III DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Ne 8,2-4a.5-6.8-10; Sl 18(19); 1Cor 12,12-30; Lc 1,1-4; 4,14-21

 

⇒ POESIA ⇐

O ESPÍRITO DO SENHOR ESTÁ SOBRE NÓS

O Espírito do Senhor está sobre nós
Para que ilumine o nosso caminhar,
Para que purifique o nosso olhar,
Para que no corpo do Senhor,
Encarnemos o seu Amor,
E não venhamos a desanimar.

O Espírito do Senhor está sobre nós
Para fazermos o Reino acontecer,
No “hoje” desde o amanhecer,
Como naquele dia da Ressurreição,
Certeza da nossa redenção,
Infinita nossa vida há de ser.

O Espírito do Senhor está sobre nós
No seguimento de discípulos missionários,
Na vida dos pobres sendo solidários,
Para sermos sal e luz do mundo,
Vivendo com amor profundo,
Trabalhando como dignos operários.

O Espírito do Senhor está sobre nós,
Na escuta da Palavra e na oração,
Como membros em fraterna comunhão,
Vivendo em Cristo o amor perfeito.
Pra ser feliz não há outro jeito,
Somente buscando a santificação.

 

⇒ HOMILIA ⇐

Jesus é o cumprimento das Escrituras

Lc 1,1-4; 4,14-21

 

A liturgia deste Domingo, no que se refere ao Evangelho, nos apresenta dois trechos distintos de Lucas, ambos carregados de uma profunda mensagem. Na primeira parte (1,1-4) trata-se da introdução onde podemos observar as quatro etapas da formação dos evangelhos: (i) os acontecimentos sobre Jesus (cf. 1,1); (ii) a pregação dos apóstolos e discípulos de Jesus, os quais Lucas chama de testemunhas oculares e ministros da palavra (cf. 1,2); (iii) vários escritos menores também transmitidos pelos primeiros cristãos (cf. 1,2); (iv) o próprio escrito do Evangelho como lemos atualmente, quando o evangelista fala que decidiu escrever de modo ordenado (cf. 1,3).

Toda a introdução é dirigida a um certo Teófilo, que os estudos bíblicos e teológicos traduzem como “amigo de Deus”, ou seja, aqueles que estão abertos ao chamado do Senhor e querem seguir a sua Palavra e o seu caminho.

A segunda parte nos mostra Jesus indo à sinagoga como de costume. Na liturgia das sinagogas, celebradas aos sábados, eram proclamadas duas leituras: uma do Pentateuco, seguida do comentário de um especialista; e a outra tirada dos profetas, que poderia ser comentada por qualquer pessoa que tivesse a permissão do presidente da assembleia.

Parece que para muitos naquele sábado era uma celebração comum como as outras, mas não foi. Após a leitura feita por Jesus, algo era diferente: todos estavam de olhos fixos nele (cf. Lc 4,20). Jesus tem a permissão e faz uma homilia, afirmando que aquela palavra do Profeta Isaías (cf. 61,1-2) se cumpriu naquele momento. Mesmo que o povo esperasse por alguém para trazer a libertação de Israel anunciada pelos profetas foi difícil aceitar a afirmação de Jesus.

Jesus anuncia o programa da sua missão: a Boa-Nova (Boa-Notícia) direcionada aos pobres (devedores, cativos, doentes, oprimidos) que esperavam da parte de Deus tal benevolência. O olhar voltado para os pobres está mais presente em Lucas do que nos demais evangelistas, embora seja esse o projeto do Reino apresentado por Jesus. Ele é a própria Palavra encarnada, nele está encarnado o sonho do povo de Deus prefigurado na primeira leitura (livro de Neemias), quando Esdras celebra com o povo a Palavra de Deus para nutrir a esperança e para a renovação da Aliança com o Senhor. O texto de Neemias nos apresenta uma lista de orientações litúrgicas e, sobretudo, mostra-nos como deve ser o verdadeiro culto a Deus.

Ao declarar: “hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura.” (Lc 4,21) Jesus nos apresenta o cumprimento da chegada do Reino, o “hoje” determina que chegou a hora de vivermos plenamente a Palavra como regra principal, pois a libertação anunciada por Jesus é a própria redenção do homem, a salvação para todos. O vazio que torna as pessoas escravas das drogas, do álcool, da prostituição do corpo e das ideias relativistas é a maior pobreza. Além disso, o comodismo e a incoerência dos cristãos também trará consequências como a pobreza material, moral e as injustiças para os pequeninos de Deus.

Portanto, Jesus indica o que é necessário que façamos como seguidores dele e, sobretudo, como membros do seu corpo. É o que fala São Paulo na primeira carta aos Coríntios: “Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e individualmente, sois membros desse corpo.” (1Cor 12,27). Ser membro do corpo de Cristo é sentir a dor dos outros membros, é também valorizar cada pessoa com dignidade independente do que seja, do que faça e do que tenha.

Para finalizar esta reflexão, podemos nos perguntar: qual o meu programa de vida cristã? Como batizado, será que tenho os olhos fixos em Cristo, para melhor viver o testemunho autêntico de um discípulo missionário do Senhor?

Peçamos ao Espírito Santo que nos conduza na nossa missão de seguidores de Cristo, sempre se sentindo como membro do Corpo de Cristo. Amém!

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II Domingo do Tempo Comum – Ano C, São Lucas

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Leituras: Is 62,1-5; Sl 95(96); 1Cor 12,4-11; Jo 2,1-11

 

⇒ POESIA ⇐

FESTA DO VINHO NOVO

Convidamos o Senhor
Para a festa nova da nossa vida,
Para matar a sede que nos torna tristes,
Para transformar a estrada percorrida,
Superando a barreiras que existem,
E que torna nossa história sofrida.

Convidamos a nossa Santa Mãe,
Que percebe nossas dificuldades,
Quando não temos o suficiente,
Para prosseguir o encontro com a verdade.
Pois nem sempre há clareza existente,
Para seguir o caminho da unidade.

Convidamos ainda os primeiros seguidores,
Que pela fé aderiram o Senhor,
Para sempre foram anunciadores,
Mesmo diante das barreiras e da dor,
Viveram a santidade como grandes pregadores,
Entregaram a vida com radical amor.

