SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Is 60,1-6; Sl 72(71); Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12

 

POESIA

CAMINHAR EM BUSCA DO MENINO

Seguindo a estrela de Belém,
Marcados pelo desejo de encontrar o Senhor
Vão os caminheiros do oriente,
Com o coração ardente,
Prontos para adorar,
E também para ofertar,
Os seus ricos e simbólicos presentes.

O encontro com o Deus menino,
Muda a direção dos curiosos caminheiros,
Seguem um caminho transformado,
As trilhas são de homens renovados,
Que vão levar a divina alegria,
Que pra eles antes não existia,
E agora é um sonho precioso realizado.

Também nós devemos seguir este caminho,
Via que nos leva até o Deus encarnado,
Para sermos discípulos com dons a oferecer,
Adorando o Senhor para na fé crescer,
Num caminho de evangelização,
Marcado pelo amor e a oração,
Convictos de um constante converter.

Não façamos como o rei tirano e solitário,
Que somente quis saber onde nasceu o Salvador,
Não se dispôs trilhar o caminho e até a ele chegar,
Pois teve medo de perder o seu lugar,
Mas o reinado do Senhor é diferente,
É de amor e para todos, como presente,
Para os que querem o encontrar.

Carreguemos o sentido da salvação universal,
Onde todos têm direito aos dons divinos.
Pois, todo homem é chamado à conversão,
De qualquer canto do mundo ou nação,
Basta abrir o coração a grande novidade,
Por que Deus veio morar na humanidade,
Para nos presentear com a salvação.

 

HOMILIA

Os magos do oriente são atraídos pela luz do Senhor

 

A Solenidade da Epifania[1] do Senhor nos traz o texto de Mateus, o qual nos conta o nascimento de Jesus em Belém. O Evangelista nos situa dentro do reinado de Herodes, o qual se sente ameaçado por tal acontecimento e procura encontrar o menino (cf. Mt 2,3).

Os especialistas nas escrituras (mestres da lei) localizam o texto do profeta Miquéias (5,1-4), que cita o nascimento do Messias em Belém. Em cena aparecem também os magos do oriente, que estão curiosos. Eles não têm as escrituras para decifrarem sobre o nascimento do Jesus, mas querem chegar até ele (cf. Mt 2,2). Herodes quer usar os magos para chegar até o menino, mas não consegue. No entanto, os magos são avisados em sonho para voltarem dessa grande jornada de busca e visita ao Messias por outro caminho (cf. Mt 2,12), para que Herodes não tenha a localização do Presépio.

A nossa reflexão mais importante deve se voltar para o significado da visita, das ofertas e da volta dos magos por outro caminho. Em primeiro lugar, a interpretação teológica nos ensina que os magos representam os gentios em sua diversidade racial, buscando e acolhendo a salvação universal que Deus através de seu Filho, Jesus Cristo, o Enviado.

Ir ao encontro do Menino significa a busca dos que querem encontrar-se com Deus. O texto de Mateus nos ensina que a Salvação em Cristo é para todos os homens, como nos fala São Paulo na segunda leitura: “os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo Corpo e coparticipantes da Promessa em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.” (Ef 3,6).

Um segundo ensinamento sobre a visita dos magos são as ofertas feitas por eles: ouro que é símbolo da realeza de Cristo; incenso, a sua divindade; e mirra, a sua unção no túmulo, no corpo (natureza humana) e a incorruptibilidade do seu corpo que culmina na Ressurreição. Antes mesmo das ofertas, os magos se ajoelham diante do Menino e o adoram (cf. Mt 2,12).

Num terceiro momento podemos lembrar que os visitantes retornaram para sua terra seguindo outro caminho, significando que o encontro com o menino Jesus transforma a vida daqueles que vivem a experiência que o Filho de Deus proporciona, tal como posteriormente aconteceu com a adúltera, com Zaqueu, com a Samaritana, com Bartimeu, com a hemorroíssa. Isso para ficar em apenas alguns relatos dos Evangelhos. Mas teremos inúmeros outros casos de Jesus e daqueles que caminharam em discipulado com ele nos três anos de ministério na Terra Santa. E essa experiência tem sido passada ao longo dos vinte séculos após a passagem do Galileu.

Portanto, a liturgia da Epifania do Senhor deve nos levar a meditar sobre a constante necessidade que temos de encontrar Jesus e renovar nossa caminhada, abrir novos caminhos e avançar na vida de discípulos amados por ele. A nossa vida deve ser de louvor marcada pela alegria que o encontro pode nos proporcionar. Podemos ainda nos perguntar: o que temos para oferecer a Deus? Que dons podemos colocar a serviço do Reino?

A dimensão universal da salvação, proposta em Mateus, pode nos direcionar para o aspecto ecumênico nas nossas ações cristãs em nossos relacionamentos com os irmãos de outras Igrejas e no nosso trabalho social voltado para serviço aos pobres.

Juntemos a nossa prece às das crianças do mundo inteiro, para que percorramos um ano novo cheio de muitas transformações na vida dos que querem encontrar o Senhor, dos que querem fazer uma caminhada marcada pelo crescimento espiritual, daqueles que querem juntamente conosco conhecer e seguir Jesus. Por fim, rezemos com o salmista: “As nações de toda terra hão de adorar-vos, ó Senhor” (Sl 72/71). Amém.

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[1] Do Grego, manifestação.

 

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SOLENIDADE DA SAGRADA FAMÍLIA – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Eclo 3,3-7.14-17a; Sl 128(127); Col 3,12-21; Lc 2,41-52

 

POESIA

A FAMÍLIA SANTA DE NAZARÉ

Mãe que escuta e a Deus se entrega,
Para viver um plano de amor exigente,
Que questiona, porém consente,
O peso da imensa missão,
Meditando no seu coração,
O amor de Deus e de sua gente.

Pai terreno e obediente ao Pai do Céu,
Discreto no seu silêncio orante,
Que nas dúvidas segue avante,
Ao anjo em sonho escutou,
E firmemente acreditou,
Postura de homem Santo suplicante.

Filho, Deus que desce a este mundo,
Presente no meio da multidão,
Rosto de Misericórdia e perdão,
Que traz aos homens a esperança,
A vida eterna como herança,
Ressuscita e nos dá a ressurreição.

Família, modelo para chegarmos ao céu,
Santa desde a sua fundação,
Referência para cada lar cristão,
Conduz-nos a evangelizar,
Fazendo-nos firmemente acreditar,
Que o reino se constrói pela missão.

