IV Domingo do Tempo do Advento, Ano B, São Marcos

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Leituras: 2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16; Sl 89(88); Rm 16,25-27; Lc 1,26-38

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Corações Abertos para o Cristo que Vem

Lc 1,26-38

 

Meus irmãos e irmãs, o mistério pascal da Liturgia do IV Domingo do Advento nos motiva, a exemplo da Virgem, a dizer um sim em atitude de entrega. E o Evangelho desta Liturgia está em Lc 1,26-38.

Já envolvidos pelo clima natalino, e a exemplo da Virgem, somos convidados a escutar Deus que nos traz a sua mensagem de esperança e de alegria e nos anuncia a chegada daquele que nos trará a Salvação.

E o Evangelho desta Liturgia, nós vemos que Deus envia um mensageiro à Virgem e as primeiras palavras do Anjo são: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Como deve ter ficado o coração de Maria?

Deus quer realizar suas promessas através da resposta de uma mulher virgem e já noiva de um homem justo chamado José, que também nos ensina sobre o silêncio, a obediência e a escuta.

Quantas mulheres esperavam esta dádiva, este presente, que Deus podia oferecer à descendência de Davi? “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus” (Lc 1,30), disse o Anjo. Diante da mensagem de Deus não poderá haver medo, somente a meditação, a escuta e entrega à voz do Anjo que explica como tudo irá acontecer. Mesmo diante da escuta atenta e do silêncio sereno, Maria questiona, não com rebeldia, mas no sentido de dialogar sobre aquela novidade divina em sua vida: “Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34).

Disse o Anjo: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus.” (Lc 1,35). Neste momento a Virgem completa o seu entendimento sobre o plano que Deus está lhe propondo: oferecer o seu ventre para que Deus possa operar as maravilhas da salvação em favor da humanidade através da sua encarnação. “Eis a serva do Senhor” (Lc 1,38) é a grande resposta de amor e de obediência. E “faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38) é a entrega total para que Deus realize a sua obra salvífica não somente para a pessoa de Maria, mas para toda a humanidade que esperava a chegada do Messias.

Jesus nasce longe dos palácios! Nasce em Belém, entre os pobres e os animais. Isso nos diz que a sua Palavra tem que habitar fora dos poderes humanos. E o Evangelho deve ir aos que precisam de amor, paz e dignidade e combater as várias formas de violência e morte impostas aos pobres. A Boa-Nova de Deus deve nascer e reinar para que a vida e a alegria aconteçam no coração dos homens.

Que o Espírito Santo nos cubra com sua sombra para nos proteger, nos iluminar com seus dons para que façamos a vontade de Deus. E que neste Natal do Senhor possamos viver mais intensamente a oração e a escuta da Palavra num clima de alegria e de fraternidade onde o amor seja cada vez mais forte entre os nossos irmãos e irmãs que se preparam para celebrar o divino encontro de Deus com todos os homens.

 

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Escuta e Obediência

 

Na simplicidade no meio dos homens,
Deus vem ao mundo para nos salvar,
Mostrar seu rosto igual ao nosso,
Porque conosco quer caminhar,
Traz alegria e claridade,
Justiça e paz à humanidade,
No nosso meio vem habitar.

O mensageiro visita uma Virgem,
Traz um recado do criador
Traz a alegria que vem do alto,
Do Deus da vida e de imenso amor,
Uma mensagem que tira o medo,
E revelando divino segredo,
Pois a nós virá o Salvador.

E o Santo Espírito fará a obra,
Com sua sombra vai proteger,
Não faltará proteção e graça,
Pois o Santo Menino irá nascer,
Filho de Deus será chamado,
Verbo divino no mundo encarnado,
Para um novo Reino acontecer.

A Virgem Santa se entregará,
Dizendo sim ao Deus da vida,
Na obediência da santa Palavra,
Na escuta atenta e refletida,
Sim à proposta e ao chamado,
Do Deus que ama e é amado,
E quer a humanidade toda redimida.

E neste mundo que agora estamos,
Somos a Igreja engravidada,
Da justiça e da esperança,
Para que a vida seja respeitada,
Para que as crianças recém-nascidas,
Sejam amadas e acolhidas,
E no amor de Deus encaminhadas.

E nas luzes que brilham em tantos lugares,
Possa lembrar nosso Deus de amor,
E entre os homens a fraternidade,
Que vem do alto com esplendor,
E os cristãos tochas brilhantes,
E qualquer lugar e a todo instante,
Sendo presença do Salvador.

 

***

 

 

*** Que a Alegria e a Luz da Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, que, como seu exemplo, nos motiva a dizer um sim em atitude de entrega ensina a viver a certeza alegre da encarnação de Deus, ilumine o seu caminho! ***

 

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III Domingo do Tempo do Advento (Gaudete), Ano B, São Marcos

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Leituras: Is 61,1-2a.10-11; Sl Lc 1,46ss; 1Ts 5,16-24; Jo 1,6-8.19-28

 

⇒ HOMILIA ⇐

A Alegria no Senhor é para Sempre

Jo 1,6-8.19-28

 

Meus irmãos e irmãs, o mistério pascal da Liturgia do III Domingo do Advento (Domingo da Alegria) nos motiva a viver a alegria da certeza da encarnação do Verbo. E o Evangelho desta Liturgia está em Jo 1,6-8.19-28.

E a alegria que a Igreja nos fala está além das sensações e dos propósitos humanos, como nos descreve Isaías: “Exulto de alegria no Senhor e minh’alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça” (Is 61,10). Também João Batista expressa a expectativa de alegria para o povo: Aquele que virá é maior, pois é o Ungido que o profeta Isaías nos falou na primeira leitura. A alegria que o Messias irá trazer “é a boa nova aos pobres, é a cura aos quebrantados de coração e a proclamação da liberdade aos cativos… o tempo da graça do Senhor” (Is 61,1-2).