Que sejamos servos obedientes,
Quando o Senhor algo nos pedir,
Possamos exercer a liturgia da vida,
Vivendo a santidade agora e aqui,
Que nossa missão nunca seja esquecida,
E que o vinho novo possa sempre existir.

Que a mesa santa traga-nos a fraternidade,
E os gestos falem mais do que pronunciamentos,
Trazendo os sinais da transformação,
E a alegria viva como fermento,
A justiça e a paz via de comunhão,
E o amor na vida: sentido e sustento.

 

⇒ HOMILIA ⇐

Fazei tudo o que o Senhor vos disser

 

Estamos na primeira parte do Tempo Comum que totaliza cinco semanas até o início da Quaresma. A liturgia da Palavra nos apresenta o evangelista João com o conhecido texto das Bodas de Caná.

Na cultura judaica as festas de casamento duravam em média uma semana e o vinho era a bebida principal a qual não poderia faltar. Mas naquela festa, a qual estavam Jesus, Maria, os discípulos e muitos outros convidados, faltou o vinho. Maria, na sua sensibilidade e percepção da situação, quer livrar os noivos de tão grande constrangimento, ela tem consciência e a certeza que Jesus poderia resolver o problema, por isso o chama, pedindo que encontre uma saída e depois fala para os servos da festa que obedeçam ao que o Senhor disser (cf. Jo 2,5).

E Jesus opera o seu primeiro milagre, que o evangelista João chama de primeiro sinal, pois a água transformada em vinho é sinal de vida nova ao mesmo tempo em que já aponta para a sua ressurreição e a certeza da nossa salvação por meio dele.

O vinho novo também se relaciona com a Eucaristia quando é transformado no corpo e sangue do Senhor, o sangue da Nova Aliança que nos conduz à nossa redenção.

Podemos refletir mais alguns pontos desta passagem do evangelista João: a presença de Maria neste episódio nos leva a meditar que ela é a intercessora diante das nossas necessidades, ela é primeira discípula de Cristo e também quem primeiro nos pede para obedecer à palavra de Deus: “Fazei tudo o que o Senhor vos disser” (Jo 2,5). Depois, o sinal de Jesus realizado numa festa de casamento nos aponta para a primeira leitura, em que o profeta diz que “já não te chamarão ‘Abandonada’, nem chamarão à tua terra ‘Desolação’. Antes, será chamada ‘Meu prazer está nela’, e tua terra, ‘Desposada’. Com efeito, o Senhor terá prazer em ti e se desposará com tua terra.” (Is 62,4). Na caminhada do povo de Israel, Deus é o esposo fiel mesmo diante das infidelidades de seu povo. No Novo Testamento Jesus é o esposo fiel da Igreja que doa seu corpo e seu sangue para que esta seja alimentada e torne-se presença do Reino no mundo.

Outro ponto interessante é que este primeiro sinal de Jesus fez os discípulos crerem nele, significando que a partir daí eles fizeram a adesão verdadeira e seguiram alimentados pela fé no Senhor que os chamou.

O encontro com o Senhor e a vivência da fé nele, deve nos levar para a experiência do discipulado missionário onde devemos testemunhar o próprio Cristo e ser sinal de amor no mundo de tantas controvérsias. O amor de Deus por nós é constante e eterno, ele é o esposo fiel mesmo que haja infidelidade ao longo do caminho que percorremos, ele que não deixa acabar o vinho da alegria na festa da nossa vida.

Não podemos esquecer que o matrimônio é o grande sinal do Reino no mundo, expresso na unidade, na fidelidade, no respeito, no diálogo e sobretudo no amor do casal. A família que vive tais virtudes são sinais da presença de Deus e ao mesmo tempo como em Caná, onde o Senhor faz o milagre do vinho novo símbolo da constante alegria da vida e do amor abundante no mundo.

Há uma presença sensível e auxiliadora na vida dos cristãos, que é a intercessão de Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa. Ela percebe quando falta algo em nossa vida e pede ao Senhor que opere o milagre da restauração e da saciedade. A nós cabe a atitude dos servos da festa: que sejamos obedientes, ou seja, devemos assiduamente ler e meditar a Palavra de Deus que nos converte, nos chama e depois pela fé nos tornamos discípulos missionários de Cristo, como Maria.

Peçamos as bençãos de Deus para uma caminhada marcada pela felicidade em Deus e que Maria interceda sempre por nós quando nos faltar aquilo que mais nos torna firmes na caminhada: a alegria de sermos filhos e filhas de Deus. E que lembrando a Carta de São Paulo aos Coríntios (cf. 12,4-11), possamos ser sinais de serviço ao Reino com os diversos dons que Deus nos concede, sobre a luz do mesmo Espírito, que nos ilumina, nos fortalece e nos capacita em nossa missão para sermos sinais do amor e da alegria no mundo. Amém!

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BATISMO DO SENHOR – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Is 42,1-4.6-7; Sl 29(28); At 10,34-38; Lc 3,15-16,21-22

 

⇒ POESIA ⇐

BATIZADOS PARA O REINO

Como um mergulho na vida de Cristo,
Sem sabermos o tamanho desta realidade,
Somos chamados a amar de verdade,
Num caminhar de discípulos amados,
Pela alegria imensamente inundados,
E na convicção da nossa santidade.

Filhos do mesmo Pai misericordioso,
Nossa fonte da eterna Criação,
A Ele também nossa adoração,
Como irmãos na mesma caminhada,
Num olhar de vida contemplada,
Alegres pela vida em missão.

Guiados pelo Espírito de amor,
Ao receber a sua santa unção,
Que nos alegra pela sua inspiração,
Que conduz na nossa longa estrada,
E nos fortalece nas nossas jornadas,
Ajudando-nos na nossa santificação.

Batizados para formar comunhão,
Para sermos sinal para a humanidade,
Sendo ação na fé e na caridade,
Seremos do Reino, continuadores,
Discípulos de Cristo, evangelizadores,
Nas mais diversas realidades.

Trindade Santa, Deus de amor,
Fazei conosco comunhão,
Fortalece-nos na oração,
Para do Batismo não desanimar,
Mas cada vez mais fortificar,
Nossa gratuita filiação.

 

⇒ HOMILIA ⇐

O Batismo do Senhor e o nosso batismo

 

Festejamos o Batismo do Senhor e logo depois desta liturgia dominical já iniciamos, no dia seguinte, segunda-feira, o Tempo Comum, num período de cinco semanas, as quais nos separam da Quaresma.

