XV Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

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Leituras: Is 55,10-11; Sl 65(64); Rm 8,18-23; Mt 13,1-23

 

⇒ HOMILIA ⇐

O Semeador Divino

Mt 13,1-23

 

Meus irmãos e irmãs, celebramos hoje o mistério pascal apresentado pela liturgia do XV Domingo do Tempo Comum. Contemplemos o mestre sentado às margens do mar para ensinar, lançando sementes do Reino. E o Evangelho deste Domingo está em Mateus (cf. 13,1-23).

Jesus usa uma parábola para nos contar que um semeador (Deus) vem jogar a semente (a Palavra) nos diversos terrenos (coração do homem) para que fecunde e produza frutos (amor, paz e comunhão). De acordo com o teólogo Armellini, a colheita não depende tanto da semente e do semeador, mas da qualidade da terra (o coração do homem). Se estiver duro como um chão batido o Evangelho não penetra; se é inconstante a semente cai como numa pedra logo germina, mas é queimada pelo sol; se é inquieto diante das circunstâncias a semente é sufocada; se é um coração bom produz frutos em abundância[1].

Em cumprimento à profecia de Isaías (cf. Is 55,11), quando a semente é plantada em nossos corações, a Palavra do Senhor produz ações transformadoras. Faz nascer em nós a esperança para caminharmos como missionários, também semeadores do Reino de Deus. Em nosso apostolado, às vezes, temos a impressão de que semeamos em terreno estéril. Esta foi a mensagem de Jesus: É preciso continuar anunciando, sem prejulgamentos, mesmo que não enxerguemos os resultados. Fazendo a nossa parte, perseverando na semeadura, muitos acolherão e deixarão que algo possa nascer e dar bons frutos. Principalmente em nosso mundo, tão marcado por falta de esperança, pelo individualismo, pelas diversas formas de violência. Um tempo carente de Paz e de união entre os filhos de Deus e ainda comandado por diversas ideologias que manipulam as riquezas e tentam impedir que a mensagem e os frutos de vida nova possam acontecer.

Como nos fala São Paulo, a autossuficiência do homem se confunde com a liberdade e a autonomia em busca da vida e da fraternidade (cf. Rm 8,20). O apóstolo também nos diz que a fuga e/ou a falta de acolhimento à Palavra de Deus, como semente que traz nova vida, causa sofrimento à humanidade (cf. Rm 8,22). Sendo assim o que vale então a liberdade em não acolher o bem?

Somos, muitas vezes, esse terreno batido, pedregoso, espinhento, árido que dificulta a semente que quer transformar nossas vidas, fecundar as virtudes da alegria e da esperança e, como consequência, a salvação. Lembremos que a semente é a mesma, o que muda neste processo é a predisposição de receber ou não a Palavra semeada. Somos chamados a preparar o nosso terreno (nosso coração) para acolher a semente que não volta vazia sem antes realizar tudo que for da vontade de Deus (cf. Is 55,11).

A Igreja, portanto, precisa de semeadores que levem a Palavra aos diversos corações. Somente com o testemunho de terreno que acolhe a palavra podemos colaborar com a semeadura que Cristo nos pede.

Agora, olhemos para Maria e José que se fizeram terrenos bons para acolher a encarnação do Verbo e sua semente em favor da salvação. Por isso se tornaram colaboradores da salvação para aqueles que vieram antes como Adão, Noé, Abraão, Isaac, Jacó, José do Egito, Moisés, juízes e profetas. Também contemplemos e veneremos os Apóstolos, os discípulos e as santas mulheres que deixaram a voz do Senhor ressoar em seus corações, acolhendo as exigências do convite para continuarem a semeadura do Reino de Deus, se tornando sinais vivos do Evangelho no mundo.

E por fim, olhemos para todas as pessoas que se deixaram tocar pelo chamado de Cristo nos dias atuais e são testemunhos do Senhor nas diversas opções de vida cristã: missionários(as), consagrados(as), ordenados, celibatários(as), casados e tantos jovens disponíveis a semear a palavra do Senhor com a boca e o coração em favor da vida e da salvação das almas.

***

[1] Cf. ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra: Ano A. 9 ed. São Paulo: Ave Maria, 2014, p. 274-275.

 

***

⇒ POESIA ⇐

Palavra Semente

Palavra,
Que se fez carne,
Veio à terra e se fez humana,
No homem fez o seu templo,
E ascendeu-lhe uma nova chama.

Palavra,
Que vem de mansinho,
Semeada com amor,
Quase sem ser percebida,
Mas cheia de muito vigor.

Palavra,
Semente do Reino,
Evangelho semeado,
Nos mais diversos terrenos,
Para serem fecundados.

Palavra,
Que se espalhou,
Entre as pedras ou espinhos,
Grão da vida em terra boa,
Também a beira do caminho.

Palavra,
Que se faz esperança,
Na alma de tanta gente,
Na vida do dia a dia,
Alimenta a fé do crente.

Palavra,
Que fortifica a caminhada,
Nos fazendo alegria
Dá-nos força e muita paz,
Retoma nossa harmonia.

Palavra,
Semeada em nós,
Cristo, o semeador,
O Evangelho em nossas vidas,
Por obra do seu amor.

Palavra,
Que se faz partilha,
Que ecoa e é doada,
Aos ouvidos e à boca,
Da assembleia convocada.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, o semeador divino, ilumine o seu caminho! ***

 

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XIV Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

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Leituras: Za 9,9-10; Sl 144(145); Rm 8,9-11.13; Mt 11,25-30

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

A Palavra de Jesus é um jugo suave

Mt 11,25-30

 

Meus irmãos e irmãs, celebramos hoje o mistério pascal apresentado pela liturgia do XIV Domingo do Tempo Comum, que ressoa em nossos ouvidos o chamado libertador de Jesus: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.” (Mt 11,28). Diante deste chamado, contemplamos o quão maravilhoso é o nosso Deus que, em vez de nos impor obrigações e tecer, nos oferece descanso e refúgio. Neste sentido o Senhor nos leva também a nos perguntar: O que causa os nossos sofrimentos? Quais nossos fardos? E o Evangelho deste Domingo está em Mateus (11,25-30).

Naquele tempo, Jesus percebeu o cansaço dos galileus – trabalhadores da roça, pescadores, mulheres. Eram oprimidos com o jugo do Império Romano em consonância com as autoridades judaicas. Viviam e sofriam às margens sociais e econômicas. Eram julgados pelo peso das tantas normas religiosas e políticas. As palavras simples de Jesus chegavam àquelas pessoas, porque ele se compadecia do cansaço e dos pesados fardos de seu povo. Suas palavras curavam, aliviavam o sofrimento, faziam muita gente tomar uma nova direção em suas vidas, encontrando o sentido de sua existência.

