IV DOMINGO DA QUARESMA – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

 

Leituras: Js 5-9a.10-12; Sl 33; 2Cor 5,17-21; Lc 15,1-3.11-32

 

“O Retorno do Filho Pródigo” (1661–1669), por Rembrandt (1606-1669)

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

⇒ POESIA ⇐

O ABRAÇO ALEGRE DO PAI

Nas minhas idas e voltas,
Peço-te agora, ó Senhor,
Que me acolha no teu amor,
No meu arrependimento,
Também no sofrimento,
Aliviando-me a dor.

E no abraço da alegria,
Com o anel da dignidade,
E as sandálias da fraternidade,
Faz-me, Senhor, restaurado,
Como teu filho amado,
Na tua simplicidade.

Faz-me grande banquete,
No retorno à minha vida,
Na divina acolhida,
Sem cobrar a herança,
Retoma a esperança,
Vida renascida.

Preciso, então, aprender,
Ser filho, contigo,
Sendo teu amigo,
Sem autossuficiência,
Sem prepotência,
E mais agradecido.

Sem olhar para o mal que fiz,
Bendigo o retorno e celebro,
A uma vida nova me entrego,
Renasce em mim amor e paz,
Reforçando a vida que me traz,
Abraço de amor que me alegra.

 

⇒ HOMILIA ⇐

Os braços da Misericórdia

Lc 15,1-3.11-32

 

O retiro quaresmal de todos os cristãos continua. Prosseguimos em busca de uma vivência espiritual marcada pelos exercícios de penitência e de escuta da Palavra, agradecidos com a dádiva de um Pai misericordioso que nos acolhe no abraço, na alegria e faz festa quando a ele retornamos.

A liturgia deste 4º domingo da quaresma, que a Igreja também chama de Domingo da Alegria (Laetere), pois estamos mais próximo do grande dia da celebração da vida nova, nos dada pela ressurreição do Senhor. O texto é de Lucas (cf. 15,1-3.11-32), o qual apresenta a parábola do Filho Pródigo. O cenário e o conteúdo descrito por Lucas para apresentar este belíssimo texto, traz os fariseus criticando Jesus por acolher pecadores (cf. 15,2) e em seguida a parábola que nos mostra a face misericordiosa de Deus (cf. 15,3s).

A parábola é resposta de Jesus para com os fariseus, os primeiros destinatários da mensagem, os quais não conheciam o amor e a misericórdia de Deus e por isso eram hipócritas por se considerarem corretos e autossuficientes para julgar as pessoas.

Reflitamos sobre cada uma das figuras da parábola: O filho mais novo quer a herança que lhe cabe (cf. 15,12). Este filho parte para ficar distante, para esbanjar a herança nos prazeres desenfreados do mundo e se esvazia até a última moeda e última a gota de vinho. Vem a miséria, a fome e a perda da dignidade humana, a ponto de desejar matar a forme com a comida dos porcos (cf. 15,16). A sua angústia chega ao limite máximo e o seu orgulho cai por terra. Ele cai em si.

O filho arrependido ensaia algumas das palavras para dizer ao Pai quando retornar: “Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.” (Lc 15,18-19). Depois de pensar nisso, decide por uma escolha: tomar o caminho de volta e fazer o que planejou.

Ainda estava longe quando lhe vem a surpresa do abraço do Pai, que com certeza tantas vezes olhava o caminho para ver se o filho voltava. As palavras formais ensaiadas pelo jovem não interessaram ao Pai, pois a atitude da volta para os seus braços já era o suficiente para ser acolhido na alegria, no abraço e na festa e não somente isso: um anel no dedo, sandálias nos pés, um banquete e, com certeza, roupas novas (cf. Lc 15,22), atitudes que expressaram o perdão e o acolhimento misericordioso do Pai.

O filho mais velho, que também estava fora, tinha saído para trabalhar, ao retornar, não acolheu o seu irmão no seu retorno e também não quis entrar na casa. Este filho mais velho, estava sempre com o Pai, era correto, devia ter mais experiência, era trabalhador, mas também não conhecia o Pai na sua misericórdia e acolhimento. Ele também precisava se converter, porque não aprendeu do seu Pai sobre o seu amor.

Este filho mais velho é a figura dos fariseus, que não aprenderam a amar e serem misericordiosos como Deus ensina. Também é a figura dos cristãos quando se acham autossuficientes e incapazes de acreditar naqueles que se convertem radicalmente e querem tomar o caminho de volta para os braços de Deus.

A figura do Pai é a concretização de tudo aquilo que Jesus pregou e viveu: a misericórdia e a alegria de Deus ao acolher os pecadores, que não erram apenas uma vez, tantas vezes vão e outras tantas podem voltar. Nós cristãos somos assim, estamos sempre buscando o perdão de Deus para a nossa santificação.

Cada encontro que fazemos com o Senhor através da sua Palavra e do seu Corpo partilhado é um grande banquete, ação de graças, uma festa, pela nossa restauração na volta aos braços do amor misericordioso de Deus. Deus sempre faz festa quando retornamos a ele.

Quantas vezes julgamos os outros como sendo alguém mais pecador do que nós ou até incapaz de conversão. A nossa santidade não consiste apenas em sermos corretos, à nossa maneira, e pertencermos a um grupo de privilegiados da Igreja, mas sim, consiste em reconhecermos que precisamos nos converter e aprender todos os dias. Também vivemos a santidade e a misericórdia de Deus quando acolhemos o irmão e o ajudamos a restaurar a sua dignidade com o abraço amoroso e caridoso.

Para vivermos as virtudes da santidade de forma concreta devemos atender ao que São Paulo nos aconselha: “deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.” (2Cor 5,20-21).

Peçamos ao Senhor que converta o nosso coração para atitudes de perdão, de acolhida e de misericórdia, para amar os irmãos e irmãs como Deus nos ama. Que possamos viver um testemunho de alegria pelos que retornam à casa de Deus com súplicas de perdão e dispostos a viverem a conversão. Seja para nós, a quaresma, este período de uma oração mais profunda e de uma penitencia coerente neste caminhar de discípulos missionários que sobem à Jerusalém para com Jesus viver a sua Paixão, morte e Ressurreição.

 

Que a Palavra e a Luz do Bom Pastor ilumine o seu caminho.

 

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Teste

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

 

“O vinheteiro e a figueira”, 1886–1894, J. Tissot (1836–1902)

 

Ouça o áudio preparado para esta liturgia (pode demorar alguns segundos)

Leituras: Ex 3-1-8a.13-15; Sl 102; 1Cor 10,1-6.10.12; Lc 13,1-9

 

⇒ POESIA ⇐

A PACIÊNCIA DE DEUS

 

Peço-te Senhor
A tua paciência,
Na minha deficiência,
Nas minhas murmurações,
E também nas decepções,
Que me fazem desviar,
Este meu caminhar,
Para as ilusões.