De Deus vem a nossa verdadeira alegria como também o seu amor para a nossa salvação. Sendo que é aqui, como peregrinos, que somos chamados a buscar nossa realização de filhos para a alegria verdadeira. Uma alegria que é diversa do paradoxo do mundo, que a uns incentiva o acúmulo de bens e a outros o consumo desenfreado de bens. A caminhada peregrina é muitas vezes de dores, tristezas e sofrimentos, mas no Senhor somos felizes porque encontramos o refrigério da serenidade e da misericórdia.

A comunidade reunida em torno da Palavra e da Ceia é o testemunho da alegria, quando estamos juntos diante do Altar do Senhor e quando apresentamos para o mundo o nosso jeito de ser, somos “a voz que grita no deserto da vida, contra tudo que entortou o caminho do Senhor”[1] nas realidades tristes dos homens de hoje onde a santa alegria se faz ausente.

Para que sejamos luz do mundo, precisamos acolher a presença da luz de Cristo. Devemos reconhecer que o Natal é a aceitação da luz que veio nascer e reinar em nossas vidas e pela sua iluminação divina trazer-nos a alegria verdadeira.

Não são as luzes das lojas e das ruas que representam o nascimento do Salvador e nos trazem a alegria, mas as luzes dos presépios, como também as velas acesas nas novenas de Natal, quando partilhamos a Palavra e a Paz de Cristo.

É a luz do nosso testemunho, das nossas motivações missionárias que deverão iluminar quem está próximo de nós, o ambiente humano e eclesial para celebrarmos a presença de Cristo, que nos traz a Salvação e a Paz.

Por fim, é São Paulo quem nos orienta para este Domingo Gaudete (que quer dizer Alegrai-vos). Diz o Apóstolo Paulo: “Alegrai-vos sempre, orai sem cessar. Por tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus. Não extingais o Espírito.” (1Ts 5,16-19). Pois é pela alegria e oração constantes que nos realizamos plenamente como filhos e filhas de Deus, que nos ama fielmente. Como gratidão devemos dirigir nossos júbilos e louvores a Deus, que é amor, que é justiça, que é misericórdia. Deixemos que o Espírito Santo seja nossa alegria com o seu fogo abrasador.

***

[1] Jesus veio nos indicar os caminhos do reino: Roteiros homiléticos do Tempo do Advento-Natal – Tempo Comum, Ano B, novembro de 2014/fevereiro de 2015, CNBB. p. 32.

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

A Verdadeira Alegria

 

A verdadeira alegria
Vem sempre do Senhor,
Que completamente nos realiza,
Com seu eterno e perfeito amor,
Ele é o caminho certo,
À nossa vida sempre aberto,
Percurso santificador.

A verdadeira alegria
É plena de pura perfeição,
Preenche-nos totalmente,
Desnecessária complementação,
Sua Palavra é o alimento,
Seu corpo também é sustento,
Para a santificação.

A verdadeira alegria
Vem do fogo abrasador,
Do Espírito Santo em nós,
Com sua força e amor,
Trazendo a forte união,
Dos que se reúnem em oração,
Como povo do Senhor.

A verdadeira alegria,
É a certeza da salvação,
Que vem da voz do profeta,
Na sua forte pregação,
Pelos nossos desertos,
Levando-nos aos rumos certos,
Através da conversão.

A verdadeira alegria,
Devemos também proclamar,
Pelo nosso testemunho,
Para o mundo contemplar,
Ao Senhor que nos conduz,
Ele é a verdadeira luz
E que vem para nos salvar.

 

***

 

 

*** Que a Alegria e a Luz da Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, que, como seu exemplo, nos ensina a viver a certeza alegre da encarnação de Deus, ilumine o seu caminho! ***

 

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II Domingo do Tempo do Advento, Ano B, São Marcos

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Leituras: Is 40,1-5.9-11; Sl 85(84); 2Pd 3,8-14; Mc 1,1-8

⇒ HOMILIA ⇐

O Senhor Vem para Endireitar nossos Caminhos

Mc 1,1-8

Meus irmãos e irmãs, o mistério pascal da Liturgia do II Domingo do Advento nos motiva a receber Jesus para endireitar nossos caminhos e nossas relações humanas. O Evangelho deste Domingo está em Mc 1,1-8.

Nesta Liturgia, a Igreja nos apresenta os primeiros versículos do Evangelho segundo Marcos, dizendo: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Parece óbvio começar um livro com esta expressão, mas não é por acaso o termo “princípio” e a designação “Jesus Cristo, Filho de Deus”.

O termo “princípio” quer destacar que até o momento da escrita do Evangelho de Marcos, o testemunho sobre a experiência do seguimento a Jesus e o conhecimento da sua pessoa e da sua história era apenas oral.

Já a designação “Jesus Cristo, Filho de Deus” aponta para além do homem filho de Maria e de José. Trata-se de uma compreensão mais profunda de Jesus, pois a palavra Cristo é um título que só é plenamente compreendido após a experiência da Cruz e da Ressurreição.

O evangelista nos mostra que Jesus é verdadeiramente o Filho muito amado, desde o princípio (cf. Jo 1,1). Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem (cf. CIgC 464-469), por isso nos traz a salvação e nos mostra a face misericordiosa de Deus.

Como último profeta antes de Jesus, João Batista tinha a compreensão de que o Jovem Galileu era o enviado do Pai. Dizia João Batista, “depois de mim, vem aquele que é mais forte do que eu, de quem não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das sandálias.” (Mc 1,7). Em função disso o Batista não se sente digno nem de se aproximar, porque o batismo de Jesus será com fogo[1] do Espírito Santo. Jesus é o prometido por Isaías quando o povo estava cativo na Babilônia (cf. Is 40,1-11). Ao ler Isaías, Marcos diz que João Batista irá preparar a chegada do Ungido de Deus. É preciso que o povo se prepare, busque a conversão e faça penitência para acolhê-lo. Faz-se necessário ir ao deserto, longe dos poderes, para escutar a voz profética, endireitar-se e reconhecer o Cristo de Deus.