Também sentimos, muitas vezes, o cansaço como consequência do dia a dia. O tempo é pouco na nossa rotina, impossibilitando o descanso e o alimento do Espírito. E assim, dificilmente, nossas férias oferecem descanso e relaxamento. Somos oprimidos e sufocados por tantas obrigações às quais nos impedem do encontro restaurador conosco, com Deus e também com o outro. Precisamos buscar no Senhor o nosso repouso e a vida de verdade. Muitas vezes nos afogamos no ativismo e no barulho, obstáculos para o rezar e o meditar sobre o sentido de nosso existir.

Outro aspecto que podemos também refletir inspirado neste Evangelho dês XIV Domingo do Tempo Comum é que, na atualidade, também sentimos o peso das leis de morte, de opressão, de mentiras que maltratam os pobres (os pequeninos), colando o fardo da fome, do desemprego e da desigualdade social. Além da corrupção que massacra grande parte da população mundial. Como nos diz o papa Francisco: “os pobres são os primeiros a sentir os efeitos da corrupção.”[1]

E diante da mensagem de Jesus, de que seu jugo é suave e o seu fardo é leve (cf. Mt 11,30), podemos entender que a primeira e a principal lei de Cristo é o amor e a misericórdia, um messianismo diferente, mas que já havia sido predito pelos profetas como nos indica a primeira leitura desta Liturgia (cf. Zc 9,9-10). Deus acolhe a pessoa como ela é, nas suas fragilidades e angústias para depois propor o caminho, que é libertador e salvador. O jugo leve é esta forma de Jesus pregar o Reino no mundo. Jesus acolhe com amor, cuida das feridas e restaura os que o buscam ou os que são chamados por ele.

Os discípulos de Cristo foram os primeiros a serem cuidados por ele e iniciaram um processo de um novo caminhar. Eles são os pequeninos a quem Jesus se dirige e quer que encontrem segurança e repouso. Os pequeninos foram escolhidos no meio do povo, homens simples, mas abertos à mensagem do Reino.

Os batizados tem o Espírito de Cristo (cf. Rm 8,9) e vivem na certeza de que o nosso Deus é amor e humildade e nos ensina a vivermos neste mundo. Também como cristãos somos agraciados pela força do Senhor que nos deu vida nova. Nele, aliviamos nossos fardos diários, quando somos alimentados pela Palavra e pela Eucaristia. Porque o Senhor “sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou” (Sl 144,14). Amém.

***

[1] PAPA FRANCISCO. Papa: os pobres são os primeiros a sentir efeitos da corrupção. Disponível em: <http://br.radiovaticana.va/news/2017/06/30/papa_os_pobres_s%C3%A3o_os_primeiros_a_sentir_a_corrup%C3%A7%C3%A3o/1322324>. Acesso em: 7 jul. 2017.

 

 

***

⇒ POESIA ⇐

O descanso com o Senhor

 

“Vinde a mim os que estão cansados”,
Diz o Senhor a nos acolher,
Pois sua Palavra é luz a nos fortalecer,
Faz nascer a esperança e traz o ardor,
Quer que vençamos as fadigas a nos invadir,
Para superarmos o cansaço e assim prosseguir,
Nesta vida alimentada pela fé e o amor.

“Aprendei de mim que sou manso e humilde”,
Outro convite que nos vem ressoar,
Porque sua mensagem nos vem libertar,
Tirando o cansaço que a vida quer nos trazer,
Para caminharmos rumo a libertação,
Vivendo a cura do nosso coração,
Que no Senhor quer se converter.

Tomai sobre vós o meu jugo,
É a promessa segura que vem do Senhor,
Julgamento realizado pelo seu amor,
Que alivia o peso da condenação,
Pois sua lei é para a liberdade,
Realiza-se pelo cuidado e pela caridade,
Buscando tirar todos nós da perdição.

Sou manso e humilde de coração,
Esta é a atitude do Mestre a nos ensinar,
Ação do Santo Espírito a nos iluminar,
Que mora em nós e nos dá a vida,
Porque o que atrai é a humildade,
Prática de quem busca a santidade,
E quer ser um porto de acolhida.

Só no Senhor o repouso completo,
Que nos preenche e nos dá sentido,
Deixando nosso ser fortalecido,
Quando nas labutas da peregrinação,
Precisamos parar em nossa estrada,
E quando vem o cansaço da jornada,
Consequência do caminhar na missão.

Seja o Senhor o alimento procurado,
Quando paramos para nos abastecer,
Acolhendo a Palavra a nos preencher,
Sentando-se à mesa da fraternidade,
Para partilhar da santa refeição,
Comida e bebida que gera união,
Que sustenta a vida da comunidade.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que é manso e humilde de coração, ilumine o seu caminho! ***

 

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XII Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

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Leituras: Jr 20,10-13; Sl 69(68); Rm 5,12-15; Mt 10,26-33

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

Não ter medo de anunciar

Mt 10,23-33

 

Meus irmãos e irmãs, estamos no 12º Domingo do Tempo Comum, quando a Liturgia da Palavra nos apresenta o texto do Evangelho de Mateus (Mt 10,26-33). “Não tenhais medo dos homens… Não há nada que esteja escondido que não seja revelado” (Mt 10,26). s poderes do mundo tentam esconder suas tramas e seus planos, mas o Evangelho é luz na escuridão, pois ilumina e faz aparecer a verdade que está escondida.

As consequências da pregação nem sempre são as multidões em louvores ou as igrejas cheias. Muitas vezes é viver em meio ao medo e às fugas. Para isso, precisamos buscar a coragem e a luz no Espírito Santo para seguirmos. Ser discípulo é, em muitos momentos, viver o desprendimento, a entrega total da vida e caminhar também ao encontro da morte do corpo material. Na história cristã, muitos entregaram seu corpo através do batismo de sangue (martírio), por que, pela vivência da dimensão profética, colocaram toda sua esperança e força em Cristo.

Ao apresentar a proposta do Reino Divino, em diversos momentos, podemos até encontrar hostilidade e perseguição, pois a Palavra semeada traz provocações contra as ideologias que estimulam a opressão, a alienação, a manipulação e o relativismo.

Esta Liturgia nos vem mostrar que viver o Evangelho também traz sacrifícios em favor de um propósito. Deixar que a luz da Palavra ilumine a vida das pessoas para não serem manipuladas pode causar a intriga e a perseguição por parte dos ideólogos da opressão e da manipulação.