Peço-te Senhor,
A tua sabedoria,
Que me alumia,
Sem nada cobrar,
Mas quer me encaminhar,
Para a estrada correta,
Que também me alerta,
Aonde devo chegar.

Obrigado Senhor,
Em ti minha esperança,
Que espera e não se cansa,
Cuidando com carinho,
Indicando-me o caminho,
Para a santificação,
Sem que esqueça o meu chão,
E sem que eu fique sozinho.

Sigo em frente Senhor,
Neste meu caminhar,
Sei que vais me ajudar,
Nesta vida peregrina,
Tua Palavra me ensina,
Quero então prosseguir,
Firme e sem desistir,
Pois teu amor me anima.

 

⇒ HOMILIA ⇐

A Palavra de Deus nos faz fecundos

Lc 13,1-9

 

Seguimos em frente com o Senhor neste tempo quaresmal em busca da santidade, que é construída através da nossa conversão constante. O Evangelho deste 3º domingo da quaresma está em Lucas (13,1-9) e é constituído de duas partes.

Na primeira, a narração de algumas pessoas que chegam a Jesus para falar sobre o massacre de Pilatos contra alguns galileus. Jesus por sua vez, também lembra o desastre da torre de Siloé (cf. Lc 13,1-4). A intenção das pessoas que foram interrogar Jesus era saber sobre a posição dele a respeito destes acontecimentos. Jesus esclarece que estes fatos não são castigos de Deus, por causa dos pecados das pessoas, embora Deus queira que todos reconheçam seus pecados e tomem consciência da necessidade de conversão e, porém, os desastres e massacres não são uma vingança divina por causa dos pecados pessoais, mas muitas vezes, estas realidades são consequência dos atos humanos, do descuido, da violência, da opressão, da desumanidade e da tirania.

A segunda parte do evangelho trata da parábola da figueira estéril. A vinha é imagem do povo de Israel, sendo que o dono dela é o próprio Deus, que cuida com calma, carinho e misericórdia.

Diante de texto, podemos tirar vários ensinamentos para o processo de nossa conversão. O dono da vinha fala: “E Jesus contou esta parábola: ‘Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’. Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”. (Lc 13,6-9).

Podemos refletir que os três anos de Jesus na sua caminhada pública com os seus discípulos, junto ao povo e nos conflitos com os fariseus e outras lideranças, foi este período de cuidado e espera na busca dos frutos de conversão. Inicialmente ele pouco encontrou nos seus ouvintes e seguidores esta realidade.

Mas aqui entra a paciência e a espera de Deus para que a figueira seja renovada, adubada para dar frutos. No início desta vinha na caminhada do povo, na Bíblia, está Moisés que é chamado a cuidá-la, cultivá-la e livrá-la de toda a opressão imposta pelo faraó do Egito. Moisés foi o cuidador da vinha divina e durante muito tempo enfrentou o desafio dos murmúrios do povo, da sua idolatria e incredulidade para com o Deus da aliança. No chamado de Moisés está a memória de todos os percursos da história do seu povo desde os primeiros pais: “Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó” (Ex 3,6).

Paulo também faz memória da caminhada do povo da primeira aliança: “todos foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar; e todos comeram do mesmo alimento espiritual, e todos beberam da mesma bebida espiritual” (1Cor 10,3-4).

Precisamos refletir sobre nossas raízes espirituais e bíblicas, lembrando-nos do povo de Deus na sua caminhada pelo deserto e contemplarmos o percurso até nós, o povo da nova aliança. Nisto percebemos que Deus sempre caminhou conosco, o seu povo, mesmo em meio aos erros e durezas de nosso coração. Neste olhar e neste refletir, reconhecemos que ele sempre foi paciente, misericordioso e cuidadoso conosco, inclusive nos dando inúmeras chances de nos revermos e mudarmos de vida.

Os cristãos são chamados a buscarem nesta quaresma o cuidado, o preparo (adubo) com suas raízes espirituais, para poderem produzir a unidade, a fraternidade, o amor e a justiça, como sementes que fazem crescer a messe do Senhor.

Às vezes em alguns momentos de nossa vida, o nosso comodismo e a nossa indiferença com o Evangelho, passa a ser a expressão da figueira estéril, a qual será descartada, pois não fará sentido a sua existência se não produzir frutos.

Faz-se necessário que a nossa vida seja regada pela Palavra de Deus, alimentada pela Eucaristia, fortificada pela vida de oração, revisada pela penitência, vivida na caridade e ao mesmo tempo motivada para a missão evangelizadora, produzindo assim os frutos que se expressam no autêntico testemunho de cristãos, sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-14).

Peçamos ao Senhor a sua graça para que nos conceda a perseverança na nossa busca de conversão e nos fortaleça com a sua Palavra para tornar o nosso caminhar fecundo e cheio de sentido.

Que a Palavra e a Luz do Bom Pastor ilumine o seu caminho.

 

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

III DOMINGO DA QUARESMA – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

Leituras: Ex 3-1-8a.13-15; Sl 102; 1Cor 10,1-6.10.12; Lc 13,1-9

 

⇒ POESIA ⇐

A PACIÊNCIA DE DEUS

 

Peço-te Senhor
A tua paciência,
Na minha deficiência,
Nas minhas murmurações,
E também nas decepções,
Que me fazem desviar,
Este meu caminhar,
Para as ilusões.

Peço-te Senhor,
A tua sabedoria,
Que me alumia,
Sem nada cobrar,
Mas quer me encaminhar,
Para a estrada correta,
Que também me alerta,
Aonde devo chegar.

Obrigado Senhor,
Em ti minha esperança,
Que espera e não se cansa,
Cuidando com carinho,
Indicando-me o caminho,
Para a santificação,
Sem que esqueça o meu chão,
E sem que eu fique sozinho.

Sigo em frente Senhor,
Neste meu caminhar,
Sei que vais me ajudar,
Nesta vida peregrina,
Tua Palavra me ensina,
Quero então prosseguir,
Firme e sem desistir,
Pois teu amor me anima.

 

⇒ HOMILIA ⇐

A Palavra de Deus nos faz fecundos

Lc 13,1-9

 

Seguimos em frente com o Senhor neste tempo quaresmal em busca da santidade, que é construída através da nossa conversão constante. O Evangelho deste 3º domingo da quaresma está em Lucas (13,1-9) e é constituído de duas partes.

Na primeira, a narração de algumas pessoas que chegam a Jesus para falar sobre o massacre de Pilatos contra alguns galileus. Jesus por sua vez, também lembra o desastre da torre de Siloé (cf. Lc 13,1-4). A intenção das pessoas que foram interrogar Jesus era saber sobre a posição dele a respeito destes acontecimentos. Jesus esclarece que estes fatos não são castigos de Deus, por causa dos pecados das pessoas, embora Deus queira que todos reconheçam seus pecados e tomem consciência da necessidade de conversão e, porém, os desastres e massacres não são uma vingança divina por causa dos pecados pessoais, mas muitas vezes, estas realidades são consequência dos atos humanos, do descuido, da violência, da opressão, da desumanidade e da tirania.