Hoje é a Igreja, Corpo Místico de Cristo, a mensageira da segunda vinda, em nossa vida e na do mundo. Ao mesmo tempo, devemos ser como João Batista: preparar o mundo para celebrar o Natal como festa da encarnação de Deus e não como um momento que pouco recorda aquele que, como adulto, diria “Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa” (Lc 19,5). Para isso, é importante a Novena de Natal, a participação assídua e atenta nas Liturgias, a vivência da espiritualidade da espera alegre do Senhor, que quer renascer e reinar em nossa vida.

Cristo quer endireitar nossos caminhos, às vezes tortuosos. Ele quer fazer nova nossa vida (cf. Ap 21,5), nossas relações que, frequentemente, estão desgastadas pela displicência, pelo egoísmo. Como refrigério para as feridas humanas, Jesus nos oferece a vigilância do Bom Pastor (cf. Jo 10,1-21) e o altruísmo do Bom Samaritano (cf. Lc 10,29-37).

Peçamos a Nossa Senhora a virtude da esperança, que perseverou em silêncio (na carne e no espírito) a espera da encarnação do Verbo. A exemplo da Virgem, esperamos “novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça” (2Pd 3,13).

***

[1] Expressão usada pelo evangelista Mateus (cf. 3,11).

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Nossos Caminhos com o Senhor

 

Nos caminhos tortuosos,
Cheios de grandes defeitos,
Vem o Senhor concertar,
Para se tronarem direitos,
Uma voz em nossos desertos,
Ensina os caminhos certos,
Que não foram ainda feitos.

Esse caminho é refeito,
Pela nossa conversão,
Precisa de escuta e fé,
De silêncio e oração.
Pois para bem celebrar
O Natal que vai chegar,
Precisa-se dedicação.

A espera é importante,
Sendo alegre e prudente,
Numa busca bem atenta,
Vivendo o amor paciente,
Praticando a caridade,
A Paz e a solidariedade,
No agora, no presente.

Novos céus e uma nova terra,
É o que nós esperamos,
Na paz com os nossos irmãos,
Sempre que nos encontramos.
Para o Natal acontecer,
Devemos nos envolver,
É o que nós precisamos.

Ao redor da Santa Mesa,
De todos os caminheiros,
Que buscam endireitar,
Sua vida por inteiro,
Buscando a conversão,
Que leva à redenção,
Para o Reino verdadeiro.

Peçamos a Santa Mãe,
Que soube bem esperar,
Para que nos auxilie,
Neste nosso caminhar,
Ela que silenciou,
E perseverante rezou,
Ensine-nos a rezar.

 

***

 

 

*** Que a Luz da Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, que nos motiva a receber o Menino Deus para curar as feridas das nossas relações humanas, ilumine o seu caminho! ***

 

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I Domingo do Tempo do Advento, Ano B, São Marcos

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Leituras: Is 63,16b-17.19b;64,2b-7; Sl 80(79); 1Cor 1,3-9; Mc 13,33-37

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Esperemos Alegres e Vigilantes o Senhor que Vem!

Mc 13,33-37

 

Meus irmãos e minhas irmãs, iniciamos hoje um novo ano litúrgico, o Ano B, com a iluminação dos textos do evangelista Marcos. E o mistério pascal deste I Domingo do Advento nos motiva a estar vigilantes e alegres pela certeza da vinda de Cristo. Já o Evangelho desta Liturgia está em Mc 13,33-37.

No Advento, a Igreja nos chama a viver a espera alegre do Senhor que se encarnará e nos abrirá as portas para a nossa salvação. É um tempo de vigiar e meditar sobre o encontro com o Senhor pela sua Palavra e pelo seu corpo e sangue e, ao mesmo tempo, viver a experiência, enquanto discípulos missionários, da espera da volta do Senhor.

A cada ano litúrgico, no seu final, completamos uma volta na estrada cíclica da nossa vida. Precisamos nos perguntar: quantas voltas já fomos capazes de realizar? Quantas voltas Deus nos permitirá? Como tenho feito e como farei os próximos percursos?

Somos marcados pela experiência da espera em Cristo, vivemos sempre expectativas para que haja, em nossos ambientes, mais prosperidade, paz e fraternidade em Cristo.

O evangelho de Marcos nos leva a refletir sobre a vigilância, que é estar em comunhão com o Senhor numa atitude de escuta da Palavra que nos orienta e nos fortalece. “Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou no amanhecer.” (Mc 13,35). Neste versículo, Jesus nos alerta para que vigiemos durante o dia e a noite. Porém, prevalece o noturno (meia-noite, madrugada e amanhecer). Isso significa que devemos vigiar em todos os momentos da nossa vida, de dia ou de noite. É preciso que estejamos atentos para que o ladrão não roube o lugar pelo qual estamos responsáveis e estar bem acordados para não ser enganado.

Também precisamos, em nosso percurso espiritual (e psicológico), estar atentos para que os desafios, os pessimismos, as violências, os egoísmos não afetem a esperança e a fé nas promessas de Deus. Quando deixamos de lado nossa atenção ao Senhor e à sua Palavra nós corremos o risco de cairmos no sono espiritual, deixando de lado a vigilância da porta por onde o mal pode entrar e roubar a nossa fé e a nossa esperança. Para combater o sono espiritual, temos o recurso da oração pessoal e comunitária, “estimulantes” estes que estão ao nosso alcance, gratuita e abundantemente.

Devemos deixar que Deus nos molde à sua ação santificadora como nos fala Isaías (64,7): “(…) és nosso pai (…), nosso oleiro, e nós (…) obra de tuas mãos.” Vigiar é entender que, em diversos momentos, é o Senhor quem age, transforma e nos indica por onde devemos seguir. Nesse sentido, São Paulo diz “é ele também que vos fortalecerá (…) para que sejais irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor”. (1Cor 1,8).

Devemos fazer a nossa parte e deixar que Cristo possa nascer e reinar em nossa vida, trazendo a salvação. Irmãos e irmãs, o Advento é, portanto, o momento de revermos como está a nossa espera, a qual deve ser constante durante todo o ano litúrgico.