Lucas nos apresenta nesta leitura, o testemunho de João Batista e o Batismo de Jesus. Conta o evangelho que havia uma expectativa por parte do povo referente a João Batista. João faz a distinção entre o seu batismo e o de Jesus. “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” (Lc 3,16). O mesmo Espírito que falou pelos profetas, também marca o início da missão de Jesus e faz nascer em pentecostes a Igreja e sua missão.

É dentro da realidade do batismo de João Batista que entra em cena Jesus para ser batizado. Fiquemos atentos para os detalhes do acontecimento do batismo de Jesus: Achava-se em oração, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corporal, como pomba. “E do céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho; eu, hoje, te gerei!’.” (Lc 3,22).

A oração de Jesus é o sinal do seu contato com o Pai e a pomba nos lembra a Arca de Noé depois do dilúvio voltando com um ramo de oliveira trazendo a mensagem da possibilidade de nova vida na terra (cf. Gn 8,11-12). A voz do Pai unge o Filho para o início de sua missão entre os homens. Nesta narração também identificamos a presença da Trindade no mundo, que é manifestada para nos mostrar que se inicia caminhada de Jesus à sua paixão, morte e ressurreição, dirigindo-se até pentecostes.

Jesus é o servo anunciado por Isaías: “Eis o meu servo que eu sustento, o meu eleito, em quem tenho prazer. Pus sobre ele o meu Espírito, ele trará o direito às nações.” (Is 42,1). Esta missão está bem detalhada nos Atos dos apóstolos: “ele passou fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo diabo, porque Deus estava com ele.” (At 10,38).

A Festa do Batismo do Senhor nos faz refletir sobre a vivência do nosso batismo na caminhada cristã como seguidores de Jesus. É a Trindade Santa que uma vez marcando a nossa vida na entrada para o novo povo de Deus, estará sempre na nossa missão de cristãos inseridos na morte e ressurreição do Senhor.

É conduzido pelo Espírito Santo que continuamos firmes na nossa vida familiar e na evangelização, é assim que somos inspirados nas nossas pregações, encontros de catequese, reuniões de família e, sobretudo vivendo o Culto Eucarístico e da Palavra que é centro da nossa vida de batizados, como Igreja peregrina em busca do céu.

Também, é nos sentindo na condição de filhos de Deus que nos alegramos como irmãos e irmãs numa mesma família amada e querida pelo mesmo Pai de amor e de misericórdia. E é sendo discípulo e missionário de Jesus que construímos juntos o Reino, que é de justiça, de solidariedade, de paz, de amor, de alegria e de comunhão num mundo que segue na contramão das realidades do evangelho.

Marcados por esta certeza da presença da Trindade na nossa vida batismal, podemos cantar alegres, o refrão pascal: “Banhados em Cristo, / somos uma nova criatura. / As coisas antigas já se passaram, / somos nascidos de novo”.

 

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SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Is 60,1-6; Sl 72(71); Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12

 

POESIA

CAMINHAR EM BUSCA DO MENINO

Seguindo a estrela de Belém,
Marcados pelo desejo de encontrar o Senhor
Vão os caminheiros do oriente,
Com o coração ardente,
Prontos para adorar,
E também para ofertar,
Os seus ricos e simbólicos presentes.

O encontro com o Deus menino,
Muda a direção dos curiosos caminheiros,
Seguem um caminho transformado,
As trilhas são de homens renovados,
Que vão levar a divina alegria,
Que pra eles antes não existia,
E agora é um sonho precioso realizado.

Também nós devemos seguir este caminho,
Via que nos leva até o Deus encarnado,
Para sermos discípulos com dons a oferecer,
Adorando o Senhor para na fé crescer,
Num caminho de evangelização,
Marcado pelo amor e a oração,
Convictos de um constante converter.

Não façamos como o rei tirano e solitário,
Que somente quis saber onde nasceu o Salvador,
Não se dispôs trilhar o caminho e até a ele chegar,
Pois teve medo de perder o seu lugar,
Mas o reinado do Senhor é diferente,
É de amor e para todos, como presente,
Para os que querem o encontrar.

Carreguemos o sentido da salvação universal,
Onde todos têm direito aos dons divinos.
Pois, todo homem é chamado à conversão,
De qualquer canto do mundo ou nação,
Basta abrir o coração a grande novidade,
Por que Deus veio morar na humanidade,
Para nos presentear com a salvação.

 

HOMILIA

Os magos do oriente são atraídos pela luz do Senhor

 

A Solenidade da Epifania[1] do Senhor nos traz o texto de Mateus, o qual nos conta o nascimento de Jesus em Belém. O Evangelista nos situa dentro do reinado de Herodes, o qual se sente ameaçado por tal acontecimento e procura encontrar o menino (cf. Mt 2,3).

Os especialistas nas escrituras (mestres da lei) localizam o texto do profeta Miquéias (5,1-4), que cita o nascimento do Messias em Belém. Em cena aparecem também os magos do oriente, que estão curiosos. Eles não têm as escrituras para decifrarem sobre o nascimento do Jesus, mas querem chegar até ele (cf. Mt 2,2). Herodes quer usar os magos para chegar até o menino, mas não consegue. No entanto, os magos são avisados em sonho para voltarem dessa grande jornada de busca e visita ao Messias por outro caminho (cf. Mt 2,12), para que Herodes não tenha a localização do Presépio.

A nossa reflexão mais importante deve se voltar para o significado da visita, das ofertas e da volta dos magos por outro caminho. Em primeiro lugar, a interpretação teológica nos ensina que os magos representam os gentios em sua diversidade racial, buscando e acolhendo a salvação universal que Deus através de seu Filho, Jesus Cristo, o Enviado.

Ir ao encontro do Menino significa a busca dos que querem encontrar-se com Deus. O texto de Mateus nos ensina que a Salvação em Cristo é para todos os homens, como nos fala São Paulo na segunda leitura: “os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo Corpo e coparticipantes da Promessa em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.” (Ef 3,6).

Um segundo ensinamento sobre a visita dos magos são as ofertas feitas por eles: ouro que é símbolo da realeza de Cristo; incenso, a sua divindade; e mirra, a sua unção no túmulo, no corpo (natureza humana) e a incorruptibilidade do seu corpo que culmina na Ressurreição. Antes mesmo das ofertas, os magos se ajoelham diante do Menino e o adoram (cf. Mt 2,12).