A segunda parte do evangelho trata da parábola da figueira estéril. A vinha é imagem do povo de Israel, sendo que o dono dela é o próprio Deus, que cuida com calma, carinho e misericórdia.

Diante de texto, podemos tirar vários ensinamentos para o processo de nossa conversão. O dono da vinha fala: “E Jesus contou esta parábola: ‘Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’. Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”. (Lc 13,6-9).

Podemos refletir que os três anos de Jesus na sua caminhada pública com os seus discípulos, junto ao povo e nos conflitos com os fariseus e outras lideranças, foi este período de cuidado e espera na busca dos frutos de conversão. Inicialmente ele pouco encontrou nos seus ouvintes e seguidores esta realidade.

Mas aqui entra a paciência e a espera de Deus para que a figueira seja renovada, adubada para dar frutos. No início desta vinha na caminhada do povo, na Bíblia, está Moisés que é chamado a cuidá-la, cultivá-la e livrá-la de toda a opressão imposta pelo faraó do Egito. Moisés foi o cuidador da vinha divina e durante muito tempo enfrentou o desafio dos murmúrios do povo, da sua idolatria e incredulidade para com o Deus da aliança. No chamado de Moisés está a memória de todos os percursos da história do seu povo desde os primeiros pais: “Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó” (Ex 3,6).

Paulo também faz memória da caminhada do povo da primeira aliança: “todos foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar; e todos comeram do mesmo alimento espiritual, e todos beberam da mesma bebida espiritual” (1Cor 10,3-4).

Precisamos refletir sobre nossas raízes espirituais e bíblicas, lembrando-nos do povo de Deus na sua caminhada pelo deserto e contemplarmos o percurso até nós, o povo da nova aliança. Nisto percebemos que Deus sempre caminhou conosco, o seu povo, mesmo em meio aos erros e durezas de nosso coração. Neste olhar e neste refletir, reconhecemos que ele sempre foi paciente, misericordioso e cuidadoso conosco, inclusive nos dando inúmeras chances de nos revermos e mudarmos de vida.

Os cristãos são chamados a buscarem nesta quaresma o cuidado, o preparo (adubo) com suas raízes espirituais, para poderem produzir a unidade, a fraternidade, o amor e a justiça, como sementes que fazem crescer a messe do Senhor.

Às vezes em alguns momentos de nossa vida, o nosso comodismo e a nossa indiferença com o Evangelho, passa a ser a expressão da figueira estéril, a qual será descartada, pois não fará sentido a sua existência se não produzir frutos.

Faz-se necessário que a nossa vida seja regada pela Palavra de Deus, alimentada pela Eucaristia, fortificada pela vida de oração, revisada pela penitência, vivida na caridade e ao mesmo tempo motivada para a missão evangelizadora, produzindo assim os frutos que se expressam no autêntico testemunho de cristãos, sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-14).

Peçamos ao Senhor a sua graça para que nos conceda a perseverança na nossa busca de conversão e nos fortaleça com a sua Palavra para tornar o nosso caminhar fecundo e cheio de sentido.

Que a Palavra e a Luz do Bom Pastor ilumine o seu caminho.

 

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

II DOMINGO DA QUARESMA – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

 

Leituras: Gn 15,5-12.17-18; Sl 26; Fl 3,17-41; Lc 9,28b-36

 

⇒ POESIA ⇐

VAMOS SUBIR O MONTE DE DEUS

 

Subamos ao monte,
Para o encontro com o Senhor;
Para ouvi-lo e contemplá-lo na sua glória,
Para descobrirmos a vida em vitória,
Sem medo ou comodismo,
Sem o mal do individualismo,
Porque Ele é Senhor da nossa história.

Desçamos do monte
Em caminhada firme, e fortes,
Para seguirmos em frente, a missão,
Para caminharmos mesmo na perseguição,
Com a coragem que vem do Senhor,
Que mesmo abraçando a dor,
Continua firme a sua oração.

Continuemos a nossa estrada
Com o Senhor transfigurado,
Sendo fiéis seguidores do seu amor,
Com um coração cheio de vigor,
Na alegria de sempre crer,
Sem nunca, nunca esmorecer,
Com coragem que se faz no ardor.

Despertemos do sono da indiferença,
Ou mesmo do nosso comodismo,
Para do monte seguirmos em frente,
Sendo discípulos firmes e conscientes,
Cheios de vida, e transfigurados,
Em vida nova, e motivados,
Comunhão refeita e coração ardente!

 

⇒ HOMILIA ⇐

A Transfiguração do Senhor e a nossa transfiguração

Lc 9,28b-36

 

Continuamos nossa caminhada com Jesus rumo a Jerusalém neste período quaresmal, alimentados pela certeza na Ressurreição. Neste segundo domingo da Quaresma, contemplemos Jesus e os três discípulos que vão ao monte para orar. Lá acontecerá a Transfiguração, sinal da glória infinita de Deus que é prefiguração da Ressurreição do Senhor.

Podemos refletir várias realidades nesta narração de Lucas: Jesus escolhe Pedro, Tiago e João para estarem com ele na oração do monte; aparecem dois representantes da primeira aliança: Moisés e Elias, os quais conversam sobre o tipo de morte de Jesus em Jerusalém (cf. 9,31).

Na oração, os discípulos adormecem e quando despertam veem Jesus transfigurado: seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante e junto a ele estão dois homens, Moisés e Elias, os três aparecem revestidos de Glória (cf. 9,31).

Há uma sugestão de Pedro para armar as tendas para continuarem por ali. O Evangelista fala que Pedro não estava entendendo (cf. 9,31-33). Isto significa que ele queria apenas a segurança do monte sem a passagem pela Cruz. E uma nuvem envolve a todos e desta saiu a voz de Deus que diz: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!” (Lc 9,35).

Toda esta realidade apresentada pelo evangelista Lucas nos ensina que se faz necessário a oração para o maior entendimento do projeto do Reino. Que é preciso o seguimento consciente nos caminhos do Senhor.

A presença dos profetas confirma tudo o que foi anunciado no primeiro Testamento sobre o novo êxodo, a libertação de todo homem na nova Aliança. Precisamos subir também ao monte em vista do encontro com o Senhor, para vivermos a oração pessoal ou comunitária, não para entrarmos na nossa posição de comodismo, mas, para que a nossa missão de cristãos fique mais clara e comprometida, a fim de que estejamos mais conscientes de que a Cruz estará também na nossa estrada, se temos como meta a ressurreição em Cristo.