E agora pedimos um auxílio santificador,
Para construirmos uma Igreja em nosso lar,
E ao mundo podermos testemunhar,
Uma vida de cuidado e comunhão,
Marcada pela evangelização,
Para as chagas do mundo poder curar.

 

HOMILIA

Família cristã: chamada a ser Igreja doméstica

 

O Domingo depois do Natal nos apresenta a Santa Família de Nazaré em peregrinação a Jerusalém. Trata-se da vivência de fé da família de Jesus em sintonia com o povo da primeira Aliança.

O evangelista Lucas nos fala de Jesus aos doze anos, já chegando a sua maturidade, de acordo com a tradição judaica. Ao final da Festa que durava sete dias, os peregrinos retornavam para suas casas geralmente em grupos familiares, Maria e José também voltam para Nazaré, e na longa caminhada percebem a ausência de Jesus e por isso retornam a Jerusalém.

O Evangelista conta que foram três dias a procura do Menino quando o encontram no Templo entre os doutores da lei. Podemos imaginar as palavras do Menino Jesus a respeito das coisas divinas, pois os ouvintes ficavam maravilhados. A resposta aos Pais, “não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49), deve ter deixado Maria e José intrigados inicialmente, mas depois ambos compreenderam, pois neste momento o menino já dá sinais da sua divindade e obediência ao Pai do Céu.

O interessante é que ele seguirá obediente à Maria e José no seu lar em Nazaré, no silêncio da família santa, no dia-a-dia de sua juventude até os trinta anos, quando sua vida pública se inicia, segundo as narrações do Evangelista.

Jesus vive na natureza humana e na divina obediência, virtudes próprias da santidade, postura original de santos e santas que nos deixaram os seus testemunhos para ensinar a todos os que querem seguir o Senhor.

A liturgia deste Domingo, portanto nos traz grandes orientações espirituais para que a família possa viver a santidade, a começar pela primeira leitura: “Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados, o que honra sua mãe é como quem ajunta um tesouro.” (Eclo 3,3-4). Numa sociedade em que se percebe a fragilidade da autoridade dos pais, é muito importante vislumbrar o valor que devemos dar ao amor e atenção, aos seus conselhos e a experiência de quem dedicou a sua vida aos filhos. Isso certamente nunca sairá da moda.

Quanto ao cuidado aos pais na velhice e o carinho nas suas limitações, nem sempre é uma realidade na ação filhos no mundo de hoje. São Paulo, na Carta aos Colossenses, aconselha que sejamos revestidos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência… (cf. Cl 3,12). Estas virtudes são exatamente as necessárias para vivermos a santidade na família e nos são exigidas quando cuidamos dos idosos e enfermos com suas limitações físicas e psicológicas.

Olhemos para Jesus que mesmo sendo Deus, era obediente à Maria e José. Com certeza foi também amável, solidário, paciente e orante no seu ambiente familiar e no convívio com os amigos. Maria, que guardava tudo no seu coração, com certeza também viveu um imenso amor ao seu lar, meditando o projeto que Deus lhe tinha proposto. A cada momento com Jesus deve sempre ter relembrado as palavras do anjo, deve ter pensado nos desafios do seu caminhar desde o nascimento do filho e com a certeza de que a sua missão não acabava com a maturidade de Jesus. E José como varão fiel ao projeto de Deus foi também orante, amoroso e obediente a Deus, vivendo do seu trabalho e preocupando-se com a manutenção da casa.

É importante que família cristã tenha como referência e centro de sua espiritualidade a Sagrada Família. Os pais devem ser referencial de evangelização primeiramente com o testemunho de santidade conjugal, no cuidado com os filhos no que se refere à educação, à vida de oração e ao convívio social. Deve ser missionária, formando Igrejas em casa, cultivando a leitura e a escuta da Palavra de forma constante, onde a partilha e o amor estejam presentes para fortalecerem a sua existência como instituição sagrada.

Não devemos esquecer que as chagas da sociedade é fruto de uma certa displicência no cuidado, na presença e na formação junto às crianças, adolescentes e jovens. O relativismo toma conta dos ambientes familiares, onde religião é opção pessoal e onde também falta ao pai e à mãe uma formação cristã mais sólida e consciente de sua missão.

Rezemos pedindo à Sagrada Família que ajude a tantos lares a se tornarem um ambiente de fraternidade, amor e oração, uma Igreja doméstica que viva a missão evangelizadora dentro e fora da casa. Amém.

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IV DOMINGO DO ADVENTO – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Mq 5,1-4a; Sl 80(79); Hb 10,5-10; Lc 1,39-45

 

POESIA

MÃE DO SILÊNCIO DA ESCUTA

No silêncio e na escuta do mensageiro,
Mas também questionando,
Entrega-se ao Senhor que forte lhe chama,
Coloca-se a disposição por que muito ama,
Mãe de Deus e da humanidade,
Para Deus é toda gratuidade,
Como poetisa um poema exclama.

Apressada parte caminhando,
Nos caminhos longos das tantas montanhas,
Para viver a missão em caridade,
Sentindo o chamado em simplicidade.
Leva consigo o Deus criança,
Parte sem medo e com muita esperança,
Para servir com humildade.

Traz ao mundo o Verbo encarnado,
Na sua vida de exigente e de peregrina,
Carrega no colo com muita coragem,
Levando a sério a divina mensagem,
Por que será a mãe de um Rei de amor,
Colaborando no plano salvador,
Deus virá em carne, além da imagem.

Denuncia os tantos erros do mundo
Com o canto alegre de profecia,
Vê os poderes que machucam os humanos,
Percebe as riquezas do mundo como engano,
Quando são usados para oprimir,
Somente Deus poder corrigir,
A deficiência dos homens e os seus planos.

E nesta missão divina que recebeu,
É Cheia de Graça em abundância,
Repleta da Palavra do Senhor,
Cantora dos pobres em sua dor,
Está consciente de sua missão,
Vive ativa e sem omissão,
É mãe dos apóstolos com pleno amor.

 

HOMILIA

Maria, exemplo de caminheira, de silêncio e de espera

 

O quarto domingo do Advento nos traz o texto do evangelista Lucas que apresenta duas mulheres, mães e santas, as quais fazem uma ligação da Antiga à Nova Aliança. Nelas, e através delas, Deus realiza as maravilhas da Salvação. Nessa mesma situação, há também o encontro de duas crianças: o precursor, o último dos profetas da primeira Aliança e depois o Emanuel, o Deus conosco, que confirmará a sua presença entre os homens, participando das situações próprias dos homens, menos no pecado.