O profeta, Jeremias nos apresenta um destino daqueles que lutam pelo bem comum das pessoas, que sofrem com a iminente invasão do rei da Babilônia. Diante da opressão ele grita e lamenta: “Eu ouvi as injúrias de tantos homens e os vi espalhando o medo em redor: denunciai-o, denunciemo-lo” (Jr 20,10). Este texto prefigura o Evangelho: ser profeta é perceber a realidade de sofrimento e denunciá-la, sem medo. Não podemos ficar alheios ao chão que pisamos. A Palavra de Deus deve nos ajudar em nossa percepção acerca dos que sofrem.

Devemos denunciar os frutos do pecado iniciados com o primeiro homem, o velho Adão. Pelo pecado entrou a morte (cf. Rm 5,12). Em Cristo, o novo Adão, somos inseridos na vida e na luta contra a morte eterna.

Na comunidade cristã deve reinar um ambiente de segurança e de coragem, pois ela deve está fundamentada pela alegria e pela força do Evangelho. Em contrapartida, a comunidade deve apresentar a misericórdia de Deus como o sinal de salvação.

Portanto, levemos ao nosso coração o conselho desta Liturgia: “O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutai ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!” (Mt 10,27). Que a experiência com a Palavra e a vida de intimidade com o Senhor nos faça proclamadores ao mundo no dia a dia de nossa missão.

E nos momentos de aflições e inquietações, nossa ou do próximo, elevemos nossa oração de confiança e entrega a Deus como nos reza o salmista: “Elevo para vós minha oração, neste tempo favorável, Senhor Deus! Respondei-me pelo vosso imenso amor, pela vossa salvação que nunca falha! Senhor ouvi-me, pois suave é vossa graça, ponde os olhos sobre mim com grande amor.” [Sl 69(68)]. Amém.

 

***

⇒ POESIA ⇐

O Evangelho vence o medo

 

Pregar o Santo Evangelho,
Não é status e honraria,
Mas um mandato exigente,
Que se vive a cada dia,
Muitas vezes vem o medo,
Que espanta a alegria.

Com Cristo vencemos o medo,
Das garras da perseguição,
Dos fortes maus-tratos terrenos,
Consequência da missão,
Dos fracassos e da morte
Que causam a desilusão.

Como discípulos amados
Queremos seguir em frente,
Vencer as tantas barreiras,
Que enfrenta o povo crente,
Porque Evangelizar,
É tarefa exigente.

Ser discípulos do Senhor,
Exige-se a doação,
Entregar-se a uma causa,
A favor da salvação,
Pregando sempre a verdade,
Com coragem e decisão.

Caminhar como cristão,
Com Cristo Nosso Senhor,
Vence-se o medo e a dúvida,
E afasta-se o temor,
Segue-se na segurança,
Numa trilha de amor.

A consequência do anúncio,
É também perseguição,
Pois o mundo distorcido,
Traz desprezo e opressão,
E assim os missionários,
Sofrem também a repressão.

Olhemos para os profetas,
Que foram ignorados,
Por pregarem a verdade,
Muitos foram torturados,
E nos reinos poderosos,
Os seus sangues derramados.

Que a Santa Comunhão,
Forte e vivo alimento,
Do discípulo caminheiro,
Seja sempre o alimento,
Dando força à vida inteira,
Em todos os seus momentos.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que orienta seus discípulos a vencerem o medo, ilumine o seu caminho! ***

 

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XI Domingo do Tempo Comum, Ano A, São Mateus

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Leituras: Ex 19,2-6a; Sl 99(100); Rm 5,6-11; Mt 9,36-10,8

 

 

⇒ HOMILIA ⇐

A missão do discípulo: curar, ressuscitar, purificar, expulsar o mal

Mt 9,36-10,8

 

Na liturgia da palavra deste 11º domingo do Tempo Comum, temos o texto de Mateus (cf. 9,36-10,8). O evangelista nos apresenta Jesus se compadecendo pela multidão, porque era como que ovelhas sem pastor (cf. Mt 9,36), pois aqueles que deviam conduzir o povo (fariseus, saduceus, mestres da lei, anciãos) estavam desprezando, hostilizando, explorando as ovelhinhas de Israel. A opressão era sentida em toda a dimensão social – seja religiosa, política, econômica.

É a realidade de opressão que provoca em Jesus a compaixão, que é sentir nas entranhas a dor do sofredor, percebendo não somente a necessidade de pão orgânico, mas, sobretudo, de libertação, de justiça, de dignidade humana.

Consequentemente, Jesus percebe a necessidade de verdadeiros anunciadores do Reino e pede que se faça a oração para que o dono da messe suscite mais operários (cf. Mt 9,38) da missão salvífica, não somente depois desta vida terrena, mas ainda aqui, para que o Reino de Deus, que é amor, se faça presente na fraternidade e na paz, espalhando a Boa-Nova por entre as ovelhas perdidas (cf. Mt 10,6). O mesmo povo que, pelas mãos de Moisés, recebeu de Deus a promessa da aliança e de sua fidelidade, agora é chamado a viver a Nova Aliança. Os Doze, chamados e, ao mesmo tempo, enviados, lembra as doze tribos da aliança no Sinai, depois da libertação do Egito.

Os eleitos vão com mensagem e missão específica: anunciar que o Reino está próximo, curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os espíritos maus (cf. Mt 10,8).

E nós, cristão de hoje, somos o povo da Nova Aliança, chamados a ter compaixão dos sofredores e a rezar para que novos evangelizadores respondam ao chamado para anunciar, com a vida, a Boa-Nova. O dono da messe continua contando com os bispos, os padres, os diáconos, os religiosos, os catequistas, os mesces, os leigos dos mais diversos apostolados, que vivem em meio a tantas doenças, violências, divisões maléficas que destroem famílias e demais relações humanas.

Podemos nos perguntar o que significou para os discípulos na Galileia e o que significa para os de hoje esta missão, a qual Jesus designou a todos nós batizados em seu nome.

Curar os enfermos é a atitude de libertá-los de tudo o que é contra a vida ou ajudar as pessoas a aceitarem as enfermidades irreversíveis, como um caminho de experiência e conversão espiritual. Ressuscitar os mortos como um processo de ajudar a reacender a esperança na vida de alguém em desespero existencial. Limpar os leprosos é a luta contra as impurezas que a mentira, a falsidade, as ações hipócritas constroem contra a humanidade; é trazer a verdade, a simplicidade, a justiça e resgatar a honradez. Expulsar os demônios é afastar tudo aquilo que é mal e que divide a vida das pessoas, combatendo a idolatria aos bens materiais e os apegos a tantas ideologias e interesses obsessivos.

Eis a missão amorosa da Igreja nos dias de hoje: fazer com que as doenças, as mortes, as lepras e os demônios sejam banidos da vida da humanidade. Fazer com que o Reino de Deus aconteça já na caminhada das comunidades, das famílias, dos grupos, dos movimentos e dos trabalhos missionários em favor da fraternidade e da paz.