Num terceiro momento podemos lembrar que os visitantes retornaram para sua terra seguindo outro caminho, significando que o encontro com o menino Jesus transforma a vida daqueles que vivem a experiência que o Filho de Deus proporciona, tal como posteriormente aconteceu com a adúltera, com Zaqueu, com a Samaritana, com Bartimeu, com a hemorroíssa. Isso para ficar em apenas alguns relatos dos Evangelhos. Mas teremos inúmeros outros casos de Jesus e daqueles que caminharam em discipulado com ele nos três anos de ministério na Terra Santa. E essa experiência tem sido passada ao longo dos vinte séculos após a passagem do Galileu.

Portanto, a liturgia da Epifania do Senhor deve nos levar a meditar sobre a constante necessidade que temos de encontrar Jesus e renovar nossa caminhada, abrir novos caminhos e avançar na vida de discípulos amados por ele. A nossa vida deve ser de louvor marcada pela alegria que o encontro pode nos proporcionar. Podemos ainda nos perguntar: o que temos para oferecer a Deus? Que dons podemos colocar a serviço do Reino?

A dimensão universal da salvação, proposta em Mateus, pode nos direcionar para o aspecto ecumênico nas nossas ações cristãs em nossos relacionamentos com os irmãos de outras Igrejas e no nosso trabalho social voltado para serviço aos pobres.

Juntemos a nossa prece às das crianças do mundo inteiro, para que percorramos um ano novo cheio de muitas transformações na vida dos que querem encontrar o Senhor, dos que querem fazer uma caminhada marcada pelo crescimento espiritual, daqueles que querem juntamente conosco conhecer e seguir Jesus. Por fim, rezemos com o salmista: “As nações de toda terra hão de adorar-vos, ó Senhor” (Sl 72/71). Amém.

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[1] Do Grego, manifestação.

 

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SOLENIDADE DA SAGRADA FAMÍLIA – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Eclo 3,3-7.14-17a; Sl 128(127); Col 3,12-21; Lc 2,41-52

 

POESIA

A FAMÍLIA SANTA DE NAZARÉ

Mãe que escuta e a Deus se entrega,
Para viver um plano de amor exigente,
Que questiona, porém consente,
O peso da imensa missão,
Meditando no seu coração,
O amor de Deus e de sua gente.

Pai terreno e obediente ao Pai do Céu,
Discreto no seu silêncio orante,
Que nas dúvidas segue avante,
Ao anjo em sonho escutou,
E firmemente acreditou,
Postura de homem Santo suplicante.

Filho, Deus que desce a este mundo,
Presente no meio da multidão,
Rosto de Misericórdia e perdão,
Que traz aos homens a esperança,
A vida eterna como herança,
Ressuscita e nos dá a ressurreição.

Família, modelo para chegarmos ao céu,
Santa desde a sua fundação,
Referência para cada lar cristão,
Conduz-nos a evangelizar,
Fazendo-nos firmemente acreditar,
Que o reino se constrói pela missão.

E agora pedimos um auxílio santificador,
Para construirmos uma Igreja em nosso lar,
E ao mundo podermos testemunhar,
Uma vida de cuidado e comunhão,
Marcada pela evangelização,
Para as chagas do mundo poder curar.

 

HOMILIA

Família cristã: chamada a ser Igreja doméstica

 

O Domingo depois do Natal nos apresenta a Santa Família de Nazaré em peregrinação a Jerusalém. Trata-se da vivência de fé da família de Jesus em sintonia com o povo da primeira Aliança.

O evangelista Lucas nos fala de Jesus aos doze anos, já chegando a sua maturidade, de acordo com a tradição judaica. Ao final da Festa que durava sete dias, os peregrinos retornavam para suas casas geralmente em grupos familiares, Maria e José também voltam para Nazaré, e na longa caminhada percebem a ausência de Jesus e por isso retornam a Jerusalém.

O Evangelista conta que foram três dias a procura do Menino quando o encontram no Templo entre os doutores da lei. Podemos imaginar as palavras do Menino Jesus a respeito das coisas divinas, pois os ouvintes ficavam maravilhados. A resposta aos Pais, “não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49), deve ter deixado Maria e José intrigados inicialmente, mas depois ambos compreenderam, pois neste momento o menino já dá sinais da sua divindade e obediência ao Pai do Céu.

O interessante é que ele seguirá obediente à Maria e José no seu lar em Nazaré, no silêncio da família santa, no dia-a-dia de sua juventude até os trinta anos, quando sua vida pública se inicia, segundo as narrações do Evangelista.

Jesus vive na natureza humana e na divina obediência, virtudes próprias da santidade, postura original de santos e santas que nos deixaram os seus testemunhos para ensinar a todos os que querem seguir o Senhor.

A liturgia deste Domingo, portanto nos traz grandes orientações espirituais para que a família possa viver a santidade, a começar pela primeira leitura: “Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados, o que honra sua mãe é como quem ajunta um tesouro.” (Eclo 3,3-4). Numa sociedade em que se percebe a fragilidade da autoridade dos pais, é muito importante vislumbrar o valor que devemos dar ao amor e atenção, aos seus conselhos e a experiência de quem dedicou a sua vida aos filhos. Isso certamente nunca sairá da moda.

Quanto ao cuidado aos pais na velhice e o carinho nas suas limitações, nem sempre é uma realidade na ação filhos no mundo de hoje. São Paulo, na Carta aos Colossenses, aconselha que sejamos revestidos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência… (cf. Cl 3,12). Estas virtudes são exatamente as necessárias para vivermos a santidade na família e nos são exigidas quando cuidamos dos idosos e enfermos com suas limitações físicas e psicológicas.

Olhemos para Jesus que mesmo sendo Deus, era obediente à Maria e José. Com certeza foi também amável, solidário, paciente e orante no seu ambiente familiar e no convívio com os amigos. Maria, que guardava tudo no seu coração, com certeza também viveu um imenso amor ao seu lar, meditando o projeto que Deus lhe tinha proposto. A cada momento com Jesus deve sempre ter relembrado as palavras do anjo, deve ter pensado nos desafios do seu caminhar desde o nascimento do filho e com a certeza de que a sua missão não acabava com a maturidade de Jesus. E José como varão fiel ao projeto de Deus foi também orante, amoroso e obediente a Deus, vivendo do seu trabalho e preocupando-se com a manutenção da casa.