O interessante é que se trata de realidades onde comprovamos a frase que o próprio Lucas coloca na boca do Anjo: “Para Deus, com efeito, nada é impossível.” (Lc 1,37). Vejamos: Maria era virgem e ficaria grávida. Deus lhe propõe um projeto, mas apesar dos questionamentos e perturbações (cf. Lc 1,29) ela abraça este plano com o seu sim. Isabel era idosa, já não havia possibilidades para engravidar e o Senhor faz o impossível às convicções humanas. O ventre de Isabel guarda João Batista, aquele que preparou os caminhos do Senhor. Em Maria, Sacrário Santo! Deus se encarna para recriar o homem à sua imagem e semelhança.

Voltemos nossa atenção para Maria, a escolhida para colaborar no plano da Salvação. Ela parte apressadamente, porque sente a necessidade de ajudar a Isabel, porque o tempo das promessas de Deus começa a se realizar e é preciso caminhar rápido. A sua visita é mais que uma presença física, é um ato missionário e de serviço à sua prima Isabel. Aqui está presente o cuidado de Maria, na caridade que brota do seu coração totalmente disponível a Deus.

Maria vive toda esta realidade por que acreditou e acreditar é próprio dos que obedecem a Deus. Maria é a Bem-Aventurada, a cheia de Graça, a mulher da escuta e do silêncio. Por isso, de uma forma ousada podemos dizer que ela é a poetisa de Deus. Sua declamação (poesia), o magnificat, brota de sua constante oração, escuta e leitura da Palavra de Deus anunciada pelos profetas. Não é fantasia de uma jovem judia, mas um olhar voltado para o mundo, no chão onde ela pisa, através da consciência de que Deus faz “maravilhas, que demonstra o poder de seu braço, que dispersa os orgulhosos, derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes”[1].

A disposição de Maria como serva do Senhor já se realiza na presença caridosa à Isabel que a acolhe na simplicidade e alegria. Isabel poderá também significar todas as mães e crianças que necessitam da presença da caridade cristã que se traduz no zelo e cuidado de Deus para com os pobres. Aqueles que acolhem a mãe de Deus e o salvador em sua casa e em sua vida.

Toda a realização da chegada de Jesus em Belém já estava anunciada pelo Profeta Miquéias que diz: “E tu, Belém-Éfrata, pequena entre os clãs de Judá, de ti sairá para mim aquele que governará Israel.” (Mq 5,1).

Na segunda leitura temos a ação de Cristo, sua missão e identidade diante do mundo. É o filho de Deus que veio para fazer a vontade do Pai, assim diz a carta aos Hebreus: “E graças a esta vontade é que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas.” (Hb 10,10).

A liturgia do IV Domingo do Advento, portanto, nos convida a olharmos para Maria e seguirmos seu exemplo de serva fiel ao Senhor. Ela nos ensina a sermos obedientes ao chamado de Deus, colaborar com o seu Plano de Salvação, acolhendo Jesus que vem. Faz-se necessário acreditarmos no que Deus nos diz e nos chama a fazer, mesmo que muitas situações ainda não estejam tão claras no caminho com ele.

Por fim, para viver de forma completa a experiência com Deus não podemos ser intimista ou individualista. Devemos nos voltar para o próximo percebendo as necessidades mais plausíveis e indispensáveis de nossa presença, ou seja, a vivência cristã nunca será completa se não vivermos a caridade.

Portanto, quando estamos cheios da Graça de Deus e de sua Palavra, nossa boca proclama naturalmente as maravilhas d’Ele e ao mesmo tempo nossas palavras são proféticas, nossas ações são pautadas no amor, a nossa vida no testemunho que às vezes dispensam as palavras.

Peçamos a Deus a graça da perseverança e a coragem de mudarmos nossa vida para uma atitude cada vez mais orante. Peçamos como o salmista: “Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos para que sejamos salvos!” Amém.

[1] Cf. Cântico Evangélico “Magnificat”. In Liturgia das Horas: segundo o rito romano. Vozes; Paulinas; Paulus; Ave Maria, 1999.

 

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III DOMINGO DO ADVENTO – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Sf 3,14-18a; Is 12,2-6; Fl 4,4-7; Lc 3,10-18

 

POESIA

A VERDADEIRA ALEGRIA

 

A alegria verdadeira,
É a que vem do Senhor,
Nos tropeços e na dor.
Mesmo na enfermidade,
E na fragilidade,
Dos que buscam o amor.

A alegria verdadeira,
Brota da caridade,
Das ações de bondade,
Marcadas pelo servir,
Dos que querem construir,
A Santa fraternidade.

A alegria da Espera,
Que traz a esperança,
Que propõe as mudanças,
Nos gestos concretos,
Muitas vezes discretos,
Mas na confiança.

A alegria dos profetas,
Que anunciam o mundo novo,
Junto ao seu querido povo,
A justiça esperada,
Sempre muito sonhada,
Que voltará de novo.

A alegria dos Apóstolos,
Já convertidos,
E convencidos,
Da vida vencedora,
Da paz vindoura,
Para os merecidos.

A alegria dos cristãos,
Continuando o caminhar,
Sempre a anunciar,
Com grande esperança,
E com fé e confiança:
No Reino que vai chegar.

 

HOMILIA

A alegria e a espera compromissada do discípulo

 

O evangelista Lucas nos apresenta mais uma vez João Batista em sua pregação e, desta vez, não somente às multidões, mas agora também dirigida aos publicanos e aos soldados do Império Romano, os quais perguntam o que fazer para estarem preparados quando o Senhor chegar.

Para a multidão, o profeta aconselha que se repartam as vestes (bens) e o alimento com os que não têm. Aos cobradores de impostos, responde que sejam responsáveis e justos nas cobranças. Aos soldados a serviço do Império, João Batista responde: que não tomem dinheiro de ninguém e que não sejam injustos nas acusações, que sejam verdadeiros (cf. Lc 3,11-15).

Toda a pregação do Batista é para que as pessoas se convertam, recebam o batismo e estejam preparadas para a vinda do Senhor. João se apresenta na simplicidade e humildade a ponto de se considerar como um escravo: “Não sou digno de desatar a correia das sandálias.” (Lc 3,16) e depois faz uma comparação do seu batismo com o de Jesus: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Lc 3,16). É preciso estar preparado, pois o Senhor virá para que a Reino de Deus aconteça.