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Como Porteiros do Senhor

 

Nas noites e madrugadas do nosso existir,
Esperemos o Senhor que quer chegar,
Para encontrar-nos sempre vigilantes,
Sem medo de se decepcionar,
E como o porteiro, sempre atento,
A cada passo e a cada momento,
Deixemos a promessa se realizar.

Também nos dias de chuva e de sol,
Faz-se necessário também vigiar,
Porque não sabemos qual o momento,
Em que Senhor vai nos chamar,
Porque nossa vida é de atenção,
Pela escuta e pela oração,
Nesta dinâmica do esperar.

Do sono da vã indiferença,
Busquemos sempre despertar,
Acordando para a vida verdadeira,
Que precisa sempre desabrochar,
E o otimismo em nossa existência,
Que não pode ser vítima da demência,
Que muitas vezes quer nos sufocar.

Que o culto seja o momento,
Da Palavra que vem nos sacudir,
Para não vivermos na ignorância,
Mas como despertos possamos seguir,
Reunindo com os nossos irmãos,
E na Paz, vivemos a comunhão,
Eucaristia sempre a nos nutrir.

E como porteiros eficientes,
Que não cochilam na portaria,
Fiquemos atentos a quem quer entrar,
Seja na noite, seja no dia,
Porque nossa vida é esta morada,
Desta Palavra que é encarnada,
Cristo, o amor, a nossa alegria.

 

***

 

 

*** Que a Luz da Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, que nos ensina a estar vigilantes e alegres pela certeza da vinda do Cristo, ilumine o seu caminho! ***

 

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Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, Solenidade, Ano A

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Leituras: Ez 34,11-12.15-17; Sl 23(22); 1Cor 15,20-26.28; Mt 25,31-46

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Um Reino que não é deste Mundo

Mt 25,31-46

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o mistério pascal da Liturgia do XXXIV Domingo do Tempo Comum do Ano A, Solenidade de Cristo, Rei do Universo, nos motiva a contemplar a realeza de Cristo, na dimensão da justiça e da misericórdia. E o Evangelho desta Liturgia está em Mt 25,31-46, sequência do Domingo passado.

Assim, entramos na última semana do ano litúrgico. No próximo Domingo seremos chamados a começar um novo percurso, quando entraremos no Advento do Ano B, período em que teremos a orientação dos textos do evangelista Marcos.

Celebrar a realeza de Cristo é olhar para ele como o Pastor que cuida do seu rebanho com amor, mas também vê-lo como o Juiz que tem o julgamento sobre nossas ações enquanto caminhamos nesta terra.

A caridade é o critério principal para participarmos da sua alegria. Ele mesmo nos ensina: “pois tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me acolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me.” (Mt 25,35-36). O amor ao irmão necessitado tem o mesmo valor que a mesa do Altar do Senhor. Segundo São João Crisóstomo, ele diz “enquanto adornas a casa, não desprezes o irmão aflito, pois ele é mais precioso que o templo”.[1] É mais importante a nossa preocupação com os sofredores do que o nosso apego ao espaço material. Nesse sentido, devemos refletir sobre isso e nos perguntar como está a atenção ao Cristo escondido nos pobres, o crucificado nos irmãos e irmãs que clamam o amor concreto de Deus.

Os textos da Liturgia apresentam o Senhor como o Pastor e o Rei do universo. Pastor que cuida, que vai atrás das ovelhas perdidas, reúne ao seu redor (cf. Ez 34,11-12.15-17), o Rei que julga as ovelhas, separando-as de acordo com os critérios do amor.

Aos que obedeceram a voz do Senhor acolhendo-o nos pobres, famintos, sedentos, estrangeiros, despidos e presos, estes receberão a herança do Reino, serão chamados benditos do Pai (cf. Mt 25,34).

Quanto aos que desconheceram a presença do Senhor nos que sofrem, ele os dirá: “afastai-vos de mim malditos” (Mt 25,41) e serão jogados no fogo eterno. Parece muito duro ouvir tais palavras do Jovem Galileu. O Evangelho nos motiva a estar atentos às palavras do Pastor e Rei.

As palavras de Cristo neste último Domingo do ano A nos convida a avaliar nossas ações como cristãos, durante todo o tempo em que escutamos a Palavra, comungamos da Mesa e nos reunimos na comunidade de discípulos de Cristo. É permanente a necessidade de rever nossas ações e posturas como ovelhas do redil do Bom Pastor.

Que o Espírito Santo nos ilumine e nos fortaleça em nossa missão. Que possamos usar nosso tempo para avaliar, propor e melhorar nosso agir como seguidores do Bom Pastor que nos conduz pelos caminhos retos, mas que também nos julga quando somos ovelhas distantes e errantes que não reconhecem o sofrimento do Filho Unigênito do Pai na existência humana.

***

[1] Das homilias sobre Mateus, de são João Crisóstomo (*309+407), bispo e doutor da Igreja. In Liturgia das Horas, 1999, vol. IV, p. 157.

***

 

⇒ POESIA ⇐

Um Reinado que Vem do Senhor

 

O Reinado do Senhor,
É justiça e caridade,
Caminho ao paraíso,
Marcado pela bondade,
Seremos chamados benditos,
Porque consolamos os aflitos,
Pela solidariedade.

O Reinado do Senhor,
É o amor em nosso agir,
Enxergando-o nos sofredores,
No seu corpo a se ferir.
No chão da nossa existência,
Em tudo que for carência,
No humano a existir.

O Reinado do Senhor,
É herança garantida,
Para todos os benditos,
Pelo Rei oferecida,
Pois o critério é o amor,
Ao Cristo no sofredor,
Para retomar a vida.

O Reinado do Senhor,
Nos leva a meditar,
Há tempo para se rever,
Para no seu reino entrar.
Recriar nossa postura,
Retomar nossa ternura,
Para não nos enganar.