Cristo é a razão da nossa existência. Por isso devemos buscar, constantemente a reconciliação com ele. São Paulo nos diz na sua carta aos Romanos: “Nós nos gloriamos em Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação.” (Rm 5,11). Cristo é misericordioso e se compadece por todos nós. Ele quer curar nossas doenças e feridas, limpar nossas lepras que tanto nos oprimem, nos ressuscitar para uma vida nova e expulsar o mal que nos afasta do caminho da Salvação. Amém.

 

***

⇒ POESIA ⇐

A missão dos discípulos de Jesus

 

Eis o tamanho da messe,
Que Jesus a contemplou,
Tendo compaixão do povo,
Quando aos discípulos chamou,
Pra levar a libertação,
Pela evangelização,
Que ele mesmo instaurou.

Pra curar todos os enfermos,
Jesus chamou seguidores,
Pra levar a libertação,
Das doenças e das dores,
Pra levar o amor e a vida,
Força e paz distribuídas,
Pelos anunciadores.

Pra ressuscitar os mortos,
Dos abismos e ilusões,
Pra renascer a esperança,
As forças e as motivações,
Pra trazer a divina coragem,
De Deus retomar a imagem,
E pulsar dos corações.

Pra expulsar as tantas lepras,
Jesus também nos envia,
Limpar as tantas feridas,
Que a muitos angustia,
As mentiras combater,
A hipocrisia vencer,
E espalhar a alegria.

Nosso Senhor Jesus Cristo,
Vendo ovelhas sem pastor,
Pede-nos pra que rezemos,
Pela missão do amor,
Construir libertação,
Anunciar a salvação,
Do Reino do Criador.

Que a Palavra e a Eucaristia,
Fortifique a nós cristãos,
Pra vivermos o dia a dia,
As obras da santa missão,
E o Reino anunciarmos,
Jesus Cristo comungarmos,
Isto sim, é comunhão.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que orienta seus discípulos na missão de curar, ressuscitar, purificar, expulsar o mal, ilumine o seu caminho! ***

 

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Santíssima Trindade, Ano A, São Mateus

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Leituras: Ex 34,4b-6.8-9; Sl Dn 3,52-56; 2Cor 13,11-13; Jo 3,16-18

 

⇒ HOMILIA ⇐

O nosso Deus é uma Comunidade Santa

Jo 3,16-18

 

Após o domingo de Pentecostes temos a solenidade da Santíssima Trindade, de suma muita importância para os cristãos. Esta celebração é um reconhecimento à particularidade que tem o Deus dos Cristãos. Nosso Deus é comunidade perfeita: Pai e Filho e Espírito Santo. O Deus dos cristãos não é solitário. Também não está distante; ele caminha conosco, como nos prometeu o próprio Jesus Cristo: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28,20).

Sendo Deus presente e que está em todos os momentos, ele também é misericordioso, cheio de compaixão e de infinito amor. É Deus Pai, fonte de tudo! Que criou o mundo, nos criou e quer continuar nos recriando, pela nossa conversão, pelo seu perdão, no seu caminho de salvação. É Deus Filho, que se encarnou e veio morar conosco, nos ensinando o mandamento novo do amor, o qual supera toda a Lei e toda manipulação do poder e da escravidão. É Deus Espírito Santo, que desde a Criação pairava sobre as águas, que falou pelos profetas, que veio a Maria para a encarnação do Verbo, que soprou sobre os apóstolos e fez nascer o novo povo de Deus, a Igreja, no dia de Pentecostes.

A comunidade cristã, os batizados, pertence à família de Deus. São filhos, membros do mesmo Pai, irmãos do único Filho, Jesus Cristo, e são animados pelo mesmo Espírito.[1] E todos devem contemplar a perfeição da Santíssima Trindade como modelo para a vida da Igreja.

O evangelista João nos fala na liturgia desta solenidade: “Deus não enviou seu filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,17). Muitas vezes temos uma compreensão que Deus se encarnou no mundo para ficar apontando os erros humanos a fim de condenar as pessoas de forma cruel.

O nosso Deus, Santo e Trino, não é um vigia, que fica de longe para ver nossos pecados, nossos erros. Em Jesus Cristo somos instruídos para o amor e para aprendemos a comunhão. Ele veio nos mostrar a face misericordiosa do Pai e nos ensinar como amar, perdoar e cuidar do irmão que carece de cura, de libertação e de pão. Primeiramente, nosso Deus é puro e perfeito amor.

O nosso Deus não é um castigador. Ele não castiga. Quem nos castiga é o nosso pecado, como consequência das nossas escolhas, porém às vezes equivocadas em relação ao caminho que o Senhor nos mostra. Quantas escolhas nós fazemos as quais nos levam às trilhas da perdição, do sofrimento, e às trevas do pecado. Quando reconhecemos os equívocos em nossa vida e queremos refazer o nosso caminho de volta à casa de nosso Deus, ele prontamente nos acolhe, vem e nos abraça nos devolvendo a dignidade de filhos inseridos na mesma comunidade de amor e perdão.

São Paulo, na sua segunda carta aos Coríntios, nos exorta com uma saudação muito comum em nossas celebrações: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13). Trata-se de uma saudação trinitária. É isso que devemos fazer em primeiro lugar, no início de nossos momentos de oração, em nossos encontros, nas nossas reuniões… Todos os cristãos, quando se encontram, devem ter a consciência de estarem na presença da Trindade Santa.

Que o Pai e o Filho e o Espírito Santo nos converta com a sua Palavra e o seu Corpo, a Eucaristia, e nos Anime com o fogo do amor corajoso, esplendor da verdade Santa a fim de vivermos nossa missão de sermos sal e luz do mundo. E com perseverança e a consciência de filhos do mesmo Pai, irmãos em Cristo, sejamos iluminados e fortificados pelo amor do Espírito Santo. Amém.

 

***

[1] Cf. ARMELLINI, Fernando. Celebrando a Palavra: Ano A. 9 ed. São Paulo: Ave Maria, 2014, p. 177-183.

 

 

***

⇒ POESIA ⇐

Santíssimo Deus Trinitário

 

Deus Santíssimo e amável,
Que nos reúne no amor,
Que fica próximo de nós
Para nos dá força e vigor,
Guiando os nossos caminhos.
Que não nos deixa sozinhos,
Origem, imagem e defensor.

Deus Santíssimo e presente,
Na História da Salvação,
Que conduziu o seu povo,
Guiando-o na compaixão,
Que trouxe os mandamentos,
Dando maná como alimento,
Em busca da libertação.

Deus Santo e misericórdia,
Perfeita comunidade,
Que vence o individualismo,
A ferir a humanidade.
Deus de nossa Salvação,
Que nos faz ser comunhão,
E viver a fraternidade.