O interessante é que os três discípulos que Jesus chamou, coincidentemente, tinham dificuldades de entender a proposta do Reino, vejamos: Pedro, quando Jesus anuncia que irá sofrer e morrer não aceita naquele momento de maneira alguma esta realidade (cf. Mt 16,21-23); Tiago e João já haviam pedindo sobre um lugar de honra discutido sobre quem seria o maior (cf. Mc 10,35-38.43-45). Vemos que Jesus na sua pedagogia de Mestre os chama para viverem uma experiência de oração, para que se possa ficar clara para eles as consequências da Missão junto ao seu Mestre.

O despertar dos discípulos poderá significar a nova visão sobre o sentido da missão com o Senhor. A tendas também fazem referência à tenda do encontro, onde Moisés encontrava Deus, como cita o livro do Êxodo: “Logo que Moisés entrava na Tenda, a coluna de nuvem baixava e ficava parada na entrada, enquanto o Senhor falava com Moisés.” (Ex 33,9).

Na primeira leitura, Abraão, o nosso Pai na fé, é convidado a observar as estrelas, vê e pensar na promessa que Deus lhe confiou (cf. Gn 15,5). Ele nos ensina a confiar nas promessas de Deus e não duvidar. Quantas vezes somos fracos na nossa vida de cristãos e até duvidamos dos que acreditam e colocam sua vida totalmente nas mãos de Deus, mesmo diante das dificuldades e derrotas humanas.

São Paulo nos conforta: “Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas” (Fl 3,21). Toda a nossa vida de discípulos de Cristo é em vista da Ressurreição quando seremos também glorificados e viveremos eternamente com Deus.

Portanto, neste tempo em que somos convidados a vivermos uma escuta da palavra mais intensa, uma vida de oração mais profunda e rever a nossa caminhada através de um exame de consciência, faz-se necessário que escutemos o Pai do Céu que nos diz: “Este é o meu Filho, o Eleito” ( Lc 9, 31-35).

Precisamos silenciar para exercitar a escuta, não somente a escuta numa atitude de contemplação da voz de Deus, mas também ser mais ouvinte dos outros e estarmos atentos aos diversos gritos do mundo os quais estão expressos nos angustiados, nos órfãos, no povo da rua, nas penitenciárias e outras situações. Também ouvir os que estão mais próximos de nós.

Peçamos ao Espírito Santo o dom do discernimento para podermos descobrir aquilo que é mais necessário para chegarmos a uma vida transfigurada pelo amor, uma nova convivência juntos aos irmãos e irmãs, em direção à verdadeira felicidade a qual se encontra somente em Deus.

 

Que a Palavra e a Luz do Bom Pastor ilumine o seu caminho.

 

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

I DOMINGO DA QUARESMA – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

 

Leituras: Dt 26,4-10; Sl 90(91); Rm 10,8-13; Lc 4,1-13

 

⇒ POESIA ⇐

O DESERTO DA VIDA

 

No deserto desta vida,
Muitas coisas enfrentamos,
Tentações de todo tipo,
Que às vezes duvidamos,
Mas Jesus está com agente,
Caminhando firmemente,
É nele que acreditamos.

Muitas vezes ao caminhar,
O deserto fica quente,
Vem a sede e vem a fome,
Que vai castigando a gente,
Então vem a esperança,
O Senhor é a bonança,
Pois na vida está presente.

Temos tantas tentações,
No nosso mundo atual,
Consumir pra mais da conta,
Cultivando o capital,
Somos tentados a comprar,
E ainda adorar,
O ídolo material.

Não podemos esquecer,
Que a vida do cristão,
Deve ser simplicidade,
Vivendo a contemplação,
Com Jesus sem desistir,
O caminho a prosseguir,
Pra viver a conversão.

A caminhada é longa,
No deserto da existência,
Mas nós vamos aprendendo,
A viver com paciência,
Com jejum e oração,
Caridade em ação,
Santa e viva penitência.

Viver o tempo quaresmal,
Para o cristão é importante,
Faz muito a gente crescer,
E seguir perseverante,
A palavra é fundamento,
Oração como alimento,
Testemunho a todo instante.

 

⇒ HOMILIA ⇐

As tentações de Jesus e as tentações do cristão

Lc 4,1-13

 

Iniciamos a nossa caminhada quaresmal, e neste primeiro domingo da quaresma vamos refletir sobre a quaresma de Jesus, apresentada pelo evangelho de Lucas (4,1-13).

No deserto, Jesus vence as três tentações cada uma em um cenário diferente: No deserto quando chega a fome há uma tentação de transformar as pedras em pães (cf. 4,3). Em um segundo momento diante dos reinos do mundo, o diabo promete todas as riquezas para que Jesus as adore (cf. 4,7). Por fim, o tentador coloca Jesus no ponto mais alto e sugere que ele se atire para baixo (cf. 4,8).

Jesus, diante destas tentações contra a sua natureza humana, se faz fiel ao Plano do Pai e por isso tem sempre uma resposta firme perante o tentador, pois é conduzido pelo Espírito.

Na fome ele fala do alimento imperecível que é a sua sintonia com o Pai, ou seja, a oração constante. Pois não é somente o pão material que alimenta o homem. Diante da tentação do poder, Jesus é fiel ao projeto do Reino, pois somente ao Deus verdadeiro se deve adorar e servir (cf. 4,8). Diante da tentação da segurança oferecida pelo demônio, Jesus não se coloca no perigo, pois pela obediência à missão e na observação das Escrituras não se deve tentar a Deus somente para provar que ele é poderoso.

Nós, os cristãos, estamos neste deserto da nossa existência terrena, onde acontecem muitas tentações. Quando nos falta o pão, somos tentados a buscá-lo de forma fácil e nos desesperamos. Não podemos esquecer-nos da tentação do consumismo e do materialismo desnecessário, pois quanto mais leves e despreendidos estivermos das coisas, mais confortamos o nosso coração com as coisas do alto e o Senhor nos dirá: Não só de pão vive o homem, há um alimento que não perece, a sua Palavra, seu corpo e sangue que nos fortalece e nos traz a felicidade e a realização verdadeira.

A segunda tentação apresentada por Lucas: “se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu” (4,7), no faz refletir sobre os nossos ídolos que vamos criando, quando nos falta a fé no Deus verdadeiro. O povo no deserto também passou pela tentação de fabricar um bezerro de ouro para adorá-lo como um novo deus para eles. Podemos nos perguntar: que ídolos costumamos construir nas nossas tentações, quando não entendemos ou não esperamos o projeto de vida que Deus tem para nós? Diante disto Jesus nos dirá: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Lc 4,8).

A terceira tentação nos leva a refletir sobre nossas ações para manipular Deus a favor de nosso individualismo, quando buscamos os milagres apenas materiais, tais como a prosperidade baseada no acúmulo de bens e no conforto. São posturas interesseiras onde apostamos na ação de um Deus mágico, triunfalista e espetacular, que se mostra poderoso numa visão mais humana do que divina. Jesus nos diz: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Lc 4,12).

