqueles que já decidiram segui-lo e caminhavam com ele, tais como os discípulos e algumas pessoas curadas e perdoadas, puderam contemplar a presença viva do Filho de Deus, portador da natureza divina e da natureza humana. Somente Maria e José, no silêncio e na simplicidade, numa escuta atenta de Deus, puderem ter a consciência de que a salvação do mundo, o Reino de Deus, chegara em Israel.

O destino de Jesus diante dos que não o acolheram será como o dos profetas que vieram antes dele, pois alguns foram perseguidos pela religião oficial, outros foram até mesmo assassinados e desacreditados porque faziam a vontade de Deus e não a dos homens. Jesus será perseguido, porque a sua mensagem está a frente ou na contramão dos pensamentos dos fariseus e doutores da lei. Sua pregação é pela plenitude da Lei e não pela distorção.

No mundo de hoje, somos tentados a considerar a presença de Cristo somente nas ações litúrgicas de massas e de grandes dimensões, potencializadas pelo rádio, pela TV e pela Internet. Igualmente no excesso dos ornamentos e alfaias imponentes das nossas celebrações. Também na excessiva valorização dos ministros que aparecem nos meios de comunicação. Esquecemos que a presença de Cristo está na simplicidade e na alegria de todos os que se dedicam com carinho e amor ao Reino de Deus.

A presença de Cristo está em todos que se preocupam com as crianças, com os jovens e famílias para encaminharem no amor de Deus. Também o diácono, o padre, o bispo tem família consanguínea e foram tirados do meio do povo para servirem ao Reino de Deus. Os religiosos, os catequistas, os liturgistas, os missionários e tantas pessoas a serviço das pastorais moram com seus familiares, mas convivem conosco partilhando as alegrias, as tristezas e os sonhos. Em todos está a presença de Cristo pelo amor, pela paz e pela doação, apesar das misérias humanas que cada um carrega.

Enfim todos os batizados carregam a presença do Senhor pelo batismo e formam o Corpo Místico de Cristo. Reunidos em torno da Palavra e da Eucaristia formam a assembleia da Igreja celeste na terra. Estando ao redor do banquete do cordeiro tornam-se sinal da presença do Reino no meio dos homens.

Que possamos sempre caminhar na busca do amor de Deus, na nossa simplicidade e na nossa doação, mesmo sabendo que em alguns momentos da nossa vida somente Deus poderá nos conduzir através do Seu amor misericordioso. Que a nossa fé nos conduza às curas necessárias para merecermos o Céu. Amém.