O Reinado do Senhor,
É encontro e alegria,
É o encontro com o outro,
Sendo noite ou de dia,
É caridade ao irmão
É serviço e gratidão,
Que brota da Eucaristia.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que com justiça e misericórdia nos motiva a participar do Reino de Deus, ilumine o seu caminho! ***

 

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XXXIII Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

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Leituras: Pr 31,10-13.19-20.30-31; Sl 128(127); 1Ts 5,1-6; Mt 25,14-30

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Os Nossos Talentos e o nosso Encontro com o Senhor

Mt 25,14-30

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o mistério pascal da Liturgia do XXXIII Domingo do Tempo Comum nos motiva a cuidar dos nossos talentos com vistas ao encontro com o Senhor. E o Evangelho desta Liturgia está em Mt 25,14-30.

Assim, neste penúltimo Domingo do Tempo Comum do ano A, a Igreja nos apresenta a parábola dos talentos, um texto que deve nos leva a pensar sobre o que o Senhor nos oferece, segundo a capacidade de cada um (cf. Mt 25,15).

Que comparação podemos fazer em relação a nossa vida de cristão no que se refere aos dons que Deus deixa sob os nossos cuidados? Não há imposição do que é deixado a cada empregado, porém cada um deve cultivar aquilo ficou aos seus cuidados, pois os resultados serão cobrados.

No retorno do patrão, tudo é prestado conta. Aos que fizeram render, são feitos elogios e o convite para participarem da alegria do Senhor. Ao empregado que, por medo, não produziu nada, este foi tratado como mau e preguiçoso e, ainda, foi-lhe tirado até o pouco que tinha.

Todos nós recebemos diversos talentos de Deus, habilidades a serem desenvolvidas e que deverão estar a serviço do próximo e da Igreja para que o bem seja semeado no mundo. São tantos os trabalhos pastorais e os serviços em favor da Igreja os quais o Senhor deixou a nossos cuidados. Ele voltará e irá nos alertar sobre a nossa preguiça, o nosso comodismo e a nossa indiferença. Pela atitude de não fazer nada, nós mesmos nos excluiremos das alegrias do Senhor.

Recebemos, pela Igreja, muitas graças: os sacramentos, a Palavra ofertada no ambão (o altar da Palavra), a promessa de salvação e os vários ministérios pelos quais participamos da Igreja do Senhor. No entanto, haverá um tempo em que o Senhor pedirá contas do que fizemos dos talentos que nos ofertou gratuitamente. Ele partiu após a ressurreição, mas continua presente nas ações litúrgicas, na Eucaristia (nas espécies eucarísticas e na pessoa do sacerdote) e também nos demais sacramentos, na Palavra proclamada, na assembleia orante (cf. SC, 7[1]).

Estamos à espera da volta do Senhor pois vivemos o tempo da Igreja. “Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios” (1Ts 5,6), nos alerta São Paulo. Ficar com nossos talentos escondidos sem que produza algo, terá como consequência a tristeza e a perda do pouco que temos.

O conselho do Senhor é que pelo menos coloque no banco aquilo que não fizermos render, ou seja, devolvermos à comunidade um ministério do qual somos incapazes de desenvolver e deixar que outros assumam para que a Igreja seja beneficiada com a dádiva de continuar crescendo o seu Reino já entre nós.

Coloquemo-nos diante de Deus como servos e acolhedores de seus talentos e peçamos o dom da sabedoria, para que possamos agir no temor do Senhor, como reza o salmo 128(127): “Felizes os que temem o Senhor e trilham os seus caminhos.” Sendo obedientes e fazendo render os dons que Deus nos confiou, evitaremos nos apresentar diante dele de mãos vazias.

***

[1] Sacrosanctum Concilium, Sobre a Sagrada Liturgia. Constituição do Concílio Vaticano II.

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Os Talentos do Senhor

 

Os talentos do Senhor,
São a nós confiados,
Para o maior cultivo,
Pelo nosso incentivo,
No amor vivo e doado.

Os talentos do Senhor,
Quando são bem cultivados,
Brotam a fidelidade,
Também a santa bondade,
Dos servos compromissados.

Os talentos do Senhor,
Força do Reino na história,
Que se faz sempre crescer,
E também faz florescer,
A justiça e a glória.

Os talentos do Senhor,
Levam-nos a refletir,
Que o Senhor voltará,
E assim nos julgará,
Quando a todos reunir.

Os talentos do Senhor,
Levam-nos à caridade,
Faz fluir a alegria,
Que vem da sabedoria,
Da paz e da fraternidade.

E o Senhor vem reunir,
Não sabemos qual o dia,
Busquemos então cultivar,
Os dons que ele vem nos dar,
Na Palavra e na Eucaristia.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos motiva a cultivar os nossos talentos dados gratuitamente por Deus, ilumine o seu caminho! ***

 

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XXXII Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

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Leituras: Sb 6,12-16; Sl 63(62); 1Ts 4,13-18; Mt 25,1-13

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Vigiar para o Encontro com o Senhor

Mt 25,1-13

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o mistério pascal da Liturgia do XXXII Domingo do Tempo Comum nos motiva a estar vigilantes para o encontro com o Senhor. E o Evangelho desta Solenidade está em Mt 25,1-13.

“Ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” (Mt 25,13). O que se faz necessário para que sejamos vigilantes como nos fala Jesus? Será que a resposta ao chamado para a festa da vida, que se dá no culto e na missão, está alimentada pelo azeite, o amor, que alimenta a chama da fé para o encontro com o Senhor? Na realidade social podemos perceber comportamentos como as posturas das dez virgens no Evangelho desta Liturgia.

Esta Liturgia já nos encaminha para o final do Tempo Comum e nos reporta ao julgamento de Cristo, Rei do Universo. Por isso que o Evangelho nos motiva a refletirmos sobre o sentido da vigilância. E o que é ser prudente, ser vigilante, e carregar o azeite que mantem a acesa a chama da esperança para a chegada do Noivo? É exatamente viver alimentado pelo óleo do amor, da justiça e da presença do Espírito Santo.

Uns são mais prudentes na sua experiência de encontro com o Senhor pela oração e adoração. Outros vivem meio desligados do seu papel e mergulhados na desmotivação do sentido de sua existência em Cristo. Outros ainda estão alheios às exigências evangélicas. E um último grupo está centrado nas normas e no culto mais como uma obrigação do que como uma necessidade de encontrar com o Noivo e alimentar o sentido de sua vida.