O que podemos refletir deste texto de Lucas? As orientações de João Batista nos apontam gestos concretos como virtudes para a verdadeira conversão. Depois esta pregação está voltada para a dimensão social onde se faz necessário que se possa olhar para os necessitados. Para a verdadeira alegria acontecer é importante que haja a partilha, a lealdade e a justiça, que os impostos sejam cobrados na justa medida e que as forças do governo não sejam opressoras e repressoras.

Podemos pensar neste momento: o que nos dá alegria como discípulos e missionários de Cristo? E quais são os mecanismos e instâncias que retiram do povo a verdadeira alegria? Que motivos de alegria celebramos neste Domingo?

O verdadeiro discípulo é firme e forte mesmo diante dos desafios pessoais e comunitários, por isso diante da missão de levar o amor de Deus e semear a sua Palavra ele poderá carregar no coração as palavras do profeta Sofonias: “Alegra-te e exulta de todo coração.” (Sf 3,14c). Este discípulo também deve ser simples e considerar-se um instrumento de Deus na pregação, como uma vela que alumia o mundo com a luz do Senhor, um discípulo inebriado pela força do Espírito Santo.

Temos muitos motivos de alegria para celebrar: pelas tantas pessoas que partilham dos seus bens para ajudar os necessitados e as inúmeras ações sociais e ao mesmo tempo religiosas, que semeiam a esperança, devolvem a alegria interior e a dignidade humana.

Por fim, celebremos a alegria de estarmos juntos nos alimentando do Pão da Vida e da Palavra Eterna para vivermos neste mundo como irmãos eucarísticos, ou seja, com um olhar no Cristo Glorioso, o Ressuscitado, e ao mesmo tempo reconhecendo a sua natureza humana no rosto dos que sofrem materialmente e espiritualmente.

Peçamos ao Espírito Santo, Fogo Abrasador, que anima e que alegra a todos nós, discípulos de Cristo para a missão, a força e a graça de vivermos o batismo de Cristo. Seja o nosso coração inundado pela verdadeira caridade e humildade. Sigamos em frente na alegre espera do Senhor que está para chegar. E rezemos com o profeta de Isaías, no seu cântico: “Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus de Israel.” (Is 12,2). Amém.

 

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II DOMINGO DO ADVENTO – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Br 5,1-9; Sl 125(126); Fl 1,4-6.8-11; Lc 3,1-6

 

POESIA

PREPAREMOS O CAMINHO DO SENHOR

 

Vivemos a intensidade
De uma espera em alegria,
Confiantes e sem medo,
João Batista anuncia,
Só precisa conversão,
Viver a contemplação
Do menino em alegria.

Percebemos neste mundo
tantos caminhos entortados,
Tanta tristeza, violência,
muitos irmãos massacrados.
É a ausência do amor,
Falta acolher o Senhor,
Pro mundo ser transformado.

Os profetas anunciaram
Para o mundo a redenção,
Para o povo alertaram
Que é preciso conversão.
Pra justiça acontecer,
Todos devem se rever,
Não existe enganação.

O sonho se realiza
Quando temos esperança,
Quando nosso caminhar,
Permanece em aliança.
Caminhos endireitados,
Altos montes abaixados,
E em Deus a confiança.

E então a nossa espera,
Deve ser na oração,
Na leitura da Palavra
E no alimento do Pão.
O olhar no Deus da vida,
Uma fé bem definida,
Para ver a salvação.

 

HOMILIA

Convite à conversão em tempos de espera

 

O evangelista Lucas nos situa no tempo: “No ano décimo quinto do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia…” (Lc 3,1a), mostrando-nos que a sua ação se dá na história dos homens. Foi nesse tempo que “a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto.” (Lc 3,2b). A pregação de João é fundamentada num batismo de conversão, preparando o povo para receber o Salvador.

O deserto é o lugar propício para esta missão profética, pois foi lá que Deus se manifestou na caminhada do povo, conduzindo-os para a libertação e trazendo a promessa da redenção para todo Israel. Foi lá também que Jesus se preparou para a sua ação messiânica.

O Evangelista coloca na sua narração um texto de Isaías: “Voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, tornai retas suas veredas.” (Lc 3,4b). Neste mesmo sentido a primeira leitura nos falará pelo profeta Baruc: “Pois Deus ordenou que fossem abaixadas toda alta montanha e as colinas eternas, e se encham os vales para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar com segurança, na glória de Deus.” (Br 5,7).

São Paulo, na sua carta aos filipenses, nos exorta que é pelo crescimento do conhecimento e da experiência que todos os cristãos ficam puros e sem defeito para o dia de Cristo. (cf. Fl 1,10).

Todas as leituras nos conduzem para uma reflexão de preparação para a vinda do Senhor, dentro de uma atitude de conversão, na busca de uma ação que reflita o Reino. Lembremos que o evangelista Lucas apresenta a proposta da salvação a todos os homens: não há mais barreiras culturais para chegar à presença da Palavra de Deus. A pregação de João Batista anuncia que se endireitem os caminhos do Senhor.

Faz-se necessário uma mudança de vida, um novo caminhar, a fim de que a Palavra seja semeada. Neste imperativo do precursor de Jesus está o sentido maior da experiência do Advento como tempo de espera. As pessoas esperam um ano novo de sucesso, de paz e fraternidade nos seus lares; no mundo do comércio, mensagens de feliz Natal e feliz Ano Novo são estampados em letras garrafais; muitas paróquias fazem suas assembleias neste período para avaliar a caminhada do ano e, sobretudo, para planejar e sonhar com uma realidade nova e com uma nova evangelização. Assim cada um tem seus projetos, sonhos, podendo ter também angústias e desilusões por não ter caminhado com sucesso.

A liturgia deste segundo domingo do Advento nos pede a conversão exigente do nosso coração, com novas atitudes na nossa casa, no nosso grupo, na nossa paróquia… Para que os caminhos da Evangelização sejam endireitados e o verbo encarnado seja acolhido para que haja justiça, paz e fraternidade neste mundo de tantos caminhos tortos.

Portanto faz-se necessário que nos preparemos para celebrarmos com intensidade a chegada de Deus que se fez homem entre os homens e que veio trazer a alegria da acolhida a todos os homens, a misericórdia e resgatar o que estava perdido.

A novena de Natal nas casas é uma ação simples, mas eficaz para a evangelização das famílias. A preparação do presépio na sala fará com que as crianças visualizem o mistério do Menino Jesus. Em tudo isso é preciso que sejamos orantes e, sobretudo, em alguns momentos saibamos viver o silêncio para acolhermos Deus. Nossos lares estão marcados por muitos barulhos, nossos ouvidos estão vedados por fones e nossos olhos muitas vezes impedidos de contemplar a beleza de Deus nas pessoas e na sua Criação.