É importante que família cristã tenha como referência e centro de sua espiritualidade a Sagrada Família. Os pais devem ser referencial de evangelização primeiramente com o testemunho de santidade conjugal, no cuidado com os filhos no que se refere à educação, à vida de oração e ao convívio social. Deve ser missionária, formando Igrejas em casa, cultivando a leitura e a escuta da Palavra de forma constante, onde a partilha e o amor estejam presentes para fortalecerem a sua existência como instituição sagrada.

Não devemos esquecer que as chagas da sociedade é fruto de uma certa displicência no cuidado, na presença e na formação junto às crianças, adolescentes e jovens. O relativismo toma conta dos ambientes familiares, onde religião é opção pessoal e onde também falta ao pai e à mãe uma formação cristã mais sólida e consciente de sua missão.

Rezemos pedindo à Sagrada Família que ajude a tantos lares a se tornarem um ambiente de fraternidade, amor e oração, uma Igreja doméstica que viva a missão evangelizadora dentro e fora da casa. Amém.

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IV DOMINGO DO ADVENTO – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Mq 5,1-4a; Sl 80(79); Hb 10,5-10; Lc 1,39-45

 

POESIA

MÃE DO SILÊNCIO DA ESCUTA

No silêncio e na escuta do mensageiro,
Mas também questionando,
Entrega-se ao Senhor que forte lhe chama,
Coloca-se a disposição por que muito ama,
Mãe de Deus e da humanidade,
Para Deus é toda gratuidade,
Como poetisa um poema exclama.

Apressada parte caminhando,
Nos caminhos longos das tantas montanhas,
Para viver a missão em caridade,
Sentindo o chamado em simplicidade.
Leva consigo o Deus criança,
Parte sem medo e com muita esperança,
Para servir com humildade.

Traz ao mundo o Verbo encarnado,
Na sua vida de exigente e de peregrina,
Carrega no colo com muita coragem,
Levando a sério a divina mensagem,
Por que será a mãe de um Rei de amor,
Colaborando no plano salvador,
Deus virá em carne, além da imagem.

Denuncia os tantos erros do mundo
Com o canto alegre de profecia,
Vê os poderes que machucam os humanos,
Percebe as riquezas do mundo como engano,
Quando são usados para oprimir,
Somente Deus poder corrigir,
A deficiência dos homens e os seus planos.

E nesta missão divina que recebeu,
É Cheia de Graça em abundância,
Repleta da Palavra do Senhor,
Cantora dos pobres em sua dor,
Está consciente de sua missão,
Vive ativa e sem omissão,
É mãe dos apóstolos com pleno amor.

 

HOMILIA

Maria, exemplo de caminheira, de silêncio e de espera

 

O quarto domingo do Advento nos traz o texto do evangelista Lucas que apresenta duas mulheres, mães e santas, as quais fazem uma ligação da Antiga à Nova Aliança. Nelas, e através delas, Deus realiza as maravilhas da Salvação. Nessa mesma situação, há também o encontro de duas crianças: o precursor, o último dos profetas da primeira Aliança e depois o Emanuel, o Deus conosco, que confirmará a sua presença entre os homens, participando das situações próprias dos homens, menos no pecado.

O interessante é que se trata de realidades onde comprovamos a frase que o próprio Lucas coloca na boca do Anjo: “Para Deus, com efeito, nada é impossível.” (Lc 1,37). Vejamos: Maria era virgem e ficaria grávida. Deus lhe propõe um projeto, mas apesar dos questionamentos e perturbações (cf. Lc 1,29) ela abraça este plano com o seu sim. Isabel era idosa, já não havia possibilidades para engravidar e o Senhor faz o impossível às convicções humanas. O ventre de Isabel guarda João Batista, aquele que preparou os caminhos do Senhor. Em Maria, Sacrário Santo! Deus se encarna para recriar o homem à sua imagem e semelhança.

Voltemos nossa atenção para Maria, a escolhida para colaborar no plano da Salvação. Ela parte apressadamente, porque sente a necessidade de ajudar a Isabel, porque o tempo das promessas de Deus começa a se realizar e é preciso caminhar rápido. A sua visita é mais que uma presença física, é um ato missionário e de serviço à sua prima Isabel. Aqui está presente o cuidado de Maria, na caridade que brota do seu coração totalmente disponível a Deus.

Maria vive toda esta realidade por que acreditou e acreditar é próprio dos que obedecem a Deus. Maria é a Bem-Aventurada, a cheia de Graça, a mulher da escuta e do silêncio. Por isso, de uma forma ousada podemos dizer que ela é a poetisa de Deus. Sua declamação (poesia), o magnificat, brota de sua constante oração, escuta e leitura da Palavra de Deus anunciada pelos profetas. Não é fantasia de uma jovem judia, mas um olhar voltado para o mundo, no chão onde ela pisa, através da consciência de que Deus faz “maravilhas, que demonstra o poder de seu braço, que dispersa os orgulhosos, derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes”[1].

A disposição de Maria como serva do Senhor já se realiza na presença caridosa à Isabel que a acolhe na simplicidade e alegria. Isabel poderá também significar todas as mães e crianças que necessitam da presença da caridade cristã que se traduz no zelo e cuidado de Deus para com os pobres. Aqueles que acolhem a mãe de Deus e o salvador em sua casa e em sua vida.

Toda a realização da chegada de Jesus em Belém já estava anunciada pelo Profeta Miquéias que diz: “E tu, Belém-Éfrata, pequena entre os clãs de Judá, de ti sairá para mim aquele que governará Israel.” (Mq 5,1).

Na segunda leitura temos a ação de Cristo, sua missão e identidade diante do mundo. É o filho de Deus que veio para fazer a vontade do Pai, assim diz a carta aos Hebreus: “E graças a esta vontade é que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas.” (Hb 10,10).

A liturgia do IV Domingo do Advento, portanto, nos convida a olharmos para Maria e seguirmos seu exemplo de serva fiel ao Senhor. Ela nos ensina a sermos obedientes ao chamado de Deus, colaborar com o seu Plano de Salvação, acolhendo Jesus que vem. Faz-se necessário acreditarmos no que Deus nos diz e nos chama a fazer, mesmo que muitas situações ainda não estejam tão claras no caminho com ele.