Quantas coisas boas o Senhor nos dá no deserto de nossa existência, quantas lutas, desafios, provações ele nos ajuda a vencer, as quais nos ensinam muito mais do que sucessos mirabolantes baseados apenas em interesses terrenos e exteriores.

A fé cristã é exatamente a consciência de que em cada momento da nossa vida estamos caminhando para a eternidade, pois o Senhor está conosco nos fortalecendo pelos desertos de nossa da vida, nos dando a vitória rumo à libertação e à salvação…

Peçamos ao Espírito Santo a perseverança de caminharmos sempre com Cristo, pois ele venceu as tentações, e nos ensinou a vencê-las, sinalizando a vitória sobre a morte, e nós, com ele também, venceremos as tentações no nosso deserto existencial e com ele ressuscitaremos.

 

Que a Palavra e a Luz do Bom Pastor ilumine o seu caminho.

 

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

VIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

 

Leituras: Eclo 27,5-8; Sl 91(92); 1Cor 15, 54-58; Lc 6,39-45

 

⇒ POESIA ⇐

A SABEDORIA QUE VEM DO ALTO

 

Ações sábias alegram o coração de Deus,
Pois do Senhor brota o sumo bem,
Que alimenta a santidade do homem,
Que lhe faz coerente também,
Porque o coração cheio de amor,
Traz para a vida a força e o ardor,
Que aos bons e justos convém.

E os olhos limpos das tantas traves,
Fará o sábio para o mundo iluminar,
Porque a sabedoria vem da luz de Deus,
Que ao seu coração vem a orientar,
Para seguir em frente como caminheiro,
Pela longa estrada caminhará inteiro,
Firme e iluminado e sem tropeçar…

Quem for discípulo como seu mestre,
Carregará o amor como fundamento,
No ministério do seu dia a dia,
Será da paz em qualquer momento,
Nascerão bons frutos da sua missão,
No seu caminhar terá compaixão,
Seu testemunho será ensinamento.

Cristãos iluminados pelo Senhor,
Curados das traves e das cegueiras,
Fazendo-os também a outros se guiarem,
E se livrarem das trilhas traiçoeiras,
Que às vezes tentam os atropelar,
Porque a vida é este trilhar,
Existência que se faz em nós verdadeira.

A comunhão nos traz a lucidez,
Pois o olhar do outro pode nos orientar,
E assim o encontro nos conduz a cura,
Em vista de a nossa vida transformar,
Porque a boa mensagem é fruto do seguidor,
Sentido e fortaleza que vem do Senhor,
Pela Boa-Notícia a nos alegrar.

 

⇒ HOMILIA ⇐

Autêntico exame de consciência

Lc 6,39-45

 

A liturgia da palavra deste domingo nos apresenta Jesus se dirigindo aos discípulos para orientá-los quanto às atitudes diante de si e diante dos outros. Era importante que os seus seguidores imprimissem em sua alma uma nova forma de relação com as pessoas e também entre eles próprios. Jesus pergunta: “Pode um cego guiar outro cego?” (Lc 6,39) Como, em vista da missão, o discípulo poderia “guiar” as pessoas em busca do Reino se não percebesse também suas próprias cegueiras e empecilhos? Se não fizesse este exame de consciência voltado para si, que novidade de vida poderia transmitir ao mundo?

Mais adiante, Jesus fala: “Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão” (Lc 6,42). Os discípulos, chamados a serem também luz do mundo (cf. Mt 5,14), necessitavam tirar de sua vida aquilo que os impediam de enxergar o mundo e as pessoas com os olhos de Deus. Como iluminar a vida das pessoas sem primeiro deixar-se iluminar? Poderiam ser guias cegos e assim levar os outros ao buraco da ilusão e da falta de sentido.

Jesus também lembra da árvore que deve ser reconhecida pelos seus frutos (cf. Lc 6,43), ou seja, os seus discípulos precisavam meditar sobre os resultados da sua missão. O fruto do seguidor deveria ser a paz, a justiça, a fraternidade, o perdão, o cuidado aos pobres e necessitados da providência e do amor de Deus. E somente preenchendo o coração com esses valores e atitudes que brotam do evangelho, poderiam falar e agir em favor do bem e do Reino de Deus, pois a boca fala do que o coração está cheio (cf. Lc 6, 45).

O que Jesus orientou aos discípulos, também é destinado a todos os cristãos de hoje. As palavras do Mestre de Nazaré são palavras de sabedoria que devem brotar do coração humano iluminado pela sua Palavra Santa. Sabedoria que o livro do Eclesiástico nos faz refletir, quando diz: “Como o forno prova os vasos do oleiro, assim o homem é provado em sua conversa…. assim a palavra mostra o coração do homem.” (27,6-7). Deus vai iluminando o homem em busca da sabedoria que transforma a sua vida e dos que o rodeiam.

Relendo a Palavra e refletindo os ensinamentos de Jesus e meditando sobre eles, o que poderemos trazer para a nossa vida? Onde nos toca e o que nos motiva a fazer? Que sabedoria podemos cultivar?

Quantas perguntas, e, quantas respostas podemos dar. Jesus nos ensina que não podemos ajudar o outro se não enxergamos primeiro as nossas falhas, ou seja, as traves que nos impedem de nos olhar e nos sentir tal como somos. Quanto tempo perdemos julgando os outros. Ou mais grave ainda, olhando para os outros com hipocrisia e nos fazendo de bons e justos.

Esta liturgia nos estimula a fazermos um exame de consciência muito profundo: Primeiro pensar sobre os obstáculos que nos cegam e nos fazem cheios de egoísmos, de ganâncias, individualismos, apegos às próprias ideias e hostilidade ao diferente. Tudo isso e mais outras atitudes são grandes empecilhos (traves) que barram a ação da Palavra de Deus em nós.

Livres das traves e abertos à sabedoria que vem de Deus os cristãos podem iluminar o mundo e oferecer uma proposta de transformação onde haverá vida nova e um mundo de paz e fraternidade. As guerras acabarão quando as sementes do Evangelho fecundarem novas relações e interações humanas. Quando o julgamento preconceituoso e as cegueiras forem retiradas dos olhos da maldade e a prepotência dos corações humanos.

Somente diante da sabedoria divina e do silêncio em que o ser humano poderá se colocar para se perceber, ele terá possibilidade de ser luz e assim conseguirá enxergar o caminho da vida. Enxergando o seu caminho poderá guiar outros seres humanos. Jesus nos pede que busquemos nos curar de nossas cegueiras para depois poder ajudar os outros.

Somente a humildade que nos leva ao reconhecimento de nossa condição humana poderá nos fazer novos. O cultivo da sabedoria que vem de Deus nos fará produzir bons frutos em qualquer fase de nossa vida. O salmo 91 nos exortará: “O justo crescerá como a palmeira… mesmo no tempo da velhice dará frutos, cheios de seiva e de folhas verdejantes…”.