E a imprudência? Como se apresenta hoje na vida do Cristão? Está na atitude que se dá pelo abandono dos valores do Evangelho; quando se banaliza e se relativiza os valores do Reino. Está na incoerência da pregação quando se proclama a prosperidade na aquisição dos bens materiais e no acúmulo do dinheiro. Também quando se abandona a prática da justiça e da caridade e se prega a Palavra em favor das conveniências pessoais e dos interesses individualistas e de dominação.

A Palavra de Deus nos pede que se proclame o amor, a justiça, a vida, a esperança, a fraternidade e a paz. Este é o conteúdo das nossas lâmpadas em virtude do encontro com o esposo da Igreja, Jesus Cristo ressuscitado, que sempre nos convida para a festa da sua Palavra e do seu Corpo.

A cada Eucaristia que nós participamos, nós abastecemos a lâmpada da fé, da esperança e da caridade para o encontro com o Senhor. Preparamo-nos prudentemente para a chegada do Noivo a cada encontro na comunidade, onde se partilha a Palavra de Deus e se reflete sobre a fraternidade, a comunhão entre os irmãos e a busca da justiça.

A ação missionária que constrói o Reino de Deus é outra maneira de se viver em vigilância para a grande festa da vida e da salvação. Cristo espera que todos estejam preparados para a sua chegada e com a lâmpada abastecida e o coração alegre para o encontro.

Acolhamos os conselhos da primeira leitura que nos indica que a Sabedoria, que é o próprio Deus, se deixa encontrar pelos que querem (cf. Sb 6,12-16). Com a Sabedoria o homem pode buscar o sentido, o azeite, o azeite da sua existência no mundo, como filho do Deus vivo que é puro amor e quer encontra-lo sempre para festa da vida e da comunhão.

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

A Sabedoria em Vigiar

Vigiar é sabedoria,
Para seguir o Caminho,
Da prudência e do bem,
Dos que não vivem sozinhos,
Que abastecem o coração,
Com azeite da oração,
Na entrega e no carinho.

Vigiar é atenção,
À Palavra do Senhor,
Que é o Verbo da vida,
Repleta do pleno amor,
É viver sempre atento,
Pela escuta e seguimento,
Ele, o Noivo, o Salvador.

Vigiar é caridade,
Que se dá em nossa missão,
Na doação e na ajuda,
Em favor do nosso irmão,
É ser luz e sal da terra,
Plantar paz em vez da guerra,
Em favor da união.

Vigiar é prontidão,
Para a festa prometida,
Que se dá pela presença,
De Cristo e sua acolhida,
Que vem a qualquer momento,
Precisamos estar atentos,
Para o encontro da vida.

Vigiar é oração,
Que vem nos abastecer,
Com a chama da alegria,
Que nos ajuda a viver,
Dando à vida um sentido,
Ao caminho percorrido,
Para o Reino acontecer.

Vigiar é movimento,
Na santa Sabedoria,
É a busca do encontro,
Rumo à Eucaristia,
É viver sendo prudente,
E o Senhor que está presente,
Com o Evangelho da alegria.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos motiva a estar vigilantes para o encontro com Ele, ilumine o seu caminho! ***

 

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Solenidade de Todos os Santos

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Leituras: Ap 7,2-4.9-14; Sl 24(23); 1Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a

 

⇒ HOMILIA ⇐

Bem-Aventurados São os que Procuram o Senhor

Mt 5,1-12a

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o mistério pascal da Liturgia da Solenidade de Todos os Santos nos apresenta as bem-aventuranças como programa para alcançar a realidade celeste composta pelos santos e santas de Deus. E o Evangelho desta Solenidade está em Mt 5,1-12a.

O Evangelho de Mateus (cf. 5,1-12) nos apresenta Jesus que, vendo as multidões, sobe à montanha e senta para proclamar as bem-aventuranças aos seus discípulos. A montanha, para o Antigo Testamento, é o lugar da manifestação de Deus. É na montanha que Deus fala com Moisés e lhe entrega o decálogo.

As bem-aventuranças nos ensina que, primeiramente, a santidade nos pede que sejamos discípulos de Cristo, na simplicidade, na humildade, com o pé no chão da vida e, sobretudo, no olhar atento às diversas situações do mundo, sejam elas econômicas, políticas, sociais ou religiosas. Sendo discípulo atento no mundo, faz-se necessário a nossa mansidão, a nossa fome de amor, a nossa sede de justiça e a nossa preocupação com a paz entre as nações.

Podemos nos perguntar: o que tem a ver comigo os atentados terroristas ou os conflitos no oriente médio? A violência nas cidades e no campo? A intolerância religiosa nos diversos recantos do mundo? Ser santo é estar atento a tudo isso.

Jesus ainda apresenta uma última bem-aventurança e desta vez mais exigente do que simplesmente estar atento às realidades humanas do mundo: serão bem-aventurados (felizes) os que forem perseguidos por causa da justiça, também serão bem-aventurados os que forem injuriados e caluniados por causa de Jesus (cf. Mt 5,10-12). A busca pela justiça e a experiência das consequências desta busca nos fará santos e nos levará aos Céus.

Finalmente não podemos esquecer que a vivência da santidade deve ser testemunhada no aqui e agora. Devemos ser mansos, justos, puros de coração, promotores da paz no grupo onde participamos, no nosso ciclo de trabalho, nas relações sociais e nos nossos campos de atuação, do nosso lar também. Pois é na família, no meio dos filhos, irmãos, cônjuges que precisa-se de santos e santas. Também entre os ministros ordenados e religiosos, na missão cristã de cada dia, precisa-se de santos e santos.

Santos e santas, pessoas que sejam sal, luz e fermento na massa, para aumentar cada vez mais a multidão dos bem-aventurados. Santos e santas que leiam e vivam a Palavra, que rezem e que sejam livres nos caminhos do Senhor e que façam o bem a todos em vista do Reino de Deus.