Por fim, para viver de forma completa a experiência com Deus não podemos ser intimista ou individualista. Devemos nos voltar para o próximo percebendo as necessidades mais plausíveis e indispensáveis de nossa presença, ou seja, a vivência cristã nunca será completa se não vivermos a caridade.

Portanto, quando estamos cheios da Graça de Deus e de sua Palavra, nossa boca proclama naturalmente as maravilhas d’Ele e ao mesmo tempo nossas palavras são proféticas, nossas ações são pautadas no amor, a nossa vida no testemunho que às vezes dispensam as palavras.

Peçamos a Deus a graça da perseverança e a coragem de mudarmos nossa vida para uma atitude cada vez mais orante. Peçamos como o salmista: “Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos para que sejamos salvos!” Amém.

[1] Cf. Cântico Evangélico “Magnificat”. In Liturgia das Horas: segundo o rito romano. Vozes; Paulinas; Paulus; Ave Maria, 1999.

 

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III DOMINGO DO ADVENTO – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Sf 3,14-18a; Is 12,2-6; Fl 4,4-7; Lc 3,10-18

 

POESIA

A VERDADEIRA ALEGRIA

 

A alegria verdadeira,
É a que vem do Senhor,
Nos tropeços e na dor.
Mesmo na enfermidade,
E na fragilidade,
Dos que buscam o amor.

A alegria verdadeira,
Brota da caridade,
Das ações de bondade,
Marcadas pelo servir,
Dos que querem construir,
A Santa fraternidade.

A alegria da Espera,
Que traz a esperança,
Que propõe as mudanças,
Nos gestos concretos,
Muitas vezes discretos,
Mas na confiança.

A alegria dos profetas,
Que anunciam o mundo novo,
Junto ao seu querido povo,
A justiça esperada,
Sempre muito sonhada,
Que voltará de novo.

A alegria dos Apóstolos,
Já convertidos,
E convencidos,
Da vida vencedora,
Da paz vindoura,
Para os merecidos.

A alegria dos cristãos,
Continuando o caminhar,
Sempre a anunciar,
Com grande esperança,
E com fé e confiança:
No Reino que vai chegar.

 

HOMILIA

A alegria e a espera compromissada do discípulo

 

O evangelista Lucas nos apresenta mais uma vez João Batista em sua pregação e, desta vez, não somente às multidões, mas agora também dirigida aos publicanos e aos soldados do Império Romano, os quais perguntam o que fazer para estarem preparados quando o Senhor chegar.

Para a multidão, o profeta aconselha que se repartam as vestes (bens) e o alimento com os que não têm. Aos cobradores de impostos, responde que sejam responsáveis e justos nas cobranças. Aos soldados a serviço do Império, João Batista responde: que não tomem dinheiro de ninguém e que não sejam injustos nas acusações, que sejam verdadeiros (cf. Lc 3,11-15).

Toda a pregação do Batista é para que as pessoas se convertam, recebam o batismo e estejam preparadas para a vinda do Senhor. João se apresenta na simplicidade e humildade a ponto de se considerar como um escravo: “Não sou digno de desatar a correia das sandálias.” (Lc 3,16) e depois faz uma comparação do seu batismo com o de Jesus: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Lc 3,16). É preciso estar preparado, pois o Senhor virá para que a Reino de Deus aconteça.

O que podemos refletir deste texto de Lucas? As orientações de João Batista nos apontam gestos concretos como virtudes para a verdadeira conversão. Depois esta pregação está voltada para a dimensão social onde se faz necessário que se possa olhar para os necessitados. Para a verdadeira alegria acontecer é importante que haja a partilha, a lealdade e a justiça, que os impostos sejam cobrados na justa medida e que as forças do governo não sejam opressoras e repressoras.

Podemos pensar neste momento: o que nos dá alegria como discípulos e missionários de Cristo? E quais são os mecanismos e instâncias que retiram do povo a verdadeira alegria? Que motivos de alegria celebramos neste Domingo?

O verdadeiro discípulo é firme e forte mesmo diante dos desafios pessoais e comunitários, por isso diante da missão de levar o amor de Deus e semear a sua Palavra ele poderá carregar no coração as palavras do profeta Sofonias: “Alegra-te e exulta de todo coração.” (Sf 3,14c). Este discípulo também deve ser simples e considerar-se um instrumento de Deus na pregação, como uma vela que alumia o mundo com a luz do Senhor, um discípulo inebriado pela força do Espírito Santo.

Temos muitos motivos de alegria para celebrar: pelas tantas pessoas que partilham dos seus bens para ajudar os necessitados e as inúmeras ações sociais e ao mesmo tempo religiosas, que semeiam a esperança, devolvem a alegria interior e a dignidade humana.

Por fim, celebremos a alegria de estarmos juntos nos alimentando do Pão da Vida e da Palavra Eterna para vivermos neste mundo como irmãos eucarísticos, ou seja, com um olhar no Cristo Glorioso, o Ressuscitado, e ao mesmo tempo reconhecendo a sua natureza humana no rosto dos que sofrem materialmente e espiritualmente.

Peçamos ao Espírito Santo, Fogo Abrasador, que anima e que alegra a todos nós, discípulos de Cristo para a missão, a força e a graça de vivermos o batismo de Cristo. Seja o nosso coração inundado pela verdadeira caridade e humildade. Sigamos em frente na alegre espera do Senhor que está para chegar. E rezemos com o profeta de Isaías, no seu cântico: “Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus de Israel.” (Is 12,2). Amém.

 

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II DOMINGO DO ADVENTO – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Br 5,1-9; Sl 125(126); Fl 1,4-6.8-11; Lc 3,1-6

 

POESIA

PREPAREMOS O CAMINHO DO SENHOR

 

Vivemos a intensidade
De uma espera em alegria,
Confiantes e sem medo,
João Batista anuncia,
Só precisa conversão,
Viver a contemplação
Do menino em alegria.

Percebemos neste mundo
tantos caminhos entortados,
Tanta tristeza, violência,
muitos irmãos massacrados.
É a ausência do amor,
Falta acolher o Senhor,
Pro mundo ser transformado.

Os profetas anunciaram
Para o mundo a redenção,
Para o povo alertaram
Que é preciso conversão.
Pra justiça acontecer,
Todos devem se rever,
Não existe enganação.

O sonho se realiza
Quando temos esperança,
Quando nosso caminhar,
Permanece em aliança.
Caminhos endireitados,
Altos montes abaixados,
E em Deus a confiança.