Agradeçamos a Deus pela sua misericórdia e seu infinito amor e digamos como o salmista: “Maravilhas fez conosco o Senhor: exultemos de alegria!” (Sl 125/126). Que a alegria não falte no coração que busca a Cristo e o ama! Amém.

 

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I DOMINGO DO ADVENTO – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Jr 33,14-16; Sl 24(25); 1Ts 3,12-4,2; Lc 21,25-28.34-36

 

POESIA

A ALEGRE ESPERA DO SENHOR

 

Caminhamos esperando o Senhor,
Na verdade, já caminhamos com ele,
No encontro com sua Palavra,
No alimento do seu corpo,
E no saciar da sede da alma.

Caminhamos esperando o Senhor,
Com cuidado nas nossas ações,
Com a alegria em vez do medo,
Com o olhar atento à vida,
Marcados pela esperança.

Caminhamos esperando o Senhor,
Atentos aos irmãos que tropeçam,
Também, levantando das nossas quedas,
Mas querendo caminhar de novo,
De mãos dadas na missão.

Caminhamos esperando o Senhor,
Vivendo a oração perseverante,
Num olhar além do nosso chão,
Na estrada de todos os discípulos,
Para está de pé diante Dele.

 

HOMILIA

O Advento chegou! Esperemos alegres o Senhor que vem!

 

O Evangelho deste primeiro domingo do Advento nos apresenta Jesus em Jerusalém falando para os discípulos sobre a sua segunda vinda. Haverá vários sinais nos astros e “os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.” (Lc 21,26). Esta realidade apresentada por Lucas precede a libertação daqueles que buscam em Deus a salvação.

Jesus alerta: “ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem.” (Lc 21,36).

Para os judeus esta previsão apresentada por Jesus é aterrorizadora, pois para eles o fim do mundo significava a destruição de Jerusalém. Portanto este fim que Jesus anuncia naquele tempo significa o final do antigo povo e o início de um novo povo, um novo tempo para as nações. Este novo tempo está anunciado na primeira leitura, no profeta Jeremias, o qual anuncia a realização da promessa da salvação: “Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante; este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa Justiça’.” (Jr 33,16).

Na segunda Leitura, São Paulo fala aos Tessalonicenses: “Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.” (1Ts 3,13).

O tempo do Advento é o momento litúrgico adequado para a nossa reflexão como cristãos discípulos missionários do Senhor, numa atitude não de medo, mas de alegre espera, porém vigilantes. Por isso precisamos tomar cuidado com nossas ações na vida cotidiana. Tomar cuidado com a nossa evangelização que às vezes é falha, é raquítica e marcada por preconceitos em relação aos homens e mulheres que não estão no nosso caminho cristão. Cuidado também com a nossa postura de zona de conforto a qual se traduz no “tudo está muito bem”, temos Igreja cheias aos domingos, um número considerável de catequistas, alguns grupos jovens e outros argumentos a mais… e lá fora como está? É nosso dever saber? Precisamos ir aos que foram batizados e não vieram mais à Igreja?

Precisamos ficar atentos ao anúncio do Evangelho, para que seja transmitido na esperança, na justiça e na fraternidade. A violência que vemos todos os dias nos meios de comunicação é consequência da ausência de Deus, pois é o seu amor que faz nascer a Paz. É ausência da Palavra proclamada e rezada em família e a falta de missionários nos lares levando a proposta do reino de Deus.

Enfim, precisamos orar a todo momento (cf. Lc 21,36), pois a oração nos alimenta e nos torna conscientes do que Deus planeja para cada um de nós. É orando na Missa, na Liturgia das Horas ou no Ofício Divino, com a leitura da Bíblia em família, com o Santo Rosário e outra modalidade de oração que nos converte e nos mantém no caminho de santidade.

São estas atitudes que nos prepararão para acolhermos Jesus Menino, que veio morar conosco, sentir nossas dores, nossas fragilidades, mas também nossas alegrias e vitórias. É vivendo a oração constante e ficando vigilantes que iremos caminhando para uma fé mais madura e vamos nos tornando discípulos fiéis do Senhor.

Peçamos a benção de Deus neste Advento para que tenhamos perseverança na caminhada cristã, na santidade e no esforço de estarmos preparados para quando o Senhor vier.

 

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SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

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ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Dn 7,13-14; Sl 92(93); Ap 1,5-8; Jo 18,33b-37

 

POESIA

ESTE REI NÃO É DESTE MUNDO

 

Este Rei é Divino,
Ele vem das alturas,
Desceu com ternura,
Para nos libertar.
Ele é mensageiro,
Para os caminheiros,
Vem anunciar.

É um Rei diferente,
De natureza humana,
A nós se irmana,
Pra poder chegar.
Seu reino é amor,
Faz-se servidor,
É assim, seu reinar.

Não vem com soldados,
Vive a mansidão,
Não tem opressão,
Só vem para amar.
Chama à conversão,
Envia em missão,
Pra outros chamar.

Ele não tem fama,
Tem simplicidade
Sem publicidade,
Sem triunfalismo.
Seu reino é semente,
Na vida da gente,
Sem popularismo.

Ele é nosso mestre,
Sempre a ensinar,
A quem quer escutar,
Com perseverança.
Quer sempre acolher,
A quem quer lhe ver,
Pois ele é esperança.

Reinai ó Senhor,
Em nossa existência,
Dai-nos a clemencia,
Tua salvação.
Pois se a ti seguimos,
Contigo partimos
Para a redenção.

 

HOMILIA

Ele é o Alfa e Ômega, o começo e fim…

O Evangelho de João nos traz o encontro de dois Reis. Um é o Rei Herodes que tem um exército, é rico, age pela frieza, pelo poder perverso, pelo autoritarismo e o popularismo. O segundo rei, Jesus, é pobre, o homem manso, cheio de misericórdia, sem armas e sem soldados. Seu Reino não é deste mundo, pois vem do alto e está acima dos poderes terrenos.

A realeza de Jesus está marcada pela caridade e acolhimentos aos que sofrem e querem a salvação eterna. Também estão presentes neste reino a verdade, a justiça, o serviço e o amor incondicional pela fidelidade à missão que Deus Pai confiou a Ele.