Deus Santo e Encarnado,
Rosto humano se mostrou,
Que veio nos trazer a paz,
E a verdade nos ensinou,
Conosco veio morar,
A vida nova nos dar,
Por isso ressuscitou.

Deus da vida e a da Paz,
Três pessoas em união,
Que sempre vem nos mostrar,
A romper a solidão,
Vence as trevas do egoísmo,
É contra qualquer terrorismo,
E a favor da união.

Deus Santo que nos reúne,
Pra vivermos a unidade,
Pai, Filho e Santo Espírito,
Perfeita comunidade
No templo a nos ensinar,
Ao mundo a nos enviar,
A viva fraternidade.

 

***

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus Cristo, que nos mostrou a face misericordiosa de Deus, ilumine o seu caminho! ***

 

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XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO C – SÃO LUCAS

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Leituras: Ex 17,8-13; Sl 120(121); 2Tm 3,14-4,2; Lc 18,1-8

 

“O juiz iníquo e a viúva inoportuna” (1908), por Eugène Burnand

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

Oração perseverante

Lc 18,1-8

 

O evangelista Lucas (cf. 18,1-8) inicia o seu texto, neste 29º domingo do tempo comum, com mais uma parábola. Jesus “contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir” (Lc 18,1).

O sucesso na experiência de oração será exatamente quando houver a perseverança e a percepção da necessidade de sempre rezar. A oração, portanto, é este encontro com o Mistério Santo e Infinito, o nosso Deus Verdadeiro que está sempre pronto a nos encontrar e nos escutar.

Quando buscamos aprofundamento nos mestres espirituais, percebemos que rezar está muito além das petições, dos louvores, das fórmulas e dos textos decorados. A oração, portanto, é o diálogo livre com Deus, numa atitude de filhos, numa postura interior de total confiança e entrega aos braços divinos. Claro que quando rezamos a oração da Ave Maria e a oração do Pai Nosso não somente falamos palavras, mas buscamos, no nosso coração, orante o fundamento e o sentido maior destas orações para nós cristãos.

A parábola do juiz iníquo e da viúva inoportuna nos ensina também que se deve orar suplicando a Deus sem cessar, porque ele escuta o clamor dos seus filhos os quais confiam no seu amor, pois ele fará justiça à todos que lhes suplicam dia e noite.

No livro Êxodo (cf. 17, 12-13), temos a experiência de Moisés na sua luta contra o inimigo, pois, para vencer, precisou ser forte e até mesmo necessitou do apoio do povo que o ajuda a manter seus braços erguidos para continuar vencendo os amalecitas. Muitas vezes, nós também precisamos contar com a ajuda e as orações dos outros para nos mantermos firmes e obtermos a vitória. Portanto, temos um modelo de oração no sentido bíblico, para nos mostrar que é a fé no Deus verdadeiro, a perseverança e a força, também nossa, é que nos mantém vencendo o mal.

Diante destas reflexões podemos nos perguntar: Como está a minha experiência de oração pessoal e comunitária? Qual a qualidade dos meus momentos de encontro com Deus? A nossa oração também suplica a justiça de Deus em favor dos irmãos que sofrem descriminação, desprezo, desemprego e muitos outros sofrimentos?

Como cristãos, discípulos do Senhor, devemos sempre nos perguntar se a nossa vida está marcada por uma atitude de oração pessoal e comunitária, tendo como base a Eucaristia, a meditação da palavra do Senhor e a comunhão com os irmãos.

Devemos viver os momentos litúrgicos e eclesiais, como combustível que fortalece a nossa caminhada diária, na nossa vida familiar, no nosso trabalho, nas interações sociais, na vida de comunidade e na nossa missão de ser sal e luz, em vista de mundo mais fraterno e justo para os filhos e filhas de Deus.

Que neste mês das missões possamos refletir que sem a oração verdadeira o discípulo não terá sucesso na evangelização, pois a oração fortalece o missionário e, ao mesmo tempo, o coloca consciente de sua caminhada em meio a tantos desafios a serem superados.

 

***

⇒ POESIA ⇐

Necessitamos da oração

 

Deixemos que o Senhor
Ensine-nos a rezar,
Com sua Santa Palavra,
Que ensina e que encanta,
Que anima a nossa vida,
Nas chegadas e partidas,
Com sua força sem cessar.

Deixemos que o Senhor
Abra o nosso coração,
Com a força do seu amor,
Com o seu forte fervor,
Fazendo-nos perseverar,
Nossa vida a iluminar,
Em profunda oração.

Façamos com o Senhor
Nossa forte oração,
Sem medo, sem desanimar,
Sempre e sempre a caminhar,
Na vida missionária,
Na vida também solidária,
Com e para os irmãos.

Fiquemos com o Senhor
A cada passo realizando,
Numa presença constante,
Caminheiro e caminhante,
Amigos em sinceridade,
Diálogo de lealdade,
Sempre, sempre retomando.

Sejamos com o Senhor,
Discípulos perseverantes,
Caminhando na esperança,
Em oração de confiança,
Nos braços do Deus amado,
Entregues e em nada reservados,
Totalmente confiantes.

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus, Senhor e Deus, ilumine o nosso caminho ***

 

 

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XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO C – SÃO LUCAS

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Leituras: 2Rs 5,14-17; Sl 98(97); 2Tm 2,8-13; Lc 17,11-19

 

“Jesus com o leproso que voltou para dar graça”, por W. B. Hole (1846-1917)

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

Deus nos chama para ajudarmos na construção do seu Reino

Lc 17,11-19

 

Iniciemos a reflexão da liturgia deste 28º Domingo do Tempo Comum com uma pergunta que nos ajudará na meditação do evangelho de Lucas (17,11-19): Até que ponto somos capazes de agradecer a Deus pelas tantas graças (curas) que ele realiza em nós e por nós?

A fé e a gratidão são duas chaves, entre outras, da liturgia que celebramos neste 2º domingo do mês missionário. O Evangelho nos fala dos dez leprosos que foram curados por Jesus e que depois somente um vem aos seus pés bendizê-lo pela cura. Este, por sua vez, era um samaritano. Os samaritanos eram inimigos dos judeus.

Podemos nos perguntar, por que o evangelista Lucas, nos seus textos, nos apresenta figuras fora da cultura judaica. A resposta é simples: o evangelista quer nos comunicar que a salvação é para todos os homens, basta que estes reconheçam e acolham, pela fé, o poder e ação salvadora de Deus em suas vidas. Isto aconteceu com aquele samaritano, que, recebendo a cura, volta para o Senhor e numa atitude de fé prostra-se aos seus pés e agradece não somente pela restauração física, mas também pela cura total do homem, que é a salvação.