E então a nossa espera,
Deve ser na oração,
Na leitura da Palavra
E no alimento do Pão.
O olhar no Deus da vida,
Uma fé bem definida,
Para ver a salvação.

 

HOMILIA

Convite à conversão em tempos de espera

 

O evangelista Lucas nos situa no tempo: “No ano décimo quinto do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia…” (Lc 3,1a), mostrando-nos que a sua ação se dá na história dos homens. Foi nesse tempo que “a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto.” (Lc 3,2b). A pregação de João é fundamentada num batismo de conversão, preparando o povo para receber o Salvador.

O deserto é o lugar propício para esta missão profética, pois foi lá que Deus se manifestou na caminhada do povo, conduzindo-os para a libertação e trazendo a promessa da redenção para todo Israel. Foi lá também que Jesus se preparou para a sua ação messiânica.

O Evangelista coloca na sua narração um texto de Isaías: “Voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, tornai retas suas veredas.” (Lc 3,4b). Neste mesmo sentido a primeira leitura nos falará pelo profeta Baruc: “Pois Deus ordenou que fossem abaixadas toda alta montanha e as colinas eternas, e se encham os vales para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar com segurança, na glória de Deus.” (Br 5,7).

São Paulo, na sua carta aos filipenses, nos exorta que é pelo crescimento do conhecimento e da experiência que todos os cristãos ficam puros e sem defeito para o dia de Cristo. (cf. Fl 1,10).

Todas as leituras nos conduzem para uma reflexão de preparação para a vinda do Senhor, dentro de uma atitude de conversão, na busca de uma ação que reflita o Reino. Lembremos que o evangelista Lucas apresenta a proposta da salvação a todos os homens: não há mais barreiras culturais para chegar à presença da Palavra de Deus. A pregação de João Batista anuncia que se endireitem os caminhos do Senhor.

Faz-se necessário uma mudança de vida, um novo caminhar, a fim de que a Palavra seja semeada. Neste imperativo do precursor de Jesus está o sentido maior da experiência do Advento como tempo de espera. As pessoas esperam um ano novo de sucesso, de paz e fraternidade nos seus lares; no mundo do comércio, mensagens de feliz Natal e feliz Ano Novo são estampados em letras garrafais; muitas paróquias fazem suas assembleias neste período para avaliar a caminhada do ano e, sobretudo, para planejar e sonhar com uma realidade nova e com uma nova evangelização. Assim cada um tem seus projetos, sonhos, podendo ter também angústias e desilusões por não ter caminhado com sucesso.

A liturgia deste segundo domingo do Advento nos pede a conversão exigente do nosso coração, com novas atitudes na nossa casa, no nosso grupo, na nossa paróquia… Para que os caminhos da Evangelização sejam endireitados e o verbo encarnado seja acolhido para que haja justiça, paz e fraternidade neste mundo de tantos caminhos tortos.

Portanto faz-se necessário que nos preparemos para celebrarmos com intensidade a chegada de Deus que se fez homem entre os homens e que veio trazer a alegria da acolhida a todos os homens, a misericórdia e resgatar o que estava perdido.

A novena de Natal nas casas é uma ação simples, mas eficaz para a evangelização das famílias. A preparação do presépio na sala fará com que as crianças visualizem o mistério do Menino Jesus. Em tudo isso é preciso que sejamos orantes e, sobretudo, em alguns momentos saibamos viver o silêncio para acolhermos Deus. Nossos lares estão marcados por muitos barulhos, nossos ouvidos estão vedados por fones e nossos olhos muitas vezes impedidos de contemplar a beleza de Deus nas pessoas e na sua Criação.

Agradeçamos a Deus pela sua misericórdia e seu infinito amor e digamos como o salmista: “Maravilhas fez conosco o Senhor: exultemos de alegria!” (Sl 125/126). Que a alegria não falte no coração que busca a Cristo e o ama! Amém.

 

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I DOMINGO DO ADVENTO – ANO C, SÃO LUCAS

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Leituras: Jr 33,14-16; Sl 24(25); 1Ts 3,12-4,2; Lc 21,25-28.34-36

 

POESIA

A ALEGRE ESPERA DO SENHOR

 

Caminhamos esperando o Senhor,
Na verdade, já caminhamos com ele,
No encontro com sua Palavra,
No alimento do seu corpo,
E no saciar da sede da alma.

Caminhamos esperando o Senhor,
Com cuidado nas nossas ações,
Com a alegria em vez do medo,
Com o olhar atento à vida,
Marcados pela esperança.

Caminhamos esperando o Senhor,
Atentos aos irmãos que tropeçam,
Também, levantando das nossas quedas,
Mas querendo caminhar de novo,
De mãos dadas na missão.

Caminhamos esperando o Senhor,
Vivendo a oração perseverante,
Num olhar além do nosso chão,
Na estrada de todos os discípulos,
Para está de pé diante Dele.

 

HOMILIA

O Advento chegou! Esperemos alegres o Senhor que vem!

 

O Evangelho deste primeiro domingo do Advento nos apresenta Jesus em Jerusalém falando para os discípulos sobre a sua segunda vinda. Haverá vários sinais nos astros e “os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.” (Lc 21,26). Esta realidade apresentada por Lucas precede a libertação daqueles que buscam em Deus a salvação.

Jesus alerta: “ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem.” (Lc 21,36).

Para os judeus esta previsão apresentada por Jesus é aterrorizadora, pois para eles o fim do mundo significava a destruição de Jerusalém. Portanto este fim que Jesus anuncia naquele tempo significa o final do antigo povo e o início de um novo povo, um novo tempo para as nações. Este novo tempo está anunciado na primeira leitura, no profeta Jeremias, o qual anuncia a realização da promessa da salvação: “Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante; este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa Justiça’.” (Jr 33,16).

Na segunda Leitura, São Paulo fala aos Tessalonicenses: “Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.” (1Ts 3,13).

O tempo do Advento é o momento litúrgico adequado para a nossa reflexão como cristãos discípulos missionários do Senhor, numa atitude não de medo, mas de alegre espera, porém vigilantes. Por isso precisamos tomar cuidado com nossas ações na vida cotidiana. Tomar cuidado com a nossa evangelização que às vezes é falha, é raquítica e marcada por preconceitos em relação aos homens e mulheres que não estão no nosso caminho cristão. Cuidado também com a nossa postura de zona de conforto a qual se traduz no “tudo está muito bem”, temos Igreja cheias aos domingos, um número considerável de catequistas, alguns grupos jovens e outros argumentos a mais… e lá fora como está? É nosso dever saber? Precisamos ir aos que foram batizados e não vieram mais à Igreja?