Por não ser deste mundo, este Rei não se afasta das realidades humanas e das situações de injustiças e domínios perversos contra os homens e mulheres. Ele se importa e sente as dores das situações de opressão, de politicagens, sofrimentos interiores e exteriores dos humanos; os que seguem este Rei são inseridos nele para viver a missão de propagar a realeza divina no meio da humanidade.

A primeira leitura, do livro de Daniel, se refere ao Rei e ao seu Reino: “Foram-lhe dados poder, honra e realeza, e todos os povos, nações e línguas o servem; seu poder é eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá” (Dn 7,14).

Os reinos da terra e dos homens, portanto são finitos e se dissolvem ao mesmo tempo em que são marcados pela imposição e pela ordem cega. Quanto à segunda leitura, tirada do Apocalipse, nos fala sobre o Rei divino: “Jesus Cristo é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra” (Ap 1,5). O poder de Cristo está além da dimensão humana, pois é marcado pela fidelidade, vence a morte, traz a ressurreição e resgata os errantes pela misericórdia.

Agora vem a reflexão: como vejo Cristo e seu reinado na minha vida e na vida da Igreja? É importante lembrar que a nossa postura e nossa ação como cristãos no mundo e no apostolado, depende de como estamos concebendo Cristo através de nossas opiniões particulares. Para uns, ser cristão é ser soldado a serviço de ordens irrevogáveis, sem poder dizer não. Para outros é obedecer a um rei intolerante, que está a toda hora castigando àqueles que não cumprem suas determinações.

É importante que vejamos a relação de Jesus com seus discípulos e sua postura diante daqueles que o busca. Primeiramente ele não tem exércitos para mandar, mas discípulos que o seguem por amor e adesão livre. Depois ele não impõe ordens e nem obriga ninguém a segui-lo, ensina-os com amor, coloca os critérios, os riscos consequentes dos que o acompanham e depois os chama para serem discípulos e não soldados.

O reinado de Jesus é marcado pela alegria e gratidão, pois no seu nascimento os anjos cantam de alegria diante dos pastores da noite de Belém. “Cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova” (Lc 7,22). Todas estas ações milagrosas de Jesus são posteriormente marcadas pela alegria dos que foram curados. Muitos destes tornaram-se discípulos para sempre. E o coroamento da alegria mais completa é a sua própria ressurreição, na mais linda e alegre das manhãs dos discípulos e das mulheres que seguiam o Senhor.

Portanto, fazer parte deste Reino é viver a alegria, a fraternidade, a justiça, o sonho de um mundo de paz e o pé na estrada para a vida definitiva. É buscar a santidade, vivendo na escuta da Palavra e se alimentando do corpo do Senhor, sendo também corpo, membros em comunhão, rezando e cantando como o salmo 92: “Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos, dos séculos, Senhor!”.

 

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XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

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ANO NACIONAL DO LAICATO

II DIA MUNDIAL DOS POBRES

Leituras: Dn 12,1-3; Sl 15(16); Hb 10,11-14.18; Mc 13,24-32

 

POESIA

PALAVRAS ETERNAS

 

Palavras eternas são as do Senhor,
Semeadas nos corações dos homens,
Como sinal que germina o seu amor,
Como lâmpada no seu caminhar,
Como vida para partilhar,
Como ação do Criador.

Eterna é a vida prometida,
Que já começa aqui neste mundo,
O Reino da Paz refletida,
Que está além da vida natural,
Dos céus, do sol, da lua afinal,
E a eternidade sempre prometida.

Eterno é o teu Reino em ação,
Presente na Palavra encarnada,
Que cura, converte e chama para missão,
Que nos chama a ser sal e luz,
Que pelos caminhos nos conduz,
E nos apresenta a Salvação.

Eterno é o teu amor frente às nações,
Que percorreu com o teu povo a caminhar,
Mesmo diante das infidelidades e traições,
Mas que pelos seus caminhos permaneceu,
Esperando a fidelidade que não morreu,
Que chegou até nós suas promessas e ações.

 

HOMILIA

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

O texto do evangelho de Marcos, neste penúltimo domingo do Tempo comum, nos apresenta Jesus ensinando aos discípulos sobre o final dos tempos. Trata-se de uma narração apocalíptica onde fenômenos naturais de grandes dimensões poderão acontecer. O importante é refletirmos que o sol, a lua, as estrelas, o céu, a terra são finitos e um dia poderão passar, mas Deus e sua Palavra não passarão, porque são eternos (cf. Mc 13,31).

O foco da nossa reflexão é a ação de Deus na sua vinda gloriosa para julgar a terra e para isso ele nos ensina como será este acontecimento: Ele enviará os anjos aos quatros cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade a outra da terra (cf. Mc 13,27). E duas coisas são importantes para que estejamos atentos: primeiro, a Palavra de Deus é eterna e, segundo, não se sabe nem como, nem quando será o seu julgamento, muito menos o dia e a hora que irá acontecer, somente o Pai sabe (cf. Mc 13,32).

Para os cristãos que vivem no aqui e no agora, com o pé na realidade da vida, este evangelho nos ajudará a pensar que a construção do Reino já inicia neste mundo, com o cuidado de viver como discípulos atentos aos acontecimentos diversos e olhar a tantas situações, destruições naturais, religiosas e morais.

Quantas vezes a natureza é afetada pelas mãos humanas somente pelo interesse de se obter lucro, crescimento econômico, sem uma visão de zelo pela Criação de Deus. Os rios poluídos, as cidades caóticas, as florestas destruídas etc. As consequências são imensas quando se age assim. O cristão deve estar atento a esta realidade.

Outra realidade que pode colocar a humanidade em risco é o relativismo religioso, ou seja, quando parece que Deus não é mais nosso Pai, que cuida de seus filhos, mas nosso empregado, que deve realizar nossos desejos materiais, na hora que queremos.

Como ser luz do mundo nesta diversidade de opiniões que muitas vezes não levam em conta os direitos humanos e até mesmo a Constituição do País? As questões acima levantadas parecem não dizer respeito ao evangelho citado nesta liturgia, mas se fizermos uma reflexão mais profunda, podemos nos perguntar: porque existem tantas mortes, famílias destruídas, inundações e tragédias naturais? Elas são consequências de atitudes humanas, seja ela consciente ou decorrente de uma mentalidade de indiferença às realidades que compõem a nossa existência.