No 2º livro de Reis, podemos comprovar uma atitude muito parecida com a do samaritano. Naamã o sírio, aconselhado pelo profeta Eliseu, foi mergulhar no Jordão sete vezes. Ele volta curado. Mas não somente para agradecer, senão também para reconhecer que há um só Deus que atende ao pedido dos seus filhos: “Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel!” (2Rs 5,15b).

A atitude de voltar sempre para agradecer a Deus pelo seu imenso amor deve ser própria dos cristãos. Talvez não tenhamos noção do quanto Deus age em nosso favor, o quanto ele nos livrou dos perigos, o quanto ele nos alimenta na nossa caminhada e como é grande a sua misericórdia por nós. Para isso, basta que queiramos receber suas graças e o perdão que vem ao nosso encontro com imenso abraço de Pai.

Gratidão é o que precisamos exercitar no nosso cotidiano: gratidão pela vida de cada dia, por cada nascer do sol, a cada manhã, pelo encontro com os irmãos em cada momento de nossa vida, por nossos familiares, pelos nossos amigos, pela comunidade que nos faz fraternos, pelo nosso trabalho, pela coragem de enfrentarmos as adversidades da nossa existência e pelo imenso amor de nosso Deus que nos faz irmãos e seus filhos.

Portanto, gratidão é o gesto de querer voltar a Deus, sempre para a ação de graças (missa), para a escuta da sua Palavra que nos orienta no nosso caminhar, para (confissão) que nos cura e nos coloca no nosso processo de conversão e para a mesa (eucaristia) que nos alimenta no dia-a-dia, rumo à eternidade.

Neste sentido podemos lembrar a segunda leitura quando São Paulo nos diz: “Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negamos, também ele nos negará. Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.” (2Tm, 2,12-13).

Neste mês missionário voltemo-nos para o Senhor que caminha conosco e quer nos curar das enfermidades materiais e espirituais. Ele quer que façamos parte do seu rebanho, quer a nossa colaboração na construção do seu Reino, “porque ele fez conhecer a salvação e às nações revelou sua justiça” (Sl 98/97), pois seu amor e seu reino são para todos os homens. Ele nos chama para este projeto universal e santo a cada momento.

 

***

⇒ POESIA ⇐

A fé e a gratidão do discípulo

A fé nos dá o retorno
Para o abraço do Senhor,
Quando muito agraciados,
Por seu imenso amor,
Pois a cura será completa,
Quando a vida for repleta,
Das graças do Salvador.

Um retorno agradecido,
Pela cura operada,
Quando as tantas feridas
Já estiverem fechadas,
E então levantaremos,
E firmes prosseguiremos,
Com a vida agraciada.

Nossa salvação completa,
É nossa cura total,
A alma purificada,
E o corpo sem o mal,
Uma vida santificada,
Pra seguir a caminhada,
Ao reino celestial

Para seguir o Senhor,
Devemos agradecer,
Pelas suas santas bênçãos,
Que estão a acontecer,
Pois não temos nem noção,
Das graças que nos virão,
Para nos fortalecer.

É bom sempre retornar,
Com gesto de gratidão,
Pelo pão na mesa santa,
E a vida em comunhão,
Viver a gratuidade,
Construir a unidade,
Em Deus e com os irmãos.

A fé é a grande chave,
Que nos faz sempre voltar,
Para ouvir a Palavra santa.
E o pecado confessar,
E também a perceber,
Tantas curas acontecer,
Nesse nosso caminhar.

Obrigado, ó Senhor,
Por seu corpo em alimento,
Pelos imensos milagres,
Sua Palavra, o sustento.
Pois sua santa caridade,
Sua Paz, sua bondade,
Cura nossos ferimentos.

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus, Senhor e Deus, ilumine o nosso caminho ***

 

 

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XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO C – SÃO LUCAS

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Leituras: Hab 1,2-3;2,2-4; Sl 94(95); 2Tm 1,6-8.13-14; Lc 17,5-10

 

“A exortação aos apóstolos” (1886-1894), por J. Tissot

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

Aumentando a fé na caminhada

Lc 17,5-10

 

O Evangelho deste 27º domingo do tempo comum inicia exatamente com uma forte súplica dos apóstolos a Jesus: “Aumenta a nossa fé!” (Lc 17,5).

Os apóstolos caminham com Jesus para Jerusalém e, depois de terem ouvido sobre a misericórdia, a pobreza e a riqueza, sentem o desafio e as possíveis barreiras a serem enfrentadas no apostolado.

E Jesus, vendo aquela fé “infantil”* dos apóstolos, vinda da tradição do antigo povo de Israel, responde: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria.” (Lc 17,6).

Na caminhada com o Mestre, os apóstolos necessitavam de aumentar fé, pois a experiência de segui-lo em missão exigia um compromisso maduro e mais concreto, baseada numa resposta consciente de cada seguidor, a cada dia, a cada desafio, a cada crise. Caminhar com Jesus não era mais como seguir a tradição dos mestres da lei, que muitas vezes impunha normas e preceitos sem adesão das pessoas.

Para seguir o mestre exigia-se novas atitudes de vivência religiosa, e desta vez concreta e encarnada na vida, no contato com os doentes, com os pobres e com os marginalizados, também no embate com as lideranças políticas e religiosas daquela época. Isso exigia que a fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, precisaria crescer, ter força de transformação, de movimento e de mudanças consistentes na vida de cada apóstolo.

Estas palavras de Jesus nos leva a refletir que talvez precisamos suplicar uma fé que seja mais sólida e que tenha a força das palavras do evangelho, maior do que a fé infantil absorvida, mas necessária, nos primeiros anos de catequese. E então podemos pedir: Senhor, aumenta a nossa fé, qualifica a nossa fé, torna a nossa experiência com o Senhor cada vez mais autêntica, como aquela que transformou a vida dos primeiros seguidores do Caminho, mesmo que ela seja tão pequena quanto um grão de mostarda.

E Jesus nos ensina sobre a nossa posição de servos: “quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’.” (Lc 17,10). Neste sentido, é o crescimento de nossa fé como discípulos do Senhor que nos faz nos reconhecermos como servos inúteis ou simples servos.

Crescer na fé é uma graça que vem de Deus. Servir ao Senhor não nos dar o direito aos merecimentos, às honrarias, mas de bem-aventurança por fazermos um caminho de discipulado para como o Senhor e nos convertermos e ganharmos o Céu. Vivemos num mundo que estimula os méritos. Ser discípulos é se colocar na contramão desta concepção de merecimentos humanos. Ser um simples servo é ser discípulo em gratuidade e agradecimento por caminhar com Jesus e colaborar com o seu Reino e no anúncio de sua Boa-Nova.