Que sejamos bons discípulos, como o mestre (Lc 6,40), não acima dele, mas, como ele. Iluminados pelo Senhor e motivados pela sua Palavra que nos fortalece e nos liberta, poderemos dar glória por tantos cristãos, Sal e Luz do mundo, que semeiam o Evangelho em todos os cantos do nosso planeta, em vista de um mundo transformado, cheio de esperança e alegria.

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

VII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

 

Leituras: 1Sm 26, 2.7-9.12-13.22-23; Sl 102; 1Cor 15,45-49; Lc 6,27-38

 

⇒ POESIA ⇐

O AMOR ALÉM DO HUMANO

 

Amor aos inimigos, diz o Senhor,
Fazendo-nos amar na profundidade,
Indo além do dar e do receber,
Que é próprio da nossa humanidade.
Como fugir do convencional?
Como agir contrário ao mal?
E sair da vingança para a humildade?

Muitos humanos estimulam fortemente,
A revanche no lugar do perdão,
O olho por olho como sendo a lei,
Sufocando a reconciliação,
E, então, se esconde a verdade,
Não se vê o que é lealdade,
E emerge a forte contradição.

Fazer o bem aos enraivecidos,
Buscar vencer o ressentimento,
Provoca o bem, e, cura a pessoa,
Alivia os traumas e os sofrimentos,
Estimula a paz e a serenidade,
Faz caminharmos para a liberdade,
Cura a alma e seus ferimentos.

Bendizer os que nos praguejam,
Semear o bem e se desarmar,
Deixar que nosso coração,
Pulse livre sem se inchar,
Para que a vida seja alegria,
Seja inspiração pra poesia,
E, a estrada firme pra se caminhar.

E a oração aos caluniadores,
Que muitos vem a questionar,
Para alguns, quase impossível,
Mas ninguém pode desanimar,
Porque a oração é força vital,
Para os que creem é essencial,
Alimenta a alma e faz caminhar.

 

⇒ HOMILIA ⇐

O amor no alto nível cristão

Lc 6,27-38

 

A liturgia deste domingo vem nos trazer o tema do amor no mais alto nível, o qual brota da boca de Jesus. Trata-se do amor desprendido de recompensas ou de aprovação. O Evangelho de Lucas nos apresenta quatro pedidos de Jesus: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam” (Lc 6, 27-28). São conselhos que nos fazem pensar em nossas atitudes interiores e na prática de nossas posições no dia a dia de nossas vidas, no convívio com os outros.

Como seguir estes conselhos máximos de Jesus? As palavras dele nos inquietam, nos provocam e nos fazem pensar no desafio próprio do ser cristão na sua forma mais autêntica. Querendo ou não, o cristianismo é uma posição na contramão de muitas posturas e concepções, as quais podemos verificar nas nossas funções profissionais, nas escolhas políticas, no modo de vida de muita gente e, infelizmente, também presentes no cotidiano dos grupos humanos e das comunidades cristãs.

Às vezes esquecemo-nos destas palavras de Jesus e, portanto, agimos de forma muito incoerente com o Evangelho. Em diversos momentos podemos até afirmar que o pedido de Jesus é impossível de se viver. Esquecemos que as nossas curas interiores e a nossa conversão acontecem quando arrancamos os ressentimentos, quando nos desprendemos dos julgamentos e nos desfazemos dos desejos vingativos no nosso coração.

Entre tantos pedidos, Jesus ainda diz: “O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também a eles” (Lc 6,31). Quantas vezes desconhecemos este conselho e fazemos o contrário. Jesus nos motiva a vivermos atitudes novas em vista de um mundo novo. Numa sociedade de tantos incentivos a vinganças, discursos políticos incoerentes com o evangelho, somos chamados a nos despertar e nos iluminar para enxergamos as misturas de joio e de trigo presentes entre nós cristãos e também nos que se dizem cristãos e moralmente corretos.

Importante lembrar o texto da primeira leitura, quando Davi tendo a oportunidade de matar seu inimigo político, Saul, decide que esta não seria a sua atitude coerente com um pretendente a chefe de uma nação… Davi era o candidato ao trono, mas evitou sujar as mãos com o sangue da rivalidade e da sede de poder. Diz ele: “quem poderia estender a mão contra o ungido do Senhor e ficar impune” (1Sm 26,9). Os políticos do nosso país poderiam aprender muito com a atitude de Davi. Quantas vezes se mata o outro ou tenta-se armadilhas para se tomar o poder.

Assim foi a história humana ao longo da sua existência: posições do bem, fundamentadas no amor e conseguintemente fomentando a vida, e, posições do mal, onde está presente a morte por causa das disputas e vinganças as quais desaguam nas guerras e destruições da vida.

O que Jesus nos ensina no Evangelho, Davi já colocou em prática a milhares de anos antes. Mas em Cristo tudo é pleno e em vista do Reino de Deus. Não podemos também esquecer os tantos cristãos que vivem a favor da justiça, da caridade e da paz. O testemunho das pessoas que pregam o amor e encarnam em sua vida a atitudes e posições que a Palavra hoje nos pede, são expressões do evangelho no mundo.

Portanto, a liturgia de hoje nos motiva a olharmos para Jesus e acolhermos suas palavras carregadas das expressões que nos impulsionam a vivermos o seu amor e a sua misericórdia. Palavras, as quais brotam do seu coração divino. E assim, cada cristão é chamado ter as marcas do amor e da misericórdia de Deus.

Cristo é o novo Adão que veio nos visitar com sua humanidade e divindade, e, por isso, nos ensina aquilo que devemos fazer para transformar o mundo e ao mesmo tempo construirmos o seu Reino, que já acontece neste mundo quando se coloca em prática o amor aos inimigos, quando se vive a prática do bem, a benção aos que nos praguejam e a oração em favor dos caluniadores. Com a graça e a força de Deus é possível vivermos estas máximas de Jesus. Amém!

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

VI DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

 

Leituras: Jr 17,5-8; Sl 1; 1Cor 12.16-20,1-11; Lc 6,17.20-26

 

⇒ POESIA ⇐

MERGULHO NO MAIS PROFUNDO DA VIDA

 

Como a raiz da árvore próxima ao rio,
Buscando a energia e a força vital,
Assim é o homem que busca ao Senhor,
Vivendo sua essência original,
Com os pés no chão da vida, firmando,
Com segurança ele vai caminhando,
Sendo mensageiro, e, para o mundo um sinal.

Seguir o caminho da vida aventurada,
Na busca do verdadeiro sentido,
Nos propósitos das bem-aventuranças,
Com o caminho iluminado e fortalecido,
Sem se render a uma posição superficial,
Mas mergulhando na Palavra que é sinal,
E no abraço de um Deus amor e Pai querido!

O Senhor nos alerta a viver a felicidade,
Que se constrói pela nossa conversão,
Que se constrói na coerência e bondade,
Porque ele nos ensina a compaixão,
Nos motiva a vivermos no sumo bem,
Abraçados pela sua misericórdia também,
Porque ele nos oferece a redenção.