Somos cristãos, vivendo na pós-modernidade e esta nos traz muitos desafios, mudanças ideológicas, econômicas e tecnológicas traduzidas no imediatismo das novidades, nos grandes eventos, nas aparências, nas redes sociais vazias de conteúdo do sentido essencial da vida, porém marcadas por muitas imagens e sons que em alguns momentos são agressivos e maléficos à saúde mental e espiritual dos humanos. Falta-nos a dimensão da interioridade e da espiritualidade para a construção das consciências.

Frente a tantas situações avassaladoras, Jesus nos olhará e nos julgará se fomos capazes de ser luz diante destes sinais modernos. A primeira leitura, no livro de Daniel, nos fará referência aos que viveram de acordo com a Lei do Senhor: “Os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos das virtudes brilharão como as estrelas, por toda a eternidade” (Dn 12,3).

Não basta vivermos na retidão fundamentada numa fé intimista, individualista, mas também ensinar aos outros os caminhos do Senhor assim como Jesus, tantas vezes, preparou os seus discípulos para serem fermento na massa, sal da terra e mensageiros da sua Palavra por todo o mundo.

Precisamos usar os meios que temos para evangelizar, tais como as redes sociais, mas não somente estas… Precisamos lembrar que, em alguns momentos, somente a presença física, humana, cuidadosa e acolhedora, poderá ser instrumentos de escuta atenta, abraçar verdadeiro, de acolhimento para enxugar as lágrimas que vem do clamor do próximo…

Portanto, o Evangelho nos mostra a esperança de todos os que vivem como mensageiro da Justiça e do amor. Por isso se faz necessário estarmos mais atentos aos irmãos que sofrem e também voltados para os cuidados com a criação de Deus. Os que se portarem assim serão levados para as mãos divinas e “brilharão como estrelas, por toda a eternidade” (Dn 12,3). Peçamos as luzes do Santo Espírito no nosso caminho rumo à morada eterna, porém construindo já, e aqui, o Reino de Deus.

 

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XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

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ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: 1Rs 17,10-16; Sl 145(146); Hb 9,24-28; Mc 12,38-44

 

POESIA

NOSSA VERDADEIRA OFERTA

 

Nossa verdadeira oferta é a entrega,
Entrega total do coração,
Do que temos e que não sobra,
Mas que é obra de doação.

Nossa verdadeira oferta vem da alma,
Da coragem e da caridade,
De se consumir em busca de Deus,
De segui-lo no caminho e na fidelidade.

Nossa verdadeira oferta vem da confiança,
Nos desígnios do Senhor,
Na simplicidade da vida orante e da luta,
Carregada de esperança e amor…

Enfim a verdadeira oferta opera milagre,
Na vida de quem recebe e de que faz,
Pois a retribuição será diferente, transformada,
Carrega o coração num sentimento de Paz.

 

HOMILIA

O caminho de Jesus à conversão e ao discipulado

O texto do Evangelho deste domingo apresenta Jesus em Jerusalém, alertando à multidão e aos seus discípulos sobre o comportamento dos doutores da lei, que são incoerentes com o que dizem e ao mesmo tempo carentes de uma experiência espiritual voltada para a caridade a respeito dos pobres, das viúvas, dos doentes, dos estrangeiros etc. Eles valorizam de forma exagerada os aspectos exteriores, as aparências.

Num segundo momento, Jesus observa, no Templo, o comportamento daqueles que trazem suas ofertas (esmolas). Aí existem dois grupos com comportamentos totalmente diferenciados no que se refere às doações. Primero os ricos, que depositavam grandes quantias (cf. Mc 12,41b); depois o grupo dos pobres representado pela viúva que deu tudo que tinha: duas pequenas moedas (cf. Mc 12,42). Segundo estudiosos, pelo próprio texto do Evangelho, podemos deduzir que a quantia da esmola oferecida era declarada publicamente.

Jesus chama os discípulos, ensina-os que a viúva fez a verdadeira oferta, por que deu tudo o que tinha, confiando totalmente na providência de Divina (cf. Mc 12,44). Na primeira aliança, no primeiro livro de Reis, constatamos também uma viúva diante do profeta Elias que também obedece à Palavra de Deus: “Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: a vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra” (1Rs 17,14).

De acordo com o que vimos nas leituras, quantas lições dentro da experiência cristã podemos tirar? Qual é a verdadeira oferta? Como tem sido o comportamento dos cristãos nas nossas comunidades e grupos pastorais referente a compreensão e a prática da esmola?

É interessante observar que nos dias atuais temos uma valorização exagerada dos que têm mais poder aquisitivo e que gostam das honrarias. Muitas vezes avaliamos os outros pelo aspecto exterior e também pelo seu status. É lamentável que mesmo dentro dos grupos cristãos isto é visível. Podemos dizer que este comportamento humano, sobretudo quando vivido pelos que se dizem cristãos, é um grande obstáculo na vida dos verdadeiros discípulos do Senhor, pois a Igreja deve expressar o rosto de Cristo, servidor e caridoso.

A viúva é a figura dos que se entregam totalmente nas mãos de Deus; dos que quando oferecem a ajuda fazem com todo o corpo e com toda a alma, dos que se consomem dia e noite, vivendo a caridade sem medo de que lhe falte alguma coisa.

A oferta dos ricos no evangelho pode nos lembrar o poder público que tanto arrecada aos seus cofres, mas quando é preciso devolver para os que necessitam (pobres, doentes, abandonados nas ruas, etc.) esbarra na burocracia, nos interesses particulares dos que estão à frente da administração e nem oferecem o que sobra, porém o que lhes faz ser visto pelo povo e que lhes pode render publicidade.

Podemos lembrar que a Igreja nasceu da caridade, quando não havia necessitados e todos partilhavam os bens (cf. At 2,42-47). Está ação é necessária e contínua entre os cristãos. Podemos lembrar abrigos para os idosos, as creches para as crianças pobres, as casas de apoio ao povo de rua, os hospitais para os aidéticos, para os portadores de câncer e muitas outras ações que são conduzidos pelas Igrejas e ainda mais, são mantidos pela ajuda não do governo, mas pela generosidade das pessoas de bem e de coração generoso as quais são como a viúva de Sarepta, a qual era pagã e que, obedecendo à Palavra do Senhor, deu do que tinha e não lhe faltou nada para a sua sobrevivência.

Portanto esta liturgia nos ensina a confiar na providência de Deus, a entregar a nossa vida sem reservas ao Senhor que nos chama e para que doemos não o tempo e a esmola que nos sobra, mas aquilo que temos e somos de corpo e alma. O seguimento a Jesus é vivido pela nossa entrega e nossa solidariedade no nosso trabalho, na nossa família, entre nossos amigos e na Igreja.