Na primeira leitura podemos constatar um diálogo entre o profeta Habacuc e Deus, que poderá nos ajudar nesta compreensão da experiência da fé. O profeta se queixa de tantos sofrimentos a sua frente, pois ele já não compreende porque tantos problemas a sua vista e aparentemente sem soluções. E Deus lhes responderá no final: “Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé.” (Hab 2,4). O justo viverá pela sua fé, este é o segredo.

Na segunda leitura, São Paulo, na carta a Timóteo, nos exorta a vivermos sem medo ou timidez nesta estrada do Senhor: “Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade.” (2Tm 1,7). O discípulo do Senhor não pode caminhar na insegurança, nem no medo. Ele deve carregar no coração a esperança, e como servo inútil buscar viver a sua fé numa dinâmica de crescimento do mandato recebido.

E no início do mês missionário e do Santo Rosário, peçamos ao Senhor que aumente o nossa fé e o nosso entusiasmo na missão. Também o nosso compromisso na evangelização, caminhando com Ele na construção do seu Reino. Mesmo reconhecendo que a nossa fé seja tão pequena quanto um grão de mostarda, supliquemos ao Senhor que qualifique a nossa confiança, pois somos servos inúteis e necessitamos sempre da Graça de Deus e, ao mesmo tempo, incapazes de corresponder plenamente ao que o Senhor nos favorece, porque seu amor além de ser incalculável é gratuito. Amém.

———-

* A expressão “infantil” nos remete à uma vivência de adoração a Deus anteriormente a encarnação do Filho. Essa noção pode ser lida em Pagola (O caminho aberto por Jesus: Lucas. Petrópolis: Vozes, 2012, pp. 279-285).

 

 

***

⇒ POESIA ⇐

Os caminhos da fé

Em missão vão os discípulos,
Junto ao Senhor que tanto os ama,
Suplicam a fé em quantidade,
Para que não se apague o fervor da chama,
Que se acendeu quando Ele os chamou,
E continua acessa por onde Ele caminhou,
Mas que por um momento já não inflama.

Ao perceberem os desafios do caminhar,
Pedem a fé para perseverar,
A confiança na rocha firme que é o Senhor,
Para na missão com pés firmes continuar,
Sem medo, sem desconfiança,
Mas na obediência e na esperança,
Que com o Senhor não irão desandar.

Hoje somos nós os seguidores,
Que pedem o dom da esperança e da alegria,
Com o peito marcado pelo fervor
Nas noites escuras e, mas também ao dia,
Buscando ouvir a palavra como alimentação,
Querendo viver sem desolação,
E seguindo a Luz que sempre alumia.

O Senhor nos chama a sempre caminhar,
E nos dá o seu corpo que nos fortalece,
Nos chama a viver na comunhão,
Acolher seu amor que nos enternece,
E o Santo Espírito sempre acolher,
Que a nossa vida quer aquecer,
Numa firme busca que se oferece.

E nesta vida de peregrinação,
Como servos inúteis vamos andando,
Aos passos lentos procurando entender,
Tudo que o Senhor vai nos ensinando,
Como na fé a gente vai crescendo,
Mesmo que no momento não entendendo,
Porque a vida santa se faz caminhando.

 

 

*** Que a Palavra e a Luz de Jesus, Senhor e Deus, ilumine o nosso caminho ***

 

 

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XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO C – SÃO LUCAS

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Leituras: Am 6,1a.4-7; Sl 145(146); 1Tm 6,11-16; Lc 16,19-31

 

(1) “O pobre Lázaro à porta do mau rico”; (2) “O mau rico no inferno” (1886-1894), obras de J. Tissot

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

No amor de Cristo, vencemos os abismos entre os irmãos

Lc 16,19-31

 

O Evangelho do 26º domingo do tempo comum, que está em Lc 16,19-31, nos traz a parábola do rico avarento e do pobre Lázaro. Jesus fala sobre duas realidades que envolvem o homem: a riqueza e a pobreza. Um homem rico que se vestia de vaidade, com belas e caras roupas. Do outro lado, o pobre Lázaro ao chão, estava ferido, faminto e esfarrapado, diante da porta do rico (cf. Lc 16,19-21).

A segunda cena deste Evangelho já não é mais no plano terrestre. Lázaro encontra-se “junto de Abraão” (Lc 16,22) enquanto que o rico está na “a região dos mortos, no meio dos tormentos” (Lc 16,23).

As realidades se invertem: Lázaro que padeceu na terra, está agora gozando da paz e da harmonia, porque mesmo vivendo na extrema miséria, confiou totalmente na Graça divina. O rico, que não soube usar dos seus bens para se aproximar e ajudar os outros, pecou pela indiferença, agora está nos tormentos.

Vejamos que, de forma mesquinha, o rico pede uma gota de água para refrescar a sua língua, como que não acreditando na abundância da Graça divina, e ainda mais: pede não pelos os homens que estão na terra, mas de forma egoística, apela pelos cinco irmãos. No seu abismo não há mais possibilidades de criar uma ponte para junto de Abraão (cf. Lc 16,26).

A riqueza na antiga Aliança por muitas vezes foi vista como benção de Deus, como prosperidade ao homem fiel à promessa. Por outro lado, a pobreza era como uma maldição e falta de benção e de prosperidade. Os tempos passaram e as riquezas materiais foram se tornando mais obstáculos para o homem do que possibilidades para que o mesmo prepare o seu caminho rumo ao paraíso eterno.

Atualmente, não parece que mudou muito estas duas realidades, entre ricos e pobres. Há um abismo enorme, quase intransponível, entre os filhos do mesmo Pai Divino. Ainda há muitas mansões e palácios luxuosos, ainda há muita ostentação e esbanjamento das riquezas materiais.

O pior é que ainda persiste o pecado da indiferença e do desrespeito para com a necessidade dos pobres. Há nas calçadas, nas ruas, nas portas, os famintos, os doentes, os sofredores, os excluídos. Eles clamam por comida, por assistência médica e por justiça social. Em suas situações de sofrimento, eles nos revelam e denunciam as feridas de um sistema desigual e excludente, criado pelo capitalismo do mundo pós-moderno e seus interesses lucrativos.

Diante disso, podemos nos perguntar: Como está a nossa atenção aos irmãos que estão na miséria, nas calçadas, feridos e sem a assistência que os humanos merecem? Como está a nossa relação com os bens materiais? As riquezas são possibilidades de aproximação ou de abismos para com o Reino de Deus?

O cristão é chamado a ser o agente de transformação desta realidade. Jesus nos chama a romper as portas da indiferença de nosso coração para construímos pontes de solidariedade, de justiça e caridade no mundo.