A Palavra do Senhor é também alimento,
Para os peregrinos da paz e da alegria,
Para os que promovem a justiça e a vida,
Na realidade da criação, a cada dia,
Porque Deus nos criou para a felicidade,
Para comunhão, o encontro e a fraternidade,
Como Pai amoroso nos fortalece e nos sacia!

 

⇒ HOMILIA ⇐

A felicidade que não se acaba

Lc 6,17.20-26

 

A liturgia deste Domingo nos apresenta Jesus descendo do monte e pregando as bem-aventuranças para as multidões e, especialmente, para os discípulos. A palavra de Jesus se dirige aos pobres, aos que passam fome, os que choram e aos que são odiados (cf. Lc 6,20-22). Esta realidade era percebida por Jesus no seu contato com o povo e na sua realidade conflituosa com os chefes políticos e religiosos da sua época.

A pregação de Jesus denuncia a realidade de pobreza, de fome, de angústia e de hostilidade em que o povo era vítima. Ele traz um alento e ajuda às pessoas a fim de que acreditem que as realidades de sofrimento humanas e terrenos podem passar. Outra realidade surgirá após esta vida. Jesus ao contemplar a realidade de seu povo traz a esperança e a segurança de que Deus está com os que sofrem e que ele quer construir um mundo de justiça, de paz e de alegria já neste mundo.

Os que buscam experiência da confiança no Senhor e que lutam por um mundo melhor são como a árvore plantada junto às águas, que estendem as raízes em busca de umidade (cf. Jr 17,8). Por essa razão, as pessoas que buscam o Senhor encontram força quando são atingidos pelo sofrimento, provindo da pobreza, da opressão e das calúnias que poderiam vir como consequência do discipulado.

A Palavra do Senhor será sempre o alimento que fortalece e a seta que orienta o cristão a seguir em frente. E, portanto, quem coloca sua existência numa busca do sentido mais profundo entenderá o significado das bem-aventuranças pregadas por Jesus. Os discípulos que acolheram o seu chamado entenderam que era preciso viver a experiência de desprendimento (pobreza) e, neste sentido, seriam também os bem-aventurados, os que encontraram em Deus o significado pleno de suas existências.

Num segundo momento a Palavra de Jesus também é dirigida a outro grupo: “Aí de vós ricos, porque já tende vossa consolação… Ai de vós que agora rides, porque tereis luto e lágrimas!” (Lc 6,24.25). Jesus alerta e provoca os que usam as suas riquezas com arrogância, aqueles que zombam dos que sofrem. Os “ais” de Jesus podem estimular a conversão dos avarentos, desumanos e zombadores. Sua voz pode ressoar como um apelo a uma mudança de vida em direção ao amor, à fraternidade e, sobretudo, a caridade.

Os cristãos podem se perguntar se no dia a dia de suas vidas não reproduzem as atitudes e posições desumanas e incoerentes ao evangelho. A cada encontro com o Senhor através de sua Palavra somos convidados a refletir sobre o sentido das bem-aventuranças.

Cabe nos perguntar sobre a provocação que as palavras de Jesus produzem no coração daqueles que se colocaram numa posição de opressão, de injustiça e firmam sua confiança unicamente nas obras e ações humanas, na adoração aos bens materiais, realidade que não possibilitam estabilidade à manutenção da essência do homem.

Precisamos entender que as bem-aventuranças não são uma apologia ao sofrimento, mas uma forma de dizer que a vontade de Deus seja presente e que o ser humano encontre a verdadeira felicidade. As bem-aventuranças nos apontam para a vida eterna, onde tudo é permanente passará e a vida será plena em Deus.

Portanto podemos nos perguntar: como está nossa vida de seguidor e servidor de Cristo?            Como procedemos e agimos no nosso dia a dia? Em quem depositamos nossa confiança? Para responder estas questões é importante vivermos em profundidade a experiência da fé no Ressuscitado e na nossa ressurreição, pois Cristo é o fundamento que nos faz seguir vivendo como peregrinos neste mundo em busca de uma vida de aventurança plena.

São Paulo escreve na sua carta aos coríntios: “… na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morrem. Nossa fé cristã deve se fundamentar na verdade destas palavras do apóstolo” (1Cor 15,20). Somente com esta confiança e esta certeza na ressurreição, podemos prosseguir com segurança nossa vida de discípulos e colocarmos nossos dons e testemunho a serviço do Reino de Deus, o qual já se inicia aqui pela nossa vivência fraterna, digna e coerente com o Evangelho. Amém!

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

V DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

 

Leituras: Is 6,1-2a.3-8; Sl 137(138); 1Cor 15,1-11; Lc 5,1-11

 

⇒ POESIA ⇐

AVANCEMOS PARA A MESSE

Avancemos para os campos,
Para as cidades, vilas e favelas,
Anunciemos nelas,
O dom do amor,
Também do fervor,
Sempre a proclamar,
E acreditar,
No que diz o Senhor.

Avancemos com a barca de Jesus,
Em busca das multidões,
Em mutirões,
Para viver a pesca,
Pois ainda resta,
A nossa obediência,
Na paciência,
E na vida honesta.

Avancemos com os discípulos,
Que firmes seguiram,
E se uniram,
A caminhar,
Vivendo a pregar,
As vezes a cair,
Mas sem desistir,
Sempre a levantar.

Avancemos para os mundos humanos,
Em suas existências,
Com suas essências,
Se fazendo união,
Na vida de irmãos,
Nas tantas partilhas,
Que para o mundo brilham,
Pela comunhão!

 

⇒ HOMILIA ⇐

Eis-me aqui, envia-me!

Lc 5,1-11

 

A liturgia que celebramos neste Domingo é toda voltada para a dimensão vocacional, pois, presenta o chamado dos primeiros discípulos de Jesus. Até então, nas liturgias anteriores, vimo que Jesus agiu e falou sozinho e dentro da sinagoga, dentro do templo. A partir de agora ele está em movimento, sairá do espaço religioso. Formará o seu grupo para presenciar o Reino, pois agora, cercado de seguidores fará a experiência da missão no mundo.

Podemos imaginar o cenário deste texto: uma manhã à beira do mar; uma multidão que cerca Jesus; pescadores desanimados pelo insucesso no seu trabalho, barcos vazios… tentaram a noite toda e não tiveram êxito na pesca.

O texto de Lucas terá três momentos que poderão ser observados para a nossa reflexão: (i) a pregação de Jesus à multidão; (ii) a pesca milagrosa; e (iii) o chamado aos quatro primeiros discípulos – Pedro e André; Tiago e João.

Depois dos ensinamentos às multidões, Jesus ordena a Pedro e aos seus companheiros que avancem para águas mais profundas e lancem as redes (cf. Lc 5,4), pois estavam na margem. Esta ordem arrancou Pedro da acomodação e do desânimo, que somente pela obediência ao Senhor atende ao pedido.