Que a nossa entrega seja manifestada no verdadeiro culto e que cresça a nossa consciência de uma Igreja que manifesta o rosto caridoso e misericordioso de Cristo, pois somos os seus membros vivos neste mundo.

 

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SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

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ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Ap 7,2-4.9-14; Sl 23(24); 1Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a

 

POESIA

QUEM É SANTO…

Para buscar e viver a santidade
Deve-se trilhar nos caminhos do Senhor,
Estar atento a Bíblia Sagrada,
Ser manso, justo e ter muito amor.
Deve-se viver as bem-aventuranças
Que Jesus nos deu como herança,
Que é centro do seu plano salvador.

A santidade não é coisa qualquer
Que a gente possa imaginar,
É caminhar no chão concreto da vida,
Não ter medo do que se possa encontrar,
Pois ser santo tem suas consequências,
Muitas vezes precisa-se paciência,
Para no caminho não desanimar.

No início da história dos cristãos,
Ser santo implicava muita ousadia,
Muitas vezes implicava ser devorado pelas feras,
Ou ser colocado em grelha com brasas que ardia,
Mas o santo em sua enorme dor,
Ainda carregava o senso de humor,
Quando o fogo em chama lhe consumia.

O ser santo é sempre destinado
Para toda pessoa que quiser,
Mas para isso é preciso requisito,
Pois, não se santifica de um jeito qualquer,
Pra isso é preciso ter vocação,
Não viver na fantasia e na ilusão,
Mas é possível para homem quanto para a mulher.

Tem que ter um coração de amor,
Ter muita paz e muita alegria,
Mesmo diante das tantas misérias,
Fazer da noite às vezes o dia,
Ser bondoso e de muita caridade,
Promover a paz e a unidade,
Onde há muitas vezes má sintonia.

Às vezes é também ser ignorado,
Não ser reconhecido ainda em vida,
Pois ser santo exige além do presente,
Vivendo o amor e uma paz refletida,
Carregar um coração aberto às ações divinas,
Acreditar noutra vida que não termina,
E em Jesus apostar o caminho e a lida.

Muitos viveram radicalmente a castidade,
Entregaram sua vida totalmente,
Sem de nada ter nem um apego,
Carregavam no corpo e em sua mente
Um coração entregue somente ao Senhor,
Vivendo o trabalho na oração e no amor,
Vivendo no serviço às pessoas carentes.

Temos que também reconhecer
Que santos não são somente os do altar,
Temos tantos santos que não os conhecemos,
Por isso é preciso acreditar,
Que santo são todos os bem-aventurados,
Que viveram o amor ao bem amado,
Na esperança no céu e com Jesus morar.

 

HOMILIA

Bem-aventurados são os que procuram o Senhor

Estamos iniciando mais um mês de caminhada com Jesus e celebramos liturgicamente o dia de todos os santos. Lembrando que no calendário geral da Igreja este dia é celebrado em 1º de novembro. No Brasil, esta solenidade é transferida para o domingo mais próximo para que o maior número de irmãos e irmãs possam refletir sobre a sua vocação para a santidade.

O Evangelho nos apresenta Jesus que sobe à montanha e senta para proclamar as bem-aventuranças à multidão e aos seus discípulos. É bom lembrarmos que a montanha na realidade bíblica e dos judeus é o lugar da manifestação de Deus. Na montanha, Deus fala com Moisés e lhe entrega o decálogo, ou seja, a lei para que o povo siga e busque prosseguir nos caminhos do Senhor. O sentar-se de Jesus também tem um significado: Jesus é o mestre. Ele ensina com autoridade, pois dá testemunho de todas as bem-aventuranças.

Diante dessa passagem escolhida pela Igreja para a liturgia de todos os Santos, podemos refletir sobre o ser santo. Quem, de acordo com as bem-aventuranças, então é santo? Quais a exigências para viver a santidade?

Primeiramente a santidade nos pede que sejamos discípulos de Cristo, na simplicidade, na humildade, com o pé no chão da vida e, sobretudo, no olhar atento às diversas situações do mundo, sejam econômicas, políticas, sociais ou religiosas. Sendo discípulo de olho no mundo, faz-se necessário outro olhar e uma vivência que é mais profunda: a nossa mansidão, a nossa fome de amor, a nossa sede de justiça e a nossa preocupação com a paz entre as nações.

Podemos nos perguntar: o que tem a ver comigo os conflitos no oriente médio? A violência nas cidades e no campo? A intolerância religiosa nos diversos recantos do mundo? Ser santo é estar atento a tudo isso. É pregar e viver o evangelho no mundo atual, sempre mantendo a essência da mensagem de Jesus Cristo.

Em segundo lugar temos de refletir que Jesus ainda apresenta uma última bem-aventurança e desta vez mais exigente do que simplesmente estar atento às realidades humanas do mundo: serão bem-aventurados (felizes) os que forem perseguidos por causa da justiça, também serão bem-aventurados os que forem perseguidos, injuriados e caluniados por causa de Jesus. (cf. Mt 5,10-12). A busca pela justiça e a experiência das consequências desta luta nos fará santos e nos levará aos céus. Esta deverá ser a alegria e a felicidade completa para os santos.

Finalmente não podemos esquecer que a vivência da santidade deve ser testemunhada no aqui e agora. Devemos ser mansos, justos, puros de coração, promotores da paz no grupo onde participamos, no nosso ciclo de trabalho, nas relações sociais e no nosso lar. Pois é na família, no meio dos filhos, irmãos, esposos, amigos que precisa-se de santos e santas. No meio dos ministros ordenados e religiosos, na missão cristã de cada dia, precisa-se de santos e santas.

Santos e santas, pessoas que sejam sal, luz e fermento na massa para aumentar cada vez mais a multidão dos bem-aventurados. Santos e santas que leiam e vivam a Palavra, que rezem e que sejam livres nos caminhos do Senhor e que façam o bem a todos.

Portanto, é sendo santos que podemos nos “juntar a multidão imensa de gente de todas as nações, tribos povos e línguas, incontáveis” (Ap 7,9), como nos fala são João na primeira leitura. Esta busca de santidade deve ser sempre no Senhor, como discípulos missionários. Assim podemos citar também o final da segunda leitura: “Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1Jo,3,3). E concluímos com o refrão do salmo desta liturgia: “É assim a geração dos que procuram o Senhor” (Sl 23/24). Sejamos, no meio do mundo, esta geração que procura o Senhor e que semeia o Evangelho para a santidade e salvação de todos. Amém.

 

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