Podemos concluir, lembrando-nos do salmo desta liturgia, o qual mostra como Deus deseja que o homem trilhe pelo caminho do bem e ao mesmo tempo como ele protege os sofredores, pobres materiais e espirituais guiando-os na sua vida, porque ele reina e sempre vence o mal. “O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. Ele ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus. O Senhor reinará para sempre! (Sl 145/146). Amém.

 

 

***

⇒ POESIA ⇐

Abismos entre irmãos

Mundo de tantos altares,
Onde o dinheiro é adorado,
Onde tantos estão focados,
Nas coisas materiais,
Tornando-se desiguais.
Como Deus será amado?

Jesus nosso Salvador,
É quem nos traz a lição:
Vivermos sem ambição,
As coisas não adorar,
Mas somente administrar,
Para o bem do nosso irmão.

Servir somente ao Senhor,
Como único e verdadeiro,
Não sendo interesseiro,
Sem o outro corromper,
Mas a ele oferecer,
O Amor como primeiro.

Ser fiel no que lhe cabe,
Saber administrar,
Sem ao outro enganar
Viver com muito cuidado,
Para não ser condenado,
Quando Deus vier cobrar

Deus de amor Ressuscitado,
Curai nosso coração,
Pra não viver a ilusão,
De uma vida enganada,
Guia-nos na tua estrada,
Que nos leva a salvação.

Abençoai todos aqueles,
Que estão sempre a servir,
Amando sem oprimir,
Que sabem administrar,
O que Senhor lhe confiar,
E os irmãos vivem a unir.

Espírito Santo de amor,
Iluminai nosso viver,
Faz-nos esclarecer,
Cada passo desta estrada,
Nessa nossa caminhada,
Pois, o Céu queremos ver.

 

 

*** Que a Palavra e a Luz do Bom Pastor ilumine o seu caminho ***

 

 

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XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO C – SÃO LUCAS

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Leituras: Am 8,4-7; Sl 112(113); 1Tm 2,1-8; Lc 16,1-13

 

“O administrador desonesto” (1908), por Eugène Burnand

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

 

⇒ HOMILIA ⇐

Os discípulos de Cristo são os adoradores e servidores do único Deus

Lc 16,1-13

 

A Liturgia da palavra deste 25º domingo do tempo comum nos apresenta mais uma parábola de Jesus contada pelo evangelista Lucas (cf. 16,1-13). Esta parábola fala sobre o administrador infiel e esperto. Ele é alertado pelo seu patrão por praticar uma administração desonesta. Este administrador, refletindo sobre a sua demissão, usa uma estratégia para sair desta situação. Ele abre mão do seu lucro e desta forma consegue devolver o dinheiro que é do seu patrão. (cf. Lc 16,5-7).

Jesus elogia a esperteza daquele administrador e fala para seus discípulos: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas” (Lc 16,9). Para Jesus, o dinheiro injusto era aquele que os ricos ajuntavam à custa da exploração das pessoas. Porém, este dinheiro poderia ser usado a serviço da caridade e da vida dos pobres. Desta forma, os pobres, os bem-aventurados, poderiam acolher os ricos no Céu, porque estes colocaram suas riquezas a favor dos necessitados. Pois o Céu é daqueles que fizeram o bem e viveram a caridade na sua caminhada terrena (cf. Mt 25,34).

Jesus chama a atenção dos seus discípulos para que sejam fiéis no seguimento a Ele e na missão, pois eles serão administradores dos bens celestes e deverão carregar no coração a honestidade e a verdade da Palavra de Deus.

Na missão, os discípulos de Jesus deveriam também estar atentos com a mesma astúcia do administrador infiel, porém buscando a sabedoria do Espírito Santo para administrarem os bens do Reino. Em nossa caminhada cristã, precisamos também da sabedoria e da coerência, em virtude do nosso testemunho e do serviço ao Evangelho.

Jesus também ensina que o seu discípulo é aquele que é fiel nas pequenas e grandes coisas, as quais são colocadas sobre sua responsabilidade (cf. Lc 16,10). Também para ser discípulo é preciso que este ame a Deus como único Senhor (cf. Lc 16,13). O dinheiro pode ser cultuado como um deus (ídolo) com muitos altares erguidos por todos os lugares, pode ser adorado e confundir o homem na busca do bem maior de sua existência, que é o sentido da sua vida e seu papel no mundo.

O profeta Amós nos apresenta a situação de corrupção que já existia desde os tempos antigos: “E o sábado, para darmos pronta saída ao trigo, para diminuir medidas, aumentar pesos, e adulterar balanças, dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias, e para pôr à venda o refugo do trigo?” (Am 5b-6). Parece que o nosso mundo não mudou. Sempre existiu esta luta entre os filhos das trevas e os filhos da luz.

Hoje temos tantas situações parecidas com o que apresenta Amós, pois as fraudes comerciais, políticas e administrativas são visíveis. Nem sempre o dinheiro é usado a serviço das necessidades básicas e concretização dos direitos os quais as leis nacionais e internacionais exigem que os governantes devam cumpri-las.

Também fiquemos atentos ao que nos ensina São Paulo, na sua primeira carta a Timóteo: “Antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade. Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.” (1Tm 2,1-4). A nossa oração pelos que nos governam e o sincero propósito de crescermos na comunhão, na verdade e na honestidade, nos ajudará na construção do Reino de Deus, através do anúncio da Boa-Nova (Evangelho) ao mundo.

 

 

***

⇒ POESIA ⇐

Servir somente ao Senhor

Mundo de tantos altares,
Onde o dinheiro é adorado,
Onde tantos estão focados,
Nas coisas materiais,
Tornando-se desiguais.
Como Deus será amado?

Jesus nosso Salvador,
É quem nos traz a lição:
Vivermos sem ambição,
As coisas não adorar,
Mas somente administrar,
Para o bem do nosso irmão.

Servir somente ao Senhor,
Como único e verdadeiro,
Não sendo interesseiro,
Sem o outro corromper,
Mas a ele oferecer,
O Amor como primeiro.

Ser fiel no que lhe cabe,
Saber administrar,
Sem ao outro enganar
Viver com muito cuidado,
Para não ser condenado,
Quando Deus vier cobrar

Deus de amor Ressuscitado,
Curai nosso coração,
Pra não viver a ilusão,
De uma vida enganada,
Guia-nos na tua estrada,
Que nos leva a salvação.

Abençoai todos aqueles,
Que estão sempre a servir,
Amando sem oprimir,
Que sabem administrar,
O que Senhor lhe confiar,
E os irmãos vivem a unir.

Espírito Santo de amor,
Iluminai nosso viver,
Faz-nos esclarecer,
Cada passo desta estrada,
Nessa nossa caminhada,
Pois, o Céu queremos ver.

 

 

*** Que a Palavra e a Luz do Bom Pastor ilumine o seu caminho ***

 

 

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