Portanto, é sendo santos que podemos nos juntar a incontável “multidão imensa de gente de todas as nações, tribos povos e línguas” (Ap 7,9), como nos fala São João na primeira leitura desta Solenidade. Esta busca de santidade deve ser sempre no Senhor, como discípulos missionários. Assim podemos citar também o final da segunda leitura: “Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1Jo 3,3). E concluímos com o refrão do salmo desta Solenidade: “É assim a geração dos que procuram o Senhor” [Sl 24(23)]. Sejamos, no meio do mundo, esta geração que procura o Senhor e que semeia o Evangelho para a santidade e salvação de todos.

 

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Quem é Santo…

 

Para buscar e viver a santidade
Deve-se trilhar nos caminhos do Senhor,
Estar atento à Palavra Sagrada,
Ser manso, justo e ter muito amor.
Deve-se viver as bem-aventuranças
Que Jesus nos deu como herança,
Que é centro do seu plano salvador.

A santidade não é coisa qualquer
Que a gente possa imaginar,
É caminhar no chão concreto da vida,
Não ter medo do que se possa encontrar,
Pois ser santo tem suas consequências,
Muitas vezes precisa-se paciência,
Para no mundo não desanimar.

No início da história dos cristãos,
Ser santo implicava muita ousadia,
Muitas vezes implicava ser devorado pelas feras,
Ou ser colocado em grelha com brasas que ardia,
Mas o santo em sua enorme dor,
Ainda carregava o senso de humor,
Quando o fogo em chama lhe consumia.

O ser santo é sempre destinado
Para toda pessoa que quiser,
Mas para isso é preciso requisito,
Pois, não se santifica de um jeito qualquer,
Pra isso é preciso ter vocação,
Não viver na fantasia e na ilusão,
Mas é possível para homem quanto para a mulher.

Tem que ter um coração de amor,
Ter muita paz e muita alegria,
Mesmo diante das tantas misérias,
Fazer da noite às vezes o dia,
Ser bondoso e de muita caridade,
Promover a paz e a unidade,
Onde há muitas vezes má sintonia.

Às vezes é também ser ignorado,
Não ser reconhecido ainda em vida,
Pois ser santo exige além do presente,
Vivendo o amor e uma paz refletida,
Carregar um coração aberto às ações divinas,
Acreditar noutra vida que não termina,
E em Jesus apostar o caminho e a lida.

Muitos viveram radicalmente a castidade,
Entregaram sua vida totalmente,
Sem de nada ter nem um apego,
Carregavam no corpo e em sua mente
Um coração entregue somente ao Senhor
Vivendo o trabalho na oração e no amor,
Vivendo no serviço às pessoas carentes.

Temos também que reconhecer
Que santos não são somente os do altar,
Temos tantos santos que não os conhecemos,
Por isso é preciso acreditar,
Que santo são todos os bem-aventurados,
Que viveram ou vivem o amor ao Bem-Amado,
Na esperança no céu e com Jesus morar.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos motiva, com o auxílio das bem-aventuranças, a aspirar a corte celeste, ilumine o seu caminho! ***

 

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XXX Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

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Leituras: Ex 22,20-26; Sl 18(17); 1Ts 1,5c-10; Mt 22,34-40

 

⇒ HOMILIA ⇐

O Amor ao Divino e ao Próximo

Mt 22,34-40

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o mistério pascal da Liturgia do XXX Domingo nos motiva a amar a Deus e ao próximo. E o Evangelho para esta Liturgia está em Mateus 22,34-40.

“ ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37.39). Eis o topo da hierarquia dos preceitos de Deus, quer Jesus apresenta, de uma forma simples, para as autoridades judaicas.

Havia, na época de Jesus, um esforço para determinar o mandamento mais importante entre os 613 preceitos[1]. A pergunta feita a Jesus é tendenciosa e tem o objetivo de pegá-lo em contradição. E Jesus, com base nas Escrituras, diz que há dois mandamentos que são maiores e que abrangem todos os outros: o primeiro é o amor total a Deus, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todas as nossas forças (cf. Dt 6,4-5); o segundo é o amor ao próximo, sem vingança e sem rancor (cf. Lv 19,18).

Com certeza os fariseus sabiam deste preceito, mas não o consideravam importante. Também a primeira leitura desta Liturgia faz referência ao amor ao próximo: “não oprimas nem maltrate o estrangeiro, pois fostes também estrangeiros na terra do Egito” (Ex 22,20). Um amor pelos sofredores e maltratados, os quais nem conhecemos e que precisamos acolhê-los como estrangeiros nas terras de nosso existir. Neste sentido, os judeus eram proibidos de desprezar um estrangeiro, uma viúva, um órfão.

E a resposta de Jesus é exatamente aquilo que ele vivia e nos testemunhou no alto da cruz. O amor a Deus e ao próximo tem uma dimensão que nos lembra exatamente a cruz: um amor máximo ao alto onde está o nosso Deus, o qual se expressa no culto verdadeiro e na escuta e obediência da Palavra, este amor vertical. O amor horizontal é o amor dirigido ao próximo que caminha conosco e é imagem de Deus que encontramos nele o próprio Cristo. Tudo isso estava escrito na Lei.

Amar a Deus e ao próximo é muito difícil nos dias de hoje, pois exige a experiência da prática caritativa de amor ao outro sem que ele nos ame. Jesus no ensina a transcender os sentimentos. Amar exige decisão. Esse amor que Jesus nos fala também é dirigido aos que não conhecemos pessoalmente, tais como os doentes nos hospitais, os presos, o povo da rua e os carentes. É neles que está escondido o Cristo crucificado pelos pecados humanos. Aqui, lembramos sobre o amor a Cristo no próximo, especialmente no faminto, no estrangeiro, no indigente, no doente, no prisioneiro (cf. Mt 25,35-36).

Que o Espírito Santo nos fortaleça para que amemos a Deus e também o próximo, como uma experiência profunda do amor total a Cristo, nossa rocha e Salvação.