O resultado da ação dos futuros discípulos é o grande milagre da abundância de peixes que quase rompe as redes. Em seguida vem a confissão de Pedro: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!” (Lc 5,8). Este reconhecimento de que Jesus é o Senhor já sinaliza para a sua ressurreição quando vencerá a morte e trará a todos a prova de que ele é o Deus verdadeiro e quer que todos ressuscitem.

O terceiro momento é o chamado dos discípulos para serem pescadores de pessoas, para se lançarem no mundo com Jesus e viverem a missão de anunciar que o reino de Deus está próximo. O texto diz: “eles levaram os barcas para a margem, deixaram tudo, e seguiram a Jesus.” (Lc 5,11).

A barca é um símbolo que representa a Igreja onde Jesus opera o milagre da abundância, onde ele sacia todos da fome. Fome que deixa as pessoas desanimadas e sem motivação para continuar a jornada da vida.

Para os que seguem de forma mais radical o Senhor, faz-se necessário ser obediente para ir além das práticas religiosas e se lançar no mundo para testemunhar que a salvação está a nossa porta. Também é importante que no dia-a-dia da missão cristã, quando faltar a coragem e o ânimo para continuar, precisamos nos voltar para o Senhor e confiar na sua Palavra. Ela nos encoraja a continuar e a sermos sal e luz do mundo, onde quer que estejamos. Ele também nos aponta o caminho a seguir.

É importante para os missionários o reconhecimento de que somos pecadores e precisamos confessar a nossa fé no Senhor que nos chama; também é importante a vontade de ser melhor a cada dia, pois é isto que nos faz crescer. Precisamos discernir quando é necessário deixar aquilo que para nós “é tudo” e seguir em frente, mesmo continuando a nossa profissão, colocando os nossos bens e nossas capacidades (dons) a serviço do Reino.

Peçamos ao Espírito Santo o dom fortaleza para sermos melhores cristãos e digamos, como São Paulo, que somos o que somos pela graça de Deus (cf. 1Cor 15,10) e completemos com as palavras do profeta “aqui estou! Envia-me!” (cf. Is 6,8).

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

IV DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, SÃO LUCAS

[vc_row][vc_column][vc_column_text]

Leituras: Jr 1,4-5.17-19; Sl 70(71); 1Cor 12,31;13-1-13; Lc 4,21-30

 

⇒ POESIA ⇐

MARCADOS PELO AMOR

Somente no AMOR,
Somos capazes de caminhar,
Seguir firmemente e sem desanimar,
Caminhar com o coração livre e dizer:
Que a caridade não se deixa vencer,
Pois o nosso julgamento final será pelo amor.
Quando em nós houve o agir acolhedor,
E a esperança nunca a desaparecer!

Somente com o AMOR,
Exalamos o perfume da vida verdadeira,
Vindo da flor que sai da videira,
Vida que segue até eternamente,
Se estendendo com calma e fraternalmente,
Fundamentada na Palavra sempre Viva,
Encarnada e com a unção ativa
Que se cumpre no hoje no povo crente.

Somente no AMOR,
Semeamos também nos gestos de profecia,
Da verdade não aceitada que se anuncia,
Porque a Palavra está na boca dos profetas,
Que falam, agem, motivam e despertam,
Denunciam as mentiras e a injustiças,
Os poderes, opressões e cobiças,
E por isso caminha também em alerta!

Somente no AMOR,
Somos capazes de entender,
Que desde o ventre e ao nascer,
Fomos por Deus, chamados e amados,
A serviço do Reino a ser implantado,
Que se dar na vida e na comunhão,
Na comunidade viva dos irmãos,
No encontro que nos faz congregados.

 

⇒ HOMILIA ⇐

A caridade como chave para o Reino de Deus

Lc 4,21-30

 

O Evangelho deste Domingo é a continuidade da liturgia dominical anterior. O texto do evangelista Lucas inicia exatamente onde terminou no Domingo passado: “Então começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura’.” (Lc 4,21). Diante da afirmação de Jesus dois grupos tiveram reações diferentes: os que davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca (cf Lc 4,22). E os que ficaram furiosos, que expulsaram da cidade e queria lançá-lo no precipício (cf. Lc 4,28-29).

Este texto nos traz duas reflexões importantes para a evangelização da Igreja nas diversas realidades humanas e culturais. Podemos recordar que diante das palavras de Jesus um grupo ficou admirado e até dava testemunho de Jesus, pois o reconhecia como um conterrâneo seu: “Não é este o filho de José?” (Lc 4,22). Porém outra turma ficou furiosa, pois quando Jesus faz memória da Primeira Aliança lembrando a ação de Deus em favor da viúva em Sarepta e do leproso Naamã que eram de outros povos, justificando que a ação de Deus não está restrita a um grupo de privilegiados, estes os expulsaram e queria assassiná-lo, lançando-o no precipício.

Pois bem, para os cristãos que estão na caminhada evangelizadora levando a Palavra como discípulos missionários, faz-se necessário estar atentos a estas duas realidades do mundo: na pregação sempre haverá os que escutam e ficam até admirados, depois dão testemunhos como seguidores do Senhor. Por outro lado, há os que não aceitam e até matam os profetas da verdade tentando calá-los.

Na primeira leitura lemos sobre o profeta Jeremias: “antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações.” (Jr 1,5). Aqui vale frisar a experiência da profecia. Os cristãos são chamados a viverem pela vida e pregarem a experiência de ser, às vezes hostilizado, ignorados ou perseguidos como Jesus.

Meu irmão, minha irmã, você já se sentiu perseguido porque falou verdade, porque denunciou alguma injustiça ou porque se colocou a favor da vida?

E há ainda outra dimensão própria dos cristãos e que Lucas faz questão de frisar nos seus textos: a universalização da Palavra. Ou seja, inicialmente, todos são destinatários da salvação, dentro da sua liberdade e possibilidade de aceitar ou não.

Quando se fala das nações é exatamente neste sentido da Palavra dirigida a todos os povos e não somente a Israel. Percebemos então que já havia uma mensagem da Palavra de Deus através dos profetas que fomentava a universalização da libertação esperada pelos hebreus, porém dirigida a todas as nações.

Por fim, é importante meditarmos sobre a carta de São Paulo aos coríntios: “atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.” (1Cor 13,13). Neste versículo temos a compreensão da base da vivência cristã, seja na evangelização ou nas ações sociais. Tudo o que fazemos deve ser fundamentado no amor com sentido caritas, pois sem este fundamento nossa pregação fica vazia e nossa ação será apenas uma filantropia fria e sem compromisso com o outro.

Peçamos as luzes do Espírito Santo para que ilumine nosso coração e nossa mente para entendermos o sentido principal do nosso ser cristão. Fiquemos com a máxima de São João da Cruz: “Pois ao entardecer do meu mortal viver serei julgado pelo amor.” Amém

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]