Precisamos ficar atentos ao anúncio do Evangelho, para que seja transmitido na esperança, na justiça e na fraternidade. A violência que vemos todos os dias nos meios de comunicação é consequência da ausência de Deus, pois é o seu amor que faz nascer a Paz. É ausência da Palavra proclamada e rezada em família e a falta de missionários nos lares levando a proposta do reino de Deus.

Enfim, precisamos orar a todo momento (cf. Lc 21,36), pois a oração nos alimenta e nos torna conscientes do que Deus planeja para cada um de nós. É orando na Missa, na Liturgia das Horas ou no Ofício Divino, com a leitura da Bíblia em família, com o Santo Rosário e outra modalidade de oração que nos converte e nos mantém no caminho de santidade.

São estas atitudes que nos prepararão para acolhermos Jesus Menino, que veio morar conosco, sentir nossas dores, nossas fragilidades, mas também nossas alegrias e vitórias. É vivendo a oração constante e ficando vigilantes que iremos caminhando para uma fé mais madura e vamos nos tornando discípulos fiéis do Senhor.

Peçamos a benção de Deus neste Advento para que tenhamos perseverança na caminhada cristã, na santidade e no esforço de estarmos preparados para quando o Senhor vier.

 

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SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

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ANO NACIONAL DO LAICATO

Leituras: Dn 7,13-14; Sl 92(93); Ap 1,5-8; Jo 18,33b-37

 

POESIA

ESTE REI NÃO É DESTE MUNDO

 

Este Rei é Divino,
Ele vem das alturas,
Desceu com ternura,
Para nos libertar.
Ele é mensageiro,
Para os caminheiros,
Vem anunciar.

É um Rei diferente,
De natureza humana,
A nós se irmana,
Pra poder chegar.
Seu reino é amor,
Faz-se servidor,
É assim, seu reinar.

Não vem com soldados,
Vive a mansidão,
Não tem opressão,
Só vem para amar.
Chama à conversão,
Envia em missão,
Pra outros chamar.

Ele não tem fama,
Tem simplicidade
Sem publicidade,
Sem triunfalismo.
Seu reino é semente,
Na vida da gente,
Sem popularismo.

Ele é nosso mestre,
Sempre a ensinar,
A quem quer escutar,
Com perseverança.
Quer sempre acolher,
A quem quer lhe ver,
Pois ele é esperança.

Reinai ó Senhor,
Em nossa existência,
Dai-nos a clemencia,
Tua salvação.
Pois se a ti seguimos,
Contigo partimos
Para a redenção.

 

HOMILIA

Ele é o Alfa e Ômega, o começo e fim…

O Evangelho de João nos traz o encontro de dois Reis. Um é o Rei Herodes que tem um exército, é rico, age pela frieza, pelo poder perverso, pelo autoritarismo e o popularismo. O segundo rei, Jesus, é pobre, o homem manso, cheio de misericórdia, sem armas e sem soldados. Seu Reino não é deste mundo, pois vem do alto e está acima dos poderes terrenos.

A realeza de Jesus está marcada pela caridade e acolhimentos aos que sofrem e querem a salvação eterna. Também estão presentes neste reino a verdade, a justiça, o serviço e o amor incondicional pela fidelidade à missão que Deus Pai confiou a Ele.

Por não ser deste mundo, este Rei não se afasta das realidades humanas e das situações de injustiças e domínios perversos contra os homens e mulheres. Ele se importa e sente as dores das situações de opressão, de politicagens, sofrimentos interiores e exteriores dos humanos; os que seguem este Rei são inseridos nele para viver a missão de propagar a realeza divina no meio da humanidade.

A primeira leitura, do livro de Daniel, se refere ao Rei e ao seu Reino: “Foram-lhe dados poder, honra e realeza, e todos os povos, nações e línguas o servem; seu poder é eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá” (Dn 7,14).

Os reinos da terra e dos homens, portanto são finitos e se dissolvem ao mesmo tempo em que são marcados pela imposição e pela ordem cega. Quanto à segunda leitura, tirada do Apocalipse, nos fala sobre o Rei divino: “Jesus Cristo é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra” (Ap 1,5). O poder de Cristo está além da dimensão humana, pois é marcado pela fidelidade, vence a morte, traz a ressurreição e resgata os errantes pela misericórdia.

Agora vem a reflexão: como vejo Cristo e seu reinado na minha vida e na vida da Igreja? É importante lembrar que a nossa postura e nossa ação como cristãos no mundo e no apostolado, depende de como estamos concebendo Cristo através de nossas opiniões particulares. Para uns, ser cristão é ser soldado a serviço de ordens irrevogáveis, sem poder dizer não. Para outros é obedecer a um rei intolerante, que está a toda hora castigando àqueles que não cumprem suas determinações.

É importante que vejamos a relação de Jesus com seus discípulos e sua postura diante daqueles que o busca. Primeiramente ele não tem exércitos para mandar, mas discípulos que o seguem por amor e adesão livre. Depois ele não impõe ordens e nem obriga ninguém a segui-lo, ensina-os com amor, coloca os critérios, os riscos consequentes dos que o acompanham e depois os chama para serem discípulos e não soldados.

O reinado de Jesus é marcado pela alegria e gratidão, pois no seu nascimento os anjos cantam de alegria diante dos pastores da noite de Belém. “Cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova” (Lc 7,22). Todas estas ações milagrosas de Jesus são posteriormente marcadas pela alegria dos que foram curados. Muitos destes tornaram-se discípulos para sempre. E o coroamento da alegria mais completa é a sua própria ressurreição, na mais linda e alegre das manhãs dos discípulos e das mulheres que seguiam o Senhor.

Portanto, fazer parte deste Reino é viver a alegria, a fraternidade, a justiça, o sonho de um mundo de paz e o pé na estrada para a vida definitiva. É buscar a santidade, vivendo na escuta da Palavra e se alimentando do corpo do Senhor, sendo também corpo, membros em comunhão, rezando e cantando como o salmo 92: “Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos, dos séculos, Senhor!”.

 

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