***

[1] Os 613 preceitos era uma lista de obrigações e proibições elaboradas pelos rabinos do tempo de Jesus a a partir da Sagrada Escritura. Eram 365 (como os dias do ano) proibições e 248 (como os membros do corpo) de ações a serem cumpridas (cf. ARMELINI, Fernando. Celebrando a Palavra: Ano A, Mateus. São Paulo: Ave-Maria, 2014, 9 ed. p. 366-371).

 

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Amar a Deus e ao Próximo

Por que mentirmos,
Querendo amar a Deus que não vemos,
Deixando de lado os que conhecemos,
Numa atitude de bom cidadão,
Trazendo para si a ilusão,
E num culto vazio permanecemos?

Por que um agir pela metade?
Muitas vezes no ativismo afogado,
Deixando a Deus quase de lado,
Beirando assim o extremismo,
Caminhando quase no abismo.
Sem antes ter meditado?

O Senhor nos ensinará,
Que amar a Deus e ao irmão,
Não há erro nem contradição,
É o amor mais correto,
Verdadeiro e completo,
Que nos leva a salvação.

O Senhor também nos ensina,
Que seu amor é transcendente,
Para com o irmão diferente,
Sem nada descriminar,
Para poder lhe conquistar,
No agora, no presente.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos motiva amar a Deus com toda a força e com toda a inteligência e ao próximo como a si mesmo, ilumine o seu caminho! ***

 

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XXIX Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

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Leituras: Is 45,1.4-6; Sl 96(95); 1Ts 1,1-5b; Mt 22,15-21

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

O que é de César e o que é de Deus?

Mt 22,15-21

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o mistério pascal da Liturgia do XXIX Domingo nos motiva a ofertar o melhor a Deus sem deixar de lado as obrigações terrestres. E o Evangelho para esta Liturgia está em Mateus 22,15-21, sequência do Domingo passado.

Nesta passagem, Mateus nos apresenta as autoridades judaicas tentando colocar Jesus em contradição (cf. Mt 22,16). Para isso, questionam a Jesus sobre a licitude do tributo a César. A resposta de Jesus se tornou como que um lema para os cristãos justificarem o papel da religião e o do poder político, ou seja, separar as coisas.

“Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,20). O que entendemos e como nos posicionamos sobre esta máxima evangélica? Podemos nos perguntar: o que pertence a Deus? A Deus pertence o ser humano e toda a Criação. Deus, que é amor, é fonte da justiça e da misericórdia. Por isso, Ele também é a fonte de tudo que o homem quer realizar de bom (para si, para o próximo e para mundo). Deus é único e só a Ele deve-se prestar culto (cf. Is 45,5). Os homens, mesmo os mais poderosos, serão sempre criaturas limitadas diante da grandeza de Deus. O homem, mesmo querendo ocupar o lugar de Deus, nunca agirá como Ele. Deus está acima de tudo o que é realização humana, com suas pretensões e motivações.

Agora, perguntemo-nos o que é de César? Podemos interpretar como sendo a administração das coisas deste mundo. Por exemplo, no tempo de Jesus, os impostos eram pagos ao imperador, que se considerava uma divindade. Os pobres viviam explorados pelos altos impostos (que também beneficiava os judeus ricos) e que não eram revertidos para a dignidade e a justiça social.

Hoje não é diferente. Há tantos “césares” que exploram nosso dinheiro. Por isso que os cristãos, sendo sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13), devem se posicionar na dinâmica política, a qual, na sua origem, tem o bem comum como objeto de trabalho. Deus quer que todos tenham vida digna. Compete ao poder político (e também aos ricos) acabar com a fome que atenta contra a digna das pessoas. Cabe aos cristãos pregarem a verdade, alertando e denunciando as injustiças cometidas pelos poderes políticos.

A Eucaristia tem a ver com o mundo além das paredes da Igreja. Nossa presença nas missas deve nos motivar a zelar por aquilo que é de Deus, para que o que é de “César” não tome o lugar das realidades divinas, ou ainda, para que não nos acomodemos e aceitemos as imposições dos poderes políticos que, de certa forma, fazemos parte.

Alimentemo-nos da mensagem de São Paulo aos tessalonicenses em que diz “diante de Deus, nosso Pai, recordemos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 1,3). Que a alegria do Evangelho não seja abafada pelas injustiças e pelos discursos tendenciosos e enganosos. E que a fé, a esperança e a caridade estejam presentes nos corações humanos.

 

***

 

⇒ POESIA ⇐

Somos de Deus

A Deus toda nossa vida,
Porque somos todos Seu,
Não somos do poder do mundo,
Nem dos políticos “fariseus”,
Somos filhos muito amados,
Em Cristo todos banhados,
Vida nova Ele nos deu.

A Deus tudo o que existe,
Desde a sua Criação,
A natureza e o homem,
A justiça, a salvação,
A vida e a dignidade,
Amor e fraternidade,
Que geram a comunhão.

A Deus a Palavra santa,
Trazendo-nos o ensinamento,
Que alerta a cada filho,
A tê-la como alimento,
Pra o Evangelho anunciar,
Soltar a voz e denunciar,
Tudo que é sofrimento.

A César somente o que é seu,
Mas Deus sendo o primeiro,
Porque tudo Ele criou,
E nos faz os seus herdeiros,
Para os seus bens, o cuidado,
E os “césares” são subordinados,
Por isso são derradeiros.

São tantas as injustiças.
Dos governos atuais,
Dos recursos desviados,
Pelos esquemas mortais,
Surgem então os sofrimentos,
E o mundo em detrimento,
Padecendo sempre mais.

Somos todos convocados,
Para o Evangelho pregar,
Anunciando sempre a vida,
Que vem em primeiro lugar,
E sairmos em missão,
Vivendo a evangelização,
Com nosso profetizar.

Que a santa Eucaristia,
Venha nos dá a coragem,
De trilhar a santidade,
Buscando ser sua imagem,
E possamos oferecer,
Nossa fé, nosso viver,
Pregando a santa mensagem.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos motiva a zelar por aquilo que é de Deus sem ignorar nossas obrigações com os “césares”, ilumine o seu caminho! ***

 

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